Em um artigo no site do CACP (AQUI) há um artigo do militante cristão, ortodoxo, o ilustre Pr. Natanael Rinald. Homem de Deus cujo trabalho contra as heresias ficará na história da igreja desse país. Porém, o artigo possui alguns erros que poderiam ser evitados. Ele dá 10 razões onde diz do porque não guarda o 4º mandamento. Esse é um tema complexo, e falta sintonia entre o pensamento dele e com o que eu penso, assim pode haver alguma injustiça em minha avaliação. Apresento breves respostas às suas razões:
‘1º Razão’ – Segundo ele ‘Deus não incluiu o quarto mandamento no NT’. Pelo menos nos Evangelhos o sábado era pressuposto (Lc 23.56). Jesus guardou o sábado, pois qual mente desafiaria a afirmativa do Senhor que disse que veio “para cumprir” a lei? Um fato é que ele cumpriu em suas diversas esferas na missão Messiânica, a moral, profética e cerimonial (Mt 5.17). Dessa forma Rinald devia ter qualificado a razão após Atos, mas nem ali finalmente, quando a teologia cristã ficou cristalina nas cartas e nas práticas apostólicas. Além disso, sabemos que o argumento é o argumento do silêncio. Não vemos uma mudança ou abandono do sábado abrupto assim.
‘2º Razão' – Segundo ele ‘Jesus não ordenou em nenhuma passagem a guarda de algum dia’. Outro erro do argumento acima, e as minhas observações aplicadas aqui também. Porém, a meu ver, um tropeço a mais do nosso irmão. Jesus disse a respeito da oferta no altar (Mt 5.24), da cerimônia da purificação do leproso conforme a Lei de Moisés (Mt 8.4), isso, então, tendo por base seu argumento, deveria ser mantido? Para piorar, em qual texto Jesus anulou a Lei Cerimonial? A Lei Cívica? Ele mesmo confirmou a lei cívica Mosaica em Mateus 15.4, b. O segundo argumento também é falho.
‘3º Razão’ – Segundo ele ‘o sábado era apenas com Israel’. De fato não encontramos a guarda do sábado pelos patriarcas. Mas a razão do sábado conforme vemos no decálogo em Êxodo 20 era anterior a Israel. Deuteronômio 5 sim, faz conexão com a libertação do Egito. Podemos apenas ler os dados bíblicos e concluir uma coisa – o sábado foi santificado por Deus na sua obra criativa, e essa foi a razão primária de escolher tal dia. A segunda razão foi que tal lei lembraria os Israelitas de que foram escravos – já que lá não havia descanso.
‘4º Razão’ – Rinald diz que ‘o sábado era o único cerimonial’ no decálogo. Devemos ter presente que havia elementos cerimoniais no sábado, ele está na lista de festas solenes de Levítico 23. Mas dizer que tal mandamento era cerimonial totalmente é ir além do testemunho do VT. Isaias 56.5-8 revela um mandamento de relacionamento com Deus. Algo moral e espiritual que está além das cerimonias. Nessa razão, precisamos ter um julgamento correto de algumas coisas. Toda lei de Deus a Israel era satisfatória para a moral e para alma. Se você ler o Salmo 119 perceberá isso.
‘5º Razão’ – Essa é decorrente da anterior. Dizer que terminar o descanso não implicaria em nada na moral não soa muito legal. Devemos lembrar que quando o decálogo foi dado em dez palavras, ‘foi dado em uma só voz’, e ratificado posteriormente. Se esse mandamento está entre os demais, sua importância é igualitária, sendo ou não cerimonial e/ou moral. Com esse mandamento foi guardado na arca da aliança. A presença de Deus ali estava.
‘6º Razão’ – Uma das piores objeções lançadas contra o sábado. Não apenas o estimado pastor, mas já li muito em outros. Qualquer leitor mediano das Escrituras perceberia que Isaias 1.10-17 não está predizendo o fim do sábado – até por que em outras porções do mesmo livro significaria então que ele também seria restaurado (Is 66.23)? Ou dois pesos e duas medidas? – o texto é claro que Deus está condenando o uso hipócrita da lei sem a piedade que a mesma exigia. Bem comum em nossos dias hoje com respeito às exigências do Evangelho. O caso de Oséias 2.11 é análogo. Lamento, mas um uso fora de seu contexto.
‘7º Razão’ – Aqui precisamos nos perguntar se abolir a antiga aliança significa o quê? O que percebemos no NT não pode endossar uma aplicação arbitrária de dizer que abolir significa cancelar por cancelar. O cancelamento foi por cumprir profeticamente os tipos e as sombras, substituir o que na simplicidade do Evangelho foi substituído, findar por causa da universalidade da Igreja não mais em um contexto político. Tendo superioridade em vários pontos, semelhanças em alguns. O uso que os autores do NT fazem do VT deveria levar qualquer dispensacionalista tomar cuidado em selecionar o que lhes convém. Aliás, não entendo como dispensacionalistas sustentam o dízimo e negam o 4º mandamento, assim como não sei como os Adventistas dizem que a Lei de Deus são os dez mandamentos, e que o resto é Lei Mosaica, e ainda continuam com as leis dietéticas e o dízimo.
‘8º Razão’ – Essa objeção de Rinad é parcial e prejudicada, pois ele desconsiderou que a leitura de Deuteronômio não é a único, assim como muitos Adventistas desconsideram a leitura de Deuteronômio também. É até válida, mas não completa quando se faz uma objeção que tem a resposta clara em Êxodo 20.
‘9º Razão’ - Não sei o que levou o pr Rinald escrever isso, não sei mesmo, não sei... Primeiro que seria bom reformular a objeção e não dizer que o sábado podia ser desobedecido! Independentemente se guardaram ou não o sábado, independentemente se circuncidaram ou não seus filhos no relato Josué, se Davi adulterou, se os reis de Israel e Judá sempre caíam em algum ponto, se em momentos Deus suportava tal condição, por perdoar ou cobrar em ocasião oportuna (como se deu no exílio Babilônico, veja II Cr 36.21), esse mandamento não podia ser descumprido. Segundo, os serviços sagrados não eram considerados “trabalho”, e defender Israel era mais que sagrado. Quanto ao texto de Mateus 12 Jesus mostra que é Senhor do sábado e estar com Ele e Nele, é estar dentro do Templo verdadeiro, e fazendo o melhor serviço, visto que dentro do templo não existia negligência do Sábado, Jesus era maior que o Templo. Por fim, algumas concepções a respeito do sábado precisavam ser corrigidas, tanto a dos judeus no tempo de Jesus quanto a nossa. A lei do 4º mandamento foi dada em condições cujo ambiente era favorável, não havia prescrições para doentes, risco de morte e famintos, na Lei do 4º mandamento.
’10 Razão’ – Segundo Rinald, o cristão pode escolher qualquer dia como sábado. Apesar do texto de Rm 14.5,6 Apresentar uma base e de alguma forma ser objeto de entendimento mais refinado –reconheço que tanto para mim como Reformado, bem como para um Adventista, esse texto não é facilmente interpretado – Ao mesmo tempo, temos um texto que classifica um dia da semana como dia doSenhor (Ap 1.10). O cristão não escolhe qualquer dia. Ele como cristão deve seguir uma tradição na prática da igreja neotestamentária, e considerar tal como a Ceia é do Senhor, o primeiro dia da semana também é do Senhor. Talvez, não considerar o domingo superior a outros dias, mas lembrar que esse dia foi objeto litúrgico dado a ressurreição do Senhor conforme testemunha os quatro evangelhos.
DOMINGO E A LEI
Segundo a prática do NT a adoração ocupou o primeiro dia da semana (At 20.7). E como a Palavra de Deus chamou esse primeiro dia de Dia do Senhor, fazendo referência a algo que aconteceu nesse dia – a ressurreição, as aparições do Senhor, e o derramar do Seu Espírito sobre a Igreja. Quando o qualificativo diz que é o “dia doSenhor” assim como o é a “ceia do Senhor”, subentende que é para o uso do Senhor. Desta forma, compreende-se que se na antiga aliança havia um dia do SENHOR, na Nova aliança o aspecto moral continua, tendo o equivalente dia do Senhor. Percebemos que o sábado foi abolido em Colossesnses 2.16,17. Foi abolido pela substituição, a sombra, o tipo, deu lugar para a realidade – o dia do Senhor, o domingo.
Segundo a prática do NT a adoração ocupou o primeiro dia da semana (At 20.7). E como a Palavra de Deus chamou esse primeiro dia de Dia do Senhor, fazendo referência a algo que aconteceu nesse dia – a ressurreição, as aparições do Senhor, e o derramar do Seu Espírito sobre a Igreja. Quando o qualificativo diz que é o “dia doSenhor” assim como o é a “ceia do Senhor”, subentende que é para o uso do Senhor. Desta forma, compreende-se que se na antiga aliança havia um dia do SENHOR, na Nova aliança o aspecto moral continua, tendo o equivalente dia do Senhor. Percebemos que o sábado foi abolido em Colossesnses 2.16,17. Foi abolido pela substituição, a sombra, o tipo, deu lugar para a realidade – o dia do Senhor, o domingo.
O grande erudito Gleason Archer apresenta extensas razões da substituição em sua obra Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, das páginas 125 a 130. E uma interpretação de Colossenses 2.16 pode ser vista nos seguintes dizeres:
“o v.16 parece referir-se primordialmente às estipulações obsoletas do AT, umas dos quais é o sábado, como sétimo dia da semana, e a outra festa chamada sábado.” (p.129).
Por fim, há os que defendem o fim da Lei Moral, mas com outra Lei Moral, revelada no NT, como padrão de vida para os cristãos. Que é na verdade bem semelhante aos 10 mandamentos – que não raro é apresentado como sendo um resumo da Lei Moral de Deus, porém, sem o Domingo como substituição do quarto mandamento, mantendo-se como tal. Embora, até mesmo muitos desses, olham o Domingo como legítimo da prática cristã neotestamentária e patrística. Como é de outro autor de calibre, o Teólogo Assembleiano Esequias Soares, que recentemente em uma excelente obra escreveu:
“A estrutura dos Dez Mandamentos se resumem no amor a Deus e ao próximo, diz respeito a Deus e à sociedade, que envolve pensamento, palavras e obras [...] A lei estabeleceu para Israel o sétimo dia da semana e, na graça, o sábado foi substituído pelo primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Jesus, e deixou de ser mandamento para ser praticado naturalmente, sem coerção alguma.” (Os Dez Mandamentos, pp. 9,10[ele repete a mesma ideia na página 72]).
Existem na proposta de Soares, acordos e desacordos com a Teologia Reformada – ele fez uma distinção entre o sábado institucional e o sábado legal; o primeiro é eterno e pode ser cumprido em qualquer dia, o segundo foi apenas para Israel para ser cumprido no sétimo dia (parece-me ser esse, o argumento mais fraco de Soares no livro). Obviamente, nem de longe o dispensacionalismo de Soares e de Rinald deve ser identificado com um antinomianismo (sem lei). J. I. Packer lista em sua Teologia Concisa seis (6) tipos de antinomianismo (pp.168,169).

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