"Golpe é romper com o que está na Constituição", diz Temer - Se Liga na Informação

13/04/2016

"Golpe é romper com o que está na Constituição", diz Temer

Vice-presidente também condenou as acusações do Planalto de que tenha "conspirado" pela queda da presidente Dilma

Estadão Conteúdo
"Se o destino me levar para essa função, é claro que estarei preparado", diz Michel Temer
O vice-presidente Michel Temer classifica de "golpe" qualquer medida que rompa com o previsto na Constituição e afirma que a Carta não prevê eleições gerais. Em entrevista, o peemedebista rejeita as acusações do Planalto de que tenha "conspirado" pela queda da presidente Dilma Rousseff e diz que, "por força do diálogo, coletivamente, tiraremos o País da crise".
O sr. está preparado para ser presidente da República se o plenário da Câmara e depois e Senado decidirem pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Primeiro quero reiterar a preliminar da sua pergunta. Evidentemente que, cautelosamente, tenho que aguardar aquilo que a Câmara decidir e o Senado vier a decidir depois. Agora, evidentemente que, sem ser pretensioso, mas muito modestamente, devo dizer que eu tenho uma vida pública já com muita experiência. Se o destino me levar para essa função, e mais uma vez eu digo que eu devo aguardar os acontecimentos, é claro que estarei preparado porque o que pauta a minha atividade é exatamente o diálogo. Eu sei que por força do diálogo e, portanto, coletivamente, com todos os partidos, os vários setores da sociedade, tiraremos o País da crise.
E na hipótese contrária? O sr. está preparado para o caso de o impeachment não passar?
A minha convivência será constitucional, como sempre. E sendo institucional eu não tenho nada a temer, né? Estarei tranquilo, aconteça o que acontecer.
Serão dois anos bastante atípicos na história brasileira, não?
É, mas você sabe que ao longo do período em que fui vice-presidente, nunca tive um chamamento efetivo para participar das questões de governo. De modo que, digamos, se nada acontecer, tudo continuará como dantes, não é? Nada mudará (risos).
O sr. ouviu o ministro Jaques Wagner dizer que, se o impeachment não passar, o sr. deve renunciar. Qual sua resposta a ele?
Eu respondo que (foi) o entusiasmo momentâneo do Jaques Wagner, uma figura delicada e educada. Naturalmente há um arroubo que muitas vezes toma conta das pessoas, por mais educadas e delicadas que sejam.
Então, renunciar não?
Por favor, né (risadas).
Há uma romaria de políticos no Palácio do Jaburu?
Olha, muitos me procuram, você sabe que eu mantenho uma discrição absoluta, embora seja apodado das mais variadas denominações, como "golpista". Eu passei praticamente três semanas em São Paulo precisamente para que não me acusassem de nenhuma articulação. Agora, evidentemente, num dado momento, começou uma tal, digamos assim, uma guerra contra minha figura, no plano político e no pessoal, e eu fui obrigado a me defender. Então o que eu faço hoje não é guerrear, é defender.
O sr. acha que essa guerra vai continuar em qualquer caso, passe ou não o impeachment?
Não creio, não creio. Essas coisas são passageiras. Logo as pessoas terão compreensão de tudo que é importante para o País.
Essas pessoas que vêm aqui são de todos os partidos, do PP, PSD, PTB? O que eles vêm fazer?
Todos os partidos, até porque eles sabem, pela convivência de 24 anos no Parlamento, que sempre convivi harmoniosamente com todos os partidos políticos.
No caso de o sr. tomar posse, o que dirá aos partidos políticos?
Eu prefiro não mencionar isso, porque estaríamos todos supondo que vou tomar posse. Se você me disser: "Mas você não precisa se preparar para uma eventualidade?", é claro que eu tenho na minha cabeça as questões que eu trataria, mas prefiro aguardar o evento.

Temer diz que precisa da manutenção dos programas sociais e sua revalorização
Agência Brasil
Temer diz que precisa da manutenção dos programas sociais e sua revalorização

Mas o sr. já distribuiu a gravação em que praticamente toma posse. O sr. sentou na cadeira?
(Risadas) Eu não sentei na cadeira, não. Instado por amigos meus que me disseram: "Você precisa se preparar, não é, por que afinal, daqui a alguns dias, se de repente acontecer alguma coisa, o que é que você vai dizer?". E daí, me explico mais uma vez, eu disse: "Olha, eu vou fazer o seguinte, eu vou gravar uma coisa que, em tese, eu falarei, se, em tese, acontecer alguma coisa, e até peço que depois nós possamos burilar essas sentenças e essas palavras". E fiz uma gravação, e em vez de mandar para um amigo (risadas), equivocadamente mandei para um grupo de deputados e vazou alguma coisa, que não tem importância nenhuma, porque o conteúdo daquilo que eu disse eu já havia dito no passado e continuarei dizendo em qualquer momento, porque acho que é disso que o País precisa.
Do que o País precisa?
Conciliação, pacificação, diálogo, interação de trabalhadores e empregadores, integração de todos os setores da nacionalidade, prestigiamento da iniciativa privada. A manutenção dos programas sociais e sua revalorização.
O sr. teme que MST, CUT, UNE infernizem sua eventual gestão?
Não acredito, porque todos têm, certa e seguramente, um sentimento patriótico, né? Quando vamos pregar a unidade do País aqueles que não quiserem a pacificação estarão contra o desejo do povo brasileiro e tenho certeza de que essas entidades têm o mesmo desejo.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador Valdir Raupp defenderam eleições antecipadas. Como o sr. vê isso?
Muito útil. Num Estado democrático as pessoas têm que ter liberdade de manifestação. Eu sou contra por uma razão: sou muito apegado ao texto constitucional. Toda vez que se quiser sair do texto constitucional está se propondo uma ruptura com a Constituição. E toda e qualquer ruptura com a Constituição é indesejável. A estabilidade do País e das instituições depende do que está na Constituição e nela não há hipótese de eleições gerais.
Eleição geral seria um golpe?
Seria algo que rompe com a Constituição. Não gosto de usar a palavra golpe, que está muito indevidamente utilizada, politicamente utilizada. Golpe, na verdade, é só quando se rompe com a Constituição.
Veja imagens das manifestações contra Dilma em todo o País
Na Avenida Paulista; manifestante criticou o regime comunista. Foto: André Tambucci/ Fotos Públicas - 13.3.16
Manifestantes fizeram o enterro simbólico do ex-presidente Lula durante o ato na Avenida Paulista. Foto: André Tambucci/ Fotos Públicas - 13.3.16
Manifestante propõe ressuscitar 1964 durante ato na Avenida Paulista. Foto: André Tambucci/ Fotos Públicas - 13.3.16
protesto pixuleco - impeachment - 13-03-2016 - avenida paulista - são paulo. Foto: Renato Ribeiro Silva/Futura Press - 13.03.2016
São Paulo: Vale até malabarismo para registrar a participação no ato do 13 de março. Foto: André Tambucci/ Fotos Públicas - 13.3.16
O pedalinho no sítio de Atibaia (SP), usado pela família de Lula, serviu de inspiração no ato contra o governo, em São Paulo. Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil - 13.3.13
Manifestantes favoráveis a presidente Dilma fizeram um churrasco de coxinhas de frango no Parque Farroupilha, em Porto Alegre. Foto: Daniel Isaia/ Agência Brasil - 13.3.16
Ato esvaziado no Rio de Janeiro defendeu a presidente Dilma; manifestante tira o nome do vice, Michel Temer, da bandeira. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil - 13.3.16
Lula retribui manifestação de apoio feita em frente ao prédio onde mora, em São Bernardo do Campo (SP). Foto: Adonis Guerra/ SMABC/Divulgação - 13.3.16
Protesto contra Dilma Rousseff em São Luís (MA). Foto: Honório Moreira/Futura Press - 13.03.16
Protesto contra o governo Dilma Rousseff (PT), na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte (MG). Foto: Alberto Wu/Futura Press - 13.03.16
Em ato no Rio, cariocas também pediram intervenção militar. Foto: Alessandro Buzas/Futura Press - 13.03.16
Artistas também participaram dos protestos. No Rio de Janeiro, Susana Vieira se manifestou contra Dilma Rousseff. Foto: Delmiro Junior/Futura Press - 13.03.16
Manifestante pró-PT tirou a roupa para protestar em apoio a Dilma Rousseff na Avenida Paulista e foi retirada por policiais militares. Foto: Kevin David/Futura Press - 13.03.16
Manifestantes tiram fotos com militares e tropa de choque em protesto em SP. Foto: Kevin David/Futura Press - 13.03.16
Bonecos infláveis de Lula e Dilma Rousseff na Avenida Paulista. Foto: Newton Menezes/Futura Press - 13.03.2016
Manifestantes protestam contra a presidente Dilma Rousseff e o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (13) em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.. Foto: Luciano Belford/Estadão Conteúdo - 13.03.16
Manifestantes de Brasília fazem menções à ações da PF e do MP-SP contra o ex-presidente Lula. Foto: Charles Sholl/Futura Press - 13.03.16
Em Brasília, manifestantes levaram o Pixuleco – boneco de Lula vestido de presidiário – para o protesto. Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 13.03.16
Deputado Jair Bolsonaro compareceu à manifestação anti-Dilma em Brasília. Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 13.03.16
Ações contra o ex-presidente Luiz Inácio da Silva levam às ruas do Recife movimentos anti-PT. Foto: Pablo Kennedy/Futura Press - 13.03.16
Movimentação do protesto contra o governo Dilma Rousseff (PT) em Salvador. Foto: Fabio Bouzas/Futura Press - 13.03.16
Manifestação em Salvador foi organizada pelo movimento Vem Pra Rua. Foto: Fabio Bouzas/Futura Press - 13.03.16
Manifestações contra Dilma Rousseff no centro de Belém. Foto: Raimundo Paccó/Estadão Conteúdo
Manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo - 13.03.16
Paulistas pedem o fim da corrupção e apoiam o juiz federal Sérgio Moro, na Avenida Paulista. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press - 13.03.16
No entanto, movimentos pró-Dilma e pró-Lula passaram pela Avenida e colocaram cartazes de apoio aos petistas. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press - 13.03.16
Na Avenida Paulista; manifestante criticou o regime comunista. Foto: André Tambucci/ Fotos

Atenção


Ao acessar o nosso Blog vote na enquete que fica do lado direito de seu monitor. A pergunta da enquete é: Qual desses nomes seria o melhor candidato (a) a Prefeito para disputar as Eleições de 2016 em Inhambupe? Deixe seu voto. O Blog Se Liga na Informação agradece a sua participação

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pages