HISTÓRIA - Se Liga na Informação



HISTÓRIA

As pirâmides do Egito



As célebres pirâmides do Egito estão entre as construções mais famosas da história da humanidade e fazem parte das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. 

Apesar de existirem dezenas e dezenas de pirâmides no território egípcio, as mais famosas são três grandes construções que ficam em Gizé: as  pirâmides de QuéopsQuefrem e Miquerinos. A Pirâmide de Quéops é a maior de todas e tem mais de 100 metros de altura. 

Essas grandes estruturas, que desafiam o tempo, foram construídas com grandes blocos de pedra, há mais de 4 mil anos, quando o Antigo Egito era um império poderoso, comandados pelos faraós. 

Para entender as pirâmides, é preciso entender a religião dos antigos egípcios. A religiosidade desse povo era baseada na crença da vida após a morte. Eles acreditavam que era preciso se preparar bem para a vida no além, e quanto melhor a preparação, melhor seria a sua vida. 

As pirâmidades eram túmulos construídos pelos faraós para eles mesmos. Ao construir um grande túmulo para sepultar seu próprio corpo (que era mumificado para conservá-lo para a outra vida), o faraó tentava se tornar imortal e dar uma ideia do seu grande poder e riqueza. Assim, nas pirâmides eram depositados a múmia do faraó e os tesouros que ele quisesse levar para a vida após a morte.

Para arrastar e posicionar os pesados blocos de pedra utilizados na construção das pirâmides, eram usados trabalhadores escravos e também camponeses egípcios, que ficavam ociosos nos períodos em que a enchente anual do Rio Nilo deixava os campos inundados. 

RESUMO:

> Construídas há cerca de 4 mil anos, as pirâmides do Egito fazem parte das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
> Cada pirâmide era um túmulo para um faraó, onde era sepultada a sua múmia.
> Essas pirâmides eram feitas com grandes blocos de pedra, com mão-de-obra escrava ou com o trabalho de camponeses egípcios.
> As maiores e mais famosas pirâmides egípcias são as de Quéops, Quefrem e Miquerinos.

O que foi a Guerra Fria?



Guerra Fria, nome que se à disputa entre Estados Unidos (EUA) e União Soviética (URSS) pelo domínio geopolítico global, durou basicamente de 1945 (ano do fim da Segunda Guerra Mundial) até 1991 (ano em que a URSS se desmembrou em 15 países diferentes, sendo o maior deles a Rússia).


O nome "Guerra Fria" é porque, apesar de os dois lados se considerarem inimigos ou rivais, eles nunca chegaram a entrar em guerra diretamente um contra o outro. Era uma "guerra" dissimulada, que abrangeu várias dimensões além da militar.




O início da Guerra Fria




Durante a Segunda Guerra Mundial, EUA e URSS faziam parte do mesmo bloco, o dos Aliados, que derrotou as forças do Eixo (o grupo formado por Alemanha, Japão e Itália).



Em 1945, quando a Alemanha foi derrotada, os territórios libertados na Europa foram colocados sob liderança das duas potências: a URSS passou a dominar os países da Europa Oriental: Alemanha Oriental (a Alemanha foi dividida em duas no final da guerra), Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária, Albânia e Iugoslávia, que adotaram o modelo socialista de economia, que vigorava na URSS desde a consolidação da Revolução Russa. Enquanto isso, os EUA despontavam na liderança com influência sobre a Europa Ocidental, formada por diversas nações, com destaque para Reino Unido, França, Bélgica, Dinamarca, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega e Portugal (os primeiros membros da aliança militar formada em 1949).



Esses blocos, o socialista e o capitalista, mais tarde se agruparam em alianças militares formais: o Pacto de Varsóvia (formado pela URSS e seus países-satélite do Leste Europeu) e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, NATO na sigla em inglês), formada por EUA, Canadá e os países da Europa Ocidental citados acima, além da Alemanha Ocidental. Grécia, Turquia e Espanha, que entraram mais tarde.



Logo após o fim da guerra, já ficou claro que EUA e URSS iriam competir pelo domínio geopolítico do mundo. Já na partilha dos territórios conquistados na Alemanha, houve atrito entre as duas potências. Não só a Alemanha foi divida em duas: a própria capital do país, Berlim, foi rasgada em duas, ficando Berlim Ocidental sob domínio dos EUA, Reino Unido e França e Berlim Oriental controlada pelos soviéticos. Em 1961, foi construído o famoso Muro de Berlim dividindo as duas cidades. O Muro de Berlim tornou-se o símbolo da Guerra Fria e da divisão do mundo em dois blocos rivais. Só foi derrubado em 1989, no episódio que marcou a reunificação da Alemanha e o início do fim do bloco socialista.





Como os dois lados da Guerra Fria eram muito poderosos (principalmente a partir da década de 50, quando ambas as potências passaram a ter armas nucleares, havia o temor de que uma guerra direta entre eles aniquilasse toda a humanidade. Por isso, seus enfrentamentos eram sempre indiretos. Quando havia um conflito em alguma parte do mundo, geralmente EUA e URSS estavam envolvidos de algum modo, cada um apoiando um dos lados com dinheiro, armas e treinamento.


Uma das primeiras guerras desse tipo foi a célebre Guerra da Coreia, de 1953, quando a península coreana foi dividida em dois países: Coreia do Norte e Coreia do Sul, a primeira socialista sob influência da URSS e a segunda capitalista e protegida pelos EUA.



Outros confrontos seguiram essa linha, em especial a Guerra do Vietnã, em que o Vietnã do Norte era apoiado pela URSS e o Vietnã do Sul pelos EUA, os conflitos entre Israel e os países árabes e diversos confrontos e disputas por poder na África e nas Américas.



Até o Brasil foi palco dessa disputa: em 1964, o presidente João Goulart foi derrubado por um golpe militar apoiado pelos EUA, que temiam que as reformas propostas pelo governo aproximassem o país do socialismo e da União Soviética. Os golpistas implantaram uma ditadura que governou o país oficialmente até 1985.


A guerra de propaganda



A disputa por hegemonia entre EUA e URSS não era apenas no campo do apoio militar em conflitos regionais. As duas potências competiam também, e muito, em outras áreas, como a econômica, a esportiva e a científica.


Por muitos anos, as Olimpíadas eram palco de acirradas disputas entre os países socialistas e capitalistas. Para tentar demonstrar a força de seus regimes, os países socialistas investiam pesado em treinamento e preparação de atletas, e seus competidores ganhavam muitas e muitas medalhas nos mais variados esportes.



As nações também competiam na pesquisa científica, com destaque para a exploração do espaço. A corrida espacial era uma disputa de EUA e URSS pelo domínio dos céus. No começo, a URSS saiu em vantagem, lançando o primeiro satélite (o Sputnik, em 1957), o primeiro ser vivo no espaço (a cadela Laika, em 1957), o primeiro ser humano em órbita (Yuri Gagárin, em 1961). Contudo, os EUA deram um passo mais impactante, com a chegada do primeiro homem à Lua, em 1969 (considerada uma "vitória" sobre a URSS na corrida espacial, embora os soviéticos tenham sido pioneiros em muitas outras áreas, como em atividades extraveiculares e na criação de estações espaciais).



Outro ponto muito explorado na guerra de propaganda, principalmente pelos EUA, que tinham mais visibilidade, foi o cinema. Muitos e muitos filmes tinham a Guerra Fria como pano de fundo, mostrando os soviéticos como vilões (no caso dos filmes americanos) e os americanos e aliados da OTAN como mocinhos.



RESUMO:



> A Guerra Fria foi a disputa entre EUA (representando o capitalismo) e URSS (líder do socialismo) pelo domínio geopolítico mundial. Durou aproximadamente de 1945 a 1991.



> Por medo de um confronto nuclear que destruísse a humanidade, os dois países nunca se enfrentaram diretamente, mas davam apoio a nações em conflitos regionais.



> Um símbolo da época foi o Muro de Berlim, que dividia a capital da Alemanha em duas.



> Além do apoio militar regional, os dois países competiam na propaganda (em especial o cinema), nos esportes e na conquista do espaço.

Para CIA, Nordeste era crucial para defender EUA de ataque soviético

Relatório da agência americana elaborado na década de 50 pregava aliança com o Brasil para impedir ofensiva comunista a partir da região; milhares de documentos antigos secretos foram divulgados nos EUA nesta semana.


Militares americanos posam para foto, um deles montado em um burro, em momento de descontração em uma praia de Natal (RN) em junho de 1943 (Foto: Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives/Getty Images)
Após ocupar o Leste Europeu, os soviéticos agora avançam pelo Hemisfério Sul. As tropas comunistas invadem a Austrália, ocupam a África e de lá partem para a conquista do território de onde lançarão a ofensiva final contra os Estados Unidos: o Nordeste do Brasil.
O cenário hipotético é narrado em um relatório da CIA (agência de inteligência dos EUA) divulgado nesta semana, entre cerca de 800 mil documentos que vieram à tona após um longo processo movido por defensores do livre acesso à informação.
Intitulado "O fortalecimento econômico-militar do Brasil: fator de importância central para a segurança dos EUA e do mundo democrático", o documento de 33 páginas destaca o papel que o Nordeste poderia ter em um eventual confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética na Guerra Fria.
Separada da costa africana por apenas 3 mil quilômetros, a região é descrita no relatório como sujeita a conflitos sociais e um "potencial centro de agitação e disseminação de ideais comunistas", mas considerada crucial para a defesa do Atlântico-Sul e dos Estados Unidos em caso de um ataque russo a partir da África.
Segundo a CIA, o Nordeste era tão importante para a segurança dos EUA quanto o Canadá e o Canal do Panamá, a conexão marítima entre o Atlântico e o Pacífico. A agência cita o general francês Lionel Max-Chassin, para quem uma hipotética ofensiva soviética contra os EUA incluiria ataques a partir do Ártico e da "faixa costeira entre Natal e a Bahia".
"Um segundo movimento, precedendo a invasão final, pode se voltar à conquista da zona de Cuba e do México, no sul, e da Terra Nova e Labrador, no norte. Só na última etapa uma ofensiva generalizada seria lançada contra o coração da força naval", diz o general.
Não é possível identificar a data do relatório, divulgado apenas parcialmente. Porém, eventos citados no texto indicam que ele foi elaborado na década de 1950, quando as duas potências se armavam para um possível conflito.
A Guerra Fria, como o período ficou conhecido, só se encerrou com o colapso da União Soviética, nos anos 1990.

Contrapropaganda e modernização

O documento defendia duas linhas de ação para aproximar Brasil e Estados Unidos e impedir a infiltração comunista em terras brasileiras.
No campo ideológico, a CIA sugeria a criação de um órgão de contrapropaganda para combater a influência soviética e a "eliminação ou neutralização" de grupos comunistas presentes em "todo o país e em diferentes esferas do governo".
Na economia, defendia sanar os problemas que impediam o desenvolvimento do Brasil e que poderiam facilitar a disseminação do comunismo no país, como o "atraso cultural", a pobreza e a "politização das massas por agentes comunistas".
Entre as ações que a agência considerava essenciais estavam modernizar a agricultura brasileira, difundir a energia hidrelétrica e ampliar a produção de combustíveis fósseis.
Se recebesse o apoio militar devido, diz a CIA, o Brasil poderia assumir integralmente a defesa do Nordeste, do Atlântico-Sul e até participar de batalhas contra os soviéticos na Europa.
"Com uma população de cerca de 53 milhões de habitantes, o Brasil está em posição de mobilizar, num tempo razoável, entre 20 e 25 divisões de infantaria (de 400 e 500 mil homens), sem afetar muito sua economia interna", calculava o órgão.
Se, porém, os dois países não se aproximassem voluntariamente, o relatório diz que "isso obviamente levaria a uma intervenção dos EUA no território brasileiro em caso de um conflito com a Rússia".

Intervenções e Segunda Guerra

Os Estados Unidos passam a considerar o Brasil e a América Latina como parte de sua zona de segurança com a Doutrina Monroe, de 1823, que buscava restringir a ação de potências europeias nas Américas.
Outro passo foi dado em 1904 com o Corolário Roosevelt e a política do "Big Stick" (grande porrete, em português), com os quais os EUA passaram a justificar intervenções militares para preservar seus interesses na região.
Poupado de interferências mais agudas como as experimentadas por alguns vizinhos, o Brasil estreitou os laços com os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao se unir aos Aliados contra Alemanha, Itália e Japão.
Soldados brasileiros são enviados à Itália, e o Brasil passa a abastecer a indústria bélica dos EUA com borracha e outras matérias-primas. No início dos anos 1940, Natal se torna a mais movimentada base aérea dos EUA no exterior, ponto de apoio para operações na Ásia, África e Europa.
A parceria deixou uma impressão tão boa nos EUA que, anos após o fim da guerra, a CIA defendeu repeti-la diante da ameaça soviética.
No fim do relatório, a agência afirma que Brasil e EUA "devem representar os últimos bastiões da liberdade, reafirmando a tradição histórica de aliados leais e sinceros".
"Acreditamos na sobrevivência das forças espirituais, do poder da fé e da doutrina cristã, e é por essa razão que nos devotamos a esta nova cruzada, que irá, certamente, confirmar uma vez mais o triunfo das forças da cultura e da civilização sobre as forças materialistas [soviéticas]", conclui o documento.

FONTE: G1

Arqueólogos revelam onde estão as lendárias “minas do rei Salomão”

Achados comprovam relato bíblico do livro de Reis


Por mais de dois séculos, teólogos liberais usavam a falta de comprovação histórica de alguns trechos para criticarem a ideia de uma Bíblia inerrante. Um de seus argumentos mais comuns é que não havia registros extrabíblicos dos reinados de Davi e Salomão.
Contudo, escavações arqueológicas em Israel ao longo das últimas décadas mudaram essa perspectiva. Descobertas recentes mostram que a extensão do reino de Salomão, o maior território que Israel já teve em sua história, realmente chegou onde o registro bíblico diz.
Na edição de fevereiro de 2017 do Journal of Archaeological Science, os arqueólogos Erez Ben-Yosef, Dafna Langgut e Lidar Sapir-Hen anunciam as descobertas que fizeram durante escavações na região mais inóspita de Israel. Eles descobriram em Timna, no extremo sul do país, mais indícios de onde ficavam as lendárias “minas do rei Salomão”. Eles aprofundaram o trabalho que foi primeiramente divulgado em 2013.
Em uma das partes mais áridas e desoladas do deserto do Negev, eles encontraram ruínas de estábulos e depósitos de minério onde um dia se localizavam os maiores campos de fundição de cobre do reino. A datação de artefatos recuperados comprova que são do século X antes de Cristo, o que coincide com as datas do reinado de Salomão.
Esta descoberta resolve uma grande controvérsia histórica. Embora não existisse evidência histórica abundante sobre a extração de minério de cobre, as ruínas de Timna mostram que havia minas e fundições ativas durante o reinado de Salomão. Portanto, não é difícil concluir que o Vale de Timna realmente abrigava as minas mencionadas pela Bíblia.

Dieta forte

Por causa da extrema aridez da região, materiais orgânicos acabaram ficando extraordinariamente preservados. Ben-Yosef, Langgut e Sapir-Hen foram capazes de recuperar ossos de animais, sementes e pólen em pilhas de esterco de burro, abundante no local. A análise desse esterco revelou que os animais eram alimentados com o bagaço de uva em vez de palha.
O uso de bagaço na dieta mostra como esses burros eram bem cuidados, pois eram fundamentais na retirada do cobre das minas e o transporte de suprimentos para o acampamento. A análise dos ossos de animais e das sementes mostra que os operários -provavelmente escravos – tinham uma dieta rica, que lhes dava condições de desempenhar um trabalho que exigia muito de seus corpos.
Outro aspecto que chama atenção é a disposição do esterco, armazenado na parte interna das estruturas fortificadas. Isso indica que foi usado como combustível para o aquecimento inicial dos fornos de fundição. Os três arqueólogos descobriram artefatos que também demonstram que no local havia mais de um tipo de metalurgia.
Além de fundir o minério de cobre, também o refinavam e preparavam lingotes. As minas de Timna não eram as únicas pertencentes a Salomão, mas podem ter sido as maiores.



Possível local das minas do rei Salomão.

Presença militar

A estrutura do portão principal e dos muros evidenciam que o local era bem guardado. Isso mostra que nos tempos de Salomão tinham ali uma forte presença militar. O valor do cobre era muito alto na época, por ser usado para fabricar ferramentas e armas, vitais para as sociedades antigas. Essa ideia de riqueza gerou, séculos mais tarde, a lenda que as minas de Salomão eram de ouro e diamantes. Essa ideia se popularizou por causa do romance ficcional “As Minas do Rei Salomão”, de Rider Haggard, publicado em 1885. Era cobre, no entanto, o que realmente se extraía dali.



Localização das escavações.

A Bíblia dedica 21 capítulos à história do reinado de Salomão, destacando sua extensão, riqueza, poder e organização. Muitos estudiosos questionavam se não havia exageros nos relatos para agradar o rei. Contudo, surge agora a comprovação de que havia presença militar judaica no extremo sul do deserto do Negueve, historicamente pertencente ao reino de Edom. Com informações Science Direct


A ilha-presídio ficou sem o chefe supremo dos carcereiros

Como em 1959, e como no ano em que encontrei Fidel, também neste novembro de 2016 há em Cuba uma economia asfixiada pela monocultura da cana, prostitutas demais em Havana e uma ditadura a sepultar




A morte do mais antigo ditador do planeta levou-me de volta à noite de 18 de dezembro de 1987. Vejo-me no imenso salão de festas do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, no meio da multidão de convivas de uma recepção oferecida pelo governo, fazendo o que fizeram antes daquela sexta-feira (e continuariam a fazer até sexta-feira passada) todos os jornalistas estrangeiros que passaram por Havana desde janeiro de 1959: esperando Fidel Castro.
Aguardavam a aparição outros 11 jornalistas brasileiros e 28 deputados paulistas, todos convidados pela VASP para o voo inaugural da rota São Paulo-Havana. Lembrei que faltavam só 48 horas para a viagem de retorno e saí à procura do diplomata cubano que acompanhava a comitiva brasileira desde o desembarque no dia 11. “Ele vem ou não vem?”, repeti a pergunta formulada a cada meia hora por algum de nós. Ouvi a resposta de sempre: “O Comandante gostou muito da ideia de conversar com vocês. Ele vai aparecer a qualquer momento”.
Fidel frequentemente não aparecia, mas gostava mesmo de conversar.  Gostava tanto que a fila de candidatos a meia hora de prosa não cabia na agenda e, como a fila não andava, os enfileirados se distraíam variando o ponto de espera. No sábado e no domingo, com a ansiedade de noivo na porta da igreja, esperei o Comandante no saguão do Hotel Riviera. Passei a segunda e a terça de prontidão em dois restaurantes célebres, La Bodeguita del Medio e El Floridita, caprichando na pose de Ernest Hemingway quando jovem.
Em homenagem ao escritor que bebeu todas quando viveu por lá, tracei meia dúzia de mojitos no bar do primeiro e oito papa dobles no bar do segundo. Achei melhor prosseguir a espera na piscina do hotel quando comecei a ver a miragem de Fidel em dobro. Na quarta, esperei quatro horas na fila da sorveteria Coppelia até chegar ao balcão e pedir o famoso sorvete de limão que tinha acabado quatro horas antes.Na quinta, de volta ao Floridita, descobri que poderia esperar o chefe supremo brincando de figurante de filme de época.
No fim dos anos 80, a capital cubana não saíra dos 50, gritava a paisagem arquitetônica implorando por pinturas, retoques e outras urgências restauradoras. Nem sairia tão cedo, confirmavam os carrões americanos que sacolejavam pelas ruas. Um garçom me contou que qualquer veículo poderia ser usado como táxi. Bastava pagar 1 dólar e dizer o destino. Incrédulo, fui para a calçada, acenei para um Studebaker verde e o motorista parou. O garçom não estava mentindo.
Nas duas horas seguintes, pela módica quantia de três dólares, esperei Fidel num Oldsmobile vermelho, num Chevrolet rabo-de-peixe azul e num Buick de cor indefinida que me devolveu ao hotel. Acordei na sexta-feira perguntando a um jornalista que ano era hoje e em que mês estávamos. Dezembro, 1987, ele informou com expressão intrigada. Avisei que iria dormir mais um pouco e pedi-lhe que me chamasse uma hora antes do começo do coquetel.
Estava no terceiro daiquiri quando a frase multiplicada por centenas de vozes flutuou sobre o oceano de cabeças: “É ele!” O funcionário do governo chegou correndo para dizer, ofegante, que era ele mesmo, e que seríamos recebidos dali a duas horas. Aproveitei o tempo para espantar-me com a tremenda boca-livre financiada pelo governo. Se o povo visse aquilo, constatei em cinco minutos de contemplação, o regime comunista não chegaria à sobremesa.
Extensa, espessa e sólida como um píer inglês, a bancada do bufê suportava uma assombrosa procissão de frutos do mar.Lagostas, camarões, siris e caranguejos de dimensões amazônicas, um tsunami de mariscos e ostras, cardumes de peixes de espantar o velho Santiago imortalizado por Hemingway — parecia um banquete patrocinado por algum Nero de filme épico italiano. E então me surprendi com a descoberta: naquele salão havia até gente gorda.
Fazia oito dias que zanzava por Havana e só vira gente magra. Regime eficiente é isso aí, comentei com um deputado amigo. O governo jurava que ninguém morria de fome, mas nenhum cubano comum comia o suficiente para matá-la. Esse luxo era para frequentadores de recepções oficiais. Admirava uma lagosta abraçada a dois camarões quando me bateu a certeza de que todos os gordos da ilha estavam lá. Beiravam os 70, calculei. Tentava entender como é que eles explicavam aos magros aquelas arrobas a mais quando vi o diplomata cubano me acenando com espalhafato.
O grande momento chegara. Juntei-me ao grupo de jornalistas e fomos todos para uma sala com quatro poltronas e dois sofás de bom tamanho. Cinco minutos mais tarde, a porta se abriu e Fidel enfim apareceu. Aos 61 anos, 28 dos quais desfrutados no comando da ilha, trajava uma farda verde-oliva bem cortada e parecia em ótima forma física. De pé, constatei que nossos queixos se alinhavam na mesma altitude. Ele tinha, portanto, entre 1m85 e 1m97, incluindo o salto carrapeta do coturno preto. Só alcançava 2 metros na imaginação dos devotos.
A expressão satisfeita, o olhar confiante e o que disse ao longo de 120 minutos reafirmaram que o ditador sessentão adorava o emprego e pretendia mantê-lo enquanto vivesse. Com a voz de falsete que ecoava horas a fio nos comícios patrióticos na Praça da Revolução, mostrou que para tudo tinha uma resposta insincera na ponta da língua. Consegui fazer-lhe duas perguntas. Primeira: o que achava das mudanças em curso na União Soviética depois da chegada ao poder de Mikhail Gorbachev?
Fidel afirmou que precisava examinar com mais atenção o que resultaria da glasnost (“transparência”, em russo) e da perestroika (“reorganização”). Como se não estivesse insone há muitos meses com as profundas reformas políticas e econômicas embutidas nas duas palavras que decretariam, entre tantas outras implosões históricas, a queda do Muro de Berlim em 1989, a dissolução do Leviatã comunista em 1991 e, por consequência, o sumiço da fonte de recursos financeiros que garantira nos 30 anos anteriores a sobrevivência de Cuba.
Segunda pergunta: se o entrevistado garantia que Cuba era uma nação democrática, como explicar a inexistência de eleições e a existência de presos políticos? Sem ficar ruborizado, Fidel qualificou de criminosos comuns todos os enjaulados na ilha-presídio e reiterou o sistema eleitoral prescindia de candidatos oposicionistas para mostrar-se muito mais eficaz que o vigente, por exemplo, nos Estados Unidos. Terminado o encontro, cumprimentei o entrevistado e voltei ao salão de festas. A maioria dos jornalistas sitiou Fidel e só levantaram o cerco depois da conquista de um autógrafo.
Em dezembro de 1958, quando o jovem Fidel Castro preparava a tomada de Havana, havia em Cuba uma ditadura a derrubar, uma economia asfixiada pela monocultura da cana e prostitutas demais. Em dezembro de 1987, nada havia mudado. Passados quase 30 anos, ao anunciar a partida do chefe supremo dos carcereiros, o irmão e herdeiro Raúl Castro apossou-se de vez da ilha-presídio congelada na primeira metade do século 20: agora como antes, há prostitutas demais em Havana, um oceano de canaviais asfixiando a economia e uma ditadura a sepultar.

Fonte: Veja

Evento inicia comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante


Lideranças de diversas igrejas protestantes estarão reunidas em Curitiba

No dia 23 de outubro acontecerá em Curitiba o evento que marca o início das comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante no Brasil.
A iniciativa é da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) que está organizando a “Celebração dos 499 anos da reforma protestante” na Ópera de Arame, no bairro Abrantes, e a expectativa é de atrair 1,6 mil pessoas.
Em 31 de outubro de 2017 a Reforma Protestante completará 500 anos, data que relembra o dia em que Martinho Lutero fixou as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.
O evento em Curitiba comemora os 499 anos e inicia, então, as comemorações para o ano que vem.
Essa celebração contará com a participação de líderes de diversas denominações protestantes, entre eles o pastor Juarez Marcondes Filho, secretário executivo da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).
Os preletores confirmados são: o pastor Adelar Munieweg, conselheiro nacional da Liga de Leigos Luteranos do Brasil, o pastor Flávio Sauer, Presidente do Núcleo de Comunhão Pastoral de Curitiba e o Bispo Cirino Ferro, Presidente do Conselho de Ministros Evangélicos do Paraná.
A “Celebração dos 499 anos da reforma protestante” conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba e Igreja Presbiteriana do Brasil.
SERVIÇO:
Celebração dos 499 anos da reforma protestante
Data: 23 de outubro, domingo
Horário: das 19h às 21h
Local: Ópera de Arame – Rua João Gava, 874 – Abranches
Organização: Igreja Evangélica Luterana no Brasil
Apoio: Prefeitura Municipal de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba e Igreja Presbiteriana do Brasil


Paulo Freire está entre os três teóricos mais citados no mundo


De acordo com a Google Scholar – ferramenta de pesquisa para literatura acadêmica –, o educador, pedagogo e filósofo brasileiro, Paulo Freire, é o terceiro pensador mais citado do mundo em trabalhos acadêmicos de universidades de humanas.
A pesquisa, realizada pelo professor Elliot Green, indica que o brasileiro foi mencionado 72.359 vezes. O filósofo Thomas Kuhn está em primeiro lugar, com 81.311 citações, e logo em seguida o sociólogo Everett Rogers, com 72.780.
A obra de Freire, Pedagogia do Oprimido, está entre os 100 livros mais solicitados em universidades de língua inglesa pelo mundo, sendo a única brasileira a entrar na lista. O livro discute a contradição entre opressores e oprimidos e de como é necessário criar uma ação para solucionar essa oposição.


História!



– Charge do Duke, via O Tempo.


Ponto final da ditadura militar no 

Hitler tinha apenas um testículo, atesta relatório médico


O livro recém-lançado reúne também curtas biografias das 330 pessoas que visitaram Hitler durante os meses que passou na prisão

Por Redação, com agências internacionais – de Berlim:
Um relatório médico do ditador Adolf Hitler, datado de 1923, confirmou em parte uma das lendas sobre ele, ao assinalar que sofria de criptorquia, ou seja, que só um de seus testículos tinha descido à bolsa escrotal.








Adolf Hitler foi diagnosticado com criptorquia
Adolf Hitler foi diagnosticado com criptorquia

O relatório foi assinado pelo médico Josef Brinsteiner na prisão da Baviera onde Hitler ficou recluso após o fracassado golpe de estado que protagonizou em Munique em 1923, e faz parte do livro Hitler como prisioneiro em Landsberg am Lech, 1923/24 que acaba de ser publicado na Alemanha pelo historiador Peter Fleischmann.
O médico anotou em um relatório assinado em 12 de novembro, após uma revisão médica, que o “preso número 45”, Hitler, se encontra em bom estado de saúde, e que padece de “criptorquia do lado direito”.
Como lembraram neste sábado (19) vários meios de comunicação alemães, pouco se equivocaram os soldados britânicos, que na Segunda Guerra Mundial cantavam Hitler has only got one ball (Hitler só tem uma bola), uma paródia da popular Marcha do coronel Bogey.
O diagnóstico rebate no entanto a parte da lenda que indicava que Hitler poderia ter perdido um testículo ferido por uma granada no front durante a Primeira Guerra Mundial.
O relatório permaneceu durante décadas oculto e foi divulgada em 2010, quando uma casa de leilões lançou 500 documentos vinculados à estadia de Hitler na prisão de Landsberg, e que foram finalmente apreendidos pelas autoridades.

Hitler na berlinda

Fleischmann, diretor dos arquivos públicos de Nüremberg, os analisou durante anos e reuniu em seu livro detalhes do período que Hitler passou atrás das grades, onde, destacou o jornal “Süddeutsche Zeitung”, pôde desfrutar de vários luxos, em boa parte graças à simpatia do diretor da prisão.
O condenado era tratado de “senhor”, as celas que ocupou junto com seus camaradas na tentativa de golpe foram condicionadas e se ele recebia comida preparada fora da cozinha da prisão.
O livro reúne também curtas biografias das 330 pessoas que visitaram Hitler durante os meses que passou na prisão, onde começou uma greve de fome logo depois de ser detido.
Nessa prisão foi também onde escreveu parte do primeiro tomo de Mein Kampf, o livro em que organizou seu pensamento político, que definiu as bases racistas e antissemitas da ideologia nacional-socialista.
Esta obra, em edição crítica comentada, voltará em poucas semanas às livrarias alemãs pela primeira vez em 70 anos, após o fim do período de proteção dos direitos autorais, de propriedade intelectual do Estado federado da Baviera.

Mitos e verdades sobre a "Idade das Trevas"


A proposta desse estudo foi abordar algumas questões consideradas verdadeiras ou lendárias em respeito a "Idade das Trevas", período que compreendeu parte da Idade Média (476-1453), sendo reconhecido na História, como uma época de fanatismo religioso, submissão a Igreja, cegueira filosófica e científica, atraso social, moral e cultural. Na prática, a "Idade das Trevas" por si só já é um mito, um conceito elaborado de forma perniciosa ao longo da modernidade, como forma de manchar a história medieval, a considerando ingrata, e pérfida. 

Porém, aqui procurou-se desconstruir essa visão pessimista do medievo europeu, pois a "Idade das Trevas", normalmente está associada a história europeia, deixando de fora o medievo asiático e africano, e até mesmo nem poderia ser aplicada, pois os motivos pelos quais os modernos julgavam o atraso filosófico, artístico, social, científico e cultural das sociedades medievais, não pode ser encarado da mesma forma para a Ásia e a África. 

Idade Média e Idade das Trevas:

“Se numa conversa com homens medievais utilizássemos a expressão “Idade Média”, eles não teriam idéia do que estaríamos falando. Como todos os homens de todos os períodos históricos, eles viam-se na época contemporânea. De fato, falarmos em Idade Antiga ou Média representa uma rotulação a posteriori, uma satisfação da necessidade de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi o século XVI que elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava um desprezo indisfarçado em relação aos séculos localizados entre a Antigüidade Clássica e o próprio século XVI. Este se via como o renascimento da civilização greco-latina, e portanto tudo que estivera entre aqueles picos de criatividade artístico-literária (de seu próprio ponto de vista, é claro) não passara de um hiato, de um intervalo. Logo, de um tempo intermediário, de uma idade média”. (FRANCO JÚNIOR, 2001, p. 9). 

a) Conceito de Idade Média

Em 1469, o bispo Giovanni Andrea, usou o termo "media tempestas", para se referir a um período que separava a época dele da época do Império Romano. Em outras palavras, ele falava de um "tempo médio" ou "tempo do meio" (FRANCO JÚNIOR, 2001, p. 9). Tal expressão seria retomada em outras ocasiões, e posteriormente daria origem ao conceito de Idade Média.

No século XVII, o historiador e filólogo francês Charles de Fresne Du Cange (1610-1688) no ano de 1678, passou a usar a expressão "medium aevum" em seu livro Glossarium mediae et infimae Latinatius (Glossário de Latim da Idade Média e Moderna). Após Du Cange, foi a vez do historiador alemão Christoph Cellarius (1638-1707) escreveu em 1688 o livro Historia Medii Aevi a temporibus Constantini Magni ad Constantinopolim a Turcis captam deducta (História da Idade Média, do tempo de Constantino, o Grande até a queda de Constantinopla pelos Turcos). 

Ao longo do século XVIII e XIX o conceito de Idade Média, foi ficando cada vez mais comum, até passar a ser habitual usá-lo. Entretanto, um problema que se percebeu, foi a imagem negativa que se passou a ter do período medieval. 


“O século XVIII, antiaristocrático e anticlerical, acentuou o menosprezo à Idade Média, vista como momento áureo da nobreza e do clero. A filosofia da época, chamada de iluminista por se guiar pela luz da Razão, censurava sobretudo a forte religiosidade medieval, o pouco apego da Idade Média a um estrito racionalismo e o peso político de que a Igreja então desfrutara. Sintetizando tais críticas, Denis Diderot (1713-1784) afirmava que “sem religião seríamos um pouco mais felizes”, Para o marquês de Condorcet (1743-1794), a humanidade sempre marchou em direção ao progresso, com exceção do período no qual predominou o cristianismo, isto é, a Idade Média. Para Voltaire (1694-1778), os papas eram símbolos do fanatismo e do atraso daquela fase histórica, por isso afirmava, irônico, que “é uma prova da divindade de seus caracteres terem subsistido a tantos crimes”. A posição daquele pensador sobre a Idade Média poderia ser sintetizada pelo tratamento que dispensava à Igreja: “a Infame””. (FRANCO JÚNIOR, 2001, p. 10-11). 

O próprio conceito de "Idade das Trevas" também contribuiu para reforçar essa visão negativa sobre o medievo, embora que no século XIX, os românticos tentaram retirar essa conotação negativa e sombria, e através da literatura criaram novas versões dos romances de cavalaria, assim como, idealizaram a imagem de Idade Média europeia que ainda hoje possuímos: castelos, princesas, cavaleiros, reis, guerras, feudalismo, justas, cruzadas, etc. 

b) Conceito de Idade das Trevas

O termo "Idade das Trevas" surge no século XIV com o escritor, poeta, filósofo e tradutor italiano Francesco Petrarca (1304-1374). Originalmente Petrarca concebeu tal ideia para se referir a pobreza literária do período medieval, assim segundo sua opinião, pois sendo um admirador da literatura greco-romana, Petrarca julgava que os escritores e literatos medievais pouco contribuíram no desenvolvimento da literatura europeia em um período de quase dez séculos. 

Nesse intuito, para Petrarca o qual viveu no início da fase do Renascimento no século XIV, com a "redescoberta" e revalorização da cultura greco-romana, aquilo era um "momento de luz", enquanto o medievo foi um "momento de trevas". O pintor Rafael Sanzio (1483-1520) se referia a arte medieval a chamando de "arte gótica", sendo que a palavra góticovem do nome do povo Godo, um dos povos considerados bárbaros pelos romanos. Logo, essa noção de gótico estava atrelado a esse conceito de bárbaro. De fato, Rafael considerava a arte gótica, bruta, rude, sombria, possuindo falta de beleza, curvas, elegância e charme como na arte greco-romana (isso para a arquitetura), além do fato, de que a arte gótica era bastante influenciada por motivos cristãos, principalmente na pintura. 

Durante os séculos XV e XVI, os clérigos protestantes durante o período da Reforma, sustentaram o argumento de que a Idade Média foi uma época de fanatismo e desvirtuamento da palavra de Deus, devido ao controle da Igreja Católica. Assim, eles consideraram que parte do medievo foi "sombrio", no sentido de haver muita superstição, crendices, guerras, fanatismo, usura, etc., por causa do fato de que os católicos haviam se distanciado dos verdadeiros ensinamentos de Cristo. 

Observa-se aqui um jogo político, pois mesmo os protestantes embora tenham concedido em alguns momentos liberdade para o pensamento filosófico e científico, não significa que todos os pastores pensassem do mesmo jeito. O próprio Martinho Lutero chegou a considerar a obra deNicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções dos mundos celestes) como sendo uma blasfêmia. 
Entretanto, outros estudiosos do Renascimento, acabaram adotando a ideia de uma "obscuridade" não apenas para a literatura e para a religião, mas para as artes em geral, a filosofia, a ciência, a moral, a sociedade, a cultura, etc. Porém, o termo "Idade das Trevas" só vai surgir depois, sendo influenciado pelo termo Saeculum obscurum, proposto pelo cardeal e bibliotecário César Barônio (1538-1607), o qual em seu livro Annales ecclesiastici (Anais eclesiásticos), obra na qual ele conta a história da Igreja Romana, ele chamou o período que compreende o século X, indo do papado de Sérgio III iniciado em 904 até o papado de João XII em 964, o chamando de "saeculum obscurum", por se tratar de uma época sombria e moralmente decadente para o papado. Na visão de Barônio, aqueles foram anos conturbados e negativos para a história da Igreja, devido a falta de respeito que os papas e suas famílias tiveram na época, além de escândalos de corrupção, nepotismo, quebra de votos, etc. 


Retrato do cardeal César Barônio, autor da expressão "saeculum obscurum", cujo termo daria posteriormente origem ao conceito de "Idade das Trevas". 
Percebe-se que Barônio não foi o responsável por criar o conceito de "Idade das Trevas", pois ele se referia a uma época específica e embasada no contexto da história eclesiástica, todavia, outros estudiosos com base em seu termo acabaram o adotando para se referir a toda a Idade Média, ou metade dela, como será explicado adiante.

No século XVII, o filósofo, historiador e bispo inglês Gilbert Burnet (1643-1715), em 1679, em seu livro The History of the Reformation of the Church of England, ele passou a empregar o termo "dark ages", para se referir a Idade Média. Posteriormente ele voltaria a empregar o termo nos outros volumes de seu livro, sempre se referindo a este de forma negativa, assinalando que o medievo foi uma época de superstições, crendices, corrupção moral e fanatismo. É preciso ressalvar que Burnet era um bispo protestante, e ele tomou para si o argumento da Reforma, concebido nos dois séculos anteriores. 

O conceito de Idade das Trevas hoje:

No século XIX, os românticos como dito, tentaram retirar essa visão negativa sobre o medievo construída desde o século XIV, todavia, acabaram não conseguindo obter êxito completo, mas conseguiram pelo menos romper a opinião generalizante de que todos os quase mil anos do período medieval foram de "trevas". Assim, por essa concepção a "Idade das Trevas" compreenderia a chamada Alta Idade Média, divisão historiográfica que representa a história que vai do século V ao século X. 

Por sua vez, a Baixa Idade Média, que compreende os séculos XI ao XV, não teria sido um período sombrio, mas já do prenúncio das luzes, pois no século XII tivemos o "Renascimento Carolíngio" e no século XIV começou o Renascimento Italiano. Ambas épocas nas quais as artes, filosofia e ciências começam a se reerguer. 

Dessa forma a historiografia inglesa, ainda hoje utiliza a divisão entre Idade das Trevas (Dark Ages) para se referir aos séculos V e X; e, por sua vez, usam o termo Idade Média (Middle Ages) para se referir aos séculos XI e XV. Pode parecer confuso, mas é apenas uma questão de nomenclatura. Fora do Reino Unido, a maioria dos países não usa essa divisão, e considera o termo "Idade das Trevas", pejorativo, antiquado e impróprio. No entanto, fiz menção disso, para mostrar que ainda assim, ele é usado pelos britânicos hoje em dia.  

Sendo assim, explicado de forma breve a origem dos conceitos de Idade Média e Idade das Trevas, e o seu uso hoje em dia na historiografia, agora passamos para uma análise com base em algumas perguntas as quais nos revelam impressões equivocadas, pois o período medieval não foi tão sombrio, fanático, ignorante, conservador como se imagina e infelizmente ainda é transmitido dessa forma nas escolas. 

Pergunta: Todas as pessoas da Idade Média eram cristãos devotos?

Resposta: Não.

Para se compreender essa pergunta é preciso ter cuidado ao fazer uso das palavras "todo" e "tudo". Ora, estamos falando de um continente com vários Estados, povos, idiomas e culturas, e de um período de tempo de quase mil anos. Não se pode generalizar ao ponto de se dizer que o homem e a mulher do medievo teve o mesmo pensamento ao longo da Idade Média (LE GOFF, 1989, p. 8). Como apontado pelo historiador francês Jacques Le Goff, um erro ainda comum visto no ensino sobre a história medieval, é que as pessoas acham que a Idade Média, malfalada como "Idade das Trevas" foi uma época igual todo o tempo, e seus habitantes "sempre" foram pessoas "profundamente" crédulas e submissas ao dogma católico. 

A realidade não foi bem assim. A própria ideia de cristãos no medievo foi se transformando ao longo da História, além do fato de que o cristianismo não se instaurou na Europa de um dia para o outro, mas foi um processo que demorou séculos. Para se ter uma noção de como o cristianismo demorou para se difundir na Europa, vejamos uma rápida explanação: 

Com o Império Romano do Ocidente cai em 476, oficialmente a religião do Estado romano era o cristianismo, o que significa que na teoria, todas as antigas regiões que eram províncias romanas, seriam terras habitadas por cristãos? Na prática não foi bem assim. De fato, embora o cristianismo já naquela época era a religião predominante do Estado romano, não significa que outras religiões não fossem profetizadas em suas terras, além do fato de que vários  povos  em seu período de migrações, adentraram as terras romanas várias vezes, e alguns ali se estabeleceram. Tais povos como osgodosvândalossuevoslombardosalanosgaulesesceltas,bretões, hunos, etc., alguns se converteram a fé cristã, outros ainda mantiveram suas crenças pagãs. 


Mapa do Império Romano do Ocidente e do Oriente, mostrando a divisão por dioceses. Nos dois mapas menores, vemos a fronteira oriental e o nome dos atuais países que compreendiam naquela época territórios dos romanos. 
Sendo assim, após a Queda do Império Romano, não significa que suas antigas províncias as quais se tornaram independentes ou não, se constituíram em Estados cristãos. Em algumas terras o grosso da população ainda se manteve naquela zona entre ser cristão, mas manter suas crenças anteriores ou até mesmo adotar seitas cristãs, vistas pelo papado como sendo heréticas. 

Em 508, o então rei dos francos, Clóvis I (c. 466-511) aceitou ser batizado e se converteu ao cristianismo. Clóvis era o terceiro soberano da Dinastia Merovíngia, e sob seu governo 481 a 511 ele conseguiu conquistar várias tribos francas, e assim formou o Reino da Francia, que anos depois daria origem a França. Mas não foi apenas seu êxito em ter unificado tribos francas, mas sim em ter legado aos seus sucessores a ideia de uma monarquia franca cristã, algo que seria seguido nos séculos seguintes contando com o apoio da Igreja (ROSA, 2012, p. 309-310).


Pintura retratando o batismo de Clóvis I, rei dos francos, em 508. 
No século VI, a Irlanda em grande parte estava sob a religião celta. Todavia, um irlandês Brandão de Ardfert e Conflert (c. 484 - c. 577) converteu ao cristianismo e entrou para a igreja. Após sua morte foi canonizado. São Brandão é o padroeiro da Irlanda, tendo fundado várias igrejas, mosteiros e capelas, além de ter difundido o cristianismo pela ilha. 

No caso do território que hoje compreende a Espanha, no século VI eram terras governadas por reis visigodos, os quais ou eram arianos ou pagãos. Em 587São Leandro de Sevilha (c. 534 - 600/601) conseguiu convencer orei Recaredo I a se batizar e se converter. Por sua vez, o rei exigiu que seu povo viesse a adotar o cristianismo, assim em 589, no III Concílio de Toledo, presidido por São Leandro, os visigodos oficialmente aderiram ao cristianismo. Anos depois, o irmão mais novo de São Leandro, São Isidoro de Sevilha (c. 560-636) também atuou na conversão do rei Sisebuto, além de presidir o Quarto Concílio de Toledo (633). 

Germânia (a grosso modo compreenderia Alemanha, Bélgica, Holanda, norte da França, oeste da Polônia), foi ao longo dos séculos VII e IX cristianizada, destacando-se o missionarismo de São Bonifácio (c. 672-754), o qual recebeu o cognome de "O Apóstolos dos Germanos" devido aos seus feitos de converter várias tribos para o cristianismo. 

O imperador franco Carlos Magno (742-814), teve um papel importante, pois realizou campanhas contra as tribos germanas do sul, a fim de expandir seu império, mas também de trazê-lo ao seio da cristandade. Carlos Magno foi um cristão devoto para época, possuindo ligação com o papado, e até mesmo foi coroado no ano 800, com o título de imperador dos romanos; sendo a coroação feita pelo papa Leão III

Subindo pelo mapa da Europa, chegamos a Escandinávia, formada pelaDinamarcaSuécia Noruega. Durante o século IX, os vikings tiveram contatos com os cristãos de outras terras durante suas expedições e viagens, todavia, foi apenas no século XI, que bispados foram fundados na Escandinávia e na Islândia, e os vikings começaram a se converter em maior número ao cristianismo. Santo Olavo (995-1030), foi o primeiro santo de origem viking, tendo sido rei da Noruega entre 1015 e 1028. Ele teve um papel importante para incentivar a cristianização de seu reino. 

No caso da Europa oriental, ocupada por povos de origem eslava, a cristianização ali demorou mais a adentrar. Encontramos focos nos principados de NovgorodMoscovo e Vladimir, terras hoje pertencentes aRússia; e no principado de Kiev, hoje na Ucrânia. As terras que hoje sãoRomênia, República ChecaBósnia, BulgáriaSérvia, Macedônia, Gréciae o restante dos países que compreendem a região dos Bálcãs (nome dado a península localizada no sudeste da Europa), foram cristianizadas desde a época romana, embora as terras mais ao norte como Romênia, Hungria e Ucrânia começaram a serem cristianizadas mais tardiamente, lá pelo ano X em diante). 

Em outras palavras, a cristianização da Europa durou séculos (LE GOFF, 2007, p. 23). Logo, dizer que os medievais sempre foram cristãos o tempo todo, é um erro. Além disso, cristianizar um povo ou um país, não é o mesmo que cristianizar toda a população, tais termos são usados de forma generalizante. Só porque um rei aderia ao cristianismo e exigisse que seu povo fizesse o mesmo, não significa que todo mundo iria de imediato abandonar suas antigas crenças e adotar a fé em Deus, isso foi um processo lento, pois nota-se que o culto a natureza, o uso de práticas religiosas, o sincretismo religioso, etc., perdurou por anos e até décadas (LE GOFF, 2007, p. 25). 

Além disso, é preciso lembrar que além dos pagãos, havia judeus emuçulmanos vivendo na Europa. No caso dos judeus esses se espalhavam por vários países, e alguns fingiam ser cristãos-novos (termo de origem portuguesa, para se referir ao judeu que se converteu ao cristianismo, a pouco tempo), de forma para não levantar suspeitas, pois havia um grande preconceito religioso na época contra qualquer outra religião que não fosse o cristianismo católico. Caso alguém fosse descoberto sendo judeu, muçulmano ou pagão, as consequências poderiam levar até mesmo a morte. No caso dos muçulmanos, eles passaram a se concentrar na Península Ibérica, onde hoje são Espanha e Portugal, na ilha de Creta e em outras ilhas do Mediterrâneo. Inclusive os muçulmanos no século VIII, chegaram a invadir o sul da França, sendo repelidos por Carlos Martel, avô do imperador Carlos Magno. 

Por outro lado, mesmo em épocas nas quais o cristianismo fosse não apenas a religião oficial do Estado, mas também da sua gente, não significa que todo mundo era temente a Igreja e a Deus de forma cega, como alguns pensam. Se hoje os padres e pastores reclamam da falta de interesse das pessoas em irem a missa ou ao culto, no medievo isso não foi tão diferente; claro, que não foi na mesma escala de hoje em dia, mas acontecia. 

Jacques Le Goff (1989, p. 10) assinalava que a concepção de homem na Idade Média variou ao longo da sua história. Dos séculos V ao XII, a figura de Deus é bastante presente na vida das pessoas, principalmente a ideia de que Ele não é apenas o Deus que concede bençãos e milagres, mas também o Deus que pune. Assim, Le Goff aponta que nestes séculos, alguns cristãos medievais se sentiam mais preocupados com o pecado, no intuito de procurarem serem corretos, embora que na prática nem sempre conseguiam sê-los. Além disso, eles também temiam o Juízo Final. De fato, por volta do ano 1000 começaram a eclodir na Europa ocidental, seitas milenaristas, pregando o Apocalipse e o Juízo Final. Sobre isso comentarei adiante, mas o que o historiador chama a atenção, diz respeito a uma visão pessimista, na qual o cristão se reconhece como fruto do Pecado Original, condenado ao crime de Adão e Eva, assim, a vida seria uma penitência. 

"Na Alta Idade Média, Job é sem dúvida o modelo bíblico em que a imagem do homem melhor se encarnou. O fascínio da personagem do Velho Testamento foi tanto maior quanto o comentário ao Livro de Job, os Moralia in Job do papa Gregório Magno (590-604), foi um dos livros mais lidos, mais valorizados e mais utilizados pelos clérigos da época. Job é o homem que tem que aceitar a vontade de Deus, sem procurar outra justificação que não seja o arbítrio divino". (LE GOFF, 1989, p. 10).


Job on the Dunghill. Autor: Gonzalo Carrasco. Óleo sobre tela. Ano: 1881. Nos primeiros séculos da Idade Média, Job era a imagem de cristão ideal: o homem penitente, sofredor, e não dono de sua vontade e destino. 
A partir do século XIII, como continua dizendo Le Goff, o pensamento cristão muda, e com isso velhos valores são abandonados e outros são adotados, inclusive o fato de que algumas coisas antes tidas como terrivelmente profanas e imorais, perdem esse sentido. Alguns cristãos a partir do século XIII vão começar a ter em mente a importância do livre arbítrio em suas vidas, não considerando mais a ideia pessimista dos séculos anteriores. Os homens passam a se ver não como frutos do Pecado Original, mas como herdeiros de Adão no sentido de deterem o dom da razão e o poder de comandar os seres vivos, pois Adão foi posto no Jardim do Éden para reinar sobre os animais. 

Entretanto, essa ideia de livre arbítrio não apenas gera uma passagem de um pensamento pessimista para um pensamento otimista, mas a própria ideia de seguir a liturgia católica. Se antes já havia pessoas desinteressadas em ir as missas, em se confessar, em se fazer jejum, praticar peregrinações, participar de romarias ou realizar penitências, em 1215, oIV Concílio de Latrão instituiu como obrigação a todos os católicos que pelo menos fossem uma vez ao ano se confessarem e realizar a penitência após a confissão. Tal medida surge para tentar evitar que as pessoas deixassem de se confessar, o que significa que elas não estavam cumprindo com o dogmatismo católico, por outro lado, significava que as pessoas estavam se distanciando da Igreja, e também não a temiam tanto como antes. 

Essa mudança de pensamento de que a pessoa seria dona de seu juízo e de suas escolhas, cabendo ela ser tentada ou não, a Igreja viu nisto um problema, pois significaria que seu rebanho poderia acabar se desgarrando de seus dogmas, como também a faria perder autoridade, influência e poder. 

Não obstante, é na Baixa Idade Média, que as pessoas começam a visualizar a ideia de que o Paraíso e o Inferno, que a salvação e a danação circundam o espírito humano todo o tempo, e isso gerou alguns problemas de interpretação quanto a vida após a morte, e o que seria pecado, blasfêmia ou não.

"Aceitar o recusar a graça que os salvaria, ceder o resistir ao pecado que o condenaria, compete ao homem, que age segundo o seu livre arbítrio. [...]. O homem é o local da batalha que se empenham, para sua salvação ou para sua condenação, os dois exércitos sobrenaturais, prontos a cada momento, para agredir ou socorrer, os demônios e anjos. O local da batalha é a sua alma". (LE GOFF, 1989, p. 12). 


Pintura medieval retratando São Miguel com uma balança na qual vemos uma mulher e um homem, sendo cada um puxado para um lado. A imagem simbolizava a ideia de que a pessoa poderia ceder as tentações do Diabo, no caso da pintura o homem sendo puxado por um demônio; ou a pessoa poderia seguir o caminho justo de Deus; na imagem representada pela mulher em posição de reza diante de São Pedro. 
Sendo assim, se cada pessoa era responsável por procurar sua salvação, lembrando que na teoria todos os cristãos querem ser salvos, querem ir para o Paraíso, no entanto, na prática, nem todos os cristãos se importam em seguir a boa conduta de sua fé, e alguns tendem a beirar a hipocrisia, tentando mostrar uma boa imagem, enquanto na realidade são depravados; na Idade Média isso não foi diferente, e curiosamente os festejos que viriam dar origem ao carnaval, começaram a se tornar mais comuns na Baixa Idade Média, nessa época de mudança no pensamento cristão. 

É preciso lembrar que o carnaval ou pelo menos as festas que dariam origem ao carnaval, são originárias da Idade Média. A festa dos bufos, afesta do burro, a festa dos inocentes, festa dos loucos, etc,. eram festas esdrúxulas, obscenas, barulhentas, coloridas e até mesmo imorais, que ocorriam uma vez ao ano, normalmente nos meses de janeiro e fevereiro. As quais não apenas contavam com a participação da população em geral, mas até mesmo clérigos participavam daquela algazarra. 

"As Festas dos Loucos, “festum stultorumfatuorum” ou follorum”, do Burro e dos Inocentes, celebradas, consoante os locais, em diversos dias do referido período, quase se identificam e confundem. Promovidas pelo baixo clero, em particular pelos subdiáconos, são testemunhadas desde o final do século XII até ao do século XVI, com raros prolongamentos pelo século seguinte, quando as constantes condenações e proibições dos vários concílios episcopais, aliadas à intervenção de um poder real centralizado, que agora se leva mais a sério e dispensou já o espelho de verdade que era o bobo da corte, as restringem ou fazem desaparecer, pelo menos das igrejas, dando porventura origem às confrarias seculares, as “companhias dos loucos”, que, procedentes agora da burguesia, as continuarão sob a forma de festejos carnavalescos laicos". (BORGES, 2001, p. 32-33).


Gravura representando a festa dos bufos, especificamente durante o cortejo do "papa dos bufos". Percebe-se que o título de "papa dos bufos" era uma forma de afronta a Igreja, uma sátira. 
"Não são moderadas nem pudicas as manifestações carnavalescas em que, embora só uma vez por ano, é permitido ao povo miúdo comportar-se à margem de todas as regras; as sátiras para divertimento dos camponeses não poupam palavras obscenas nem descrições das várias vergonhas corporais. A Idade Média vive uma contínua contradição entre o que é afirmado, pregado e exigido como comportamento virtuoso, e os comportamentos reais, frequentemente não ocultados sequer por um véu de hipocrisia. Os místicos pregam a castidade e pretendem-na para os religiosos, mas os novelistas representam frades e monges glutões e dissolutos". (ECO, 2010, p. 15). 

Então vem a pergunta: se todas a pessoas medievais eram cristãs devotas, tementes a Igreja e a Deus, logo, tais festejos não deveriam existir, mas como visto não era bem assim. Inclusive até mesmo clérigos, como subdiáconos, diáconos, frades e até padres, participavam de tais festejos nas ruas, ou chegavam a realizá-los nos monastérios. Aqui se percebe uma divergência na opinião clerical. Os bispos, cardeais e papas eram contra tais festejos, mas não conseguiam bani-los completamente (de fato o carnaval até hoje existe), mas por outro lado, o baixo clero, não via nisso exatamente como algo profano ou imoral. Percebe-se a mudança de valores como comentado anteriormente.

“Como escreve, em 1445, o deão da Faculdade de Teologia da Universidade de Paris, numa carta condenatória dirigida aos bispos e cabidos de França: “Padres e clérigos podem ver-se usando máscaras e aparências monstruosas nas horas do ofício. Dançam no coro vestidos de mulheres, lacaios ou menestréis. Cantam canções licenciosas. Comem chouriços pretos no altar enquanto o oficiante diz a missa. Jogam aí aos dados. Incensam com um fumo fétido procedente da sola de sapatos velhos. Correm e pulam pela igreja, sem corar da sua vergonha. Viajam finalmente pela cidade e seus teatros em miseráveis carruagens e carroças; e suscitam o riso dos seus companheiros e circunstantes através de representações infames, com trejeitos indecentes e versos torpes e libertinos”. (BORGES, 2001, p. 33). 

Algo que deve espantar alguns leitores é o fato de clérigos participarem desses "festejos carnavalescos", pois se tem em mente que "todo" o clérigo deveria zelar pelo bom comportamento e ser um modelo de cristão devoto. No entanto, isso nunca foi uma regra mesmo no período medieval. No século XIII, quando São Francisco de Assis fez seus votos de pobreza, era uma forma de criticar o luxo da Igreja. De fato várias ordens procuraram seguir essa tendência da simplicidade e humildade, pois Cristo foi um simples carpinteiro, e porque sua "Igreja" deveria ser um antro de ostentação e luxo?

O já mencionado cardeal César Barônio quando criticou o pontificado dos papas no século X, desaprovou a vida mundana que os papas, cardeais e bispos levavam naquela época. Eles eram corruptos, cometiam o nepotismo, eram avarentos, gananciosos, não obedeciam o voto de celibato, possuindo amantes, esposas e filhos; viviam em luxuosas casas ou palacetes. Tal conduta imoral, ainda se manteve ao longo da Idade Média e da Idade Moderna. 

"De todas as contradições que a vida religiosa desse período apresenta a de mais difícil solução é a do confessado desprezo pelo clero, um desprezo que, como uma corrente não visível à superfície, se desenvolve paralelamente com o maior respeito pela santidade da vida sacerdotal. A alma das massas, ainda não inteiramente cristianizada, nunca esquecera a aversão que o selvagem sente contra o homem que não tem de lutar e que deve permanecer casto. O orgulho feudal do cavaleiro, campeão da coragem e do amor, fazia corpo, neste ponto, com o instinto primitivo do povo. A mundanidade dos mais categorizados membros do clero e a deterioração dos de mais baixo grau fizeram o resto. Daqui provinha que os nobres, os burgueses e os vilãos tivessem desde há muito alimentado esse ódio com sarcasmos dirigidos aos monges incontinentes e aos padres beberrões. Ódio é a palavra exacta a usar neste contexto, pois de ódio se tratava, latente, geral e persistente. Nunca o povo se cansava de ouvir criticar os vícios do clero". (HUIZINGA, 20 , p. 133-134). 

Mas além das críticas a falta de boa conduta dos clérigos, da falta de obedecerem os votos, principalmente os votos de celibato; de viveram no fausto; as pessoas também criticavam as ordens mendicantes, zombando seus votos de pobreza. 

"Há neste ódio especial aos frades pedintes a indicação de uma importantíssima mudança de ideias. A concepção formal e dogmática da pobreza tal como foi exaltada por S. Francisco de Assis e como foi seguida pelas ordens mendicantes já não estava de harmonia com o sentimento que começava a nascer. O povo começava a encarar a pobreza como um mal social e não como uma virtude apostólica. Pierre d'Ailly opunha às ordens mendicantes o «verdadeiro pobre», vere paupers. A Inglaterra, que primeiro que as outras nações se mostrou atenta ao aspecto econômico das coisas, deu, nos fins do século XIV, a primeira expressão do sentimento da santidade do trabalho produtivo nesse fantástico e comovente poema chamado The Vision of William concerning Piers Plowan". (HUIZINGA, 1978, p. 134).

O curioso que hoje em dia, as opiniões não mudaram tanto. Canso de ouvir as pessoas falarem que querem ficar ricas, e assim não precisariam trabalhar e aproveitariam a ociosidade e a vida mundana. Na Idade Média isso não foi incomum, pois pensar que os servos nos feudos eram contentes com sua vida pobre e penosa, é muita ingenuidade. Da mesma forma que os pobres de hoje querem ficar ricos, naquele tempo, eles tinham a mesma noção; assim como, oposto também ocorria; a nobreza não queria ficar pobre ou viver de forma contida e humilde, embora houvesse exceções como no caso do imperador Carlos Magno, conhecido por não ser afeito a ostentação, luxo e extravagâncias, mas ser um homem simples. 

Não obstante, essa mudança de pensamento também levou a surgir no século XII a ideia de Purgatório, pois se as pessoas procuravam seguir um caminho que oscilava entre o correto e o incorreto, entre o casto e o libertino, entre o bem e o mal, logo, nem todo mundo seria apto a ir ao Paraíso, estando a maioria da população aparentemente condenada ao Inferno, o que incluía os próprios clérigos. 


Quadro retratando as almas no Purgatório, enquanto rezam e imploraram para serem perdoadas.
Assim o Purgatório surge como um meio termo, um local no Além para o qual as pessoas boas, mas que cometeram excessos ou alguns pecados em vida, devem ir para serem purgadas (purificadas) em fogo, e assim ascenderem ao Paraíso. Tal noção apaziguava vários problemas por parte dos leigos e clérigos que haviam cometidos seus erros e excessos, e agora temiam que Deus não iria perdoá-los. Além disso, o Purgatório também era uma forma de convencer os pagãos nos quais não possuíam uma ideia clara entre Céu e Inferno, como foi o caso de alguns povos celtas, os quais concebiam uma ideia de pós-vida igual para todo mundo, independente de ser bom ou mal. 

Durante o pontificado de São João Paulo II (1978-2005) Bento XVI (2005-2013) ambos reconheceram que o Purgatório nunca foi um lugar físico, mas uma metáfora para se referir a um "fogo interior que queima em nós"; em outras palavras, o "purgatório" seria o nosso arrependimento em aceitar que falhamos com Deus, e agora devemos nos corrigir para voltar a ter a sua graça. 

Pergunta: As pessoas do medievo eram supersticiosas e fanáticas?

Resposta: Sim. 

Para se entender a resposta dessa pergunta deve se ter cautela. Superstições e fanatismos existem ao longo da História e ainda hoje estão presentes, mesmo num mundo cada vez mais dito "científico". Logo, dizer que a Idade Média foi a época de maior superstição e fanatismo religiosos é um equívoco, pois em dados momentos tais características eram mais visíveis e latentes, e outros momentos eram pouco claras e até pareciam ter sumido. Curiosamente a Idade Moderna, em alguns momentos foi mais conservadora e fanática do que a Idade Média. 

Na Idade Média como na Antiguidade e na Modernidade, as pessoas possuíam vários medos, neste caso, não foi incomum as pessoas evitarem de sair à noite, por não apenas temer o ataque de bandidos, lobos e ursos, ou acabarem tropeçando e se ferindo; mas também temer serem atacadas por bruxas, feiticeiros, fantasmas, demônios, zumbis, vampiros, lobisomens, etc (sendo que as lendas sobre zumbis, vampiros e lobisomens surgem no final da Idade Média, sendo mais comum eles terem bruxas, fantasmas e demônios). No medievo à noite foi associada ao momento sombrio do dia, pois era o momento no qual os servos de Satanás saíam do Inferno para aterrorizar a população.

"A Bíblia já expressara essa desconfiança em relação às trevas comum a tantas civilizações e definira simbolicamente o destino de cada um de nós em termos de luz e de escuridão, isto é, da vida e da morte. [...]. O próprio Cristo precisa atravessar a noite de sua paixão. Chegada a hora, entrega-se às ciladas da escuridão (João 11: 10), na qual se entranha Judas (13, 30) e se dispersam os discípulos". (DELUMEAU, 1989, p. 97). 


Pintura medieval retratando os cinocéfalos, os homens com cabeça de cachorro. O mito dos cinocéfalos advém da Antiguidade, vindo da cultura greco-romana, no entanto, tais histórias desse povo fantásticos foram preservadas no medievo.
As pessoas também temiam ogros, duendes, fadas (dependendo do povo, as fadas não eram criaturas boazinhas), homens-selvagens e outros diferentes tipos de monstros, alguns bastante inusitados. Isso levou ao surgimento dos famosos bestiários, espécie de enciclopédias sobre animais e seres fantásticos. Nesses livros os autores representavam animais reais, os quais eram geralmente provenientes da África e da Ásia como elefantes, leões, leopardos, tigres, hienas, hipopótamos, rinocerontes, girafas, etc., sendo pouco conhecidos dos europeus; mas também representavam animais lendários e mitológicos. De fato não há como saber se quem lia ou via um bestiário achasse que todas as criaturas ali representadas fossem reais, porém, lenda sobre unicórnios, fênix, gigantes, anões, ogros, fadas, grifos, gárgulas, manticoras, basiliscos, sereias, dragões foram bastante populares. 


Imagem do Bestiário Harley (BL Harley MS 3244), datado entre 1236 a 1250. Nessa página se ver um elefante e um dragão. 
Além dos bestiários surgiram também os livros de demonologia, obras nas quais procuravam construir uma hierarquia sobre os demônios. Sem contar que se faziam o mesmo para os anjos. A obsessão do homem medieval pelo Céu e o Inferno, levaram alguns clérigos a criarem obras bastante peculiares, como lista com o nome de anjos e suas hierarquias, e listas com o nome de demônios. 

Mas além dessa superstição acerca de uma gama de monstros, as pessoas do medievo ainda continuavam a temerem eclipses solares e a passagem de cometas. Embora que hoje em dia tem gente que se assusta com esses fenômenos celestes. Em vários momentos nos quais se viram eclipses e a passagem de cometas, há relatos de que algo de ruim depois ocorreu; talvez seja exagero dos cronistas clericais ou mera coincidência, mas o que se sabe é que tais fenômenos causavam medo em algumas pessoas ou poderiam ser interpretados com um bom presságio, mas em geral prevalecia a conotação negativa.


Detalhe da famosa Tapeçaria de Bayeux (séc. XI). Aqui se ver alguns homens no lado esquerdo apontando para um cometa. Em questão tratou-se do Cometa Halley o qual passou pela Terra no ano de 1066. 
Na Tapeçaria de Bayeux o Cometa Halley foi interpretado pelosnormandos, povo de origem viking, mas que habitava a Normandia no noroeste da França, como sendo um sinal de bom agouro. Posteriormente naquele ano o nobre Guilherme, o Conquistador (c. 1028-1087) invadiu a Inglaterra e derrotou o rei inglês, tornando-se o novo soberano do país. Sua vitória foi considerada um presságio do Cometa Halley. Todavia, para os ingleses a visão do cometa era de que algo de ruim estava por ocorrer (e de fato ocorreu). 

Mas como foi dito, em geral a visão de cometas era sempre associada a algo ruim. Em outra passagem do Halley, mas vários séculos antes, ocorrendo no ano de 530, os bizantinos consideraram que a grande seca e fome do ano de 536 foi culpa do cometa, mesmo ele tendo passado seis anos antes (LOYN, 1990, p. 101). 

Outra causa de superstição comum durante a Idade Média, foi o uso dosordálios, que em termos práticos, seriam os julgamentos com base em intervenção divina, o chamado "juízo de Deus" ou "juízos divinos"

"Os ordálios têm uma história antiga e obscura: provavelmente chegaram da Índia à Europa central, onde foram adotados pelos povos germânicos. De qualquer modo, quando estes povos invadiram o resto da Europa e criaram seus reinos, o sistema germânico dos ordálios difundiu-se por todo o continente; tornou-se mais comum o "sistema probatório", tanto para controvérsias penais como para civis (também porque, em muitos casos, e por algum tempo, essa distinção não era totalmente clara)". (TARUFFO, 2012, p. 19). 

A base para o funcionamento do ordálio seria a fé, neste caso, a pessoa era sujeitada a passar por algum tipo de teste, caso ele ou ela estivesse dizendo a verdade, a pessoa não seria reprovada no teste, pois sua palavra era verdadeira e Deus não deixaria o inocente sofrer uma injustiça. 

Os testes de ordálio variavam de acordo com o lugar, época e a classe social, ou seja, os ricos não fariam os mesmos testes que servos. Além disso, os ordálios preferencialmente deveriam ser realizados na presença de um padre, o qual seria responsável por consagrar os objetos usados durante a prova. 

Entretanto os ordálios podiam consistir em provas que iam desde por a mão na água fervente, andar sobre brasas, pegar em uma barra de ferro incandescente, beber uma poção que lhe forçaria o vômito, ser jogado num rio ou lago e ter que afundar, resistir a exposição do frio, ser posto diante de uma cruz, duelar, etc. Se a pessoa não se ferisse, afunda-se, não vomita-se, não desistisse, etc., seria considerada inocente. Já que Deus não iria castigar aqueles que diziam a verdade.


A prova de fogo. Autor: Dierec Bouts, o Velho. século XV. Nessa pintura vemos uma mulher da nobreza segurando com a mão esquerda uma barra de ferro incandescente, enquanto na mão direita sustenta a cabeça de um homem. Não sabemos os detalhes da pintura, mas parece que a mulher estava se sujeitando ao ordálio, a fim de provar que não havia matado aquele homem.  
Mas além dos ordálios acima mencionados, o emprego de testemunhas ou grupo de testemunhas também foi usual, e em alguns casos os juízes preferiam fazer uso destes do que dos ordálios. O arcebispo de Lyon, Agobardo de Lyon (769-840) foi um forte opositor ao uso dos ordálios, escrevendo acerca destes como sendo superstição. Todavia houve vários clérigos ao longo do medievo que defenderam a racionalidade dos ordálios, pois significava um fator de fé; logo, os cristãos deveriam ter fé em Deus, para provar sua inocência. 

No entanto, a prática dos ordálios começou a cair desuso por volta do século XI e nos séculos seguintes foi proibida por decretos papais. Em 1215, no IV Concílio de Laterano, o papa Inocêncio III proibiu o uso de ordálios e a participação de clérigos nessas provas judiciais. (TARUFFO, 2012, p. 18). 

Outro motivo de superstição esteve associado a magia e a bruxaria. Bruxas, feiticeiras, magos, etc., existem desde a Antiguidade em vários cantos do mundo e necessariamente não estavam associados apenas a maldade, mas também ao bem. Todavia, o Cristianismo passou a reconhecer na magia um duplo sentido: práticas herdadas do paganismo, ou seja, superstição e crendice; mas também, práticas usadas para se fazer o mal; daí a bruxaria e a feitiçaria foram associadas ao Diabo (LOYN, 1990, p. 136). 

Entretanto, a magia depois foi reavaliada pelos cristãos, dando origem a chamada magia negra (usada para o mal) e a magia branca (usada para o bem). Essa mudança se deu pelo fato de que os cristãos também praticavam magia, lembrando que durante a conversão dos pagãos, estes não abandonaram suas antigas crenças, e a magia sempre foi algo associado a várias religiões do mundo. Assim, apenas se fazia uma conversão, um sincretismo ou hibridismo religioso. 

A magia branca era aquela magia associada a esfera do religioso e do erudito. O uso de amuletos de proteção; medalhões de boa sorte; uso de plantas ou objetos para espantar mal-olhado, fantasmas, demônios, etc.; a ideia de que símbolos religiosos como a cruz e o crucifixo deteriam poderes mágicos para expulsar demônios, conjurar luz nas trevas ou afugentar monstros; a ideia de que relíquias sagradas ao serem tocadas poderiam proporcionar cura instantânea; o toque de cura dos reis taumaturgos, nos quais supostamente os reis ao tocarem os doentes os curaria.

Na esfera do erudito a magia branca esteve associada aos estudos principalmente da astrologia e da alquimia, conhecimentos pseudocientíficos levados a sérios por vários estudiosos laicos ou clérigos. No século XIII, o frade inglês Roger Bacon (1214-1294), ficou conhecido por ter sido um clérigo dedicado aos estudos da filosofia, matemática, geografia, física e da alquimia. Sua vocação a erudição lhe rendeu o título de Doutor Mirabilis (Doutor Admirável). Outros dois clérigos que também demonstraram interesse pela alquimia (não significa que praticassem alquimia, mas gostavam de ler a respeito) foram São Alberto Magno (ca. 1193-1280) e São Tomás Aquino (1225-1274). 

Embora é importante salientar que a Igreja possuía uma opinião dividida quanto ao estudo da alquimia e da astrologia. Ora alguns se mostravam mais conservadores, principalmente antes do século XIII, houve uma forte resistência dos clérigos em reconhecer a alquimia e astrologia como saberes não heréticos, profanos e supersticiosos. Por exemplo, São Alberto Magno tinha interesse em astrologia, mas Santo Agostinho de Hipona (354-430) foi contrários ao estudo da astrologia, considerando-o superstição de povos pagãos, farsa, crendice e até chegou a cogitar ser algo criado pelo Diabo (LOYN, 1990, p. 85-86). 


Dois homens debatendo acerca de astrologia ou astronomia, pois na Idade Média os dois saberes eram indissociáveis. Foi a partir do século XVII que começou a se separar a astrologia da astronomia. 
Embora Santo Agostinho tenha vivido antes da Idade Média, vários clérigos adotaram sua opinião nos séculos seguintes. Os estudos astrológicos só começaram a despontar no medievo no século XIII em diante, quando ocorreu as mudanças de opinião e postura da Igreja sobre o mundo, ao mesmo tempo que textos gregos e romanos começaram a serem traduzidos, saindo da esfera da biblioteca monástica para entrar na biblioteca particular e ali ser traduzido para um público pequeno, mas que tinha interesse e curiosidade. 

"No período final da Idade Média, a astrologia foi usada em grande escala para predizer acontecimentos: em 1337, por exemplo, Godofredo de Meaux previu fome e distúrbios em conseqüência do aparecimento de um cometa e, como tantos outros, atribuiria a Peste Negra a uma conjunção planetária maligna. A Guerra dos Cem Anos também proporcionou aos astrólogos uma oportunidade de ouro para prever acontecimentos, e Carlos V da França tinha muitos a seu serviço. O uso de prognósticos astrológicos em medicina também era generalizado, e influía em matérias tais como o diagnóstico e a cura de doenças, assim como a data mais propícia para efetuar uma cirurgia. Entretanto, críticos como Tomás de Aquino tiveram seus sucessores. No começo do século XIV, o papa condenou algumas noções astrológicas como parte de sua ofensiva contra a magia e a bruxaria; e, cerca de 50 anos depois, Nicolau d’Oresme negou com veemência a influência do oculto e criticou a astrologia do seu tempo como perniciosa e desorientadora". (LOYN, 1990, p. 87).

Todavia, também foi a partir do século XIV que as ideias de bruxaria e feitiçaria se tornaram mais claras e até mesmo passaram a serem reconhecidas e normatizadas pela Igreja, pois antes disso, embora houvesse perseguição a bruxas, feiticeiras, magos, necromantes, etc., as pessoas as vezes não sabiam como identificar uma bruxa de uma pessoa normal, pois o imaginário das bruxas como mulheres velhas, feias, narigudas e com verrugas é uma construção desenvolvida por volta do século XV e continuada posteriormente. Embora que a associação do gato preto e da vassoura datem do século XIII. 

"Tornou-se corrente a noção de que os possuidores de saber, ou magos, podiam invocar espíritos, controlá-los por meio de conjuros ou feitiços, e usá-los para seus próprios planos e desejos. Tal desenvolvimento foi vigorosamente atacado pela Igreja: o papa João XXII, na bula Super Illius Specula, promulgada na década de 1320, condenou a magia ritual como diabolismo e heresia. A sociedade ocidental estava cada vez mais propensa a sentir-se insegura e ansiosa a respeito dos poderes do Mal e, como as provas apresentadas no julgamento de supressão dos Templários (1307-14) pareciam demonstrar, menos inclinada a rechaçar a magia como irreal. Como o processo provou, o ataque clerical à magia foi um importante fator na formação de idéias posteriores sobre bruxaria. As crenças populares sobre magia sempre tinham existido, indo desde a magia branca até a feitiçaria. Na tentativa de incutir um certo nexo a esse conjunto amorfo de idéias populares durante o século XIV, a Igreja chegou gradualmente à conclusão de que toda a feitiçaria envolvia um pacto implícito com o demônio. Em 1398, a Universidade de Paris condenou a bruxaria como idolatria e heresia, e vinculou assim, de modo inelutável, a bruxaria ao diabolismo". (LOYN, 1990, p. 137-138). 

Embora a caça às bruxas pelo Cristianismo tenha se iniciado na Idade Média, foi na Idade Moderna que ela alcançou seu auge como veremos adiante, quando for tratado a questão das Inquisições. Ainda no medievo houve várias bruxas que foram perseguidas, banidas e mortas, mas tal perseguição necessariamente não era feita apenas pela Igreja, a população cristã no geral, se considerasse uma mulher ser suspeita de bruxaria, poderia com as próprias mãos enforcá-la, decapitá-la ou queimá-la, sem necessitar da intervenção da Igreja ou de algum clérigo. Vemos aqui o fanatismo religioso agindo de forma cruel e inconsequente. 

Pintura medieval do século XIV, retratando a tortura e execução de bruxas na fogueira. 
O problema é que muitas mulheres inocentes foram dadas como bruxas. Lembremos do famoso caso de Santa Joana D'arc, queimada viva na fogueira pela Inquisição episcopal da Normandia, no ano de 1431. Na ocasião entre os crimes de bruxaria pelos quais foi acusada, não esteve o de praticar magia, mas por ouvir vozes as quais Joana dizia ser de anjos, mas os bispos interpretaram como sendo a voz do Diabo. Em 1456, o papa Calisto III reconheceu que a inquisição havia gravemente errado, e Joana foi acusada e morta injustamente. 

Geralmente curandeiras e parteiras, ou seja, mulheres que tinham conhecimentos de medicina natural, pois sabiam fazer medicamentos, emplastros, poções, infusões, etc., saberes esses, antigos e difundidos pelos povos pagãos, foram considerados por muitos cristãos como sendo magia, pois o médico era o profissional "oficial" para tratar dos doentes, o curandeirismo era supersticioso e mágico como se pensava na época (e embora que ainda hoje se pense assim também). Logo com a associação da magia negra como sendo algo do mal, as mulheres que eram suspeitas de bruxa, em geral era mortas. 

No entanto, como Loyn (1990, p. 137) chamou a atenção: não podemos generalizar que toda mulher curandeira e parteira fosse vista como bruxa. Dependendo do local, o fanatismo poderia ser grande ou poderia nem existir. Loyn aponta para regiões da Inglaterra, onde a magia era vista como algo normal e a ideia de bruxa necessariamente não nera negativa.

Outro motivo que reforçava a crendice de que mulheres estranhas, que tinham conhecimento botânico e medicinal poderiam ser bruxas, advém do próprio preconceito que a Igreja medieval desenvolveu com as mulheres. Pois embora houvessem bruxos, magos, feiticeiros e necromantes, em geral as pessoas perseguidas por causa de magia negra eram mulheres. Isso se deve ao fato de que alguns clérigos mais radicais enxergavam na mulher uma figura de tentação: a mulher é o caminho para a luxúria; a luxúria é um dos pecados capitais; o pecado é obra do Diabo. Mas além dessa associação ao pecado da luxúria, a tentação e a sedução, a mulher que praticava magia negra, era diabolizada e associada como seguidora de Satanás (visão essa que se tornou mais comum no século XV, pois antes não havia essa associação direta). 

Um outro aspecto associado ao imaginário medieval foi o medo da Peste Negra, a qual no século XIV foi uma das maiores calamidades que se abateu sobre a Europa. Como a população cristianizada era bastante influenciada pela ideia do divino e do sobrenatural, uns alegavam que a peste era uma punição enviada por Deus para assolar a humanidade por causa de suas ofensas e pecados; outros diziam que Deus era bom demais para fazer isso, e a peste era uma maldição enviada por Satanás; mas havia aqueles que independente de se foi Deus ou o Diabo que enviou a peste, se perguntavam onde estava Cristo e Deus naquele momento de terror? Porque deixavam seus filhos perecerem de forma tal agonizante?


O triunfo da morte. Peter Brugel, 1562. Nesse quadro o pintor tentou imaginar como teria sido o macabro cenário durante os surtos da Peste Negra, os quais os relatos falam sobre centenas e até mesmo milhares de mortos em questão de semanas. 
No entanto, além da imagem de Deus e do Diabo, outras supostas referências a peste surgiram. O historiador Jean Delumeau (1989, p. 112-130),  estudou esse imaginário sombrio sobre a Peste Negra, também chamada de "A Morte Negra". Algumas pessoas diziam que a peste era causada por gases venenosos vindos do subterrâneo; outros falavam de um misterioso fogo fátuo que sobrevoava os campos ou pairava no céu; uns falavam que haviam visto anjos ou demônios atirando setas envenenadas; outros falavam que a peste era resultado da tristeza, sendo um "ar ruim" que assolava as pessoas tristes; outros culpavam os estrangeiros, dizendo que ciganos e judeus haviam disseminado aquela praga. 

Um outro aspecto que remete também a superstição e ao fanatismo dizia respeito a chegada do Apocalipse. O último livro da Bíblia, o Livro do Apocalipse ou Livro das Revelações escrito por São João, é um dos livros mais polêmicos da Bíblia, por falar do fim dos dias terrenos, a chegada do Armagedon e o Juízo Final. O problema é que o Apóstolo João nunca disse em que ano o Apocalipse irá ocorrer, apenas deixou através de metáforas e simbolismos, pistas de sinais que indicariam a chegada desse tempo. Todavia, ao longo da história cristã até os dias de hoje sempre houve/há gente, seja clérigo ou leigo dizendo que teve visões ou sinais de que Deus havia lhe revelado o dia do Apocalipse. Na Idade Média isso não foi diferente. 

Os falsos profetas causaram problemas na época, aterrorizando a população e dando trabalho para a Igreja, a qual procurava desmentir essas falsas profecias e combater esses charlatões que as vezes acabavam por criar suas próprias seitas e "igrejas". Tais movimentos surgiram ao longo do medievo em distintos locais, as vezes estavam associados a eventos naturais como eclipses solares, passagem de cometas, surtos de fome, pragas, invernos rigorosos, etc., os quais os falsos profetas entendiam como sendo "sinais do Apocalipse", então passavam a pregar para suas comunidades que o dia do Juízo Final estava à caminho. Tais movimentos foram chamados de milenarismo

"Crenças milenaristas ou quiliásticas (termos derivados das palavras latina e grega para um milhar) existiram na Igreja primitiva e receberam renovado impulso quando se avizinhou o ano 1000. As principais idéias envolvidas estavam relacionadas com “a segunda vinda do Cristo”, a noção de um período apocalíptico de luta entre o Cristo e o Anticristo, entre o Messias e Satã, e o estabelecimento de uma nova Jerusalém na Terra. Elementos do pensamento milenarista subsistiram ao longo de toda a Idade Média, na maioria dos movimentos reformistas religiosos, e estavam normalmente associados a uma excessiva austeridade, a uma expectativa de um final catastrófico para a sociedade existente, e coincidindo, com freqüência, com períodos de intensa convulsão econômica e social". (LOYN, 1990, p. 519). 

Houve vários movimentos milenaristas, alguns bem pequenos, ocorrendo em localidades isoladas e outros maiores, os quais ganharam adeptos em vários países. Hilário Franco Júnior (1999, p. 40) aponta que embora a principal base desses movimentos milenaristas fosse o Livro do Apocalipse de São João, ele salienta que no medievo havia pelo menos outras 20 versões apócrifas que faziam referência ao Apocalipse. Algumas desses livretos mesclavam as profecias do livro bíblico, e outros apresentavam visões e acontecimentos bem diferentes, mas todos tinham em comum a vinda do Anticristo, de Jesus Cristo e de Satanás. 

Assim, dependendo do lugar onde os movimentos milenaristas se formavam, seus líderes e seguidores poderiam fazer uso dessas distintas versões e até mesmo usar várias delas. Porém, como em geral as pessoas não sabiam ler, logo, eles acreditavam no que os líderes dessas seitas diziam, além de haver também esculturas e pinturas que faziam referência ao Apocalipse. 

Nos últimos anos do século X, os movimentos milenaristas começaram a ganhar mais força, pois acreditavam que a chegada do ano 1000, daria início aos chamados "mil anos do governo de Satanás na Terra" e os "mil anos do governo de Jesus Cristo", pois terminado esse milênio, daria-se início ao Juízo Final. O problema é que a Igreja recusou totalmente essas crenças, alegando que na Bíblia não havia data para quando iria ocorrer o Apocalipse, e as pessoas estavam interpretando errado aquela profecia. Com a passagem do ano 1000 e com o suposto início do Apocalipse não ocorreu, um novo bafafá se instaurou entre as seitas e as pessoas que aguardavam aquele momento, logo, começaram a predizer novas datas, entre as quais o ano 1033, o qual fazia referência aos mil anos após a ressurreição de Cristo. Todavia, o século XI terminou e nada do fim dos tempos ter chegado, mas isso não impediu que novos movimentos e seitas surgissem nos séculos seguintes. 

"São de inspiração apocalíptica os movimentos dos flagelantes, que surgem em Itália no século XIII, num clima de ortodoxia, e se transferem para a Alemanha como movimento anárquico-místico de fundo revolucionário; de clara derivação apocalíptica serão os Irmãozinhos do Livre Espírito, ou beguinos, que se difundem na Europa do século XIII em diante, e os amauricianos, sequazes de Amaury de Bène… A Idade Média é várias vezes percorrida por estes ventos de revolta, em que um grupo se considera a única igreja legítima – legitimando-se com o seu rigorismo (que, estranhamente, desembocava com frequência na licença, como se a consciência da sua perfeição espiritual lhes consentisse maior despreocupação no trato com as misérias da carne)". (ECO, 2010, p. 20). 

Seita dos Flagelantes, bastante em voga nos séculos XIII e XIV. A seita ou movimento surgiu no final do século XIII na Itália, se espalhando por vários Estados italianos e depois migrando para Áustria, França, Sacro Império (Alemanha), Polônia, Hungria, etc. 


Gravura representando uma procissão de flagelantes. Ainda hoje em alguns locais do mundo ocorrem tais procissões. 
Os flagelantes como eram chamados, costumavam fazer apresentações públicas de autoflagelação, eles ficavam numa praça, num terreno aberto ou percorriam as ruas, enquanto açoitavam as costas durante todo o tempo que ali permaneciam. A ideia era que através da dor intensa, isso expiaria seus pecados e Deus os salvaria. Em momentos de crise como a Peste Negra, grupos de flagelantes surgiam a todo momento, pois acreditavam que daquela maneira ou conseguiriam sobreviver a peste, ou caso morressem, iriam para o Céu, pois lembrando que alguns achavam que a peste era uma praga do Diabo. 

Por outro lado, em meio a essas histórias sobre o advento do Apocalipse, do Juízo Final pregado por alguns clérigos e por leigos, que deram origem a seitas ou movimento, histórias sobre o Anticristo também se tornaram recorrentes. 

"No texto bíblico, antichristus aparece somente quatro vezes, usado por um único autor, e apenas em sentido genérico, indicando qualquer adversário de Cristo. No entanto, diante do crescimento das expectativas apocalípticas, a palavra passou a designar um personagem específico, ao qual se atribuiu uma biografia. Esta foi construída com dados de origem variada. Alguns vinham de antiquíssimas tradições orientais, outros foram extraídos do Antigo Testamento, outros vieram da literatura apocalíptica judaica, outros de apocalipses apócrifos cristãos, outros, enfim, eram adaptações ou inversões de referências relativas à vida terrena de Cristo". (FRANCO JÚNIOR, 1990, p. 42-43). 


Gravura em madeira, de 1498, retratando o Anticristo e seus seguidores. 
Algumas lendas medievais instituíram toda uma cronologia acerca do Apocalipse, logo, encontram-se relatos falando do governo do Imperador dos Últimos Dias, um líder cristão que iria governar sobre vários povos cristianizados e inclusive levaria o cristianismo a outros povos. Seu reinado seria de 112 meses ou 12 anos, mas sendo pacífico e próspero, e com o término deste, o Anticristo iria tomar o seu lugar e daria início ao seu breve governo de mentiras (algumas fontes falam que ele governaria por apenas 3 anos). Durante o governo do Anticristo muitos judeus e cristãos seriam iludidos, mas quando ele fosse desmascarado por Jesus ou São Miguel, Satanás entraria em cena, dando início ao Apocalipse (FRANCO JÚNIOR, 1990, p. 42-44, 54-55). 

Um último aspecto a abordar sobre o fanatismo religioso no medievo diz respeito as Cruzadas, pois das inquisições falarei adiante em específico. As Cruzadas mais famosas foram travadas entre o século XI e XIII, cujo projeto inicial era retomar o controle da Terra Santa das mãos dos muçulmanos. Mas além desse projeto religioso de se reaver a posse de Jerusalém e suas cercanias para a cristandade, houve também interesses políticos, econômicos e pessoais (FRANCO JÚNIOR, 1989, p. 10).

Todavia, o que quero destacar aqui, diz respeito ao fanatismo por parte de alguns clérigos e militares. Não podemos considerar que todo homem que lutou nas Cruzadas fosse ele soldado, arqueiro ou cavaleiro, fosse fanático ou lutou por fé. Não. De fato, o exército era uma forma de conseguir emprego e uma maneira de "fuga". Em alguns locais da Europa, as pessoas estavam passando por dificuldades, logo, alguns homens enxergavam o alistamento voluntário como uma fuga daqueles problemas, e também um emprego temporário até que conseguissem arranjar outra coisa (FRANCO JÚNIOR, 1989, p. 12-13). Assim, encontramos homens que partiram para as Cruzadas, motivados por questões pessoais de honra, glória e riqueza.


Pintura medieval representando a tomada de Jerusalém em 1099 durante a Primeira Cruzada (1096-1099). 
Porém, havia aqueles que eram motivados por questões de fé, os quais acreditavam que as Cruzadas eram "guerras justas e "guerras santas"; que eles estavam seguindo a mando de papas ou de reis para salvar a Terra Santa, e converter os judeus e muçulmanos. Mas alguns fanáticos não tinham interesse em salvar os chamados "infiéis" ou "hereges", mas de massacrá-los por serem considerados "inimigos da Igreja de Deus", como foi o caso do próprio papa Urbano II o qual decretou a Primeira Cruzada em 1096. No discurso feito por ele no ano anterior, a fim de convocar a nobreza europeia para partir na cruzada, Urbano II proferiu um discurso de intenso ódio contra os muçulmanos. 

"As relações homem-Deus passaram a ser concebidas como relação vassalo-senhor feudal. O homem recebera a Terra como feudo do Senhor (como o vassalo recebia a terra do seu senhor), e em troca precisava, como qualquer vassalo, ser-Lhe fiel e prestar serviço militar (combatendo os inimigos de Deus)". (FRANCO JÚNIOR, 1989, p. 29). 

Pelo viés do pensamento fanático religioso, as Cruzadas foram uma forma pelas quais os homens pecadores poderiam ter seus pecados perdoados caso decidissem ajudar naquela "nobre missão". No próprio discurso do papa Urbano II ele salienta isso ao dizer que todos aqueles que deixarem suas casas, famílias e terras, e pegarem a espada, o escudo e vestirem o manto da Igreja, estando dispostos a arriscarem suas vidas pela glória de Deus, saibam que os anjos irão levar sua alma ao Paraíso. Se hoje criticamos a chamada "lavagem cerebral" que alguns terroristas muçulmanos sofrem para se dedicarem de corpo e alma aos planos do grupo que pertence, nas Cruzadas há mais de setecentos anos, isso não foi diferente.

Pergunta: A Igreja Católica sempre foi hegemônica durante a Idade Média?

Resposta: Não. 

Para responder essa pergunta temos que vê-la de dois pontos de vista: um o que seria hegemonia? Seria dizer que a Igreja sempre controlou os Estados cristãos? Que a Igreja nunca teve sua palavra questionada por alguma autoridade monárquica ou até mesmo eclesiástica? Segundo, hegemonia significa que toda a Europa estava o tempo todo sob a tutela da Igreja Romana?

A partir desses dois pontos de vista podemos prosseguir com a explanação dessa pergunta. Nos seis primeiros séculos da história do cristianismo várias vertentes cristãs surgiram, o que revela uma desconexidade de opiniões e interpretações dos Evangelhos, pois cada vertente deu origem a seitas e/ou "igrejas" as quais possuíam opiniões contrárias a Igreja Romana e as demais seitas. Com isso a Igreja Romana as declarou de seitas heréticas, por pregarem o cristianismo de forma distorcida. 

Neste caso, muitas dessas seitas prevaleceram durante a Idade Antiga, na Europa, África e Ásia, não chegando a atingir o medievo, mas algumas delas chegaram aos primeiros séculos da Idade Média, vindo a causar problemas para a Igreja Romana. Entre as várias seitas heréticas da época, destacaremos as principais.

Do século V ao VII o número de arianos, ou seja os seguidores doArianismo, seita desenvolvida por Ário (c. 250-336) em Alexandria, rapidamente ganhou adeptos na Europa e na Ásia, embora que na mesma época a Igreja a reconheceu como uma heresia, e chegou a excomungar Ário. O foco principal da doutrina defendida por Ário era que Jesus Cristo foi apenas um homem imbuído de realizar milagres, mas não possuindo seu lado divino. Assim sendo, ele não seria a encarnação terrena de Deus, mas seria um homem santo. Neste ponto, Ário negava a Trindade. 

Todavia, o Arianismo embora tenha sido condenado como heresia no século IV, ele ainda ganhou muitos adeptos principalmente na Ásia Menor e no leste europeu, logo, os padres responsáveis pela catequização de alguns povos germânicos como foi o caso dos Godos, os doutrinaram com base na doutrina ariana, não sendo à toa, que no século VI, São Leandro teve que combater a propagação do arianismo entre os visigodos na Hispânia. Após o século VI o arianismo praticamente sumiu. 


São Leandro de Sevilha foi responsável por combater o arianismo bastante difundido entre os visigodos cristãos da Espanha. No final do século VI, ele conseguiu que os visigodos gradualmente passassem para o catolicismo.
Nestorianismo foi uma seita desenvolvida por Nestório (c. 386-451),Patriarca de Constantinopla (428-431). Embora não tenha se difundido muito na Europa, o nestorianismo foi bastante forte na Ásia a ponto de ter perdurado por séculos, inclusive no século VII deu origem a igrejas cristãs, chamadas "Igrejas do Oriente" as quais eram embasadas na doutrina nestoriana, que por sua vez não reconheciam a autoridade da Igreja Romana.

Mas no caso das heresias surgidas durante a Idade Média na Europa, podemos destacar: 
  • Iconoclastia, movimento surgido no século VIII no Império Bizantino, que perdurou até o século seguinte. Alguns clérigos mais radicais começaram a atacar o uso de imagens de santos, da Virgem Maria e de Jesus, alegando que se tratavam de objetos para idolatria. A iconoclastia num período de quase cem anos foi bastante forte, embora teve sua área de atuação quase que limitada a Europa oriental e a Ásia Menor. Nos períodos de maios eferverscência, igrejas e santuários eram invadidos e suas imagens de qualquer tipo eram destruídas. 
  • Bogomilismo, seita gnóstica cristã surgida com o padre búlgaroBogomilo, a qual se difundiu pelo século X. Sua doutrina pregava ideias maniqueístas quanto a Deus; que Jesus não teria possuído um corpo físico, logo, não teria sofrido na cruz; criticava os dogmas católicos, etc. 
  • Milenarismo: consistiu em vários movimentos pequenos ou grandes que pregavam ideias comuns sobre a chegada do Anticristo, o início do Apocalipse, o reino terreno de Jesus, o Juízo Final, etc. Foram bastante atuantes entre os séculos X e XI. 
  • Henricianismo, seita surgida com Henrique de Lausanne (c. 1030-1148) na França do século XII. Lausanne começou a pregar por conta própria por volta de 1116, apresentando uma doutrina que destoava dos dogmas católicos, levando seus seguidores a não obedecerem a Igreja Católica. 
  • Valdemismo, seita surgida com um comerciante francês de nomePierre Vaudés, o qual no ano de 1176 largou toda a sua riqueza, passando a fazer voto de pobreza. Por sua vez, como era homem letrado e de posses, encomendou uma Bíblia, e passou a pregar pessoalmente a sua comunidade, mesmo não sendo clérigo de formação. Além de pregar por conta própria, Vaudés procurou romper com a Igreja não reconhecendo sua autoridade e sua liturgia, inclusive foi crítico ao uso de imagens nas igrejas. 
  • Catarismo, seita cristã surgida no sul da França no século XII, influenciada pelo Bogolismo e o Paulicianismo (oriundo da Armênia). Basicamente os "cátaros" defendiam a ideia da existência de "dois Deuses", o "Deus do Antigo Testamento" e o "Deus do Novo Testamento", sendo que o "Velho Deus" foi associado a Satanás; logo, Satã era reconhecido como uma deidade, tendo sido responsável não apenas pela maldade, mas pela criação do mundo físico. Recusavam o santos, a eucaristia e o batismo. Pregavam uma livre interpretação das Escrituras, e realizavam apenas um tipo de cerimônia, oConsolamentum. O catarismo foi duramente combatido ao longo do século XII, mas ainda conseguiu se manter até o XIII, sendo talvez a seita herética mais influente do medievo. 
  • Fraticelli, seita de origem franciscana formada por dissidentes dos Frades Menores da Ordem dos Franciscanos. Eram clérigos mais radicais em defender uma Igreja humilde, assim como, defender piamente os votos pregados por São Francisco de Assis a todos os clérigos. Criticaram a Igreja como antro de ostentação e riqueza, alegando que o poder secular havia se corrompido com as riquezas materiais. Foram banidos no século XII, mas ainda continuaram a existir até pelo menos o século XV mas em pequeno número. 
Embora algumas dessas seitas tenham surgido com base em leigos, não significa que não houve a adesão de clérigos católicos a tais seitas, algo que complicou ainda mais a situação para a Igreja. Diáconos, frades, monges, padres e até bispos aderiram a algumas dessas seitas e passaram a pregá-las durante as missas, e em suas igrejas e dioceses. 

"Por volta de 1149, o primeiro bispo cátaro estabeleceu-se no Norte da França; anos mais tarde, outros estabeleceram-se em Albi e na Lombardia. A autoridade destes bispos não estavam bem definida. O Bispo Nicetas dos bogomilos visitou o Ocidente em 1167, chegando à Lombardia e ao Sul da França. Nos anos seguintes, mais bispos foram se instalando na Itália, e no fim do século já havia onze bispados no total: um no Norte da França, quatro no Sul (Albi, [Pg. 039] Toulouse, Carcassonne, Val d‟Aran), outros dois foram acrescentados mais tarde, e seis na Itália (Concorezzo, perto de Milão, Desenzano, Bagnolo, Vicenza, Florença e Spoleto)". (FALBEL, 1976, p. 39). 

Até aqui vimos que no caso de várias das seitas heréticas surgidas na Idade Média, a maioria questionava a autoridade do clero secular da Igreja Católica, o que revela que diferente do que se pensa, nem todo mundo foi temente a autoridade papal, houve muita gente determinada a confrontar seus dogmas e leis. Mas além dessas seitas houve outros dois casos que abalaram a autoridade da Igreja: No ano de 1054 ocorreu o Cisma do Oriente, no qual a Igreja foi dividia em duas: no Ocidente com sede em Roma, permaneceu a Igreja Católica Apostólica Romana; no Oriente com sede em Constantinopla (atual Istambul), surgiu a Igreja Ortodoxa Grega. Não irei abordar os motivos do cisma, pois é um assunto extenso e demandaria um texto próprio para ser debatido. 

O outro caso que abalou a autoridade da Igreja, foi a Santa Sé de Avignon. No ano de 1309, o então papa Clemente V recém-eleito para o pontificado, conseguiu vencer o conclave graças a influência política do rei francês Filipe IV, o Belo. Mas se não bastasse ter conseguido "empossar seu próprio papa", o monarca francês exigiu que Clemente V deixasse Roma e fosse para a França, alegando que ali estaria mais seguro, pois problemas políticos e militares ocorriam na Itália daquele tempo, mas isso foi apenas uma desculpa esfarrapada para que o monarca pudesse manter em seu território a Santa Sé. 


Retrato do papa Clemente V, o primeiro pontífice a se mudar para Avignon. 
Mas a situação foi tão problemática, que de 1309 até 1377 todos os papas governaram a partir de Avignon, cidade no sul da França. O que significa que por um período de 68 anos 6 papas realizaram seus pontificados a partir de Avignon. E um fato a mencionar é que com a morte de Clemente V em 1314, o trono de São Pedro ficou dois anos vagos, pois os cardeais franceses e italianos não chegaram a um consenso para eleger o novo papa, pois o rei francês tinha interesse de eleger um papa de sua nacionalidade. E de fato, o papa eleito, João XXII, era francês. 

Todavia, em 1378 com a morte de Gregório XI em visita a Itália, um novo conclave ocorreu. O eleito foi o papa Urbano VI, mas os italianos queriam que a Santa Sé retornasse a Roma. E assim foi concedido, e Urbano VI mudou-se para Roma. O problema é que sua nomeação ao cargo de papa não agradou a todas as alas dissidentes da Cúria Romana, e posteriormente se elegeu-se de forma ilegal outros dois papas: Clemente VII e Bento XIII. O primeiro passou a governar de Avignon e o segundo em Pisa. Os dois papas eleitos de forma ilegal, foram chamados de antipapas, e governaram teoricamente no mesmo mandato de Urbano VI, pois cada um se declarava ser o verdadeiro papa escolhido por inspiração do Espírito Santo, e acusava os outros de serem falsários. 

Esse embate entre o papa oficial contra seus dois antipapas, perdurou até 1417, e esse período ficou conhecido como Cisma do Ocidente (1378-1417), anos nos quais haviam três clérigos que se reconheciam como pontífices da cristandade. Em 1417, com a eleição do papa Martinho V, colocou-se fim a disputa entre papas e antipapas, a qual durou quase 40 anos, o que contribuiu para fragmentar o poder secular da Igreja Romana, assim como, desbancar sua autoridade e hegemonia. 

Entretanto os problemas de hegemonia vivenciados pela Igreja Católica não se deveram apenas com conflitos internos e com o surgimento de seitas heréticas, mas também se deu em alguns momentos com os Estados europeus. No século XII, o então sacro-imperador Frederico I Barbarossa(1122-1190) possuía a pretensão de reaver os domínios do Sacro Império Romano-Germânico sobre a Itália, pois teoricamente desde o ano 800, quando o imperador Carlos Magno foi coroado imperador dos romanos, Carlos havia fundamentado um pacto com a Igreja de defendê-la contra seus inimigos, assim como, estender seus domínios a Itália e sua autoridade.


Iluminura do século XIII, retratando o rei Frederico Barbarossa e seus filhos. 
O Império Carolíngio de Carlos Magno seria a base do vindouro Sacro Império, assim, embora alguns imperadores não tiveram interesse em ajudar o papado quando este estava em perigo, por outro lado, alguns nunca deixaram de manter nítida, principalmente no norte da Itália, a ideia de que aquelas terras pertenciam ao Sacro Império, e eles eram seus súditos. No entanto, retomando a época de Barbarossa, este pretendia conquistar toda a Itália para o seu império, e não apenas ficar com a região da Lombardia, localizada no norte. De início o papa Alexandre IV solicitou a ajuda do imperador para ajudá-lo contra seus inimigos, Barbarossa viajou para a Roma, derrotou os opositores do papa. Em 1155 foi coroado em Paiva, com o título de Rei da Itália. Mas não bastava ter apenas um título, era preciso assegurar o poder. 

Nos anos seguintes Barbarossa marchou pela península itálica subjugando todos aqueles que se opunham a sua autoridade. É preciso lembrar que a Itália era dividida em vários Estados, e muitos não quiseram perder sua independência. Mas a guerra promovida pelo imperador germânico não apenas afetou a nobreza desses Estados, mas também o papado, pois para Barbarossa, os Estados Papais, nome dado as terras pertencentes a Santa Sé, também deveriam passar ao seu império, e isso pôs novamente o papa em colisão com o imperador. 

As desavenças foram tão grandes que o imperador apoiou o antipapa Vítor IV, a fim de que ele tomasse o poder de Adriano IV. Porém, Adriano IV temendo que isso pudesse vir a acarretar em sua deposição do cargo, decidiu convocar os líderes que eram contrários ao imperador germânico e assim formaram a Liga Lombarda e a Liga de Verona para combater o exército imperial. Frederico Barbarossa foi derrotado apenas em 1176, então decidiu formalizar uma trégua e se retirou da Itália. No entanto, nota-se aqui o caso de um monarca que ousou confrontar o papado, e ameaçou ao ponto de destituí-lo, diferente do caso do papa Clemente V que foi um "fantoche" nas mãos do rei francês Filipe IV. 

Frederico Barbarossa voltaria anos depois a firmar aliança com a Santa Sé, pois decidiu participar da Terceira Cruzada (1189-1192), embora tenha morrido a caminho de Jerusalém. Todavia, as desavenças iniciadas por ele entre o Sacro Império e a Igreja ainda seriam retomadas nos séculos seguintes por alguns imperadores. Por exemplo, no século XIV, o famoso poeta, escritor, filósofo e político Dante Alighieri, autor da Divina Comédia (1321), era um monarquista assumido, ou seja, ele defendia a intervenção do Sacro Império na Itália. Tal postura levou Dante a arranjar problemas com a oposição que era papista. Além de sofrer perseguição política dentro de Florença, onde vivia e trabalhava no Estado, Dante também se desentendeu com o papa Bonifácio VIII, que lhe custou quase a prisão e a vida, embora ele acabou sendo exilado. 

De qualquer forma, em seu livro Da Monarquia, Dante apresentava sua opinião de que o papa deveria apenas cuidar de assuntos espirituais da Igreja e deixar de dar maior atenção a questões políticas e econômicas. É preciso lembrar que ao longo da Idade Média e Moderna, muitos papas atuavam como reis, e em alguns casos, eram mais conhecidos por serem hábeis políticos do que teólogos. Devido a essa atuação na esfera do poder político, alguns papas entraram em conflito contra reis, duques, condes e príncipes, por esses não propriamente lhe questionarem acerca de assuntos religiosos, mas por assuntos políticos-econômicos. Não importava se ele fosse "representante de Cristo e de Deus", pois os próprios reis também se sentiam no mesmo patamar, logo, se viam em pé de igualdade. 

Pergunta: A inquisição foi mais cruel na Idade Média do que na Idade Moderna?

Resposta: Não.

Embora a inquisição tenha sido criada no medievo, seu auge se deu na Idade Moderna, algo curioso e que ao mesmo tempo espanta as pessoas. Afinal, a modernidade foi a época do Renascimento, da Revolução Científica e doIluminismo, períodos que se sucedem, e nos quais se pensa que as pessoas se desprenderam das "amarras" do fanatismo religioso do medievo e da sua ignorância. Pesadelo ou não, a verdade é que a Inquisição conviveu com as artes, as ciências e as filosofias da Idade Moderna, e nem por isso deixou de existir e de exercer suas funções. 

No entanto, comentarei alguns aspectos históricos sobre o surgimento da inquisição na Idade Média até finalmente ela se tornar três poderosas instituições na Idade Moderna. 

A inquisição medieval foi criada no ano de 1184, para inquerir sobre crimes de heresia e blasfêmia os quais estavam sendo difundidos principalmente por duas seitas heréticas, o Catarismo e o Valdenismo, ambas as quais mencionadas no tópico anterior. A Igreja já estava observando essas seitas algum tempo e até havia tomado medidas cabíveis para investigar quem eram os líderes e os disseminadores daquelas heresias, como o resultado não foi satisfatório e as reclamações dos clérigos do sul da França e do norte da Itália, principais regiões onde essas duas seitas atuavam, ainda eram recorrentes, a Santa Sé decidiu fazer algo. 

No ano de 1184, através da bula Ad abolendam, o papa Lúcio III com o apoio do imperador Frederico Barbarossa decretava a criação de um tribunal especial, o tribunal inquisitorial, o qual já existia na Igreja, mas tratava de assuntos internos a instituição. O tribunal decretado pelo papa, seria de caráter externo e seu comando seria dado aos bispos locais, daí o nome de tal inquisição ser Inquisição episcopal

Mediante a essa autorização, os bispos das regiões na quais ocorreria o inquérito, eram nomeados para presidir todo o processo inquisitorial de seu começo ao fim. Aqui já se desmente algumas ideias errôneas as quais diziam que os tribunais inquisitoriais foram criados para caçar as bruxas. Na verdade o crime de bruxaria só seria julgado pelas inquisições vários anos depois. Não obstante, a grande caçada às bruxas vai se iniciar propriamente no século XV, já no período moderno, onde alcançou o seu auge entre 1450-1455 e 1480-1485, e curiosamente ocorreu por fanatismo popular e os tribunais civis, não sendo a inquisição responsável por isso na maioria dos casos (LOYN, 1990, p. 139). Tais ideias equivocadas acabaram por gerarem uma imagem ainda mais sombria a inquisição naqueles primeiros anos. 

"A própria existência da heresia é, sem dúvida, sinal demonstrativo da vida religiosa dos tempos medievais. Por isso, não se deve estranhar a violência gerada no combate à ela, violência com profunda base popular. Nem sempre o extermínio dos heréticos cátaros era executado pelos funcionários que deviam justiçá-los, mas por iniciativa do populacho fanatizado que não tolerava a heresia “filha de Satã”. E temos exemplos em que, por descuido ou não da justiça, os heréticos eram arrancados das prisões e queimados sem piedade. Foi o que ocorreu em 1120, em Soissons, quando o Bispo Lisiardo prendeu suspeitos de heresia e, na sua ausência, os burgueses dessa cidade os queimaram". (FALBEL, 1976, p. 42). 

A inquisição criada em 1184, foi instaurada no sul da França, principalmente para atuar na região de Albis, onde proliferava os cátaros e valdenses, os quais foram genericamente chamados de "albigenses". Os juízes delegados pelos bispos tinham que realizar um processo investigativo contra os disseminadores daquelas heresias, assim como, também identificar seus adeptos. Quando os heréticos eram identificados, tentava-se convencê-los de seus erros, além de passarem medidas corretivas, mas nada de execução (FALBEL, 1976, p. 43).

Entretanto, essas medidas mais brandas não surtiram o efeito desejado. E embora outras inquisições episcopais foram convocadas, pois elas não eram duradouras, pois após a conclusão do inquérito, elas eram dissolvidas; em1208, o então papa Inocêncio III vendo que os tribunais inquisitoriais não estavam conseguindo evitar a continuidade e propagação daquelas heresias, decidiu apelar ao povo, então convocou os senhores feudais franceses para que realizassem uma cruzada. 

A chamada Cruzada Albigense (1209-1244), a qual consistiu numa série de conflitos promovidos pela nobreza francesa no intuito de por um fim através das armas ao catarismo. Percebe-se aqui, o fato da inquisição ser branda naquele momento, ao ponto do papa tomar uma medida radical e convocar uma guerra contra os heréticos. Todavia, mesmo essa cruzada não surtiu efeito rápido como o desejado, tendo se prolongado por vários anos. 


Cátaros sendo expulsos de Carcassonne, França, em 1209. 
Em 1230, o papa Gregório IX através da bula Excommunicamus, decidiu reformular a inquisição episcopal, criando a Inquisição Papal, a qual passaria a estar sob sua direção, mas delegou como seus agentes osdominicanos, conhecidos por sua atuação há vários anos em combater os heréticos (FRANCO JÚNIOR, 2001, p. 186). Além disso, foi decidido que os inquisidores deveriam ser melhor instruídos para realizar suas atividades, como também decretou-se normas para a organização dos tribunais. Em1252, o papa Inocêncio IV através da bula Ad extirpanda autorizou oficialmente o uso da tortura no processo inquisitorial. E neste ponto é importante mencionar que vários instrumentos de tortura supostamente atribuídos a Idade Média, são na verdade, invenções da Idade Moderna. 

"Gregório IX tentou introduzir um certo grau de racionalidade legal nos procedimentos inquisitoriais: seriam instalados tribunais presididos por dois
juízes locais nomeados pelo papa; os processos exigiam o depoimento de duas testemunhas que permaneciam no anonimato e não podiam ser diretamente impugnadas; o suspeito fazia seu depoimento sob juramento. Em 1252, Inocêncio IV permitiu o uso de tortura para obter uma confissão. Se a confissão era feita, o indivíduo podia ab-jurar e recebia uma penitência canônica; se ele se mantivesse relapso, era entregue ao poder secular que habitualmente executava os hereges na fogueira". (LOYN, 1990, p. 426).

Mas embora a tortura e a execução tenha sido instituídos não significa que todo mundo era torturado e morto. Dependendo da heresia pela qual a pessoa estava sendo acusada, não seria necessário o uso de torturas e nem a pena de morte, ambos os casos eram reservados aos crimes mais graves. Logo, pensar que todo mundo era queimado na fogueira por qualquer desfeita, é um erro. A maioria dos acusados eram sentenciados a abjurarem publicamente que estavam errados, assumirem sua culpa, e pedir clemência a Deus, e sair do tribunal prometendo não mais cometer aquela heresia e/ou ajudar alguém a acreditar naquelas doutrinas erradas. Pois se houvesse reincidência, a situação se tornaria pior. Além disso, aqueles que eram acusados a morte, poderiam ser enforcados ou garroteados, e não necessariamente queimados vivos. 

Em outros casos o herege tinha que participar dos autos-de-fé, procissões inquisitoriais que só surgiram na Idade Moderna, mas era uma forma de humilhação pública, pois toda a população da cidade veria que você havia cometido heregia. Em outros casos, o herege pagava uma multa em dinheiro, bens ou propriedades ou poderia ser sentenciado a prisão domiciliar ou ir para a cadeia. Normalmente se pegava poucos anos de prisão. Por exemplo, Galileu Galilei nas duas vezes que foi acusado pela inquisição, na primeira ele abjurou diante dos inquisidores que havia cometido um grande erro, e perdia perdão por aquilo, em ter se defendido o modelo heliocêntrico em detrimento do modelo geocêntrico. Na segunda vez que teve que comparecer ao tribunal, os inquisidores não estavam tão convencidos da inocência de Galileu, mas devido a sua velhice, decidiram sentenciá-lo a prisão domiciliar. 

As inquisições episcopais e a inquisição papal ainda continuariam a atuar até o fim do medievo, sendo a inquisição papal de caráter contínuo. Assim, as inquisições episcopais eram dissolvidas e instauradas quando houvesse necessidade. Após o século XIV, a convocação de inquisições caiu, pois as principais seitas heréticas haviam sido combatidas, e os casos menores de heresia eram julgados pelos bispos ou nos tribunais civis, os quais detinham direito de julgar casos assim. 

No século XV e XVI as inquisições ganharam caráter institucional e permanente, assim surgiram a Inquisição Espanhola (1478-1834), aInquisição Portuguesa (1536-1821) e a Inquisição Romana (1542-1800). As inquisições episcopais foram abolidas e a inquisição papal foi substituída pela romana. Esses três poderosos tribunais agiram por séculos, e no caso da espanhola e da portuguesa, sua área de ação ia para além da Europa, se estendendo sobre as colônias nas Américas, África e Ásia. Não obstante, foi entre os séculos XVI e XVII que as inquisições estiveram no auge, como também coincide com a época de maior número de inquéritos, perseguições e execuções.

Pergunta: O conhecimento foi reprimido pela Igreja?

Resposta: Sim.

Porém, para compreender essa resposta exige-se cautela, para não se interpretá-la com equívocos, achando que "todo" clérigo era intolerante e a Igreja foi o tempo toda "ultraconservadora". 

Quando o Cristianismo foi instituído como religião oficial do Império Romano em 393, pelo imperador Teodósio, o Grande, uma das medidas que o monarca tomou, foi fechar todos os locais associados ao paganismo: templos, academias, escolas, ginásios, bibliotecas, santuários, etc. Tais locais foram gradativamente sendo fechados ou destruídos, e seus usuários foram expulsos, perseguidos, banidos e em alguns casos mortos. Por exemplo, a célebre filósofa Hipátia de Alexandria, no século V foi expulsa da escola onde lecionava no Templo de Serápis em Alexandria. O local era conhecido por difundir os ensinamentos gregos e até possuir uma corrente neoplatônica, mas o governador cristão de Alexandria decidiu acatar a medida do imperador Teodósio, e mandou que a escola fosse fechada e o templo demolido. 

No caso da Idade Média algo de similar ocorreu em dados momentos, principalmente na Itália, na Grécia, Egito e na Ásia Menor, locais onde proliferaram os centros de estudo do mundo greco-romano, os quais estavam sob domínio do Império Bizantino. Mesmo os bizantinos que eram herdeiros dos romanos e do gregos, isso não impediu que imperadores e bispos conservadores mandassem fechar academias e escolas que ainda preservavam os ensinamentos clássicos.

"Para a História da Ciência, a contribuição da cultura dos Impérios Romano do Oriente e Bizantino ao desenvolvimento do espírito científico foi nula, dados os aspectos políticos, sociais, culturais e religiosos que condicionaram sua evolução. Os grandes centros de ensino e especulação filosófica, como a Biblioteca e o Museu de Alexandria, a Academia de Platão e outras instituições tradicionais da Grécia pagã, foram fechados, e seus ensinamentos, por contrários e perigosos à ortodoxia oficial, proibidos. As Ciências não foram cultivadas, nem priorizadas, não tendo surgido, ao longo dos mil anos de História, nenhum vulto do porte de um Hipócrates, de um Eratóstenes, de um Aristarco, de um Apolônio, de um Euclides, de um Arquimedes. Não ocorreria nenhum progresso no conhecimento científico, limitado ao estudo, por uns poucos, das realizações da civilização helênica". (ROSA, 2012, p. 273).

"As características do Império Bizantino não eram favoráveis ao desenvolvimento de um espírito científico, investigativo, analítico e crítico. A dúvida intelectual e filosófica não existia em um ambiente dogmático, de cultura teocrática. As vantagens linguística e geográfica, além do domínio político de grandes e tradicionais centros culturais, não foram capazes de suplantar as desvantagens impostas por um sistema autocrático inibidor de uma atitude e de uma curiosidade criativas. Justiniano, em 529, fechou a Academia de Platão e outros centros de cultura, em Atenas, determinando que o ensino deveria ser ministrado exclusivamente por cristãos, sob controle da Igreja, de acordo com a doutrina oficial do Estado. A Paideia fora substituída pelo Quadrivium, sintoma evidente do abandono bizantino da concepção grega de ensino. O ensino público só seria restaurado no século IX, pelo Basileu Teófilo (829-842)". (ROSA, 2012, p. 283-284). 

A situação só não foi pior, porque alguns bizantinos eram admiradores da cultura helênica, logo, algumas pessoas procuraram preservar papiros e pergaminhos contendo obras de teor filosófico, matemático, astronômico, físico, químico, arquitetônico, geográfico, histórico, biográfico, literário, etc. Alguns desses trabalhos foram preservados em bibliotecas particulares e outros nas bibliotecas reais e da própria Igreja. Alguns padres e bispos eram leitores da obra de Platão e de neoplatonistas, embora que isso gerou problemas para eles, pois os clérigos conservadores desaprovavam o uso de tal "filosofia pagã", a qual nada oferecia de útil a doutrina cristã. 

Todavia, não podemos pensar que os bizantinos nada contribuíram. De fato no campo das ciências exatas, suas contribuições foram ínfimas, no entanto, na literatura, pintura, arquitetura, história e teologia eles deixaram importantes contribuições, das quais voltarei a falar a respeito na pergunta seguinte. 

Mas não foi apenas na Europa oriental dos bizantinos que o conhecimento foi reprimido, na Europa ocidental o mesmo ocorreu. Após a fragmentação do Império Romano e o surgimento dos "reinos bárbaros", o conhecimento se viu diante de um grande problema: os povos germânicos desconheciam muito do saber antigo, e por sua vez não tiveram interesse em preservá-lo; já a Igreja, detinha ciência desses saberes e optou em guardá-los, mesmo que fosse para negar acesso a população. 

Assim, dos séculos V ao VIII a situação do desenvolvimento do conhecimento científico e filosófico na Europa esteve quase que estagnado. Grande parte da população era iletrada, o que incluía até mesmo a nobreza, restando a alguns poucos letrados laicos e os clérigos, a leitura de pergaminhos, papiros e livros antigos, o que por si só já evitava o acesso a tais saberes. Por outro lado, as ordens monásticas ficaram conhecidas por preservarem muito desse material escrito nas bibliotecas de seus mosteiros, mas o acesso a tais obras era praticamente nulo para quem não fosse clérigo.

E mesmo os clérigos não faziam muito uso desse material escrito. A principal função deles era guardá-los e copiá-los quando necessário. Alguns chegavam a lê-los e até tinham interesse em algumas doutrinas ali apresentadas, mas eram poucos aqueles que tinham o interesse de não apenas ler, mas também de estudar. 

"No campo cultural, a degradação se evidenciaria, nesses primeiros tempos medievais, com o fechamento de escolas, a alarmante redução do nível de alfabetização e escolaridade, inclusive nas classes dirigentes e no Baixo Clero, e o desconhecimento dos avanços intelectuais da Antiguidade Clássica. Poucos, muito poucos, foram os intelectuais e eruditos dessa época, devendo citar-se Cassiodoro (468-552), autor de Instituição das Letras Humanas, enciclopédia das sete Artes liberais, que consagraram o curriculum de ensino medieval Trivium (Lógica, Gramática e Dialética) e oQuadrivium (Aritmética, Geometria, Música e Astronomia); Boécio (480-524), chamado de o último dos Romanos, autor de Consolo da Filosofia e tradutor de Aristóteles; o monge inglês Beda (673-735), que se interessou pela Astronomia, Aritmética, estudou as marés e os ventos, e escreveu aHistória Eclesiástica do Povo Inglês (731). Não houve, contudo, obras de valor no domínio científico; não haveria pesquisa nos diversos ramos do conhecimento, mas mera reprodução de opiniões de autoridades do passado, sem críticas ou comentários". (ROSA, 2012, p. 307).

"A Idade Média seria o Período dos Teólogos, dos Doutores da Igreja, mas não dos cientistas. Ao longo desses sete séculos, não surgiriam nomes da Ciência, nem haveria progresso na evolução do espírito científico. Agostinho não escreveria nada em matéria de Ciência, não consta ter feito qualquer observação científica, defenderia a prioridade da Fé sobre o conhecimento, que, por seu turno, era divino, e se esmerou em denegrir, desacreditar e combater qualquer iniciativa tendente a cultivá-la". (ROSA, 2012, p. 315-316).  

No entanto, não podemos generalizar ao ponto de que a Igreja reprimiu completamente o acesso ao conhecimento, pois aqui ocorre um viés interessante. Muitos dos responsáveis ao longo da Idade Média de propagar o conhecimento e até mesmo estudá-lo e realizar pesquisas, foram clérigos, pois sendo eles membros da instituição que era detentora dos maiores acervos que havia, essa era a possibilidade para aqueles de espírito mais curioso e investigativo realizar seus estudos. 

Além disso, a situação da Igreja com os saberes antigos começou a mudar na Baixa Idade Média, pois nos séculos XII e XIII temos um "despertar" que irá culminar no Renascimento. Percebe-se nesse período que a Igreja não se importa tanto em inibir o acesso aos textos antigos, ao mesmo tempo que passa a considerar o estudo do mundo físico com algo sem problemas para a doutrina, desde que não apontasse nada que fosse considerado impróprio ao pensamento cristão da época, tipo como defender a ideia do modelo heliocêntrico em detrimento do modelo geocêntrico, o qual era apoiado como correto pela Igreja. 

Por outro lado, a ideia de que no medievo os padres queimavam livros ou listavam o que deveria ser ou não lidos, isso é falso. O INDEX, a lista de livros proibidos da Igreja Católica, só foi criada no século XVI. Não obstante, a queima de livros só começou a ocorrer na Idade Moderna, embora não fosse algo autorizado propriamente pelos papas, mas ações singulares de alguns padres e bispos. 

Além disso, é preciso lembrar que no medievo a maioria das pessoas não eram letradas, os pergaminhos e livros eram restritos e já estavam de posse dos clérigos, logo, não havia necessidade de promulgar a proibição e a queima de tais livros, pois a ideia de queimar livros, é inibir o acesso a estes, mas naturalmente as pessoas já não tinham acesso a eles. 

Pergunta: O conhecimento nunca se desenvolveu na Idade Média?

Resposta: Não. 

Uma ideia que normalmente é transmitida diz respeito ao fato de que o conhecimento artístico, filosófico e científico não se desenvolveu ao longo da Idade Média, vindo apenas a ocorrer isso com o início do Renascimento. Só que o próprio Renascimento começou na Idade Média, e com isso, já se põe abaixo essa ideia de nenhum desenvolvimento do conhecimento ocorreu durante o medievo. No entanto há algumas ressalvas a serem feitas para se ter cuidado ao usar tais concepções.

O poeta, escritor, filósofo e tradutor Petrarca, considerado um dos expoentes da primeira fase do Renascimento, chamada de Trecento, considerava que os séculos que vão da Queda de Roma até o século que o antecede, ou seja, o século XIII, seriam a "Idade das Trevas". Tal fato se deve há condição de que na época de Petrarca não existia ainda o conceito de Idade Média, ele mesmo não se dizia ser um "medieval", isso é uma construção posterior que começa a surgir no século XV em diante. 

Sendo assim, no século XIX quando a cronologia das eras históricas é estabelecida em Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea, o final da Idade Média é estipulado no ano de 1453, quase cem manos depois da morte de Petrarca. Assim, usando essa cronologia habitualmente utilizada pelos historiadores no mundo todo, o Renascimento começou no século XIV, ou pelo menos as bases dele, pois alguns historiadores dizem que o Renascimento só começou de fato no século XV, mas ainda consiste final da Idade Média. 

Percebemos aqui que com o início do Renascimento ainda nos tempos medievais, já desmente essa ideia de que os saberes nunca se desenvolveram durante a Idade Média, e "sempre" ficaram restritos nas bibliotecas monásticas e a Igreja "sempre" procurou ocultá-los. De qualquer forma, além do Renascimento abordarei outros aspectos do medievo, os quais desmentem essa ideia equivocada. 

Uma das ideias propagadas acerca da "Idade das Trevas" diz respeito de que a Igreja sempre renunciou a qualquer forma de conhecimento de origem pagã. Isso não é verdade. Tivemos vários casos de clérigos que se embasavam no platonismo e no neoplatonismo para analisar a própria doutrina cristã, e a relação entre o mundo físico e o mundo espiritual. 

"A filosofia só aparece na história do cristianismo no momento em que certos cristãos tomam posição em relação a ela, seja para condená-la, seja para absorvê-la na nova religião, seja para utilizá-la em função da apologética cristã. O termo "filosofia" apresenta, desde essa época, o sentido de "sabedoria pagã", que conservará durante séculos. Mesmo nos séculos XII e XIII, os termos philosophi sancti significarão diretamente a oposição entre as concepções do mundo elaboradas por homens privados das luzes da fé e as dos Padres da Igreja falando em nome da revelação cristã. Não é menos verdade que o cristianismo teve bem cedo de levar em consideração as filosofias pagãs e que, segundo seus temperamentos pessoais, os cristãos cultos dos primeiros séculos adotaram atitudes bastante diferentes em relação a elas. Alguns deles, que só se converteram ao cristianismo bastante tarde e depois de terem recebido uma educação filosófica grega, eram ainda menos inclinados a condená-la em bloco pelo fato de sua própria conversão se lhes apresentar antes como a peripécia final de uma busca de Deus começada por eles com os filósofos". (GILSON, 1995, p. 1). 

"Aurélio Agostinho (354-430), convertido ao Cristianismo por Ambrósio, foi nomeado bispo de Hipona (396), cidade onde morreu durante o cerco dos vândalos; tornou-se Doutor da Igreja, e, seguramente, o mais prestigioso teólogo da Idade Média europeia. Influenciado pelo platonismo e pelo neoplatonismo de Plotino, incluiria certas noções do pensamento filosófico grego na Teologia cristã em formação, e procuraria orientar a visão do
Homem medieval sobre a relação entre a Fé Cristã e a Filosofia Natural. A síntese agostiniana do pensamento platônico e cristão, expressa em sua diversificada obra (escritos, cartas), consta, principalmente, de Da Doutrina CristãConfissões A Cidade de Deus, e dominaria a Filosofia medieval até a formulação de uma nova síntese, com a introdução do pensamento de Aristóteles, por Tomás de Aquino, no século XIII". (ROSA, 2012, p. 308).

Percebe-se nessa citação acima dois casos famosos de importantes doutores da Igreja, nas figuras de Santo Agostinho e de São Tomás, que ambos leram obras de filósofos gregos e até mesmo se valeram dessas para redigir seus trabalhos. A obra dos dois santos influenciou profundamente a concepção da filosofia escolástica do medievo. 

No entanto, não cabe aqui comentar acerca do desenvolvimento filosófico na Idade Média, pois é um assunto bastante extenso, mas recomendo a leitura do livro A Filosofia na Idade Média do filósofo e historiador Etienne Gilson, o qual trabalhou esse tema em seu volumoso livro de quase mil páginas, analisando o desenvolvimento da filosofia do começo ao fim da Idade Média. 

Entretanto, não foi apenas as concepções filosóficas dos gregos que ainda continuaram a serem usadas pelos clérigos, outros trabalhos de diferentes áreas também se mantiveram. Por exemplo, as noções sobre os seres vivos, a natureza e o céu (aqui no sentido astronômico), foram bastante influenciadas pelas obras de Aristóteles (384-322 a.C). No caso da geografia e também da astrologia e astronomia, temos o trabalho deCláudio Ptolomeu (90-168), que inclusive chegou a ser mais apreciado do que outros geógrafos também gregos como Estrabão e Erastótenes

No âmbito da matemática, Pitágoras e Euclides ainda era as principais referências; nos âmbitos da física e da química essas duas ciências praticamente sumiram ao longo do medievo, vindo a se dar importância no século XIII em diante, sob a influência de autores muçulmanos como Avicena (c. 980-1037) e Averróis (1126-1198), cujos trabalhos foram traduzidos para o vernáculo (língua nacional de um país), que acabaram influenciando alquimistas europeus, que por sua vez, passaram a retomar o estudo da física e da química. Por outro lado, também não podemos deixar de mencionar que a medicina medieval foi amplamente influenciada pelos estudos de Galeno, mesmo pelos erros que ele cometeu. 

Já na literatura, clássicos da poesia épica como a Ilíada e a Odisseia deHomero, e a Eneida de Virgílio, ainda eram lidos no original, ou seja, grego e latim. Além desses autores, os poetas romanos Ovídio e Horácioentram na lista.

No Império Bizantino, não foi incomum usar-se a leitura dos poemas homéricos da Ilíada e da Odisseia para a alfabetização das crianças. Em determinadas épocas, tais poemas estavam em alta, e as pessoas da elite chegavam a decorar versos para se mostrarem como sendo "eruditos" (DIEHL, 1961, p. 180-185). Mas além desses poemas atribuídos a Homero, os bizantinos também apreciavam as peças de AristófanesSófocles,Ésquilo entre outros dramaturgos. 

No âmbito histórico destacam-se HeródotoTucídidesTito Lívio,SuetônioPolíbioFlávio JosefoCassiodoroDionísio de Halicarnasso,Plínio, o Velho e Plínio, o Jovem, etc. 

"Os bizantinos sempre apreciaram a história, e, do século VI ao século XV, desde Procópio, Agatias e Menandro, até Frantzés, Ducas e Critóbulo, cada século da história literária de Bizâncio, conheceu historiadores eminentes. Pela inteligência, muitas vezes pelo talento, eles se mostram bem superiores aso que, pela mesma época, escreviam no Ocidente livro de história, e alguns dentre eles mereciam lugar de destaque não importa em que literatura". (DIEHL, 1961, p. 183).

Ainda falando acerca dos bizantinos, além do apreço pelas obras de história e biografia, as hagiografias (biografias de santos), foram bastante populares não apenas no Império Bizantino, mas no restante da Europa cristã. 

"Próximos dos historiadores e até mais numerosos foram os biógrafos. Estes eram quase exclusivamente hagiográfos. Desde que Atanásio escreveu sua Vida de Santo Antônio, raro o eminente eclesiástico que não foi objeto de uma Vida, em geral variando de mérito de acordo com a posição do herói". (RUNCIMAN, 1977, p. 190).

É preciso pensar que embora houvesse esse apreço pela cultura grega antiga, estamos falando de uma sociedade já profundamente cristianizada, não sendo a toa que Runciman (1977) apontará que as hagiografias eram usadas até mesmo no ensino religioso e laico, como modelo de vida para um bom cristão. Mas também nesse âmbito influenciado pela religião, não podemos deixar de mencionar o desenvolvimento do direito canônico e da teologia, os quais tiveram grande ênfase ao longo do medievo.

O direito canônico por volta do século IX, torna-se o resultado da mistura de três bases de jurisprudência: o direito romano, o direito secular e o direito germânico. Um bom exemplo disso, diz respeito as leis doImpério Carolíngio de Carlos Magno, nas quais se percebe a junção desses três direitos para compor o chamado "direito carolíngio"


O Império Carolíngio foi talvez o primeiro império europeu da Idade Média, a possuir um código legislativo que mesclava o direito romano, o direito canônico e o direito germânico. 
O direito canônico seria alterado ao longo dos séculos, sendo que no contexto medieval as maiores alterações se dariam na Baixa Idade Média, tendo como exemplos, os ordálios seriam banidos e a inquisição seria instaurada, dois aspectos da jurisprudência católica que afetariam o direito. Não obstante, não se pode esquecer de dizer que com o Cisma do Oriente, o direito canônico foi dividido em direito canônico católico e direito canônico ortodoxo, cada um tomando rumos diferentes. 

No âmbito da teologia, como já foi dito, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são referencias, no entanto, houve vários outros teólogos de destaque: São Jerônimo (331-420), embora tenha vivido antes da Idade Média, sua teologia foi bastante influente nos séculos seguintes; São Gregório Magno (540-604), papa conhecido por ter copilado os "Sete Pecados Capitais"; São Isidoro de Sevilha (c. 560-636), homem de vasto conhecimento, procurou conciliar seus estudos entre a doutrina cristã e os saberes clássicos. São Beda, o Venerável (c. 673-735). 

Santo Anselmo da Cantuária (c. 1033-1179), conhecido por seus trabalhos que defendiam que o conhecimento da natureza e do universo seria uma forma de conhecer também a Deus; São Bernardo de Claraval (1090-1153), notório por sua retórica e sua complacência em resolver disputas, participou da organização de concílios, no combate as seitas heréticas no sul da França; reformou a Ordem de Cister, defendeu o reconhecimento da Ordem dos Templários, como também foi delegado para promover a Quarta Cruzada. São Alberto Magno (c. 1193-1280) assim como São Isidoro, foi um célebre erudito, o qual procurou promover os estudos naturais, os conciliando com a doutrina cristã, promovendo a ligação da razão com a fé. 

Por mais que obras de filósofos, escritores, poetas gregos e romanos fossem lidas, a Igreja ainda mantinha sua postura centralizadora e controladora do conhecimento. As pessoas poderiam até estudar aqueles trabalhos, mas deveria-se ter em mente que o importante era viver como um bom cristão e se submetendo a liturgia do poder secular (mas como vimos no início desse trabalho, isso nem sempre foi assim).

No entanto, até aqui vimos que os saberes antigos não foram totalmente reprimidos e banidos pela Igreja, pois houve gente que ainda continuou a lê-los, copiá-los e até escrever comentários, mas em termos de desenvolvimento do conhecimento, o processo foi mais lento para o âmbito cientifico, pois na filosofia escolástica, na teologia e no direito houve bastante desenvolvimento. Em geral os eruditos não iam além do que os velhos estudiosos da Antiguidade haviam chegado, se contentavam em expressar suas opiniões sobre as obras deles, no entanto, houve alguns casos singulares de homens que tentaram desenvolver ou pelo menos propagar o conhecimento filosófico e científico.

"Poucos, muito poucos, foram os intelectuais e eruditos dessa época, devendo citar-se Cassiodoro (468-552), autor de Instituição das Letras Humanas, enciclopédia das sete Artes liberais, que consagraram o curriculum de ensino medieval Trivium (Lógica, Gramática e Dialética) e oQuadrivium (Aritmética, Geometria, Música e Astronomia); Boécio (480-524), chamado de o último dos Romanos, autor de Consolo da Filosofia e tradutor de Aristóteles; o monge inglês Beda (673-735), que se interessou pela Astronomia, Aritmética, estudou as marés e os ventos, e escreveu a História Eclesiástica do Povo Inglês (731). Não houve, contudo, obras de valor no domínio científico; não haveria pesquisa nos diversos ramos do conhecimento, mas mera reprodução de opiniões de autoridades do passado, sem críticas ou comentários. As prioridades do momento eram, evidentemente, a sobrevivência na Terra e a salvação na vida eterna". (ROSA, 2012, p. 307).

Mas além de Cassiodoro, Boécio e São Beda, nesse período inicial também destacou-se São Isidoro por seu trabalho enciclopedista realizado naEtymologiae. "Etimologia, enciclopédia, em vinte volumes, dos quais dezessete
versavam sobre Aritmética, Geometria, Astronomia, Geografia, História, Mineralogia, Medicina, Gramática, Dialética, Filosofia, Retórica, Teologia, etc.; a obra, inspirada em Plínio, seria de consulta durante vários séculos". (ROSA, 2012, p. 308).


Estátua de São Isidoro de Sevilha, um dos últimos estudiosos clássicos no começo da Idade Média. 
"Ainda que iletrado, Carlos Magno fomentou a cultura, considerando alguns historiadores ter havido um “curto renascimento artístico e cultural” (Renascença carolíngia) no século IX, pelo estudo de textos latinos. O latim seria incentivado como língua culta, e na condição de idioma da religião e do governo, estabeleceu a unidade linguística dos países europeus ocidentais. Dessa fase cabe registrar o erudito inglês Alcuíno (735-804), que dirigiu o sistema educacional carolíngio com o Trivium e oQuadrivium como bases do currículo, fundou a Escola de Escribas de Tours e elaborou um método condensado de escrita (minúscula carolíngia), ancestral das letras minúsculas. Outro importante governante dessa época foi Alfredo, o Grande (849-900), Rei inglês que lutou contra o invasor dinamarquês (vikings), manteve metade da Ilha sob o domínio saxão e fortaleceu o poder central. Procurou elevar o nível educacional e cultural da população, tendo, inclusive, traduzido obras latinas para seu idioma". (ROSA, 2012, p. 310). 

Também nessa época, destacou-se os trabalhos do frade, filósofo, teólogo, professor e tradutor islandês João Escoto Erígena (810-877), o qual serviu na Corte do rei Carlos, o Calvo, um dos netos de Carlos Magno. Erígena ficou conhecido por ter traduzido algumas obras do grego para o latim, além de lecionar na Schola Palatina criada pelo rei, criação essa baseada no governo de seu avô, pois Carlos Magno ordenou a criação de escolas para educar a nobreza. Mas além de seus trabalhos como professor e tradutor, Erígena é conhecido por suas polêmicas no campo da filosofia e da teologia, chegando a renunciar a ideia de "Predestinação", a negar a existência do Inferno físico, redefinir a ideia de criador e criação, tentar conciliar as ideias neoplatônicas das quais era adepto, com a doutrina cristã, etc. (KENNY, 1998, p. 172-173).

Nos séculos X e XI teremos outros poucos estudiosos de destaque, todavia, a mudança propriamente dita começou a ocorrer no século XI em diante. Neste caso será nesse período de reformulação da filosofia escolástica, da teologia e do direito canônico, que alguns clérigos e eruditos laicos passaram a dispor de maior liberdade para poder estudar as ciências. Santo Anselmo foi um dos expoentes que defenderam essa posição de que o estudo da natureza seria uma forma de melhor compreender a criação de Deus. 

"A reação a esse estado de coisas, que começou a se esboçar nos séculos XI e XII, proveio de alguns membros da própria Igreja, única instituição capaz de contar com pessoas suficientemente cultas e motivadas intelectualmente para buscar entender, racionalmente, a Fé. Não se tratava de questionar as verdades religiosas, mas de sujeitá-las à análise. Anselmo resumiria magistralmente, pela primeira vez, esse anseio: “Parece-me descuido se, depois de firmarmos a nossa fé, não lutarmos para compreender aquilo em que acreditamos”. São, ainda, de Anselmo, Monológio ou O Fundamento Racional da Fé e o Proslógio ou A Fé buscando apoiar-se na Razão". (ROSA, 2012, p. 316).

"O uso da Razão para defender a Fé foi tese, igualmente, de Abelardo, professor de lógica e autor de Sim e Não, Introdução à Teologia, Tratado sobre os Gêneros e as Espécies. Eruditos e teólogos importantes, como Silvestre II (Gerberto 940-1003), Anselmo (1033-1109), Gilberto de la Porrée (1070-1154), Abelardo (1079-1142), Bernardo de Chartres (século XII), Thierry de Chartres (? - 1150), Hugo de São Vítor (1097-1146) e João de Salisbury (1120-1180), devem ser citados como exemplos pioneiros dessa atitude inovadora, responsável por decisivos desdobramentos do processo da evolução mental. Apesar da resistência, e mesmo oposição, da Igreja, as novas ideias e atitudes receberiam crescente número de adeptos". (ROSA, 2012, p. 317-318). 

Ainda no século XI começaram a surgir a primeiras universidades medievais propriamente ditas, embora que no Império Bizantino já houvessem nos séculos VIII e IX instituições que alguns defendam como sendo "universidades". Além disso, no mundo islâmico, em Bagdá e no Cairo desde o século X já havia universidades. 

De qualquer forma no século XI podemos mencionar a Escola de Chartresna França, a Escola da Bolonha (1088) a qual viria a se tornar naUniversidade da Bolonha, na Itália. No século XII temos o surgimento daUniversidade de Salamanca (1134), Universidade de Paris (1170) e daUniversidade de Oxford (1186); já no século XIII, o número de universidades começa a aumentar; Universidade de Cambridge (1209),Universidade de Pádua (c. 1222), Universidade de Nápoles (1224),Universidade de Valladolid (1241), Universidade de Coimbra (1290). No século XV o número de universidades crescerá mais do que nos três séculos anteriores. 

De qualquer forma, embora as universidades europeias tenham surgido ainda no medievo, elas diferem bastante das universidades de hoje em dia. Naquele tempo, todas as instituições eram subordinadas a Igreja e seus professores eram clérigos. Sendo assim, embora fosse um local para debates filosóficos, teológicos, científicos, etc., cenário no qual Santo Alberto Magno esteve presente, por ter estudado em algumas dessas universidades, além de ter sido professor de teologia na Universidade de Paris, ainda assim, havia restrições quanto ao que poderia ser pesquisado e estudado. Teorias polêmicas e assuntos considerados heréticos ficavam de fora. 

"Os estudiosos viviam numa atmosfera que inibia o desenvolvimento de uma mentalidade aberta à controvérsia, frustrando o ressurgimento da pesquisa, da investigação e da experimentação científicas. Desconheciam-se a Filosofia e a Ciência gregas. No pobre cenário cultural da Idade Média, a Ciência seria a grande ausente". (ROSA, 2012, p. 318).

O surgimento das universidades nos séculos XI ao XIII não alavancaram de um dia para o outro o desenvolvimento do conhecimento, mas contribuíram para que ele fosse difundido para um maior número de pessoas o que incluía homens de fora do clero. Por outro lado, as universidades necessitavam de material de estudo, e isso foi um dos motivadores para que o número de cópias e de traduções crescesse vertiginosamente entre estes séculos. 

"Assim, do século X ao XII, as traduções de obras gregas e árabes serviram de intermediários entre a Ciência grega e o Ocidente. Por eles passou a grande massa de textos que, no século XII, estiveram na base da renovação intelectual do Ocidente. Essa transmissão abrangeu diversas disciplinas: Matemática, Astronomia, Mecânica, Óptica, Medicina. Ao mesmo tempo, a tradução de obras árabes trouxe ao Ocidente conhecimentos que não constavam do saber helênico, como numeração decimal, procedimentos algébricos e elementos trigonométricos na Matemática, e investigações no campo da Alquimia. Como transmissores de conhecimentos orientais (China, Índia), principalmente hindus,
os árabes prestaram uma contribuição adicional ao desenvolvimento científico ocidental". (ROSA, 2012, p. 322). 

No campo artístico, a arte gótica ou estilo gótico surgem no campo da arquitetura e da pintura, concedendo uma renovação artística a arte do medievo. Na pintura destacaram-se os italianos Cimabue (c. 1240-1302) eGiotto (1266-1337), os quais concederam luz, perspectiva, cor e formas para a pintura sacra.

"Giovanni Cimabue, pintor florentino e mosaicista, foi um precursor da Renascença. Há poucos detalhes registrados de sua vida, mas ele viajou a Roma em 1272, onde a reforma política e religiosa estava no ar no reinado do papa Gregório X. [...]. Em Roma, Cimabue descobriu que até mesmo os artistas buscavam mudanças. Pintores de murais exploravam várias formas de trazerem mais realismo as suas obras". (GERLINGS, 2008, p. 36).

"Seu mestre, Cimabue, trabalhou para representar a forma em seu próprio espaço, mas foi Giotto quem finalmente descartou a tradição bizantina e, sem imitar ninguém, levou o retrato da humanidade a novos patamares. Há uma autenticidade de expressão nos olhos de suas figuras, e cada gesto é convincente porque corpos reais habitam suas vestimentas". (GERLINGS, 2008, p. 76). 


Interior da Capela delle Scrovegni, Igreja de Pádua. Os afrescos que adornam as paredes e o teto foram obra de Giotto, um dos mestres da pintura gótica medieval. 
A arte bizantina que prevaleceu ao longo do medievo, como principal referência para a arte sacra cristã, foi no século XIII substituída pela arte gótica. Embora Cimabue e Giotto não fossem muito favoráveis ao estilo bizantino, não podemos negar que eles tiveram seu mérito principalmente na construção das catedrais e nos mosaicos. No entanto, não se pode esquecer que a arte medieval foi um conjunto de vários estilos: romano, grego, bizantino, árabe, franco, celta, germânico, saxão, etc. 

Na arquitetura gótica as imponentes catedrais góticas francesas de Notre-Dame de ParisNotre-Dame de LaonCatedral de ChartresCatedral de AmiensCatedral de ReimsCatedral de Metz; na Inglaterra,  Abadia de BeverlyCatedral de WinchesterCatedral de ElyCatedral de Lincoln; na Itália, a Catedral de Santa Maria de Fiore, em Florença. Nota-se aqui, que na pintura gótica, os italianos foram as principais referências, na arquitetura gótica, foram os franceses que se destacaram. 


Catedral de Reims, França. Uma das obras-primas da arquitetura gótica medieval. 
No campo da literatura em versos e prosa, muitas obras singulares são de autoria anônima, uma prática comum no medievo, pois não existia a ideia de livro fechado como hoje concebemos, além do fato de que os autores temiam retaliação por parte da Igreja ou alguma autoridade. De qualquer forma, podemos citar o poema saxão Beowulf (c. 1000) de autoria desconhecida, o qual narra a aventura do guerreiro escandinavo Beowulf; A Canção de Rolando (séc. XI), uma das mais célebres gestas (histórias de cavaleiros), baseada no cavaleiro Rolando, o qual serviu a Carlos Magno. De autoria desconhecida, a obra foi escrita em francês e inspirou várias outras gestas. 

A Canção dos Nibelungos (c. 1200) de autoria desconhecida, escrita em alto alemão, baseada em mitos germânicos, entre os quais o mito dos Nibelungos, um povo de anões. Tristão e Isolda (séc. XII), famosa história sobre o amor cortês do cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Possui várias versões em distintas línguas, no entanto, hoje se conhece principalmente as versões francesas do século XII, pois as anteriores ou se perderam ou só foram achados fragmentos. 

O Ciclo Arturiano (séc. XII-XIV), conjunto de vários textos envolvendo as histórias do Rei Arthur e a criação de sua lenda. Nestes textos e livros originam-se os personagens de GuinevereLancelotMerlinPercival,MorganaMordred, entre outros; Camelot, a espada Excalibur e a famosaTávola Redonda. Entre os principais autores da época destacaram-se o clérigo galês Geoffrey de Monmouth (c. 1100 - c. 1155) e o poeta francêsChrétien de Troyes (c. 1135 - c. 1191). Além do Rei Arthur, o famoso fora-da-lei Robin Hood começa a surgir na literatura no final do século XIV. 

Na Islândia destacam-se a Edda em prosa (1226) atribuída ao poeta Snorri Sturluson; e, a Edda poética (séc. XIII) conjunto de poemas de autoria desconhecida. Ambas as Eddas são obras que versam acerca da mitologia nórdica, principalmente associada a Era Viking (VIII-XI), contando histórias sobre Odin, Thor, Loki, Asgard, Midgard, anões e gigantes. Além disso, datam também da época várias sagas islandesas

Na Itália destacaram-se dois grande poetas no século XIV. Dante Alighieri(1265-1321) com sua assombrosa e controversa Divina Comédia (1321), obra de impacto cultural nas artes, na sociedade e na história ainda hoje sentido. Neste vasto poema, Dante narra sua fictícia jornada pelo Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Escrita em italiano, foi considerada a primeira grande obra da língua italiana. Giovanni Boccaccio (1313-1375), poeta e crítico literário, grande admirador de Dante. Boccaccio é principalmente lembrado por sua polêmica obra Decamerão (1348-1353), escrita em toscano, narra várias novelas cujo o tema afrontavam a moral medieval da época, por versar sobre sexualidade, adultério, traição, hedonismo, mundanismo, etc. 

Ainda na Itália não podemos deixar de citar Marco Polo (1254-1324), mercador veneziano que serviu por cerca de quinze anos na Corte do imperador Kublai Khan na China. Ao retornar para casa, Marco anos depois publicou suas memórias de viagem no Livro das Maravilhas (séc. XIV), pois embora não seja uma obra ficcional, foi um dos mais famosos relatos de viagem sobre a Ásia por vários anos. O próprio Cristóvão Colombo quando em 1492 viajou no intuito de chegar as Índias, levava consigo uma cópia do livro de Polo. 

Assim, percebemos que o conhecimento se desenvolveu na Idade Média, embora que em algumas áreas como o direito, a teologia e a filosofia escolástica foram mais acentuadas, em outras áreas como as ciências exatas e da natureza o processo foi quase inexistente ao longo de séculos. Apenas na Baixa Idade Média é que isso começou a mudar, ainda assim, de forma lenta. 

Considerações finais:

Após a leitura dessas perguntas e suas respostas, espero que os leitores pelo menos passem a ter novos olhares sobre a Idade Média, mesmo que alguns eventualmente venham a dizer que ainda considerem que o medievo foi uma "Idade das Trevas", você está livre para argumentar em defesa. 

De qualquer forma, a Idade Média europeia foi uma época de contrastes entre o sagrado e o profano, entre o dito divino e o mundano, entre o espiritual e o natural. Se em alguns momentos a Igreja proibiu uma série de assuntos, e em outros ela permitiu. Não obstante, foram os próprios clérigos que iniciaram ou foram responsáveis por realizar mudanças significativas nas estruturas do pensamento religioso. Como visto, muitos dos eruditos que antecedem o século XIV, foram religiosos os quais pensavam diferente do dogma católico. Até mesmo casos importantes como Santo Anselmo e Santo Alberto, foram homens que procuraram defender o estudo da natureza como forma de se compreender a criação de Deus, ideia essa retomada por clérigos e laicos na Idade Moderna. 

Por outro lado, não podemos negar que a Igreja reprimiu o conhecimento, algo que perdurou por séculos, pois como visto, apenas uma ínfima parcela da população cristã teve acesso ao pouco de conhecimento que era compartilhado. Além disso, a Igreja também foi responsável por banir superstições e até mesmo adotá-las e fundamentar as suas próprias superstições. 

A ideia de que os cristãos medievais sempre foram submissos, como mostrado é equivocada, embora não seja errado em dizer que muitos eram supersticiosos e até foram fanáticos. No entanto, é nítido que esse pensamento se deu na Baixa Idade Média, logo, foram necessários quase 600 anos para isso vir a ocorrer. E além dessa mudança de pensamento acerca do comportamento e da moral, várias outras mudanças ocorreram ou se sucederam. O medievo começou a se transformar do ano 1000 em diante. 

NOTA: Embora o movimento gótico de hoje em dia, siga uma tendência a transmitir que sempre foram sombrios e desvinculados de alguma religião, na prática, a arquitetura gótica de fato era sombria, e predominava na construção de catedrais e não de castelos, como alguns pensam. Mas na pintura, prevalecia a luz e os motivos religiosos cristãos. Essencialmente, a arquitetura e a pintura gótica sempre estiveram de alguma forma ou outra, atrelada ao cristianismo. 
NOTA 2: Em fins da Idade Antiga entre os séculos IV e V, as tribos godas se dividiram em dois ramos: os ostrogodos (godos do oeste) e os visigodos(godos do leste), tendo recebido tais nomes devido as áreas as quais eles ocuparam. Os visigodos se assentaram na Hispânia, quanto aos ostrogodos seguiram para a Itália e depois os Bálcãs. 
NOTA 3: A Tapeçaria de Bayeux possui 70 metros de comprimento, tendo sido confeccionada supostamente por alguns monges, após a conquista da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador. 
NOTA 4: A história de que o papa Calisto III teria excomungado o cometa Halley em 1456, é hoje considerada fantasiosa. Tal menção a tal fato só é conhecida vários anos depois em uma de suas biografias, e curiosamente nos relatos de seu pontificado não há nenhuma menção a passagem do cometa. 
NOTA 5: Acerca de um pouco mais sobre a questão do Apocalipse, Juízo Final, Anticristo e as ideias pessimistas e esperançosas da Idade Média, recomendo ler o pequeno livro O ano 1000 de Hilário Franco Júnior, no qual ele foca sobre tais assuntos. 
NOTA 6: A Igreja Ortodoxa Grega recebe esse nome pelo motivo de que a língua oficial do Império Bizantino era o grego, isso também servia como uma forma de diferenciar da Igreja Católica, cuja língua oficial era o latim. A Igreja Ortodoxa possui seu próprio papa e subdivisões. 

Referências Bibliográficas: 
BORGES, Paulo Alexandre Esteves. Da loucura da cruz à festa dos loucos. loucura, sabedoria e santidade no cristianismoCadernos Vianenses, tomo XXIX, jan. 2001
DELUMEAU, Jean. História do Medo no Ocidente. São Paulo, Companhia das Letras, 1989. (Capítulo 1 e 2). 
ECO, Umberto (org.). Idade Média: bárbaros, cristãos e muçulmanos. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2010. 
FALBEL, Nachman. Heresias medievais. São Paulo, Editora Perspectiva, 1976.
FRANCO JÚNIOR, Hilário. O ano 1000: tempo de medo ou esperança? São Paulo, Companhia das Letras, 1999. 
FRANCO JÚNIOR, Hilário. As Cruzadas. 6a ed. São Paulo, Brasiliense, 1989. 
FRANCO JÚNIOR, Hilário. Idade Média: nascimento do Ocidente. 2a ed. São Paulo, Brasiliense, 2001. 
GERLINGS, Charlotte. 100 Grandes Aritstas: Uma viagem visual de Fra Angelico a Andy Warhol. Belo Horizonte, CEDRIC, 2008.
GILSON, Etienne. A Filosofia na Idade Média. Tradução Eduardo Brandão. São Paulo, Martin Fontes, 2001. 
HUIZINGA, Johan. O Declínio da Idade Média. Tradução de Augusto Abelaria. 2a ed. Lisboa, Editora Ulisseia, 1978. 
KENNY, Anthony. História concisa da filosofia ocidental. Tradução de Desidério Murcho [et. al.]. Lisboa, Temas e Debates, 1998. 
LE GOFF, Jacques. O Deus da Idade Média. Tradução de Marcos Castro. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2007.
LE GOFF, Jacques (dir.). O homem medieval. Lisboa, Editora Presença, 1989.
LOYN, H. R (org.). Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1990. 
ROSA, Carlos Augusto de Proença. História da ciência: da antiguidade ao renascimento científico - tomo I. 2a ed. Brasília, FUNAG, 2012. 3v
TARUFFO, Michele. Uma simples verdade: o juiz e a construção dos fatos. Tradução de Vitor de Paula Ramos. São Paulo, Marcial Pons, 2012.


Qual é a origem dos nomes dos países da América do Sul?


HOMENAGEM AO DESCOBRIDOR
Colômbia significa algo como "Terra de Colombo", numa homenagem óbvia ao navegador italiano Cristóvão Colombo (1451-1506), que, como todo mundo sabe, descobriu o continente americano em 1492.
DIVISÃO IGUALITÁRIA
O Equador foi batizado com o mesmo nome da linha imaginária que atravessa seu território e corta o nosso planeta ao meio. A palavra deriva do latim aequus, ou "igual", numa referência à divisão da Terra em duas partes iguais, os hemisférios Norte e Sul.
POLÊMICA INCA
A origem do nome Peru é controversa, com duas interpretações conflitantes. A primeira afirma que se trata de derivação do nome Birú, um importante chefe inca. Para a segunda, a mesma palavra significa também "terra de riqueza e esperança".
HERÓI LIBERTADOR
O general e estadista Simon Bolívar (1783-1830) tornou-se um dos principais heróis sul-americanos ao lutar pela independência de vários países da região, inclusive da própria Bolívia, batizada em homenagem a seu libertador.
O FIM DA TERRA
Antes mesmo da colonização, o Chile já era chamado assim pelos índios aimarás, que habitavam o norte do país. Na língua deles, a palavra chilli quer dizer "onde acaba a terra", referência à posição geográfica do território: o extremo oeste do continente.
PEQUENA VENEZA
A Venezuela deve seu nome a Américo Vespúcio (1454-1512), explorador italiano naturalizado espanhol. Ao visitar a região, ele encontrou indígenas que construíam suas casas em palafitas sobre as águas do lago Maracaibo, no noroeste do país. Isso o fez chamar o lugar de "Pequena Veneza": Venezuela.
PRATA FARTA
A Argentina impressionou seus descobridores pela grande quantidade de riquezas minerais encontradas em seu solo, principalmente prata. Daí vem seu nome, inspirado em argentum: prata, em latim.
ADEUS INDÍGENA
O Suriname tomou seu nome dos índios surinen, habitantes originais da região. Uma lembrança triste, uma vez que, quando os primeiros exploradores ali chegaram, a tribo já havia praticamente desaparecido, expulsa e dizimada por outros grupos indígenas que passaram a ocupar a área.
TERRA DAS ÁGUAS
A Guiana e sua vizinha Guiana Francesa - situadas entre os rios Orinoco, Amazonas e Negro, além de serem banhadas pelo Oceano Atlântico - eram conhecidas pelos nativos como guyana, termo que, em seu idioma, significa "terra de muitas águas". A Guiana Francesa obviamente leva esse adjetivo por ser possessão da França.
ÁRVORE EM BRASA
Essa aqui é moleza, hein? Produto de grande importância comercial no século XVI, a árvore de pau-brasil batizou nosso país, onde os colonizadores portugueses encontraram florestas fartas dessa madeira. "Brasil" quer dizer algo como "em brasa", referência à forte coloração avermelhada do tronco, utilizado para fazer corante.
O RIO É REI
O Uruguai acabou ganhando o mesmo nome que os índios tupis e guaranis haviam dado ao grande rio que atravessa seu território. No idioma deles, a palavra significa "rio dos caracóis".
CAMPEÕES AQUÁTICOS
Quando o Paraguai foi descoberto pelos espanhóis, a região era habitada por índios chamados payaguaes. Excelentes nadadores e hábeis navegadores, eles viviam às margens do rio que dava nome à tribo. O termo pode ser traduzido como "rabo de mar", "rio ornado" ou "rio que dá origem ao mar" - mas também identifica um tipo de papagaio.

Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/


Na história do Brasil apenas Dilma e Getúlio Vargas tiveram contas rejeitadas


Até a data desta quarta-feira, 7 de outubro, o ex-presidente Getúlio Vargas era o único chefe de estado que teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em 27 de abril de 1937, as contas de Vargas foram rejeitadas pelo órgão fiscalizador , mais de 70 anos depois foi a vez da presidente Dilma Rousseff (PT), que teve suas contas rejeitadas, por unanimidade,  na noite desta quarta. O relator, ministro Augusto Nardes, fez a leitura das conclusões do relatório recomendando a rejeição das contas. Os demais ministros seguiram o parecer do relator.  
Na década de 30, foi Francisco Thompson Flores, vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), constatava o desrespeito às leis orçamentárias cometido pela Contadoria Central da República, responsável na época por organizar as contas federais no Ministério da Fazenda. A indicação do TCU segue para votação no Congresso. A Comissão Mista de Orçamento na Câmara apreciará o relatório. 
Informações do O Globo. 

EUROPA

Bíblia de Lutero de 1634 é encontrada em blitz na Alemanha


Um exemplar de 1634 da Bíblia de Lutero foi encontrada pelas forças de segurança alemãs durante uma blitz na cidade de Lübeck, no norte o país. O exemplar, encadernado em couro e publicado pela Von Stern'sch Druckerei - editora fundada em 1614 - com o número 9, inclui na parte interior uma anotação à mão, informou a polícia nesta quarta-feira.












Foto: EFE
Esta Bíblia de Martín Lutero (1483-1546) foi confiscada pelos agentes em agosto, que desde então buscam o legítimo proprietário da sagrada escritura. A polícia não quis dar mais detalhes sobre as circunstâncias da descoberta, e alegou que a investigação ainda está em andamento.












Foto: EFE
A editora publicou desde sua fundação no século XVII ao redor de 60 exemplares da Bíblia. Segundo o especialista literário Wolfgang Schellmann, este exemplar, muito elaborado, é de uma raridade que não se vê há 20 anos em nenhum leilão.














Foto: EFE
Fonte: Terra

Pesquisador diz ter encontrado restos mortais da musa de Da Vinci, Mona Lisa



Pesquisador italiano que estuda o pintor Caravaggio diz ter encontrado restos mortais de musa de Da Vinci em convento













Pesquisadores realizaram exame completo nos restos mortais da Gioconda
Reprodução
Pesquisadores realizaram exame completo nos restos mortais da Gioconda

O túmulo de Lisa Gherardini del Giocondo, a suposta modelo do quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, está no convento Santa Úrsula, em Florença, revelaram testes de carbono 14. O anúncio da descoberta foi feito pelo líder das pesquisas, o italiano Silvano Vinceti e que é muito conhecido na Itália por descobertas e estudos feitos sobre Caravaggio.
Segundo os exames, um dos três pedaços de ossos encontrados na cripta do mosteiro se revelou compatível com o período de morte de Lisa, em 1542, e que poderá, no futuro, ser confrontado com o DNA de seus filhos. Na tumba, acredita-se que foram enterrados Lisa e seu marido, Francesco di Bartolomeu del Giocondo. Seus dois filhos foram enterrados em outro ponto da mesma igreja.
"É muito provável que, graças ao carbono 14, nós tenhamos individualizado em um caixão na cripta de Santa Úrsula os restos do esqueleto do corpo de Lisa. Além disso, há outros elementos convergentes, além do carbono, que dizem que nós podemos ter descoberto o túmulo", disse Vinceti nesta quinta-feira (23).
Para o historiador, há "diversos estudos antropológicos e arqueológicos feitos com rigor" que comprovariam que Lisa foi a modelo de Da Vinci. Ele citou como os mais relevantes os dados recolhidos por antropólogos e arqueólogos da Superintendência de Florença e dos estudos liderados pelo professor Giorgio Gruppioni da Universidade de Bolonha.
Todos comprovariam sua tese sobre Lisa. Porém, ele ressaltou que não há como dar "segurança" de que os restos pertencem à mulher, "mas as probabilidades são altíssimas".
Vinceti, contudo, reconheceu que as pesquisas sobre o assunto podem ser paralisadas. "No momento, não é possível proceder com os exames de DNA com as técnicas disponíveis atualmente. Vamos ver como vai evoluir a tecnologia nos próximos anos. Em particular, os restos dos filhos que foram encontrados na igreja da Santíssima Anunciação estão muito degradados por enchentes e não dão DNA suficiente para eventuais exames de confronto com os restos encontrados em Santa Úrsula", finalizou.
Os prováveis locais de enterro da família de Lisa foram abertos em agosto de 2013 e, desde então, os pesquisadores tentam comprovar a origem dos restos mortais. Há várias correntes sobre quem, de fato, foi a modelo de um dos quadros mais famosos da história.
A pesquisadora italiana Carla Glori, que trabalha há cinco anos no assunto, afirma que a mulher era Bianca Giovanna Sforza e que era casada com o comandante do Exército da região de Bobbio, Gian Galeazzo Sanseverino. A historiadora chegou a fazer uma reconstrução em três dimensões para afirmar que o quadro foi pintado na pequena cidade italiana.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/


70 anos após bombardeio a Hiroshima, sobreviventes ainda sofrem com câncer

70 anos após bombardeio a Hiroshima, sobreviventes ainda sofrem com câncer
Foto: Reprodução
O bombardeio à cidade de Hiroshima, no Japão, completa 70 anos nesta quinta-feira (6). Apesar do tempo transcorrido, sobreviventes ainda sofrem efeitos do ataque nuclear. De acordo com um estudo da Cruz Vermelha, pelo menos 63% das pessoas que sobreviveram à bomba chamada "Little Boy" morreram até 2014 devido ao câncer.

Fonte: Bahia Notícias


Nota de repúdio sobre documentário "A Guerra do Paraguai"


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Giorgis
Por meio desta, a Causa Imperial vem expressar todo o seu repúdio às mentiras contadas, ontem, pelo programa ‘Guerra do Paraguai’, do canal History Channel, e pela historiadora Mary Del Priori.
Em primeiro lugar, gostaríamos que os tão esclarecidos senhores historiados contratados pelo History Channel explicassem qual é o modo correto de agir quando um ditador como Solano López – o tirano que governava o Paraguai à época do conflito – decide desrespeitar a soberania do nosso País e invadir nosso território nacional. Até onde sabemos, e é o que manda fazer a lógica, a única solução é um contra-ataque e a derrota do invasor. Contudo, talvez os sapientíssimos historiadores achem que a melhor solução seria ter sido o Brasil mandar um buquê de flores e uma caixa de bombons para López – sem se esquecer do cartão!
Com relação à Senhora Del Priori, sugerimos que ela passe a agir como uma historiadora, e não como uma colunista de fofocas. Foge à nossa compreensão como uma pessoa que se diz formada em História possa ter a coragem – para não dizermos desonestidade – de chamar o Imperador Dom Pedro II de “não-civilizado” e de “caipirão despreparado”.
Bom, o Imperador foi instruído pelos maiores mestres de sua época. Quando criança, começava seus estudos às sete da manhã e terminava às dez da noite. Falava português, alemão, italiano, francês, latim, hebraico e tupi-guarani. Lia grego, árabe, sânscrito e provençal. Garantiu, por meio do uso sempre bem-dosado do Poder Moderador, a estabilidade e funcionamento das instituições políticas do Brasil ao longo de seus quarenta e nove anos de reinando pessoal. Cuidou para que nosso País tivesse o telégrafo, a luz elétrica e o telefone. Pagou, com seus próprios recursos, pela educação de militares, médicos, engenheiros e artistas que ajudaram a fazer a grandeza do Brasil.
Este é “caipirão despreparado” e “não-civilizado” da Senhora Del Priori, dita historiadora.
A produção também disse que o Imperador, por causa da Guerra, afundou a economia do Brasil, o que acabou por levar ao Golpe de 15 de novembro, que instaurou a República ilegítima em nosso País. Onde isto está escrito? Deve ser nos livros do MEC.
A História, verdadeira e imparcial, conta algo bem diferente: Sua Majestade Imperial destinou um terço de seu salário às despesas geradas durante o conflito. O salário do Imperador era de oitocentos mil réis por anos, cerca de noventa mil reais e quatro vezes menos do que ganha a "Presidenta" Dilma Rousseff, por exemplo. Ao passo que, ao longo do Segundo Reinado, a receita interna do Brasil cresceu dez vezes, período durante o qual o Imperador recusou qualquer aumento em seu salário.
Quanto ao 15 de novembro, verifica-se que o Golpe foi dado por militares que queriam instaurar uma ditadura, contando com o apoio de escravocratas insatisfeitos com a Abolição. Batamos palmas para isto? Seria de se esperar, no mínimo, que o povo brasileiro fosse consultado acerca da mudança na forma de governo... Mas a consulta foi feita apenas em 1993, mais de cem anos depois.
Por fim, sugerimos ao History Channel que mude de nome e passe a se dedicar a falar apenas sobre alienígenas e o pé-grande, pois só nestes assuntos o canal vem obtendo êxito, deixando completamente a desejar em suas produções de cunho histórico.
Gravura: o Imperador Dom Pedro II do Brasil e seus genros, o Príncipe Dom Gaston de Orleans, Conde d’Eu, e o Príncipe Ludwig August de Saxe-Coburgo e Gotha, no acampamento do Exército do Império do Brasil durante a campanha da Guerra do Paraguai.
O Imperador, o Primeiro Voluntário da Pátria, desejoso de servir junto aos seus soldados, encontrou oposição da Assembléia Geral, que temia por sua segurança – sabe-se que López tinha gaiola pronta para prender Sua Majestade Imperial, caso o Brasil fosse derrotado. O Imperador, então, disse que abdicaria e iria se alistar como um cidadão comum. Só assim a Assembléia Geral cedeu.
Os dois genros de Sua Majestade Imperial – maridos da Princesa Imperial Dona Isabel e da Princesa Dona Leopoldina –, também serviram no conflito. O Conde d’Eu, inclusive, foi nomeado Comandante em Chefe das Tropas da Tríplice Aliança, sendo muito elogiado por figuras como o Duque de Caxias e o Marquês de Herval. Ao fim do conflito, Sua Alteza Real foi recebido com uma grande festa no Rio de Janeiro, dignamente tratado como um herói nacional.


Grécia cobra R$ 1 trilhão da Alemanha como indenização por Segunda Guerra



É a primeira vez que o país divulga oficialmente um cálculo baseado nas atrocidades e saques cometidos pelos nazistas

O governo grego afirmou, nesta terça-feira (7), que a Alemanha deve ao país quase 279 bilhões de euros (R$ 945 bilhões) em reparações pela ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.















O ditador Adolf Hitler: teve apoio dos alemães e conquistou quase toda a Europa em 6 anos
Reprodução
O ditador Adolf Hitler: teve apoio dos alemães e conquistou quase toda a Europa em 6 anos

É a primeira vez que a Grécia calcula oficialmente o quanto acredita que a Alemanha lhe deve por conta das atrocidades e saques cometidos pelos nazistas nos anos 1940. A Alemanha, por sua vez, alega que a reparação monetária já foi resolvida anos atrás.
O governo grego – hoje comandado pelo partido radical esquerdista Syriza – faz a reivindicação num momento em que tem dificuldades em pagar e cumprir os termos de um pacote de resgate da União Europeia, em grande parte financiado pela Alemanha.
O ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, disse que a demanda é uma "idiotice" por ligar o pacote de resgate a questões de reparação de guerra. "Acho que isso não nos faz avançar um milímetro na questão da estabilidade da Grécia", afirmou.
Mas, o que a Alemanha deve à Grécia e, mais importante, a Grécia pode realmente cobrar algo dos alemães?
No que a Grécia se baseou para reivindicar a compensação?
A ocupação da Alemanha na Grécia ocorreu durante a 2ª Guerra Mundial, entre os anos de 1940 e 1944, e foi uma das piores da história do conflito. Cerca de 250 mil gregos morreram durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial, a maioria de inanição.
Também ocorreram massacres, como o de Kalavryta, no qual 500 pessoas foram mortas. Um dos pontos que a Grécia tem discutido no momento é a compensação pela morte de 218 civis em Distomo, em 1944.
No ano 2000, a Suprema Corte grega decidiu que a Alemanha deveria pagar 28 milhões de euros (mais de R$ 92 milhões em valores atuais) aos familiares dos mortos de Distomo, apesar de a decisão não ter sido aplicada e a disputa ter chegado a um impasse nas cortes internacionals nos anos seguintes.
Nesta terça-feira, o vice-ministro das Finanças grego, Dimitris Mardas, incluiu na dúvida supostos 10 bilhões de euros por um empréstimo que os nazistas forçaram o Banco a Grécia a pagar.
Por que a questão foi levantada agora?
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse ao Parlamento recentemente que era seu dever buscar as indenizações. Logo no começo de seu mandato, ele levou uma coroa de flores a um monumento para as vítimas dos massacres de gregos por soldados alemães, em Atenas. 
Mas a Alemanha agora é um dos grandes credores da Grécia. E as entre os dois países pioraram nos últimos anos devido à crise financeira. A Alemanha é uma das principais financiadoras dos pacotes de resgate, que desde 2010 tentam evitar o colapso financeiro da Grécia.
O novo governo de esquerda grego afirma que o pacote – que exige que Atenas adote, como compensão, duras medidas de austeridade e cortes de gastos–-, deve ser relaxado, algo que a Alemanha rejeita.
Em fevereiro, o governo da Grécia conseguiu uma extensão de quatro meses para o pacote de 240 bilhões de euros (cerca de R$ 794 bilhões) depois de uma negociação tensa com os credores. E agora Tsipras tenta renegociar o pagamento.
Nesta quinta-feira (9) expira o prazo para que a Grécia pague 448 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, parte do pacote de resgate.
O quanto a Alemanha já pagou à Grécia pela ocupação?
Em 1960, o governo alemão pagou 115 milhões de marcos alemães para o governo grego como compensação pela ocupação na guerra. Foi apenas uma parte do que o governo exigiu, mas foram esses os termos de um acordo entre os países.
O governo da Grécia afirma que o acordo de 1960 não cobre exigências importantes, como o pagamento pelos danos à infraestrutura durante a ocupação, crimes de guerra e o empréstimo que o país foi obrigado a pegar com a Alemanha durante o período em que os nazistas ocuparam seu território.
Obrigar um banco central de um país ocupado a tomar empréstimos com a Alemanha era um procedimento comum dos nazistas naquela época.
A Alemanha afirma que a questão da compensação já foi acertada politica e juridicamente em 1990 e questiona a razão de a Grécia não ter negociado tudo isso quando entrou na zona do euro.
Como a Grécia pretende obter o pagamento?
Uma decisão da Suprema Corte da Grécia permite que bens de propriedade de instituições alemãs sejam confiscados como indenização, mas essa decisão nunca foi aplicada pelo então ministro da Justiça grego, Michalis Stathopoulos.
Entre os possíveis bens alemães que podem ser confiscados estão propriedades que pertencem a uma escola de arqueologia alemã e ao Instituto Cultural Goethe.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

Livres para adorar - "Tiradentes, morte pela Liberdade"


"E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos." Salmos 119:45


"Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a
verdade vos libertará." João 8:31-32 

Em 1789, alguns membros da elite mineira reuniram-se com o objetivo de conspirar contra a metrópole, Portugal, cuja politica os prejudicava.
Eles desejavam acabar com a exploração e sonhavam com a liberdade - O fim da dependência da Coroa Portuguesa.
Mas esta não admitia oposição a seu poder, a conspiração acabou mal. Os inconfidentes foram traídos por dois deles, que não querendo correr riscos preferiram o perdão de suas dívidas.
Os líderes foram deportados e um homem, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, foi enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792 para que sua morte servisse de exemplo.

Ele e sua família foram considerados infames e sua casa foi destruída. Interessante que ele foi o único que não negou sua participação na Inconfidência Mineira. Este evento foi um dos precursores da ideia de independência no Brasil, a qual ocorreu 30 anos depois. Alguém teve de morrer - Tiradentes, no caso, (Ele recebeu esse nome por ser dentista) - para que nós brasileiros tivéssemos liberdade.

Isto faz lembrar outra morte e outra escravidão. Desde Adão, o homem é escravo do pecado: por ele dominado e sem conseguir escapar por si só. Esta escravidão o prejudica , o atormenta, torna sua vida sem sentido. É uma espécie de dependência, e parece não haver saída.
Mas há: alguém morreu para liberta-lo. Na cruz, Jesus efetuou a libertação desta escravidão. Com isto o homem pode escolher não pecar. Também houve um traidor, mas isso fazia parte do plano divino.

É claro que não podemos comparar Tiradentes a Jesus, até por que o filho de Deus não permaneceu morto - Ressuscitou e está vivo! Porem, há algo parecido nesses dois eventos históricos: a relação entre morte e liberdade.

Cristo morreu naquela cruz para que você fosse liberto da escravidão ao pecado - mas você precisa fazer esta escolha. Então, creia nisso, entregue sua vida a Deus e experimente a verdadeira liberdade vivendo segundo os padrões divinos.

"Liberdade ainda que tardia", sonhavam os inconfidentes.

Liberdade já é o que Jesus promete - e cumpre!

"Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" João 8:36

Fonte:
-Pão Diário nº 15/2012- Vanessa Weiler Ribas -VWR


História de Tiradentes
Tiradentes foi um dentista, comerciante, minerador, militar e ativista político brasileiro, e atuava na época do Brasil Colonial nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Tiradentes ficou conhecido como herói nacional e um mártir da Inconfidência Mineira, e a data em que ele foi executado, 21 de Abril, é feriado nacional.
Tiradentes é considerado um mártir e herói do povo mineiro, por ter sido um grande líder e ter lutado por seu povo e seus ideais, apesar de ser o mais humilde de todos os membros do movimento, Tiradentes foi o que assumiu maiores responsabilidades.

Morte de Tancredo Neves completa hoje 30 anos


















Tancredo Neves
Eleito pelo Colégio Eleitoral com maioria de votos, o presidente Tancredo  Neves passou a ser a esperança de todos os brasileirosCelio Azevedo/Senado Federal

























Há exatos 30 anos, o Brasil ouvia o anúncio da morte do primeiro presidente civil eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves. Em 15 de janeiro de 1985, o ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves venceu o candidato Paulo Maluf, do PDS, na disputa pela Presidência da República na última eleição indireta do Brasil. Tancredo conquistou 480 votos e Maluf, 180. Houve 26 abstenções.
Para vencer a disputa, O PMDB de Tancredo Neves, de Ulysses Guimarães e de tantas outras personalidades que lutaram contra o regime militar teve de se unir à chamada Frente Liberal, formada por dissidentes do PDS – partido de sustentação do governo militar. No início de janeiro, o então deputado Ulysses Guimarães entregou a Tancredo o programa do partido, denominado Nova República, que previa eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, entre outros.

















Tancredo Neves
A vitória de Tancredo Neves representou o fim do ciclo militar no BrasilCelio Azevedo/Senado Federal

Tancredo firmou com os brasileiros, que foram às ruas lutar pelas eleições diretas, o compromisso de virar a página da história do Brasil, colocando fim ao ciclo comandado pelos militares. Tancredo Neves conquistou os brasileiros de Norte a Sul e deu ao país perspectivas de uma pátria livre. Com a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, prometeu banir o chamado “entulho autoritário”.
Com esperança e ânimos redobrados, os brasileiros esperavam ansiosos a chegada do dia 15 de março de 1985, quando Tancredo Neves assumiria os destinos do Brasil e os militares voltariam para as casernas.
No dia 12 de março, a maioria da população ficou decepcionada com o anúncio do ministério, integrado por lideranças da antiga Arena que haviam migrado para a Frente Liberal.

As esperanças começaram a diminuir com a doença de Tancredo Neves, internado 12 horas antes da posse em um hospital de Brasília, onde se submeteu a uma cirurgia. O problema de saúde do presidente eleito foi comunicado na véspera de sua posse. No dia 15 de março, no lugar de Tancredo assume interinamente a Presidência da República o vice-presidente eleito, José Sarney.

Da noite de 14 de março até a noite de 21 de abril, brasileiros de todas as regiões, raças e credos oraram pela recuperação de Tancredo. As esperanças de tê-lo no comando do país acabaram na noite de 21 de abril, quando oficialmente foi anunciada sua morte. A tristeza e desesperança tomam conta do Brasil. Até o sepultamento, em 24 de abril, Tancredo recebeu homenagens de multidões de pessoas país afora.

















Velório do ex-presidente Tancredo Neves, em 1985, realizado no Salão Nobre do Palácio do Planalto
O corpo de Tancredo foi velado no Salão Nobre do Palácio do PlanaltArquivo Agência Brasil

Para o professor da Universidade de Brasília e cientista político Flávio Britto, Tancredo era a esperança. Segundo ele, sua morte acabou com o sonho de milhões de brasileiros que aguardavam as mudanças prometidas em campanha.
“Tancredo representava a efetiva esperança da redemocratização. Sua morte foi um momento de muita frustação e dor para o povo. A simbologia que ele passava era da verdadeira redemocratização. Todos acreditavam que o país iria entrar novamente nos trilhos”, destacou. “Além de representar a esperança, Tancredo Neves tinha a aparência de uma pessoa muito próxima e simpática. Ele estava sempre sorridente, disposto a se aproximar das crianças. Era uma figura que passava confiança”, completou.
“A notícia da morte dele foi muito impactante. Havia uma união de solidariedade pela recuperação do presidente eleito. Todos torciam pela recuperação dele. Tancredo Neves foi transformado em uma espécie de herói nacional”, acrescentou Flávio Britto.

Fonte: Agência Brasil

Brasil, eleição de Tancredo completa 30 anos


Em reduto obediente aos militares, o mineiro venceu Maluf em uma disputa indireta que marcaria o fim do comando militar

Os ventos da mudança começaram a soprar às 12h25, quando emissoras de rádio, televisão e as agências de notícia – com seus extintos e barulhentos aparelhos de telex – começaram a disparar os detalhes do acontecimento mais esperado das últimas duas décadas: o ex-governador de Minas, o civil Tancredo Neves, da Aliança Democrática, fora eleito naquele instante o novo presidente do Brasil, vencendo o candidato do PDS, deputado Paulo Maluf, por uma diferença de 300 votos.


















Tancredo Neves discursa logo após ser eleito pelo Colégio Eleitoral
ANTONIO LÚCIO
Tancredo Neves discursa logo após ser eleito pelo Colégio Eleitoral

Foram apenas 660 votos válidos e 26 abstenções. O suficiente, em um Colégio Eleitoral até então obediente aos generais de plantão, para tornar o 15 de janeiro de 1985 o marco histórico que encerraria o ciclo militar iniciado em 1964, abrindo caminho para a esperada redemocratização. Um Congresso ainda amedrontado comemoraria discretamente, com aplausos e poucos gritos de “viva a democracia!”, a primeira grande vitória depois de 21 anos de ditadura e mordaça. Era um acontecimento político de vulto.
O Brasil de 30 anos depois deve muito à genialidade política do mineiro Tancredo Neves que, mesmo atuando com casuísmo nos bastidores do regime quando a emenda Dante de Oliveira ainda era uma esperança, fez a costura política que permitiu – sem tiros nem rupturas, como dita o jeitinho brasileiro – a troca da ditadura por um regime de liberdade política tão ampla que até a extrema direita hoje tem o direito de berrar nas ruas pela volta dos militares.
Fortalecido pela campanha das Diretas Já e aceito pela caserna para cumprir a transição sem ameaças, Tancredo venceu Maluf facilmente, mas perderia para a doença que três meses depois o matou, sem deixar que assumisse a presidência. Resultado dos compromissos feitos em campanha, seu vice, José Sarney, convocaria a Assembleia Nacional Constituinte e eleições diretas para todos os níveis de poder. Sob a luz de uma nova Constituição, em 1988, o país começaria a se livrar do entulho autoritário.
Veja imagens que marcaram o período da ditadura militar no Brasil: 
Estudantes protestam contra o golpe militar no centro de São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Nas imagens, aparece o então líder estudantil José Dirceu. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
O movimento estudantil foi responsável por muitas ações de protesto em oposição ao regime militar. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Os estudantes também tiveram apoio de alguns partidos e organizações políticas. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
O auge dos protestos contra o regime militar foi o ano de 1968 . Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Em 1968, houve a “Passeata dos Cem mil”, a “Batalha da Rua Maria Antonia” e o Congresso da UNE em Ibiúna. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Na luta contra o regime, o movimento estudantil assumiu postura mais partidária . Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
‘Abaixo a ditadura’ e ‘Só o povo armado derruba a ditadura’ eram algumas das palavras de ordem usadas. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Logo que se instaurou o golpe, várias universidades foram invadidas. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
A luta estudantil contra a ditadura militar  se intensificou em 1966. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Em 1966, a UNE decreta em 22 de setembro o Dia Nacional de Luta contra a Ditadura. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes infiltrados se passavam por estudantes para relatar as atividades de movimentos estudantis para a ditadura militar. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Estudantes saíram às ruas em vários Estados e foram violentamente reprimidos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Os estudantes viraram uma grande força de combate à ditadura. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Estudantes eram duramente reprimidos por agentes da ditadura. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
O auge das manifestações foi em 1968. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
A  repressão perseguiu os líderes estudantis para conter  o avanço do movimento. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Na luta contra o regime, o movimento estudantil assumiu postura mais partidária . Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Em 1966, a UNE decreta em 22 de setembro o Dia Nacional de Luta contra a Ditadura. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
O movimento estudantil foi responsável por muitas ações de protesto . Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
“Abaixo a Guerra do Vietnã!” também era um grito de guerra na época. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes infiltrados se passavam por estudantes para relatar as atividades de movimentos estudantis para a ditadura militar. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes infiltrados se passavam por estudantes para relatar as atividades de movimentos estudantis para a ditadura militar. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Agentes da inteligência da ditadura militar acompanhavam de perto os militantes estudantis das escolas e universidades. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Fotos mostram a repressão à ocupação da Faculdade de Filosofia da USP, em São Paulo, pelos estudantes. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagens mostram o trabalho dos serviços de inteligência da ditadura militar, que acompanhava de perto as atividades de grupos considerados subversivos. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Imagem de dossiê sobre Luís Carlos Prestes pelo Serviços de inteligência da ditadura militar. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Serviços de inteligência da ditadura militar acompanham o líder Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Carlos Lamarca, um dos líderes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), guerrilha armada que combatia a ditadura militar. Foto: Arquivo pessoal
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Trabalhadores fazem comício no dia do Trabalho, em 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Trabalhadores fazem comício no dia do Trabalho, em 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Trabalhadores fazem comício no dia do Trabalho, em 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Trabalhadores fazem comício no dia do Trabalho, em 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Trabalhadores fazem comício no dia do Trabalho, em 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Trabalhadores fazem comício no dia do Trabalho, em 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Registros da ditadura mostram trabalhadores protestando no 1º de maio de 1968 na praça da Sé, em São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
Estudantes protestam contra o golpe militar no centro de São Paulo. Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais
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Um dos maiores legados de Tancredo, com o que concordam os historiadores, foi ter dado início ao pacto que afastou os militares do poder pelo mais longo período da história republicana e promoveu o reencontro do Brasil com a democracia. Trinta anos depois, com seus erros e acertos, a democracia exorcizou de tal forma os fantasmas golpistas que as manifestações atuais pareceriam à época pura ficção. Para se ter uma ideia do contraste, durante todo o governo do último general a ocupar o Palácio do Planalto, João Figueiredo, a linha dura militar tentou evitar a abertura promovendo dezenas de atentados à bomba.
A eleição de Tancredo pôs fim às conspirações e deu musculatura para a transição segura, num momento em que as feridas da luta armada ainda não haviam cicatrizado. Mas a volta da democracia foi, a bem da verdade histórica, concessão dos generais e custou barato para um regime que prendeu milhares de opositores, torturou, expulsou e assassinou outras centenas. Naquelas circunstâncias era, no entanto, a conquista possível na obra de engenharia política arquitetada por Tancredo Neves.
Leia mais sobre a ditadura militar no Brasil:
O Brasil era à época um país muito diferente, quase irreconhecível às vistas das atuais gerações. A censura, inicialmente aceita com condescendência pela elite iludida com a intenção dos militares e, depois, imposta na marra, alienou gerações e impediu que o país tomasse conhecimento do que foram os horrores dos anos de chumbo. O relato oficial do período e dos crimes praticados foi resgatado e divulgado só agora, no final do ano passado, pela Comissão Nacional da Verdade.
A primeira tarefa do governo de transição foi derrubar a censura, os famigerados atos institucionais e a Lei de Segurança Nacional, extinguir o sistema de espionagem política instalado no Serviço Nacional de Informação (SNI) – hoje Abin –, acabar com os pacotes econômicos que eram empurrados goela abaixo com o amparo de um Congresso subserviente e substituir o aparato militar incrustrado no governo havia 21 anos. As providências adotadas por Sarney constavam do programa de governo do titular da chapa ao pregar país afora a instituição da Nova República.
LULA
Remanescente da era Vargas e primeiro ministro na frustrada incursão ao parlamentarismo no governo João Goulart, Tancredo foi o líder político certo para a troca de regime. Conservador, raposa, conciliador e versátil, tinha a capacidade de “andar com um pé em cada canoa e acender uma vela a Deus e outra ao Diabo”, conforme observou à época o então radical líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, que orientou a bancada do partido que havia fundado naqueles tempos a não participar da eleição indireta do Colégio Eleitoral.
“Mas eu pelo menos acendo uma a Deus!”, devolveu Tancredo, em entrevista durante a campanha. Rigoroso com os desvios éticos de seus integrantes naquela época, o PT expulsou três parlamentares (Bete Mendes, Airton Soares e José Eudes) que votaram em Tancredo, mas conseguiu proibir que outros 26 comparecessem à sessão histórica. Vivia-se na era das ilusões ideológicas. Lula era a principal força de uma oposição que, 30 anos depois, em uma curiosa inversão, está nas mãos de um neto de Tancredo, o senador Aécio Neves.
O desfalque não alteraria o favoritismo de Tancredo. Fundador do PP, ele havia feito um pacto com o PMDB de Ulisses Guimarães e, de quebra, rachara a base do governo, atraindo dissidentes de peso como o então vice-presidente Aureliano Chaves, José Sarney e Antônio Carlos Magalhães. A fusão de esquerda com o centro e parte da direita para formação da Aliança Democrática já daria uma vitória folgada ao ex-governador mineiro.
Para complicar a vida do candidato dos militares e do PDS, malufistas foram flagrados distribuindo dinheiro a parlamentares para tentar virar o jogo. As imagens do índio xavante Mário Juruna abraçando uma montanha de dinheiro, no interior de uma agência bancária, ganhariam o país e colocaria uma pá de cal na candidatura presidencial de Paulo Maluf, em cujo perfil as suspeitas de corrupção colariam, desde então, como marca indissociável.
A história do país ganharia outro rumo, no entanto, se Paulo Maluf não tivesse mantido sua candidatura. Para sorte de Tancredo, e do Brasil, ele acreditou até o último momento que a força que ainda lhe restava no meio militar pudesse ajudar a reverter a tendência da derrota. Contados os votos, Tancredo já organizava a transição que, por ironia do destino, caiu no colo de Sarney. A imagem do mineiro que embalou multidões meses antes pregando país afora uma Nova República – uma campanha exótica para uma disputa que se daria numa única sala, em Brasília – e de seu calvário, da doença até a morte, em 21 de abril de 1985, seriam a plataforma política que garantiria a volta da democracia e o retorno dos militares aos quartéis.

Fonte: IG

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Arqueólogos encontram imagem de Baal em escavação



Divindade desconhecida foi achada na Turquia

Arqueólogos encontram imagem de Baal em escavaçãoArqueólogos encontram imagem de Baal em escavação
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Münster, na Alemanha, encontrado durante uma escavação arqueológica uma imagem do que pode ser uma versão romana do deus Baal. Até então desconhecido, essa divindade estava associada ao culto de Júpiter Doliqueno.
A peça esculpida em basalto foi encontrada num antigo santuário da cidade Doliche, no sudeste da Turquia. Com cerca de um metro e meio de altura, apresenta “uma divindade emergindo de um cálice de folhas. Sua haste longa sobe de um cone decorado com símbolos astrológicos… é um deus da fertilidade e da vegetação”, explica o professor Engelbert Winter, arqueólogo líder da escavação.
“A imagem está muito bem preservada. Oferece informações valiosas sobre as crenças dos romanos e à persistência das antigas tradições do Oriente Médio”, ressalta o professor Michael Blomer.
baal Arqueólogos encontram imagem de Baal em escavação
Imagem em basalto de Baal
Os arqueólogos acreditam que a imagem foi esculpida no início do século I a.C. Júpiter Doliqueno era um deus romano criado a partir do sincretismo do Júpiter romano, chamado de “o rei dos deuses”. Também é conhecida a adoração de Baal na antiga cidade greco-romana de Doliche, localizado ao norte da moderna cidade turca de Gaziantep.
As atividades de escavação da Universidade alemã concentraram-se este ano em explorar o mosteiro medieval de Mar Salomão (St.Solomon). “As ruínas bem conservadas do Mosteiro oferecem inúmeras conclusões a respeito da vida e da cultura na região entre a Antiguidade Tardia e o tempo dos cruzados”, comemora o professor Winter.
Uma equipe internacional descobriu as ruínas do mosteiro em 2010. De acordo com Blomer, “Todos os achados desta temporada de escavações são peças importantes do quebra-cabeça, que contribuem para o conhecimento relativo a cada fase da longa história deste lugar sagrado”. Eles ainda não sabem precisar como e por que as imagens do santuário romano continuaram preservadas mesmo após o local ter sido transformado em um mosteiro cristão provavelmente no século 4.Com informações de Science Daily e Cristiano Digital
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'Estamos à beira de nova Guerra Fria', diz Mikhail Gorbachev























AP
Gorbachev alertou para escalada da tensão entre Ocidente e Rússia e criticou os EUA

Em meio às celebrações dos 25 anos da queda do muro de Berlim, o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev fez um alerta: o mundo está à beira de uma nova Guerra Fria.
Em um evento de comemoração do fim de um dos maiores símbolos da "primeira" Guerra Fria, realizado no Portão de Brandenburgo, na capital alemã, Gorbachev se disse preocupado com os recentes conflitos no Oriente Médio e na Europa.
Ele ainda pediu que o díalogo fosse reestabelecido entre o Ocidente e a Rússia para que os dois lados possam restaurar sua confiança mútua.
"O derramamento de sangue na Europa e no Oriente Médio junto com o fim do diálogo entre as nações mais poderosas é motivo de enorme preocupação", ele afirmou.
"O mundo está à beira de uma nova Guerra Fria. Alguns estão até mesmo dizendo que ela já começou."
No entanto, Gorbachev também não poupou críticas ao Ocidente. Para eles, os países ocidentais, em especial os Estados Unidos, sucumbiram ao "triunfalismo" após o fim da União Soviética em 1991.
Nos últimos meses, as tensões entre o Ocidente e a Rússia aumentaram por causa da crise na Ucrânia, que era parte da União Soviética.
Mais de 4 mil pessoas já morreram nos conflitos no leste do país entre forças ucranianas e separatistas, que assumiram o controle da região das cidades de Donetsk e Lugansk em abril.
Um frágil cessar-fogo foi acordado em setembro, mas eleições promovidas pelos rebeldes no últimos final de semana trouxeram à tona o receio de que o conflito volte com toda força.

Controvérsia





















AP
Mikhail Gorbachev foi o líder soviético responsável pela reaproximação com o Ocidente

Segundo o correspondente da BBC em Berlim, Damien McGuinness, Gorbachev buscou reduzir esta tensão com o pedido de diálogo, para que a situação não piore ainda mais.
"Seus comentários podem ser vistos como um esforço louvável, mas algumas de suas opiniões são motivo de controvérsia no Ocidente", afirma McGuinness.
"Ele diz que a Europa e os Estados Unidos são parcialmente culpados pelo conflito na Ucrânia, ao citar a expansão da Otan no leste da Europa. E ele acusou líderes ocidentais de se aproveitarem do estado de fraqueza da Rússia após o fim da União Soviética."
Gorbachev é o líder responsável pela reaproximação da União Soviética e do Ocidente no fim dos anos 1980 e por criar uma atmosfera mais liberal, o que levou ao colapso dos regimes comunitas na Europa em 1989.
Em 9 de novembro daquele ano, a Alemanha Oriental abriu suas fronteiras, o incluía o muro em Berlim, que separava as partes leste e oeste da capital alemã.
Centenas de pessoas estão chegando neste fim de semana a Berlim para comemorar os 25 anos da queda do muro.
As celebração inclui um show de rock e fogos no portão de Brandenburgo, com a participação da chanceler alemã , Angela Merkel e outros líderes.

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Fonte: BBC

Legado de Vargas persiste 60 anos após suicídio, aponta historiador

Especialista destaca herança getulista na política e na economia.
Neste domingo (24), faz seis décadas que o ex-presidente se matou.


Pijama usado por Getúlio Vargas no dia de sua morte - Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Pijama usado por Getúlio Vargas no dia de sua morte é exibido no Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
Passadas seis décadas do suicídio do presidente Getúlio Dornelles Vargas, legados do ex-chefe do Executivo ainda continuam vivos na política, na economia e na estrutura social brasileira, aponta o historiador Gunter Axt, doutor em História Social da Universidade de São Paulo (USP). Pressionado por militares e pela oposição a renunciar ao mandato, o presidente que mais tempo ficou à frente do país pôs fim à própria vida, aos 72 anos, com um tiro no coração disparado por um revólver Colt calibre 32.
A morte trágica do líder civil da Revolução de 1930, presidente constitucional, ditador do Estado Novo e um dos principais personagens da política brasileira no século 20 gerou comoção no país em 24 de agosto de 1954 e adiou, por uma década, um golpe de Estado. O suicídio do homem conhecido como “pai dos pobres” foi o desfecho dramático de uma crise política que antecipou o epílogo do segundo governo de Vargas na Presidência da República.
São espólios da administração getulista, por exemplo, a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de conquistas sociais como a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o salário mínimo e o voto feminino. Contabilizando-se os dois momentos em que comandou o Palácio do Catete, antiga sede do governo federal, o gaúcho do pequeno município de São Borja, na fronteira do Brasil com a Argentina, ditou os rumos do país ao longo de 19 anos.
Getúlio propôs perspectivas inovadoras, que um político comum da época dele não teria estabelecido. O legado de Vargas é complexo, se estende por todos os setores da vida nacional, da política à cultura”
Gunter Axt, historiador
Um dos principais estudiosos da trajetória de Vargas, Gunter Axt classifica o controverso ex-presidente como peça-chave para a definição do que chamamos atualmente de “identidade brasileira”.
Autor de três livros sobre Getúlio Vargas – além de diversos artigos publicados no Brasil e no exterior –, o historiador afirma que mesmo oriundo de um universo político tradicional – baseado na honra e em costumes machistas e conservadores –, o ex-presidente da República “sempre foi um político moderno” para o seu tempo.
“Getúlio propôs perspectivas inovadoras, que um político comum da época dele não teria estabelecido. O legado de Vargas é complexo, se estende por todos os setores da vida nacional, da política à cultura”, observou o especialista.
Segundo Axt, todos os governos que sucederam Vargas – incluindo os presidentes do regime militar (1964-1985) –, apossaram-se, de alguma forma, do estilo ou das práticas políticas e administrativas do principal líder político do país no século passado.
“Ele [Getúlio] foi tão complexo que, em qualquer governo, vamos encontrar similitudes com as administrações dele. Na ditadura, os militares romperam com aquela figura do Getúlio ideológico e socialista, mas replicaram o Getúlio nacionalista, que fazia o estado intervir em áreas estratégicas, como na educação”, enfatizou.
A herança de Vargas na economia
Apesar de reconhecido na História pelas habilidades políticas, o ex-presidente brasileiro sempre procurou atrair para o seu gabinete quadros técnicos que se destacavam na máquina pública, relata Gunter Axt. Com a assessoria desse corpo técnico, Getúlio Vargas deu, ainda na década de 1930, o pontapé inicial para o processo de modernização do país, até então uma nação com economia baseada na agricultura.
Em um momento histórico em que o petróleo despontava como principal fonte energética do planeta, Vargas identificou o potencial político e econômico do chamado “ouro negro” e, em 1938, em plena ditadura do Estado Novo, decretou a nacionalização das jazidas de petróleo. Ele também criou naquele ano o Conselho Nacional de Petróleo, declarou de “utilidade pública” o abastecimento do recurso mineral e proibiu estrangeiros de participarem da indústria de refinação.
Sala ministerial no Palácio do Catete - Getúlio Vargas (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Sala onde Vargas reunia seus ministros de Estado,
no Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
Na década de 1950, de volta ao poder por meio do voto popular, ele dedicaria novamente atenção ao tema. Sem maioria no Congresso, Vargas acatou conselhos de assessores próximos e abriu mão de capitanear um debate em torno da proibição do capital estrangeiro na indústria petrolífera. Em vez disso, decidiu investir seu capital político na criação de uma empresa de capital misto, com controle público, que monopolizasse a exploração e o refino de petróleo no território brasileiro. Nascia a Petrobras.
Arma que Getúlio Vargas usou em seu suicídio - Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Arma usada por Vargas em seu suicídio e bala
retirada do seu corpo (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
Outra campanha getulista que rende frutos até os dias de hoje foi travada na esfera industrial. Disposto a romper com a dependência externa brasileira na indústria, em um momento em que ocorria um conflito bélico mundial, o antigo chefe do Executivo decidiu investir na grande siderurgia.
Após exaustiva negociação com os Estados Unidos, na qual simulou flertar com o eixo de países liderados pela Alemanha na 2ª Guerra Mundial, Vargas obteve aval da Casa Branca e financiamento de bancos norte-americanos para construir a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ).
Criado em 1941, mas inaugurado apenas em 1946 – um ano após o fim da primeira passagem de Vargas pelo Palácio do Catete –, o complexo siderúrgico fluminense foi idealizado para atender a um projeto de desenvolvimento econômico, mas também para dar retaguarda à soberania do país com a fabricação de aço. Privatizada, em 1993, pelo então presidente Itamar Franco, atualmente, a CSN é a maior indústria siderúrgica da América Latina e uma das maiores do mundo.
Já em 1942, intensificando sua política nacionalista, Vargas criou, por meio de um decreto-lei, a Companhia Vale do Rio Doce. Inicialmente uma empresa de capital misto, com controle acionário do governo federal, a Vale surgiu para afastar as pretensões de empresas estrangeiras nas riquezas minerais do subsolo brasileiro, principalmente o ferro.
A companhia conquistou espaço no mercado internacional ao longo das últimas sete décadas, tornando-se uma das maiores mineradoras do mundo. Privatizada, em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a Vale é hoje uma empresa privada de capital aberto.
Entrada do Palácio do Catete - Getúlio Vargas (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Entrada do Palácio do Catete (Foto: Marcelo
Elizardo/G1)
Surgiram também pelas mãos de Vargas outras iniciativas que ajudaram a impulsionar a economia do Brasil no século passado. Por sugestão do ex-presidente ao Congresso, foi criado, na década de 1940, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), que, anos mais tarde, ganhariam um “S” à sigla para promover também o desenvolvimento social do país, tornando-se o atual BNDES.
Com o objetivo de difundir os “nervos” do Estado pelo país, ao longo dos dois governos de Vargas, a União investiu na construção de estradas de rodagem e de ferro, na consolidação do sistema de radiodifusão, na capilarização do Banco do Brasil e dos Correios pelo território nacional e, inspirado pelas experiências da Petrobras e da CSN, estatizou a geração e a distribuição de energia elétrica por meio da criação das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás).
Na área administrativa, coube ainda ao ex-presidente, entre outros empreendimentos, a implantação dos serviços nacionais de aprendizagem industrial e comercial (Senai e Senac), além do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela elaboração de estatísticas oficiais do país. 
Forjado politicamente no positivismo republicano do Rio Grande do Sul do início do século 20 – regime político marcado por um Executivo forte apoiado por um parlamento de fachada, pela austeridade financeira e pelo dogma da eficácia administrativa –, Vargas, de acordo com Gunter, soube equilibrar, no período em que governou o Brasil, o liberalismo ortodoxo gaúcho com um projeto de desenvolvimento do país.
“Do ponto de vista econômico, Getúlio sempre manteve a preocupação com o equilíbrio financeiro e orçamentário, combinado com um projeto nacional. Ele tinha um projeto de país, mas administrou o Brasil sem gastar mais do que tinha”, ressaltou o doutor em História da USP.
Quarto de Getúlio Vargas no Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Quarto onde Getúlio Vargas foi encontrado morto, no
Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
Legado social
O gaúcho Getúlio Vargas ocupou a cadeira de presidente pela primeira vez em 3 de novembro de 1930, ao final de uma revolução que sacramentou o fim da chamada “política do café com leite”,  na qual paulistas e mineiros se revezavam no comando do país.
Já nos primeiros anos do “governo provisório” (1930-1934), Vargas começou a implementar medidas inéditas na órbita trabalhista, muitas delas em vigor até hoje. Em um de seus primeiros atos no papel de chefe do governo revolucionário, Vargas criou, em 26 de novembro de 1930, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.
A decisão de trazer para o governo o papel de árbitro dos conflitos entre patrões e empregados é a primeira de diversas outras medidas que viriam a ser implementadas por ele na área trabalhista. Entre outras inovações, Vargas regulamentou o trabalho de mulheres e de menores de idade, criou o salário mínimo, fixou a jornada de trabalho em oito horas diárias e instituiu a carteira profissional.
Na primeira fase de seu primeiro governo, ele criou ainda os Institutos de Aposentadorias e Pensões, iniciativa que começou a tratar da questão previdenciária no país.
Com o auxílio dessas medidas, teve início a construção da mítica figura do “pai dos pobres”. Mais tarde, durante a ditadura do Estado Novo, a máquina estatal do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) iria atuar intensamente para construir e fixar a imagem popular e carismática de Vargas diante da classe trabalhadora.
Algumas questões políticas surgidas na Era Vargas continuam sendo replicadas nos governos atuais
Gunter Axt, historiador
O historiador Gunter Axt ressalva, contudo, que ao mesmo tempo em que oferecia direitos inéditos aos trabalhadores, enfrentando duros protestos dos empresários, Vargas tratou de implementar mecanismo de controle estatal sobre os sindicatos.
“Até hoje, os sindicatos padecem do atrelamento ao Estado, com regras como a sindicalização obrigatória. Os contornos dessa política de controle sindical foram desenhados pelo Getúlio e ainda estão em vigor”, destacou o pesquisador.
Em 1º de maio de 1943, Vargas reuniu e sistematizou, por meio de um decreto-lei, o cipoal de leis trabalhistas que ele mesmo havia produzido desde que chegou ao poder, em 1930. O decreto, batizado de Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), unificou pontos da legislação já existente, mas também criou novos direitos e regulamentações trabalhistas.
A CLT, entre outros aspectos, passou a regular minuciosamente as relações entre patrões e empregados e a estabelecer regras como direito a férias e a descanso semanal remunerado.
Retrato de Getúlio Vargas em seu quarto no Palácio do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Retrato de Getúlio Vargas em seu quarto no Palácio
do Catete (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
Espólio político
Estudioso da Era Vargas, Gunter Axt observa que, durante os 19 anos em que o presidente esteve à frente do país, o Executivo federal cresceu de tamanho e de poder. Desde os governos de Getúlio Vargas, ressalta o historiador, o Estado brasileiro passou a exercer um papel central no processo de modernização do país.
“Algumas questões políticas surgidas na Era Vargas continuam sendo replicadas nos governos atuais. Por exemplo, o papel do Executivo interventor em áreas da economia é importante. A ideia das PPP [Parcerias Público-Privadas], que emergiram recentemente no governo FHC, foram usadas na gestão [do presidente] Lula e foram recuperadas pela presidente Dilma, já estava presente no governo de Getúlio”, ponderou Axt.
Getúlio na literatura, no cinema e na televisão
Livros nacionais
“Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder” (Companhia das Letra), de Lira Neto
“Getúlio: do governo provisório à ditadura do Estado Novo” (Companhia das Letras), de Lira Neto
“Getúlio: da volta pela consagração popular ao suicídio” (Companhia das Letras), de Lira Neto
“1954: um tiro no coração” (L&PM), de Hélio Silva
“Getúlio” (Record), de Juremir Machado
“Getúlio Vargas: o poder e o sorriso” (Companhia das Letras), de Boris Fausto
Livros estrangeiros
“Estado Novo: Genesis und Konsolidierung der brasilianischen Diktatur von 1937” (Verlag fur Entwicklungspolitik Saarbrucken), de Jens R. Hentschke
“Vargas and Brazil: new perspectives” (Palgrave Macmillan), de Jens R. Hentschke
 Filmes
“Getúlio”, dirigido por João Jardim, com Tony Ramos e Drica Moraes (veja ao lado cenas do filme e entrevista com Tony Ramos).
Televisão
“Há 60 anos suicidava-se o presidente Getúlio Vargas”, programa Arquivo N, da GloboNews (assista ao programa).

Fonte: G1

Karl Marx, preferido dos ateus e revolucionários, era satanista confesso (Parte 1)

Karl Marx, preferido dos ateus e revolucionários, era satanista confesso (Parte 1)
Nos últimos séculos, temos ouvido falar em comunismo/socialismo, capitalismo, esquerda, partidos totalitários, classe dominante, proletariado e outros termos similares. Brigas intermináveis, no campo das ideias, entre grupos militantes políticos/ideológicos e religiosos nos induzem a crer que estamos em meio a uma guerra de ideias e ideais, que visa claramente à perseguição, principalmente, ao cristianismo.
E, em meio esta confusão, um personagem muito polêmico, que é odiado por uns e amados por outros, tem sido usado e citado em discursos inflamados a favor da liberdade de pensamento e dos direitos humanos. Karl Marx, conhecido como o pai do comunismo e autor do manifesto comunista, conquistou o mundo afirmando ter a resposta quanto a ajudar os famintos, necessitados e oprimidos sobre a terra; querendo fazer uma crítica a Deus, pois satirizava o fato de Jesus ter a resposta para se chegar ao céu.
Karl Marx, o filósofo da revolução
O pensador alemão, que era considerado um dos mais influentes de todos os tempos, investigou a mecânica do capitalismo e previu que o sistema seria superado pela emancipação dos trabalhadores. Muitas ideias de Marx foram produtivas, sim, e aproveitadas hoje principalmente na educação e psicologia. Porém, as interpretações são diversas, feitas conforme a subjetividade e interesses de cada um. Marx que dizia lutar contra a alienação das mentes, na verdade criou um movimento alienante pelo total proselitismo ideológico, disfarçado de direitos humanos dignos. Muitas guerras, perseguições e injustiças sociais se devem a este movimento (o tiro saiu muitas vezes pela culatra).
Revolução Francesa 20 mil mortes, 38 mil prisões e 7 mil deportações.  
Dois momentos da história europeia foram vividos por Marx intensamente e tiveram importantes reflexos em sua obra: as revoltas antimonárquicas de 1848 – na Itália, na França, na Alemanha e na Áustria – e a Comuna de Paris que, durante pouco mais de três meses em 1871, levou os operários ao poder, influenciados pelas ideias do próprio Marx. A insurreição acabou reprimida, com um saldo de 20 mil mortes, 38 mil prisões e 7 mil deportações. http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/karl-marx-filosofo-revolucao-428135.shtml?page=3
No início de sua vida o comunista, Marx era dominado por uma ideia: como ajudar as massas exploradas. O que as empobrece, afirmava ele, é o capitalismo. A utopia de Karl Marx incluía, além de direitos trabalhistas justos, remuneração conforme suas necessidades, divisão de bens igualitária, sem governo, nem guerras, nem revolução; sem injustiças sociais, etc., um país das maravilhas. Com esse pensamento, promoveu uma grande guerra, não apenas entre as classes, mas individual; pois perseguir um sonho de “liberdade” sem limites, sem regras e sem controle, gera uma prisão interior e uma insatisfação. Gera frustração por nunca conseguir atingir o objetivo.
Ele passou esta ideia para uma população massacrada por uma classe dominante e rica que ele chamava burguesia capitalista. Para conseguir este feito, segundo ele, era necessário muito mais que destruir essa classe (capitalista), era necessário destruir todas as religiões que traziam uma felicidade ilusória. Marx afirmava que com a extinção da religião, da fé e de Deus que impregnavam a mente das pessoas, o ser humano faria um retorno a uma felicidade mais real. Abandonar Deus era condição para se chegar a esta felicidade. “A crítica à religião é, portanto, a crítica a este vale de lágrimas do qual a religião é a auréola.” (Introdução a Crítica à Filosofia da Lei, de Hegel).
Karl Marx passou para o mundo essa ideia de que, para realizar o ideal comunista de sociedade justa, era necessário abandonar a Deus, pois somente o comunismo tinha a resposta para o mundo. Marx foi um dos principais responsáveis por colocar o mundo dos pensadores e filósofos contra as igrejas, e contou com o fato histórico de que a igreja cristã, em seus primórdios, andava lado a lado com os exploradores do mundo. Só não comentavam seus adeptos que ele era rico e de família abastada, ou seja, da burguesia capitalista. Hipocrisia.
O marxismo impressiona a opinião pública por causa do seu sucesso, mas o sucesso não prova coisa alguma O sucesso não confirma somente a verdade, mas também o erro, e muitos erros foram cometidos em nome desse ideal de sociedade justa sem Deus e sem religião. (sic)
O que poucos conhecem e divulgam é que Karl Marx era, no começo de sua história, um Cristão, tendo chegado inclusive a escrever uma grande obra literária de 10 volumes onde declarava sua fé. Nessa obra lemos estas lindas palavras:
Através do amor de Cristo, voltamos nossos corações ao mesmo tempo para nossos irmãos que intimamente são ligados a nós e pelos quais Ele deu-Se a Si mesmo em sacrifício.” (“Marx e Engels”, Obras Reunidas, l0 volume – Internacional Publishers, New York, 1974 ).
Cristo aparece nos escritos de Marx muito tempo após ele haver se transformado em um fervoroso militante contra a religião. Até mesmo em um confuso livro sobre economia e política como “O Capital”, no qual reflexões sobre religião são de pouca importância, o maduro e antirreligioso Marx escreveu, totalmente fora do contexto:
O cristianismo, com seu culto do homem abstrato, mais especificamente em seus desenvolvimentos burgueses, protestantismo, deísmo, etc., é a forma de religião mais conveniente.” (Capítulo 1, seção IV)
Lembremo-nos, Marx começou como um crente cristão.
“Seu conhecimento da fé e moral cristãs é bastante claro e bem fundamentado. Até certo ponto conhece também a história da igreja cristã.” (Arquivo para a história do socialismo e movimento dos trabalhadores, 1925, na Alemanha).
Mas, depois do magistério, algo misterioso acontece na vida de Marx, que o tornou antirreligioso. Ele escreve em um poema: “Desejo vingar-me d’Aquele que governa lá em cima”.
Karl Marx era filho de família rica, não passou necessidade, não teve sofrimentos nem frustrações, aparentemente, com sua família Porém, foi acometido por uma rebelião contra Deus, e contra a religião, de difícil compreensão. Não era a defesa da laicidade que pregava e sim, claramente, contra Deus. Não era um descrédito de um mito, mas uma clara oposição a Alguém que ele sabia que existia e resolveu lutar contra. Um jovem que sonhava com justiça social e amor ao próximo, um jovem cheio de sonhos, como poderia ter agora declarações tão pessimistas e tão revoltantes contra um Deus que ele dizia amar e conhecer?
“Assim um deus tirou de mim tudo na maldição e suplício do destino. Todos os seus mundos foram-se, sem retorno! Nada me restou a não ser a vingança! “Meu desejo é me construir um trono. Seu topo seria frio e gigantesco. Sua fortaleza seria o medo sobre-humano. E a negra dor seria seu general. Quem olhar para ele com olhar são voltará mortalmente pálido e silencioso, arrebatado por cega e fria morte. Possa a sua felicidade preparar-lhe o seu túmulo.” (Karl Marx, Obras Reunidas, Vol. I, N. York, International Publishers, 1974)
Existe um drama pouco conhecido, que ele compôs também durante seus anos de estudante. Chama-se “Oulanem”.
Caracteristicamente, “Oulanem” é uma inversão de um nome santo: é um anagrama de Emanuel, nome bíblico para Jesus, que em hebraico significa “Deus conosco”. Tais inversões de nomes são consideradas eficazes na magia negra. Somente poderemos compreender o drama Oulanem, se ouvirmos primeiro a estranha confissão feita por Marx em um poema intitulado “O Violinista”, mais tarde declamado tanto por ele como pelos seus seguidores:
“‘Os vapores infernais elevam-se e enchem o cérebro, até que eu enlouqueça e meu coração seja totalmente mudado. Vê esta espada? O príncipe das trevas vendeu-a para mim’. Estas linhas ganham significado quando se sabe que nos rituais de iniciação superior dos cultos satânicos é vendida ao candidato uma espada ‘encantada’ que assegura o sucesso. Ele paga por ela assinando, com o sangue tirado dos pulsos, um pacto segundo o qual sua alma pertencerá a Satanás após a morte”.
Werner Blumenberg, em seu livro Retrato de Marx, cita uma carta escrita pelo pai de Marx a seu filho, em 2 de março de 1837: “O seu progresso, a preciosa segurança de ver seu nome tornar-se um dia muito famoso e o seu bem-estar material não são os únicos desejos do meu coração. Estas foram ilusões que alimentei por longo tempo, mas posso assegurar-lhe que a sua realização não me teria tornado feliz. Somente se o seu coração permanecer puro e humano, e se nenhum demônio for capaz de afastar seu coração dos melhores sentimentos, somente então eu serei feliz.”
Em seu poema “A Donzela Pálida”, ele escreve:
“‘Assim, eu perdi o direito ao céu, Sei disso perfeitamente. Minha alma, outrora fiel a Deus, Está destinada ao inferno’. Não é necessário qualquer comentário. Marx começara com ambições artísticas.
Seus poemas e dramas são importantes para revelar o estado de seu coração, de seu espírito, mas, não tendo valor literário, não receberam qualquer reconhecimento (sic). Marx abandonou a poesia por um ideal revolucionário em nome de Satanás, contra uma sociedade que não apreciou seus poemas, uma tradição judaica que o rejeitou. Começou então nessa fase uma rebelião total contra Deus. Ele disse ‘Eu nutro ódio contra todos os deuses’.”
Sua filha Eleanor escreveu um livro chamado “O Mouro e o General, Recordações de Marx e Engels” (Dietz Publishing House, Berlim,1964). Neste livro ela conta as estórias horripilantes que ele contava amedrontando suas duas irmãs pequenas, sempre com conteúdo satânico. Estórias de pacto com o demônio.
O biógrafo de Marx escreve: “Pode haver muito poucas dúvidas quanto ao fato de que aquelas estórias intermináveis eram autobiográficas… Ele tinha o ponto de vista do diabo quanto ao mundo e a maldade do diabo. Às vezes, ele parecia reconhecer que estava executando obras do mal”.
Marx, segundo o autor do livro “Era Karl Marx Um Satanista?”, odiava todos os deuses; odiava qualquer conceito de Deus. Ele desejava ser o homem que iria expulsar Deus. O socialismo foi a isca utilizada para induzir proletários e intelectuais a aceitarem esse ideal demoníaco.
Quando os soviéticos, em seus primeiros anos, adotaram o slogan “Vamos expulsar os capitalistas da terra e Deus do céu”, estavam simplesmente cumprindo o legado de Karl Marx.

CONTINUA…


Hino Nacional é desafio para populares e celebridades no dia do Hino

























Significado do Hino Nacional

Palavras do Hino Nacional
Hino Nacional Brasileiro tornou-se obrigatório em todas as escolas públicas e privadas do país. Ao menos uma vez por semana os alunos precisam cantar o hino. A letra do hino é muito bonita, mas muitas pessoas não entendem o sentido de todas as palavras e frases presentes nele. Abaixo poderá encontrar o hino nacional traduzido. Utilizando uma linguagem fácil, o autor Wayne Tobelem dos Santos explicou muito bem uma das maiores riquezas de nossa nação, da pátria amada Brasil. Confira:























1. Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante

As margens plácidas do (rio) Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.
Plácido quer dizer calmo. Dom Pedro I vinha de Santos, ao longo do rio Ipiranga, quando tomou a corajosa decisão de declarar a independência do Brasil.
Brado é grito. Retumbante é estrondoso, barulhento, para fazer um contraste com a placidez das margens.
Poderíamos parafrasear (escrever de outra forma) este verso assim: As margens calmas do rio Ipiranga ouviram o grito estrondoso de um herói (Dom Pedro I), que representava todo o povo brasileiro.
O riacho Ipiranga nasce junto ao Zoológico de S. Paulo. Era de costume na época inverterem-se as frases à moda latina.
2. E o sol da liberdade em raios fúlgidos
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Fúlgido significa brilhante.
Mas não dava prá dizer: "raios brilhantes brilhavam" porque iria parecer repetitivo e pobre. O grito de "Independência ou Morte" transformava uma nação colonial, dependente de Portugal, em um novo país autônomo e livre. Duque Estrada compara a liberdade a um sol brilhante que ilumina o céu (Pátria), antes obscurecida pelo colonialismo.
3. Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Penhor equivale a garantia, segurança. É comum a gente penhorar algo de valor (em troca de dinheiro) e receber um papel que garanta a recuperação daquilo que foi penhorado. O Brasil passou a ser independente e, portanto, conquistou o penhor da igualdade, ou seja, daquele momento em diante, Portugal e Brasil eram nações iguais, sem que uma fosse superior à outra. E a frase continua, dizendo: o nosso peito desafia a própria morte.

Simplificando: agora que o povo brasileiro conquistou seu passe para a liberdade, através de sua força e coragem, inspirado nesta nova liberdade não hesitará em enfrentar a própria morte (isto é, se tiver de lutar e morrer, o povo não sentirá medo). A frase pode ser reescrita assim: através de nossa coragem conquistamos uma igualdade de condição com quem antes era nosso colonizador e, para manter esta situação de liberdade, estamos prontos a sacrificar a própria vida.

4. Ó Pátria Amada,
Idolatrada
Salve! salve!

Idolatrar é transformar algo ou alguém em ídolo, como se costuma fazer com artistas de modo geral. Salve equivale a uma saudação. Originalmente se dizia; "Deus te salve!"

5. Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece!

Vívido é intenso, ardente, vivo. Formoso é belo. Límpido significa transparente, claro. Resplandecer equivale a brilhar ou luzir intensamente. Aqui o poeta compara o Brasil a um sonho intenso, porque ainda tem muito a realizar. Sabe-se que o Cruzeiro do Sul é uma constelação que aparece no céu do Brasil. Ela tem a forma de cruz, que nos lembra Jesus Cristo e as práticas cristãs. Portanto, vamos refazer os versos para entender o sentido: O Brasil é como um sonho intenso e, já que em nosso céu límpido a cruz de Cristo resplandece, desta cruz desce um raio brilhante que ilumina o Brasil. Ou seja, o Brasil está sob o amparo e a proteção de Cristo.

6. Gigante pela própria natureza
És belo, és forte impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Se você olhar o mapa mundial, vai notar que o Brasil é o quinto maior país do mundo (depois de Rússia, Canadá, Estados Unidos e China). Com mais de 8.500.000 de Km2, o Brasil é naturalmente gigantesco.
Note que às vezes os poetas têm o costume de falar diretamente com as coisas, como se elas fossem pessoas: "és belo, és forte..."
Impávido significa sem medo: destemido, corajoso. Colosso é uma pessoa ou objeto de tamanho muito grande.
Vamos reescrever a frase: Tu (Brasil), és belo, forte e, graças ao tamanho imenso que a natureza te deu, não tens medo de nada. Além disso, a tua grandeza de hoje vai se revelar no futuro.

7. Terra adorada, entre outras mil,
És tu Brasil, ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

Este trecho é mais fácil de se entender, embora também utilize algumas inversões:
Brasil, tu és nossa terra adorada e te escolhemos entre outras mil terras; tu és nossa pátria amada, mãe gentil (carinhosa) dos filhos deste solo (de nós, brasileiros).

8. Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Esplêndido é maravilhoso, deslumbrante. Fulgurar é brilhar, resplandecer. Também pode significar distinguir-se ou sobressair (entre outros). Florão é uma decoração bonita e grande em forma de flor.
A idéia que Duque Estrada quer transmitir é a de que a localização geográfica do Brasil é mesmo muito privilegiada: as montanhas, as matas, os rios, toda a natureza formam a imagem de um berço (porque, além do mais, o Brasil, uma nação que se tornara recentemente independente, era como um imenso país recém-nascido).
"Ao som do mar", porque temos um litoral vasto com belíssimas praias; "e à luz do céu profundo", isto é, ensolarado, típico dos trópicos.
O "sol do Novo Mundo" coloca o Brasil mais uma vez como uma nação jovem e promissora. O velho mundo (Europa) conquistou e colonizou o novo mundo (América).
Vamos reescrever: Brasil, tu possuis uma localização espetacular, com uma natureza rica, muito mar e sol. Por isso, entre outras nações da América (Novo Mundo), tu te destacas como um florão.

9. Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio, "mais amores".
Garrida é colorida, alegre, vistosa.

Teus risonhos lindos campos têm mais flores do que a terra mais garrida (vistosa). Ou seja, nossa natureza é mais colorida e bela que a de outras terras.
Nossos bosques têm mais vida (mais beleza e vitalidade).
Nossa vida, em teu seio (dentro de ti, Brasil), mais amores.
Equivale a dizer que nós, brasileiros, por vivermos no Brasil, somos mais capazes de amar.
As aspas são usadas por Duque Estradas no original, pois representam citações dos versos de Gonçalves Dias em "Canção do Exílio":

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá...
...Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas varzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
10. "Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Idolatrar é transformar algo ou alguém em ídolo, como se costuma fazer com artistas de modo geral.
Salve equivale a uma saudação. Originalmente se dizia: "Deus te salve!"

11. Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
Ostentar é mostrar com orgulho.

Um lábaro era um estandarte muito usado pelos romanos e aqui está representado por nossa bandeira, repleta de estrelas. O poeta compara a bandeira a um estandarte e deseja que ele represente o amor eterno.
O verso está invertido. Deve-se ler: Brasil, o lábaro que ostentas estrelado seja símbolo de amor eterno.
O poeta está tentando dizer: tomara que as estrelas da tua bandeira sejam símbolo de amor eterno.

12. E diga ao verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Flâmula aqui, é sinônimo de bandeira. O louro é uma planta. Com seus galhos e folhas os imperadores romanos eram coroados. Portanto, simboliza poder e glória. Mais uma vez, vamos olhar para a bandeira. Duque Estrada torce para que o louro da bandeira simbolize um poder que venceu batalhas gloriosas no passado, quando isso foi necessário para se conseguir a independência, mas só deseja paz daquele momento em diante, pois o verde, além da esperança, também simboliza a paz.

13. Mas se ergues da justiça a clava forte
Verás que o filho teu não foge à luta,
Nem teme quem te adora a própria morte.

Clava é um pedaço de pau pesado (mais grosso numa ponta que na outra), que era usado como arma.
Vimos que, no verso anterior, o poeta sonha com a paz no futuro.
De repente, entretanto, este novo verso diz: mas se ergues (levantas) a clava forte da justiça, ou seja, se o país tiver de lutar contra a injustiça, verás que um brasileiro (filho teu) não foge à luta (enfrenta a guerra).
E quem te adora não teme nem a própria morte, quer dizer, os brasileiros adoram tanto o seu país que seriam capazes de sacrificar suas próprias vidas para defendê-lo.

14. Terra adorada, entre outras mil,
És tu, Brasil, ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria Amada, Brasil!

Este trecho é mais fácil de se entender, embora também utilize algumas inversões: Brasil, tu és nossa terra adorada e te escolhemos entre outras mil terras; tu és nossa pátria amada, mãe gentil (carinhosa) dos filhos deste solo (de nós, brasileiros).

Fonte: Wayne Tobelem dos Santos

Livro traz entrevista de Lampião para Graciliano Ramos


Livro traz entrevista de Lampião para Graciliano Ramos
Foto: Reprodução
Uma entrevista "virtual" feita pelo escritor Graciliano Ramos com o cangaceiro mais temido do país em pleno 1931, época em que o lendário herói dos sertões tinha a cabeça a prêmio, é destaque de um livro. Clique aqui e saiba maisdetalhes da pulbicação.

Golpe Militar ou Civil-Militar em 1964 no Brasil?

É do historiador Daniel Aarão Reis uma das melhores contribuições dentro da notável leva de lançamentos e reedições do livros que buscam contar, relembrar e explicar a ditadura instalada no golpe de 1964. Pelo menos 15 livros lançados neste aniversário de 50 anos do golpe ganharam destaque no País, oferecendo um amplo e rico painel de análises sobre o tema, sobretudo para as novas gerações (inclui-se na lista, obviamente, a monumental tetralogia de Elio Gaspari, já tratada aqui).
DitaduraEDemocraciaNoBrasilProfessor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), Aarão Reis se destaca entre esses lançamentos por uma abordagem que muitas vezes se costuma deixar em segundo plano: o papel da sociedade civil no regime instaurado em 1964. Em Ditadura e democracia no Brasil, lançado pela Zahar, o professor mostra como o governo militar e a sociedade se amalgamavam muito mais do que os opositores à ditadura gostariam.
Para ele, falar em “ditadura militar” é um equívoco que esconde as bases sociais do golpe, erro fruto de um hábito adquirido com o passar dos anos, uma certa preguiça intelectual e uma indesejável memória seletiva. “Tendeu a predominar a versão”, escreve Aarão Reis, “de que a sociedade brasileira apenas suportara a ditadura, como alguém que tolera condições ruins  que se tornaram de algum modo inevitáveis”.
Lorota. A história oficial das lutas contra a ditadura, diz ele, acabou ocultando as complexas e profundas relações entre o regime de 1964 e a sociedade brasileira. Antes e depois, o apoio de muitos setores da sociedade foi claro e forte o suficiente para sustentar a ditadura não apenas pela força bruta. Escreve:
“Como já ocorreu muitas vezes na história, ao virar as costas para o passado ditatorial e empreender a construção de uma alternativa, grande parte da sociedade brasileira preferiu demonizar a ditadura vigente nos anos anteriores e celebrar novos valores – democráticos. Tais valores, aliás, segundo diferentes, mas convergentes, versões, nunca teriam sido revogados da consciência nacional. O país fora, pura e simplesmente, subjugado e reprimido por um regime ditatorial denunciado agora como uma espécie de força estranha. Como uma chapa de metal pesado, caída sobre vontades e pensamentos que aspiravam à liberdade.”
Uma multidão de civis em apoio ao golpe
As incontáveis reportagens sobre o assunto durante os últimos meses mostram, no entanto, que essa zona de sombra criticada pelo historiador começou a ser removida. Lembre-se, por exemplo, da série de marchas que mobilizaram milhões de pessoas, de todas as classes sociais, contra o governo João Goulart: a primeira Marcha da Família com Deus e pela Liberdade ocorreu em São Paulo, em 19 de março daquele ano, e reuniu 500 mil pessoas. Foi convocada em reação ao Comício pelas Reformas ocorrido uma semana antes, com 350 mil pessoas.
Primeira página do Jornal do Brasil noticia a primeira Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em São Paulo
Primeira página do JB noticia a primeira Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em São Paulo
Depois houve a Marcha da Vitória, para comemorar o triunfo do golpe, no Rio de Janeiro, em 2 de abril. Esteve ali, no mínimo, a mesma quantidade de pessoas que em São Paulo. A ela sucederam-se marchas  nas capitais dos estados e em cidades menores. Até setembro de 1964, marchou-se como nunca no País. Sem descanso e com fervor.
Estiveram com essas marchas a maioria dos partidos, líderes empresariais, políticos e religiosos, entidades como a OAB e a CNBB, e a direita de todo tipo. A favor das reformas de Jango, uma parte considerável dos sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais, alguns partidos, as esquerdas.
Para Aarão Reis, pode-se ficar em dúvida quem tinha a maioria, mas algo é inegável: impossível não enxergar as multidões de civis que apoiaram a deposição de Jango e a instauração da ditadura.
A frente de apoio ao golpe, recorde-se, era heterogênea, mas nela se abrigavam nomes que mais tarde foram para a oposição aos militares: Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e… sim, Ulysses Guimarães – ano depois, o Senhor Diretas e presidente da Constituinte.
Pouca gente sabe, mas Ulysses foi um dos líderes da Marcha da Família com Deus pela Liberdade a apoiou o golpe. Fez parte da comissão do Congresso que tentou elaborar o primeiro Ato Institucional, cujo texto os militares não gostaram e deixaram de lado para assumir a responsabilidade do que de fato virou o AI-1.
O apoio, explique-se, tem a ver com o discurso que se fazia para justificar o golpe (ou contra-golpe, como queriam os “revolucionários” e querem, ainda hoje, suas viúvas). A ditadura se instaurou em nome da democracia e contra a corrupção que as vassouras de Jânio Quadros, antecessor de Jango, não conseguira limpar.
Democracia em baixa na época
Essa é uma das diferenças entre as ditaduras anteriores e posteriores à Segunda Guerra Mundial. No Estado Novo, Getulio não tinha problema algum em dizer que aquele regime era autoritário. A democracia não tinha o charme nem o apoio de hoje. A União Soviética se desenvolvia e não era uma democracia. O nazifascismo aparecia como uma alternativa universal e recusava a democracia. Muitos regimes na Ásia, na África e na América Latina adotaram formas corporativistas autoritárias – como o Brasil.
Tanto Lacerda, JK e Ulysses quanto os governadores Magalhães Pinto e Adhemar de Barros aceitavam que os militares fizessem o jogo sujo de prender e cassar.  Achavam que fariam isso de maneira rápida e abririam alas para as eleições presidenciais de 1965. Logo depois, portanto, se retomaria o jogo político – excluídos, claro, os radicais livres da esquerda.
Como se sabe, não foi isso que aconteceu. Os militares gostaram de estar no poder e assumiram o protagonismo do regime.
Ditadura terminou em 1979 ou 1985?
Aarão Reis escreve que a obsessão de caracterizar a ditadura como apenas militar levou o Brasil até hoje a marcar o ano de 1985 como o fim do regime ditatorial do período. Ali se encerrou o mandato do último general-presidente. (Há quem antecipe este fim para 1979, quando cessaram os Atos Institucionais; ou atrase para 1988, quando foi aprovada uma nova Constituição.) “Estender a ditadura até 1985 não seria uma incongruência?”, questiona-se o professor, ao lembrar que o presidente empossado, José Sarney, desde o início apoiara o regime e se tornara um dos seus principais dirigentes… civis.
Desde 1979, porém, o estado de exceção estava encerrado. Com ele, os governantes poderiam editar ou revogar as leis pelo exercício arbitrário de sua vontade.
Também não foi preciso esperar 1985 para que não mais existissem presos políticos. O Poder Judiciário também recuperara a autonomia.
Desde o início dos anos 1980 passara a existir certo pluralismo político-partidário e sindical, liberdade de expressão e liberdade de imprensa. E, por fim, grandes movimentos puderam ocorrer livremente, como a própria campanha pelas Diretas Já, que mobilizou milhões de pessoas entre 1983 e 1984.

Fonte: Ig


Teste de DNA sugere que esposa de Hitler pode ter tido origem judaica

Eva Braun pode ter sido descendente de judeus asquenazes.
Análises foram feitas em cabelos encontrados em escova na casa do casal.


Eva Braun com Hitler (Foto: INP/AFP)Eva Braun com Hitler (Foto: INP/AFP)
Eva Braun, a esposa de Adolf Hitler, pode ter tido origens judaicas, segundo novas análises de DNA realizadas para um documentário que será transmitido na quarta-feira (9) pelo canal britânico Channel 4.
A tese se apoia na análise de cabelos provenientes de uma escova encontrada em Berghof, a residência de Hitler na Baviera, onde Eva Braun passou a maior parte do tempo durante a Segunda Guerra Mundial.
Nos cabelos, os pesquisadores encontraram uma sequência específica de DNA "fortemente associada" aos judeus asquenazes, que representam aproximadamente 80% da população judaica.
Na Alemanha, muitos judeus asquenazes se converteram ao catolicismo no século XIX.

'Descobrta Impressionante'
"É uma descoberta impressionante. Jamais teria imaginado ver um resultado potencialmente tão extraordinário", comentou Mark Evans, o apresentador do programa "The Dead Famous DNA" (o DNA de famosos mortos) no Channel 4.
Segundo os produtores do documentário, tudo indica que os cabelos analisados são provenientes de Eva Braun. O único meio de garantir formalmente seria compará-los com o DNA de um de seus dois descendentes vivos, mas eles se negaram a se submeter à análise.
Eva Braun foi amante de Hitler durante muitos anos. Eles se casaram no dia 29 de abril de 1945, na véspera do suicídio de ambos no bunker do ditador nazista em Berlim.

Fonte: G1

Para professores e escolas, é mudar ou morrer, diz estudioso

O professor emérito da UFSM, especialista em ensino e inovação tecnológica, diz que o atual sistema educacional é obsoleto e que o novo modelo só se erguerá se docentes e instituições ouvirem as lições de um ator: o aluno

Bianca Bibiano
Ronaldo Mota, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria e autor do livro “Educando para a Inovação”
Ronaldo Mota, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria e autor do livro “Educando para a Inovação”(Berenice Roth)
"Seria um erro concluir que a escola não é mais importante. Ela é, mas desde que reconheça a existência do novo processo e que saiba se inserir nessa realidade."
Séculos depois do início da universalização do ensino e décadas após a introdução da formação profissional, a educação enfrenta uma terceira revolução. O motor é a tecnologia. Nem todos, porém, reagem bem ao terremoto, avalia Ronaldo Mota, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria, ex-secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação no Ministério da Ciência e ex-secretário de ensino superior do Ministério da Educação. "Os alunos já podem estudar em casa e até obter diploma pela internet. Mas muitos professores ainda não perceberam esse movimento: serão engolidos pela tecnologia e perderão a atenção dos estudantes", diz Mota, que acaba de lançar, em coautoria com David Scott, professor da universidade de Londres, o livro Educando para Inovação (Elsevier, 49,90 reais). A obra aborda o desafio das escolas de formar pessoas em um mundo de mudanças aceleradas em que a grande demanda é o aprendizado permanente. A despeito do atraso geral de instituições e mestres para lidar com a nova realidade — "O modelo de escola que conhecemos hoje será completamente extinto. O papel do professor, também" —, ele diz que o Brasil pode aproveitar a crise do modelo de ensino para promover uma grande transformação. "Temos uma população jovem, com nível de tolerância alto e flexibilidade diante de experimentos, elementos que favorecem a adaptação. Se fizéssemos disso um terreno para mudanças educacionais, provocaríamos uma grande transformação." Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
Em Educando para Inovação, o senhor afirma que as mudanças a que assistimos hoje não são apenas tecnológicas e que esse movimento impulsiona também uma revolução de conceitos. Quais ideias estão em transformação? Inovação é muito associada a equipamentos e maquinário, mas as grandes mudanças deste século não têm necessariamente essa característica. Tomemos como exemplo uma inovação em outra área: o Cirque du Soleil. A partir do conceito tradicional do circo, o grupo canadense promoveu uma reestruturação radical e formatou um novo produto, criando um novo público. O conceito tradicional de inovação parte da ideia de que existe, antes de tudo, uma demanda para um produto ou processo. O que estamos vivendo neste século, porém, é o aparecimento de mudanças que não provêm da necessidade. Elas são tão revolucionárias que induzem a demanda após serem criadas. O tablet não foi feito após uma consultoria descobrir que havia demanda por computadores não portáteis. Ele surgiu como um produto inovador e criou a demanda a partir dele. Talvez você não necessite de uma impressora 3D agora, mas daqui a três anos vai querer uma em casa. O produto convence você de que é impossível viver sem ele.
Como a escola se insere nesse contexto de mudanças aceleradas? O que significa educar para a inovação? Significa que a escola precisa formar pessoas aptas a viver nesse cenário de constante inovação. No modelo fordista (sistema predominante no séxulo XX marcado pela linha industrial de produção), o papel da educação era formar técnicos competentes, aptos a atuar na produção tradicional para desenvolver tarefas com eficiência. Definitivamente, educação não é mais isso. O mundo não é mais fordista. Hoje, o sucesso ou não das empresas está associado diretamente à capacidade de inovar. O problema é que a escola segue se preparando para o antigo modelo. É como formar profissionais competentes que podem trabalhar em uma gráfica em vez de formar designers capazes de atuar em várias plataformas de comunicação. As instituições de ensino ainda não são, em geral, capazes de fazer esse raciocínio, pois carregam um atraso intrínseco. A título de comparação, tomemos o que aconteceu na área financeira nos últimos 30 anos: os bancos de hoje em nada lembram as instituições do passado devido à ascensão tecnológica. Enquanto isso, a escola permaneceu absolutamente a mesma. Ainda mantemos a figura clássica do professor que entra na sala de aula e apresenta o conteúdo para os alunos como se eles não soubessem nada. Isso, porém, não deve nos dar a ilusão de que a escola não será transformada: ela será.
Que tipo de transformação será essa? O modelo de escola que conhecemos hoje será completamente extinto. O papel do professor, também. Ele poderá até receber outra denominação, como "designer educacional", um profissional dedicado à organização de conteúdos. Mas ele não poderá fazer essa tarefa sozinho: o processo de ensino e aprendizado será cada vez mais coletivo. O designer educacional de física que se propuser a colocar o conteúdo de aula em uma plataforma on-line contará com ajuda de gente que saiba usar a plataforma, alguém que entenda de design, usabilidade e ferramentas no ambiente virtual. Não será uma pessoa só, vai ser um time. No começo do processo de mudança, provavelmente ainda contaremos com um professor clássico, que domina o conteúdo de uma disciplina. Mas ao lado dele, veremos um menino de 14 anos, responsável por fazer a interface gráfica da plataforma. É um fenômeno que já está acontecendo: as grandes funcionalidades dos portais educacionais são desenvolvidas hoje por jovens que dominam os sistemas digitais graças à afinidade que possuem com o universo dos games. Se resolver ficar sozinho, o professor perderá essa corrida.
Nesse cenário, como será o ensino? Grande parte dos jovens já aprende parte do conteúdo escolar em canais que não dependem da escola. Os alunos já podem estudar em casa e até obter diploma pela internet. Mas muitos professores ainda não perceberam esse movimento: serão engolidos pela tecnologia e perderão a atenção dos estudantes. Não é o fim da escola, mas uma chance que se apresenta para aqueles alunos que não aguentam permanecer em sala de aula e que procuram mecanismos alternativos para adquirir o próprio conhecimento. Há muitos adolescentes criativos, que serão profissionais muito competentes e que simplesmente vivem em conflito com a escola. É um processo que vai acontecer cada vez mais. Até pouco tempo, existia um conflito do professor, que era alguém não digital, com o aluno, um nativo digital. Já estamos na fase seguinte, do não diálogo. As crianças já chegaram a uma etapa em que abstraem o conflito e simplesmente aprendem por conta própria, independente da escola. Seria um erro concluir que a escola não é mais importante. Ela é, mas desde que reconheça a existência do novo processo e que saiba se inserir nessa realidade. Se a escola entender isso como um confronto, vai perder.
Se a escola não mudar, a evasão de alunos vai crescer? Sim. A escola já enfrenta esse fenômeno, ainda que se trate de uma evasão não contabilizada. O aluno é deixado pelos pais na escola, senta lá por algumas horas e finge prestar atenção às aulas. O professor, por sua vez, altamente desestimulado, deixa o aluno ali, muitas vezes evitando o conflito. Quando olhamos os resultados numéricos desse modelo educacional, concluímos que o ensino vai mal. Sim, está ruim, mas é mais grave que isso. Temos dois conflitos acontecendo ao mesmo tempo: o ensino tradicional vai mal no Brasil e vai mal em si. Para superar essa crise, precisamos melhorar a qualidade de ensino e, simultaneamente, transformá-lo. O Brasil tem uma real oportunidade de dar um salto significativo e mais rápido do que outros países se entender a importância da inovação.
Por quê? Tomemos como base os resultados do exame do Pisa (mais importante avaliação educacional do mundo, realizada em alunos com 15 anos de idade), da OCDE. A Finlândia está sempre nos primeiros lugares da prova, que avalia o ensino tradicional. Qual a consequência? Os professores finlandeses morrem de medo de mudar seu método de ensino: afinal, quem quer mexer em time que está ganhando? A Finlândia pode não conseguir enfrentar os desafios da inovação com tanta facilidade. O Brasil, por sua vez, não tem motivo para temer a mudança. Afinal, se olharmos para o ensino médio brasileiro, podemos afirmar que não há como piorar. Por isso, temos um campo vasto para aplicar metodologias revolucionárias. O Brasil tem 200 milhões de habitantes e 104 milhões de usuários da internet, que em média navegam mais do que pessoas de outros países. Temos uma população jovem, com nível de tolerância alto e flexibilidade diante de experimentos, elementos que favorecem a adaptação. Se fizéssemos disso um terreno para mudanças educacionais, provocaríamos uma grande transformação.
Quais os caminhos para a inovação? Precisamos usar metodologias que valorizem a aprendizagem independente. Em caminho contrário, o Brasil deve ser o campeão mundial da aprendizagem dependente. Desde a pré-escola até o pós-doutorado, o que fazemos é estimular o estudante a ser dependente do professor. Por que o professor que termina o pós-doutorado na universidade tem medo de sair do laboratório? Porque ele é dependente. Nos países mais desenvolvidos, o estudante é estimulado a encontrar seus próprios caminhos. Aqui,  criamos uma estrutura de dependência tão grande que as pessoas são estimuladas a não abdicar da zona de conforto. O que mais precisamos é do oposto disso. Quando isso ocorre, temos a rebelião à que estamos assistindo, sem interferência do Estado, dos pais e muito menos da escola: essa rebelião é movida pela juventude à procura de mecanismos alternativos. Isso explica o sucesso de serviços de aprendizagem on-line como o Veduca, que já tem 3,5 milhões de inscritos.
Como o senhor avalia projetos que tentam colocar o tablet na sala de aula? Na maioria, são frustrantes, porque são feitos por gestores escolares que não são do campo da tecnologia digital aplicada à educação. Daí, cena comum, os pais pagam pelos tablets e, como as estatísticas comprovam, eles ficam jogados em casa. Em geral, os alunos recebem o aparelho com um material antiquado, com reproduções de apostilas idênticas ao material impresso. Mas a questão vai muito além do produto. O hábito de estimular o aluno a estudar em casa depois de ver o conteúdo em sala aula é falido, não há a menor chance de dar certo. A única forma de preparar alguém para a inovação e para a aprendizagem independente é oferecer o conteúdo antes da aula e fazer com que os momentos presenciais e coletivos passem por um filtro: só participam desses momentos aqueles que demonstrarem o mínimo interesse. Se a criança sequer tocar no conteúdo antes, ela simplesmente não deveria participar do convívio. Sabemos, por vários experimentos, que se metade da turma estiver prestando atenção e a outra metade não estiver, a parte desinteressada contamina o restante do grupo e o resultado é um desastre. Se o professor usar um filtro inicial baseado em interesse e realizar os momentos coletivos somente com aqueles que demonstraram o mínimo de interesse, os resultados vão lá para cima.
E o que o professor faria com o estudante que não se interessa? Ele pode mandá-lo para a biblioteca, para uma sala de informática, para qualquer outra atividade. Em uma metodologia tradicional, mesmo que o professor tenha toda a rotina sob seu controle, ele precisa reprovar aquele que não acompanhou o grupo. Isso não é negativo da mesma maneira? Uma nova metodologia implica mudança de cultura. Vai ser normal que o aluno assuma que não pode assistir à aula porque não se preparou para ela, e terá que ser aceitável tanto para o gestor escolar quanto para os pais. Na próxima aula, ele vai se preparar para participar.
Que mudanças de conceitos são necessárias para a transformação de que o senhor fala? Todo o processo educativo tradicional é baseado na cognição, ou seja, como se aprende e como se ensina. O mais importante no futuro será a metacognição: o aluno terá que entender o processo ao que está submetido e conhecer seus avanços, obstáculos e deficiências. Ele precisa se enxergar no processo educacional. Isso abre a porta para um novo ponto: a classe não se dividirá mais entre aqueles que sabem e os que não sabem, mas dará espaço para um terceiro, que não sabe o conteúdo, mas sabe onde encontrá-lo. No mundo atual e futuro, é mais relevante a atitude de uma pessoa diante de uma pergunta para a qual ela não tem resposta, porque o acesso à informação não é mais crítico. O professor tem que esquecer essa ideia de que vai disputar espaço com a tecnologia. Não há chance de ele dominar mais esse tema que um jovem. Ele tem que achar mecanismos para dizer ao aluno: "Eu não sei essa linguagem como você sabe, mas eu estou disposto a compartilhar o que eu sei e aprender com você." Mas fazer isso exige um alto nível de maturidade e metacognição para entender o papel de cada um. Ele não pode mais chegar na aula e dizer que sabe mais, pois não sabe mais sobre certas áreas, como as tecnologias digitais.
Não é, de fato, o que acontece hoje nas escolas, certo? Não, ainda temos a maior parte dos professores pedindo que seus alunos desliguem o celular durante as aulas. Mas eles não conseguem, cada vez que ele vira para frente, o estudante está lá teclando. O problema real não é esse, os jovens conseguem perfeitamente acompanhar os dois e não haverá como mudar isso. As crianças não vão mais aprender equação de segundo grau na escola. Elas vão procurar um vídeo, com um bom professor, e vão aprender na hora que querem, como querem, com algum nível de interatividade. O espaço tradicional de ensino hoje mais se assemelha à tortura do que ao ensino.Tenho a esperança de que a escola vá reconhecer esse movimento e se reconceitualizar.
Quais os avanços vistos em outros países? A Inglaterra é um país que está avançando muito. Eles fizeram uma ação interessante no ensino médio. Mudaram a obrigatoriedade de certas disciplinas, como química, física e biologia: não é mais necessário fazer as três ao mesmo tempo, e o aluno pode ter sua motivação voltada apenas para biologia, por exemplo. Mas a maior inovação está em garantir uma preparação dentro dessa disciplina para que o professor introduza elementos de química e física. O aluno pode estudar pressão, conteúdo da física, a partir do estudo da capilaridade das plantas, um capítulo da biologia. Isso introduz, de forma agradável, conceitos que são relevantes. O professor tradicional pode dizer que desse modo o estudante não aprende toda a física e a química. Mas eu pergunto: por acaso, ele aprende tudo com o atual sistema de aulas? Provavelmente não, e ainda deixa a escola com raiva das ciências. Se você apresenta um modelo em que o aluno desenvolve apreço pelo método científico e se sente parte do processo, não importa se ele escolheu cursar uma, duas ou três disciplinas, mas, sim, o fato de que, ao escolher, ele possa dizer: "Eu sou corresponsável pelo processo."

O Regime Militar alcançou todos os objetivos do Movimento de 1964?

Gen Bda Paulo Chagas
Caros amigos
A resposta a esta pergunta, neste momento, exige alguma contextualização, reportando-nos ao tempo da Guerra Fria em que o mundo estava dividido entre democratas e comunistas. Assim, é de se supor que o primeiro, mais urgente e acertado objetivo do Movimento teria que ser a preservação da democracia, considerando que os comunistas já “estavam no governo e lhes faltava apenas o poder”, o qual seria obtido, em breve, pela deflagração de um golpe de estado, tramado e preparado para os primeiros dias de maio de 64! (Jacob Gorender – Luiz Carlos Prestes)
Os comunistas, embora compusessem uma ínfima minoria no contexto da Nação, eram organizados e atuantes e estavam se preparando desde o início dos anos 60 para desencadear a tomada do poder pela luta armada (Luis Mir – A Revolução Impossível).
A imensa maioria da sociedade condenava a baderna que se instalava no País e temia a “cubanização”, em consequência acolheu com alegria e ufanismo a iniciativa dos militares, o que ficou largamente registrado nas manchetes dos jornais da época.
A antecipação das forças democráticas, embora tenha frustrado o golpe dos comunistas, não os impediu de por em prática o plano “B”, qual seja o da luta armada para implantar a “ditadura do proletariado”.
As ações terroristas tiveram início desde logo e se intensificaram na medida em que obtinham sucesso, como foi o caso do atentado no Aeroporto dos Guararapes, em 1966, onde duas pessoas foram mortas e outras 14 ficaram gravemente feridas.
Esta evidência obrigou o Governo a endurecer o regime, decretando o Ato Institucional nº 5, que criou as condições necessárias para controlar, neutralizar e derrotar os terroristas. (Luis Mir e Jacob Gorender).
O desenrolar das ações de combate ensejou a prática de lamentáveis arbitrariedades e de violência e excessos de ambos os lados. A censura, imposta na medida exigida pela natureza das operações de combate ao terrorismo, não impediu as manifestações políticas ou artísticas e, muito menos, interferiu na ação da justiça, haja vista os registros nos anais do Congresso e os arquivos do Superior Tribunal Militar, fontes largamente utilizadas pelos autores do livro “Tortura Nunca Mais”.
O rigor no cumprimento das leis, a ordem que se instalou e o comprometimento dos novos dirigentes criaram o ambiente de segurança e de otimismo que acabou por propiciar acelerado progresso, crescimento econômico e pleno emprego aos brasileiros, tirando o Brasil do subdesenvolvimento.
A busca obstinada por esta evolução, sob a ameaça das organizações terroristas, fez com que o Regime Militar durasse mais do que, hoje, podemos avaliar como necessário, no entanto, por todas as razões já abordadas, é lícito concluir que alcançou seus objetivos, particularmente o principal, a preservação da democracia!
A melhor prova de que o objetivo principal foi alcançado é a presença no poder da República dos terroristas derrotados e anistiados pelo Regime Militar, alçados a estas posições pela via democrática!
A liberdade preservada em 64 e consolidada ao longo dos 21 anos de Governos Militares permite que, hoje, no poder executivo, os adeptos da ditadura do proletariado, valendo-se dela, conspirem contra a democracia, aparelhando o Estado e buscando o controle sobre os demais poderes da República, ou seja, estão fazendo uso da liberdade defendida em 64 para, seguindo as orientações do famigerado Foro de São Paulo, implantar no Brasil a forma “bolivariana” do comunismo de sempre!
A promessa da Governanta Dilma, em Cuba, de implantar o “socialismo” em seu suposto segundo mandato; o comentário colocado pelo “comissário” Tarso Genro na Proposta de Lei Orçamentária do Rio Grande do Sul de que "o novo papel do Estado ou avançará no sentido de iniciar uma transição ao socialismo ou ficará restrito a uma reforma do capitalismo que fortalece a autonomia da burguesia nacional" e, mais recentemente, a declaração do “comissário” José Eduardo Cardozo, na pasta d a Justiça, de que “é preciso repensar a separação dos poderes”, são provas evidentes dessa manobra liberticida.
Concluo, portanto, a resposta à pergunta título deste texto, dizendo que não há objetivos do Regime Militar a serem alcançados. Há, isto sim, objetivos a serem preservados!


Comissão da Verdade de São Paulo pede a Dilma que reconheça assassinato de JK

Solicitação se baseia em pesquisa conduzida por vereadores paulistanos, cujas conclusões apontam que ex-presidente na realidade foi vítima de complô montado pela ditadura


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FOLHAPRESS
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Opala em que viajava JK: oficialmente o ex-presidente morreu num acidente. Vereadores falam em atentado
São Paulo – A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo enviou ao Palácio do Planalto, em Brasília, ofício em que pede à presidenta Dilma Rousseff que reconheça que o acidente de trânsito que tirou a vida do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976, foi resultado de um atentado – e não uma mera fatalidade, como diz a versão oficial. Enviado em 19 de fevereiro, o documento pede ainda que Dilma tome as “providências necessárias” para alterar a causa da morte de JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, “em nome da História do Brasil, da Verdade, da Memória e da Justiça”.
A solicitação é resultado de um trabalho de investigação de aproximadamente dois anos, conduzido pelo presidente da Comissão, vereador Gilberto Natalini (PV). “Recolhemos contradições graves nas investigações da época, fraudes, mentiras, tentativas de incriminar o motorista de um ônibus, quando na realidade ele não abalroou o carro de Juscelino”, lembra o parlamentar. As pesquisas da comissão foram reunidas nas 30 páginas doRelatório JK, apresentado por Natalini no  dia 10 de dezembro passado com 90 indícios que, assegura, demonstra que o ex-presidente foi assassinado.
Leia também:
“Estamos pedindo que o Brasil declare que Juscelino morreu de morte matada, e não de morte morrida. Não foi acidente, foi um atentado que provocou aquele acidente que matou JK”, exigiu o parlamentar paulista quando da apresentação do relatório. Para Natalini, tudo aponta que os mandantes do crime foram os generais Golbery do Couto e Silva, então ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, e João Baptista Figueiredo, que na época comandava o Serviço Nacional de Informações (SNI) e dois anos depois seria nomeado como último presidente militar do país.
Além de Dilma, também devem receber solicitação da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo para reconhecer o assassinato de JK o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari. O Relatório JK foi encaminhado ainda aos procuradores da República de Volta Redonda (RJ) e de Resende (RJ), Paulo Gomes Ferreira Filho e Luciana Fernandes Portal Lima Gadelha, que abriram inquéritos civis públicos após tomarem conhecimento sobre o resultado das investigações conduzidas pelos vereadores paulistas.
Juscelino perdeu a vida após o veículo em que se encontrava, um Opala, colidir frontalmente com um caminhão Scania-Vabis. O acidente ocorreu na Rodovia Presidente Dutra, na altura do km 168, atual km 331, no município de Resende. Conduzido pelo motorista Geraldo Ribeiro, que trabalhava com JK havia 36 anos, o carro do ex-presidente tinha saído de São Paulo com destino ao Rio.


Registros médicos apontam que Hitler usou várias drogas, inclusive cocaína; Confira

Registros médicos apontam que Hitler usou várias drogas, inclusive cocaína; Confira
Como defensor de uma “raça superior”, Adolf Hitler acreditava que precisava ser um símbolo de virilidade. Se o seu objetivo era realmente governar o mundo de acordo com a ideologia nazista, ele precisava mostrar aos seus seguidores que era, por si só, um exemplo perfeito de saúde física e mental.

Mas sofrendo de hipocondria, depressão e sem quase nenhum interesse sexual, cumprir os requisitos da masculinidade era uma tarefa difícil para o ditador. E foram esses motivos que levaram Hitler a usar drogas, como cocaína e anfetamina, para se transformar em uma espécie de “super-homem nazi”.

Descobriu-se que Theodor Morell, que era o médico de confiança do Führer, chegou a administrar coquetéis com mais de 80 substâncias diferentes, incluindo vitaminas, probióticos, morfina, barbitúricos, veneno de rato, sêmen de touro e até mesmo um óleo que era usado para limpar armas. Alguns médicos da época chegaram a especular que o ditador estava sendo envenenado por Morell.


A influência das substâncias

Os registros ainda apontavam que o Führer cheirava cocaína para “limpar os seios nasais e aliviar a garganta”, além de utilizar colírios com uma adição de 10% de cocaína. Quando ele começou a sentir falta das substâncias, as doses foram reduzidas.

Morell também aplicou “injeções de virilidade” em Hitler, que continham extratos retirados dos testículos de jovens touros, para aumentar o desejo sexual do ditador e garantir que ele pudesse satisfazer sua companheira Eva Braun, que era 23 anos mais jovem. O médico também chegou a prescrever injeções de sêmen de touro como uma espécie de Viagra para o Führer.

Desde a descoberta dos registros médicos e do lançamento do livro Was Hitler Ill? (“Hitler era doente?”) do historiador Henrik Eberle e do professor Hans-Joachim Neumann, a discussão sobre os efeitos dessas substâncias no comportamento e nas decisões de Hitler ganhou espaço e dividiu opiniões.


Theodor Morell cuidou da saúde de Hitler durante toda a guerra, mesmo tendo colegas de profissão nazistas que criticavam seu trabalho e o culpavam pelos rumos que o ditador ia tomando. Depois de ter sido capturado pelos Aliados e acusado de negligência, Morell confessou ter administrado opióides, morfina, barbitúricos e anfetaminas para Hitler, aumentando ainda mais a especulação sobre o quanto as drogas não teriam influenciado no comportamento destrutivo do ditador.

E você, caro leitor, o que você acha dessa polêmica?



Biografia de Camilo Castelo Branco


16 de março de 1825, Lisboa (Portugal)
1º de junho de 1890, São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão (Portugal)
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
[creditofoto]
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco perdeu os pais muito cedo, tendo infância e adolescência difíceis. De personalidade instável, casa-se aos 16 anos, depois abandona a esposa, tenta estudar medicina e, logo a seguir, direito. Uniu-se a várias mulheres no transcorrer de sua vida. Por alguns meses, a religião o arrebata - então segue para o seminário, mas pouco tempo depois volta à boêmia.

As dificuldades financeiras o levam a ingressar no jornalismo, em 1848, no Porto. Em 1861, ele e a amante, Ana Plácido, são presos, acusados de adultério. Não se separam, contudo, e quando saem da prisão passam a viver juntos, sustentados apenas pela escrita de Camilo.

Em 1885 recebe o título de visconde de Correia Botelho, mas isso não melhora sua situação financeira. Em estado de crescente melancolia, ameaçado pela cegueira, suicida-se em 1890.

Do Romantismo ao Realismo

Camilo Castelo Branco é, sobretudo, um autor romântico. Dedicou-se ao romance, ao teatro e à crítica literária. Dono de uma linguagem que reflete as características mais puras da língua portuguesa, Camilo possui uma riqueza vocabular extraordinária.

Contudo, se o escritor foi um modelo no que se refere ao estilo, não se pode dizer o mesmo em relação à originalidade de suas obras. Das aventuras folhetinescas, de tom às vezes patético (O livro negro do padre Dinis, 1855), ele passa às histórias de amor contrariado ou de renúncia e doação amorosa (Amor de perdição, 1862), enveredando às vezes pelo tom humorístico (A Queda dum anjo, 1866) ou pelo romance histórico (O regicida, 1874).

Apesar de satirizar o Realismo (em, por exemplo, A Corja, 1880), acaba se deixando influenciar pelo movimento, o que se mostrará positivo, pois a perspectiva realista apurará seus dons de observador e retratista, caracterizando algumas de suas melhores obras, como Novelas do Minho(1875-1877) e A Brasileira de Prazins (1882).
Enciclopédia Mirador Internacional

A Verdadeira Origem do DOMINGO que é o 1º dia da Semana

domingo, por fundamentação bíblica e etimológica, é considerado o primeiro1 ,2 dia da semana, seguindo o sábado e precedendo a segunda-feira, é um dia de descanso para a maioria das pessoas no mundo ocidental.
1° dia2° dia3° dia4° dia5° dia6° diasétimo dia
DomingoSegunda-feiraTerça-feiraQuarta-feiraQuinta-feiraSexta-feiraSábado
Por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO,3 o domingo é considerado o último dia da semana.
1° dia2° dia3° dia4° dia5° dia6° diaúltimo dia
Segunda-feiraTerça-feiraQuarta-feiraQuinta-feiraSexta-feiraSábadoDomingo
A palavra é originária do latim dies Dominicus, que significa "dia do Senhor". Existe, nessa mesma acepção, em castelhano (Domingo), italiano (Domenica), francês (Dimanche) e em todas as línguas de origem latina.
Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses dedicando este dia ao astro Sol o que originou outras denominações para este dia, em inglês diz-se Sunday, e no alemão Sonntag, com o significado de "Dia do Sol".

O dia do sol e a igreja pós primitiva
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Do ponto de vista dos Romanos, judeus e cristãos, eram um só grupo de guardadores do sábado.
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Em meados do II segundo século, ser guardador do sábado era afrontar diretamente o império romano. A maioria dos cristãos deixaram então o sábado de lado, para não se identificarem com os judeus.
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Por volta do ano 164 d.c., com respeito ao sábado, um cristão chamado Justino Mártir declarou:
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“O sábado é uma marca vergonhosa colocada sobre os judeus pelo senhor Deus, um identificador do castigo que bem merecem”.
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Desse modo, o sábado passou a ser visto pelos cristãos como um castigo divino sobre os judeus. Um dia repleto de maldições sobre aqueles que o observam. Outro passo dado pala igreja cristã rumo a observância dominical, foi a instituição de um jejum pelos cristãos de Roma. Um jejum especial em memória à morte e sepultamento de Jesus. O jejum começava ao meio dia na sexta feira, e terminava às quatro horas da manhã do domingo, quando a igreja cristã romana celebrava a ressurreição de cristo.
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Pensam, se os nossos patrícios pagãos adoram o sol no domingo, então, porque não podemos glorificar a Jesus, o sol da justiça também no domingo? Sendo a obediência ao mandamento sabático proibida, pelo rígido tribunal romano, passou a maioria dos cristãos por covardia, por medo da morte, a observarem o domingo.
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No quarto século, a observância dominical veio a ganhar força, com a suposta “conversão” do imperador romano Constantino (Flávius Valérius Aurélius Constantinus), imperou de 324 d.c a 337 d.c. No ano de 312 d.c., aceitou o cristianismo, movido supostamente pela “visão” de uma cruz nos raios do sol com os dizeres:
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“Constantino, com este sinal vencerás”.
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Tamanho foi o impacto que sua conversão causou na época, que suas conseqüências perduram até hoje. Adepto do mitraísmo e adorador de Mitra, o deus – sol fez Constantino uma verdadeira salada, misturando mitraísmo com cristianismo. Um verdadeiro golpe de mestre.
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Em sua época, Roma como império estava prestes a desmoronar. Constantino então usou de um estratagema, pensando ser possível a restauração do império romano, não sobre a base da religião pagã, mas sobre o fundamento de um cristianismo paganizado.
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Constantino se declarou bispo dos bispos (Pontifice Maximus ou Sumo-pontífice). Este título que pertencia ao mitraísmo romano, passou a fazer parte do cristianismo e usado depois pelos papas. Constantino se torna assim líder máximo da igreja cristã, com plenos poderes para determinar suas próprias ações religiosas e revestidas do supremo direito de promulgar novas leis e novos decretos.
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Em 324 d.c., o domingo foi declarado por lei, como dia de descanso. Constantino ordenou que todo império descansasse no dia do sol. Assim reza as suas palavras:
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“Que todos os juízes, todos os habitantes da cidade, os mercadores e artífices, descansem no venerável dia do sol (die solis). Não obstante, atendam os lavradores completa liberdade ao cultivo dos campos”.
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O bispo Eusébio de Nicomédia, sendo admirador de Constantino, passou a apoiar o imperador, contrariando abertamente o quarto mandamento da lei de Deus. Declarou Eusébio:
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“Todas as coisas que eram para se fazer no dia do sábado, Nós a transferimos para o dia do senhor (domingo), como sendo mais apropriado, uma vez que tem a prioridade e maior importância, e é mais digno de honra que o sábado”.
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O cristianismo dominical propagou-se no império de Constantino. O imperador, para conseguir o maior número possível de fiéis, presenteava-os com túnicas brancas de batismo. Além disso, recebiam individualmente, por sua decisão ao batismo, vinte moedas de ouro. Estudiosos calculam que, aproximadamente mais de quinze mil pessoas se batizaram. No ano 337 d.c., o próprio Constantino poucos dias antes de morrer foi batizado com uma túnica branca pelo bispo Eusébio de Nicomédia.
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Segundo a tradição romana, ele nunca mais vestiu seus trajes reais. Vários concílios se passaram. Entre os primeiros que aceitaram o descanso dominical, no lugar do sábado, estão o Gangrense, de 341 d.c., Sárdica, 345., e o de Laodicéia, no ano de 364 d.c.. Destes, o principal foi o de Laodicéia. Quarenta anos depois do edito de Constantino, em Laodicéia foi decretado:
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“Os cristãos não devem judaizar e permanecer ociosos no sábado, mas trabalharão nesse dia. Porém, o dia do senhor (domingo), deve ser honrado especialmente, como cristãos não devem se possível, fazer qualquer trabalho nesse dia. Se, contudo forem achados judaizando serão separados de cristo”.
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Segundo o dicionário enciclopédico Hispano-Americano, artigo domingo, no ano 425 d.c., surgiu uma lei que proibia a celebração de representações teatrais no dia de domingo. E finalmente, a partir do ano 700 d,c., a igreja romana aplicou ao domingo pagão todas as proibições do sábado bíblico. Como vimos à substituição do sábado pelo domingo como dia de repouso, deu-se gradualmente. O sábado foi esquecido pela maioria como resultado das freqüentes proibições de o santifica-lo; ao passo que o domingo foi estabelecido por vários concílios e decretos que ordenavam sua observância.
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Contribuição: Antonio carlos
Compilação de vários lívros
Do sábado para o domingo (Samuelle Bacchiocchi)
Lívros: concretas Razões para observâcia sabática
História Eclesiástica “A era dos gigantes”


Comunismo e nazismo: dois monstros idênticos



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“The Devil In History” é um estudo enciclopédico sobre como a máquina de desinformação soviética e pós-soviética usou aqueles Negris para converter o antigo ódio europeu pelos nazistas em ódio aos EUA, o novo poder de ocupação.

No ano 2000, alguns dos meus antigos colegas da KGB tomaram o Kremlin e transformaram a Rússia na primeira ditadura de inteligência da história.

O livro “The Devil in History: Communism, Fascism and Some Lessons of the Twentieth Century”, do professor Vladimir Tismaneanu, é o livro definitivo sobre estas duas pestes bubônicas. Extremamente documentado e elegantemente escrito, traz à luz não apenas as semelhanças ideológicas entre fascismo e comunismo mas também os métodos de manipulação semelhantes usados por ambos para criar movimentos de massa destinados a fins apocalípticos.
Eu vivi tanto sob o Terceiro Reich quanto sob o Império Soviético e sei que um mero mortal qualquer que ousasse traçar um mínimo paralelo entre comunismo e nazismo acabaria atrás das grades – se tivesse sorte. Os nazistas, indignados, descartavam qualquer relação com o comunismo, do mesmo modo como os comunistas, nervosamente, rejeitavam qualquer comparação com o nazismo/fascismo. Mas não os seus líderes. No dia 23 de agosto de 1939, quando o ministro das Relações Exteriores soviético, Vyacheslav Molotov, e o seu colega alemão equivalente, Joachim von Ribbentrop, se reuniram no Kremlin para assinar o infame Pacto de Não-agressão Hitler-Stalin, Stalin estava eufórico. Ele disse a Ribbentrop: “O governo soviético leva muito a sério este novo pacto. Eu posso garantir, sob a minha palavra de honra, que a União Soviética não trairá o seu parceiro”. (John Toland, “Adolf Hitler” (New York: Doubleday, 1976, página 548)
Havia muitas razões para Stalin estar alegre. Tanto ele quanto Hitler acreditavam na necessidade histórica de expandir o território dos seus impérios. Stalin chamava isso de “revolução do proletariado mundial”. Hitler chamava de “Lebensraum” (espaço vital). Ambos basearam as suas tiranias no roubo. Hitler roubou a riqueza dos judeus. Stalin roubou a riqueza da igreja e da burguesia. Ambos odiavam religião, e ambos substituíram Deus pelo culto às suas próprias pessoas. Ambos eram também profundamente anti-semitas. Hitler matou cerca de 6 milhões de judeus. Durante a década de 1930, apenas Stalin – oriundo da Georgia, onde os judeus haviam sido escravos até 1871 – prendeu cerca de 7 milhões de russos (a maior parte judeus) sob a acusação de espionagem a serviço do sionismo americano e os matou.

“The Devil In History” não é o primeiro livro a estudar a relação entre fascismo e comunismo, mas é o primeiro escrito por um eminente estudioso em cujo sangue correm os genes dos dois movimentos. Os pais de Vladimir Tismaneanu lutaram pelo fascismo nas Brigadas Internacionais durante a Guerra Civil Espanhola, viveram em Moscou durante a Segunda Guerra Mundial como ativistas comunistas, compreenderam as tragédias provocadas pelo comunismo e terminaram a vida profundamente desencantados. O próprio Vladimir foi seduzido pelo marxismo (especialmente pelo neo-marxismo da Escola de Frankfurt) até deixar a Romênia, aos 30 anos de idade, em 1981. Ele se tornou professor anti-comunista especialista em estudos soviéticos e do leste europeu quando o marxismo-leninismo estava com força total e chefiou a Comissão Presidencial da Romênia para o Estudo da Ditadura Comunista em seu país, que condenou fortemente as atrocidades do comunismo. O primeiro livro de Vladimir em inglês foi publicado em 1988. O título é revelador – “The Crisis of Marxist Ideology in Eastern Europe: The Poverty of Utopia”. Quando muitos kremlinologistas focavam os seus estudos nas elites comunistas e nos conflitos mortais, Tismaneanu percebeu que o comportamento das elites era explicado pelo sistema de crenças leninista. Os líderes comunistas eram assassinos, sem dúvida, mas eram assassinos com uma ideologia. Nicolae Ceausescu, a quem conheci muito bem, era um comunista fanático que acreditava realmente que o comunismo estava do lado certo da história.
“The Devil In History” é tanto um livro sobre o passado quanto um livro sobre o futuro. Em novembro de 1989, quando o Muro de Berlim foi derrubado, milhões de pessoas gritaram “O comunismo morreu”. O comunismo soviético, como forma de governo, realmente morrera. Mas uma nova geração de pessoas, cujo conhecimento da vida sob o comunismo é pouco ou nulo, está tentando dar a esta heresia, agora vestida em trajes socialistas, uma nova vida na França, Grécia, Espanha, Portugal, Venezuela, Argentina, Brasil e Equador, e poucas pessoas estão prestando atenção a este fato. Em 15 de fevereiro de 2003, milhões de europeus tomaram as ruas, não para celebrar a liberdade desfrutada graças à luta dos americanos para impedir que eles se tornassem escravos soviéticos, mas para condenar o imperialismo americano, conforme descrito em “Empire” (de Michael Hardt e Antonio Negri, Harvard University Press, 2000), livro cujo co-autor, Antonio Negri, um terrorista disfarçado de professor marxista, esteve preso pelo envolvimento no sequestro e assassinato do primeiro ministro italiano Aldo Moro. O jornal The New York Times chamou o atual Manifesto Comunista de Negri de “o livro quente e inteligente do momento”. (David Pryce-Jones, “Evil Empire, The Communist ‘hot, smart book of the moment’”, National Review Online, 17 de setembro de 2001).
Durante 27 anos da minha outra vida, na Romênia, eu estive envolvido em operações destinadas a criar inúmeros Antonios Negris para desempenhar o papel de guerreiros da Guerra Fria em toda a Europa Oriental e usá-los para jogar a região contra os Estados Unidos. “The Devil In History” é um estudo enciclopédico sobre como a máquina de desinformação soviética e pós-soviética usou aqueles Negris para converter o antigo ódio europeu pelos nazistas em ódio aos EUA, o novo poder de ocupação.
Em 1851, quando Luís Bonaparte, o vil sobrinho de Napoleão, tomou o poder na França, Karl Marx disse a sua agora famosa máxima: “A história sempre se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. “The Devil In History” documenta os atuais esforços dos esquerdistas para reviver as mentiras soviéticas, e isto mostra a sua ridícula natureza.
“The Devil In History” tem não apenas importância ideológica mas também histórica, pois torna o seu autor, Vladimir Tismaneanu, uma versão americana conservadora de Eric Hobsbawm, o mais respeitado historiador britânico.
Hobsbawm, morto há pouco com a venerável idade de 95 anos, era um polímata erudito, um esplêndido pesquisador e um excelente escritor. Infelizmente, também resolveu ser um marxista profissional e os marxistas são, por definição, mentirosos. Eles são obrigados a mentir porque a realidade de todas as sociedades marxistas tem sido devastadora, a um nível espantoso. Mais de 115 milhões de pessoas foram mortas em todo mundo na tentativa de manter vivas as mentiras do marxismo.
O quarteto de livros mais respeitado de Hobsbawm, “The Age of Revolution” e “The Age of Extremes”, aos quais dedicou a maior parte da sua vida, também são uma mentira: apresentam a história da revolução marxista soviética, evolução e ‘descentralização’ (evolution and devolution) que ignoram totalmente os gulags. São como uma história do nazismo ignorando o Holocausto, ou uma história do Egito desconsiderando os faraós e as pirâmides. Hobsbawm filiou-se ao Partido Comunista Britânico em 1936, e nele permaneceu mesmo após o seu eterno ídolo, a União Soviética, ter sucumbido. Hobsbawm jamais retirou a sua filiação ao Partido Comunista. Ele explicou: “O Partido… teve o primeiro, ou mais precisamente, o único direito real das nossas vidas… As exigências do Partido têm prioridade absoluta… Se ele mandar você abandonar a namorada ou a esposa, você deve fazê-lo”.
Vladimir Tismaneanu também se filiou ao Partido Comunista quando jovem – como eu fiz – mas rompeu com o partido quando o comunismo ainda estava com força total – como eu fiz – e expôs os seus males ao resto do mundo – como eu também fiz. A bem da verdade, devo registrar a minha imensa admiração por Tismaneanu e dizer que o considero um bom amigo, embora jamais tenhamos nos encontrado. Sob o meu ponto de vista, ele é o maior especialista em comunismo romeno e um dos maiores estudiosos do mundo sobre o Leste Europeu. O seu “Stalinism for All Seasons” é o mais amplo estudo sobre o comunismo romeno e o seu “Fantasies of Salvation: Democracy, Nationalism, and Myth in Post-Communist Europe” recebeu o prêmio romeno-americano da Academy of Arts and Sciences. Por sua incansável atividade de pesquisa, Vladimir Tismaneanu tornou-se um membro do prestigioso Institut fur die Wissenschaften von Menschen em Viena, Áustria, e recebeu o título de Public Policy Scholar do Woodrow Wilson International Center for Scholars.
A despeito da cobertura da imprensa sobre a corrida nuclear durante a Guerra Fria, nós, no topo do serviço de inteligência do bloco soviético naqueles anos, lutamos, naquela guerra, pela conquista das mentes – na Europa, na esquerda americana, no Terceiro Mundo – pois sabíamos ser impossível ganhar as batalhas militares. A Guerra Fria acabou realmente, mas, diferentemente das outras guerras, não terminou com um inimigo derrotado depondo as armas. No ano 2000, alguns dos meus antigos colegas da KGB tomaram o Kremlin e transformaram a Rússia na primeira ditadura de inteligência da história. Mais de seis mil antigos agentes da KGB estão nos governos russos federal e local. Seria como tentar democratizar a Alemanha com os oficiais da Gestapo no comando.
Vladimir Tismaneanu é o analista político perfeito para os dias de hoje, pois é um especialista nos dois legados, nazista e comunista. A despeito de diagnósticos otimistas e do excessivo wishful thinking, estas duas patologias não estão mortas. O esclarecedor livro de Vladimir Tismaneanu é um antítodo contra os novos experimentos do radicalismo utópico e da engenharia social.


O general Ion Mihai Pacepa, é o oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista. Obteve asilo político nos Estados Unidos. O seu novo livro, Disinformation, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado pelo WND Books em junho de 2013.

Kennedy e a deposição de Jango

  • O osso duro de roer não está no que os Estados Unidos fizeram em 1964, mas no que fizeram entre 1968 e 1976


No dia 7 de outubro de 1963, 46 dias antes de ser assassinado, John Kennedy presidiu uma longa reunião na Casa Branca e nela, em poucos segundos, fez a pergunta essencial a Lincoln Gordon, seu embaixador no Brasil: “Você vê a situação indo para onde deveria, acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?” Gordon mostrou-lhe que esse era um cenário já discutido, porém improvável.
Um ano antes o presidente americano pusera no seu baralho a carta de um golpe militar para depor João Goulart. A associação de Kennedy ao golpe está amparada nos fatos, mas ao longo do tempo pareceu mais fácil jogar a responsabilidade em Lyndon Johnson, seu detestado sucessor. Desse truque participou até mesmo Jacqueline, sua adorável viúva.
Tudo ficaria mais fácil se Jango tivesse sido derrubado pelos americanos, mas ele foi deposto pelos brasileiros, numa sublevação militar estimulada e apoiada por civis. A Casa Branca, contudo, sagrou a insurreição reconhecendo o novo governo enquanto Jango ainda estava no Brasil, cuidando de suas fazendas, a caminho do Uruguai.
Passados cinquenta anos, numa época em que o aparelho de segurança americano grampeia comunicações pelo mundo afora e mata gente com seus drones, vale recordar outro momento da ditadura brasileira. Em 1971, o presidente Emílio Médici visitou Washington e foi festejado pelo presidente Richard Nixon com a frase “para onde for o Brasil, também irá o resto do continente latino-americano”. Discutiram a derrubada do presidente chileno Salvador Allende (ela ocorreria dois anos depois) e o general brasileiro ofereceu-se para ajudar no que fosse possível para derrubar Fidel Castro.
Em agosto de 1970, a embaixada americana em Brasília mentia para o Departamento de Estado informando que a tortura estava sendo substituída por métodos “mais humanitários” de interrogatório. Citava dois casos de mulheres presas em São Paulo. Pura patranha. Ambas haviam sido torturadas no DOI, onde o consulado americano mantivera um pesquisador-visitante. Ademais, endossara uma versão falsa da morte de um preso. (O cônsul no Rio, Clarence Boonstra, desmentia essa informação.) Num depoimento ao Senado americano, o chefe do programa de segurança pública do programa de ajuda ao Brasil disse que não sabia o que era o Codi e não lembrava o que fosse uma “Operação Bandeirante”. A fraternidade da diplomacia americana com o DOI rompeu-se com a chegada a São Paulo de um novo cônsul, Frederic Chapin, personagem injustamente esquecido na história do período.
A cumplicidade do governo americano com o regime brasileiro terminou em 1977, quando assumiu o presidente Jimmy Carter. (Um ano depois da demissão do general Ednardo D’Ávila Mello pelo presidente Ernesto Geisel, por causa da morte de um preso no DOI de São Paulo.) Empunhando a bandeira dos direitos humanos, Carter afastou-se das ditaduras latino-americanas. Com essa reviravolta, os Estados Unidos fizeram melhor que os franceses, que mandaram ao Brasil como adido militar o general que se intitularia “maestro” da tortura na Argélia, ou que os ingleses, que forneceram a tecnologia de celas especiais para o DOI do Rio. Nelas, som e silêncio, calor e frio, alternavam-se para desestruturar os presos.
Elio Gaspari é jornalista

Fonte: O Globo

Comissão da Verdade de SP denunciará que Juscelino Kubitschek foi assassinado

 

A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, nominada "Comissão Vladimir Herzog" e liderada pela Câmara Municipal, anunciou nesta segunda-feira que amanhã apresentará um relatório inédito no qual denunciará que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado em um atentado durante a ditadura militar.
"Não temos dúvidas que Juscelino Kubitschek foi vítima de conspiração, complô e atentado político", afirmou hoje em comunicado o vereador Gilberto Natalini, presidente da comissão.
Dita comissão foi a responsável por investigar a morte do ex-presidente, que governou o país entre 1955 e 1960, e morreu no dia 22 de agosto de 1976 em um acidente na Via Dutra, quando viajava com seu motorista de São Paulo ao Rio de Janeiro.
No Brasil, vários comitês para revisar episódios da ditadura foram abertos em estados e municípios, depois que a presidente Dilma Rousseff instalou em 2012 a Comissão da Verdade, que deve entregar no próximo ano um relatório final sobre os crimes do regime militar.
A inédita denúncia sobre o caso de Kubitschek será informada amanhã em cerimônia na qual, segundo disse à agência Efe um porta-voz da comissão, será apresentado um documento de 29 páginas com as provas e testemunhos recolhidos pelos vereadores ao longo de 2013.
No mês passado, o governo brasileiro ordenou perícias nos restos do ex-presidente João Goulart, derrubado no dia 31 de março de 1964 por um golpe militar, para determinar se foi envenenado pela Operação Condor, a coordenação das ditaduras sul-americanas na década de 1970.
Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976 durante seu exílio na província argentina de Corrientes, próxima à fronteira com o Brasil e em novembro recebeu honras de Estado por parte de Dilma.
ATENÇÃO: Ao entrar no Blog deixe seu voto nas ENQUETES:  A primeira é de avaliação da gestão do Prefeito Benoni Leys e a segunda é de qual o vereador mais atuante de 2013. A Terceira é se você concorda ou não com rompimento do Vice-Prefeito com a atual Gestão. As ENQUETES estão do lado esquerdo de seu monitor Veja e vote. 
Agradecimentos: Blog Se Liga na Informação
Fonte: Terra

 

Neto de Jules Rimet e saia justa diplomática: toda a história do sorteio

Orçado em R$ 20 milhões, evento começou em um pequeno escritório da entidade, no Uruguai. Em 1938, familiar do presidente da Fifa sorteou as bolinhas

Quem acompanha a tecnologia apresentada nos sorteios da Copa não imagina que o evento começou em um escritório da Fifa, em Montevidéu, no Uruguai, para apenas 13 seleções. Daqui a exatamente uma semana, a Costa do Sauípe, no Norte da Bahia, vai receber a edição da Copa do Mundo de 2014. O encontro de gala será transmitido ao vivo para centenas de milhões de pessoas em todo o mundo e promete grandes atrações. 
Além das comissões técnicas das 32 seleções, nomes como Pelé e Zidane estarão presentes. Os atores Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert serão os apresentadores. Outros artistas confirmados são os músicos brasileiros Margareth Menezes, Olodum e o rapper Emicida.
Sorteio Copa do Mundo de 1938 (Foto: Getty Images)Neto de Jules Rimet, presidente da Fifa, sorteia os times para a Copa do Mundo de 1938 (Foto: Getty Images)


O evento é badalado e custou aos cofres da Fifa cerca de R$ 20 milhões. Mas nem sempre foi assim. Celebridades, artistas e personalidade do futebol são novidades recentes nos sorteios de Mundiais. O primeiro, por exemplo, aconteceu em 1930 em um escritório, em Montevidéu, a três dias do início da Copa. Não houve eliminatórias e apenas seleções convidadas participaram. Como algumas foram à América do Sul em navios, em viagens que duravam até três semanas, a organização decidiu esperar todas as delegações para realizar o sorteio. A ideia original era realizar um torneio mata-mata desde o início. No entanto, apenas 13 equipes desembarcaram no Uruguai, e a Fifa optou por formar grupos na primeira fase. 

Com o sucesso da Copa do Mundo de 1930 no Uruguai, o mundo começou a ver o torneio com outros olhos, e o interesse cresceu assustadoramente. Consequentemente, pela primeira vez houve eliminatórias. Até mesmo a anfitriã Itália e o atual campeão Uruguai tiveram de conseguir vagas para ao Mundial em campo. O sorteio ocorreu no Hotel Ambasciatori, em Roma. Com 16 participantes, a Fifa conseguiu impor o sistema mata-mata, como pretendia quatro anos antes. 
Em 1938, com 15 participantes, uma vez que a Áustria havia sido desconstituída como nação pouco antes da Segunda Guerra Mundial, e a Inglaterra recusou o convite, o sorteio ocorreu no famoso Salon d'Horloge do Ministério das Relações Exteriores em Paris. O neto do presidente do então presidente da Fifa, Jules Rimet, foi o responsável por escolher as bolinhas. 
Após a guerra, a Copa do Mundo só voltou a ser realizada em 1950. O sistema mata-mata desde o início foi deixado de lado, uma vez que algumas seleções viajavam vários dias e, em alguns casos, disputavam apenas um jogo. A Fifa, preocupada com as equipes europeias, voltou a utilizar a fase de grupos. O sorteio aconteceu no Ministério de Relações Exteriores do Rio de Janeiro. 

Em 1954, a curiosidade foi que a Fifa optou por dois cabeças de chave por grupo, o que gerou importantes clássicos do futebol ainda na primeira fase. Com a Copa do Mundo consolidada como grande competição do futebol mundial, o sorteio passou a ganhar ainda mais importância e teve, pela primeira vez status de evento comercial. 

Para o Mundial da Suécia, em 1958, ele aconteceu em um estúdio de televisão de forma inédita. Não houve cabeças de chave, mas as seleções europeias ficaram em potes separados.
O modelo de sorteio em estúdios de televisão ou rádio seguiu até a Copa de 1986. Em 1990, na Itália, o evento já tinha tomado uma proporção muito grande e, pela primeira vez, ocorreu em clima de festa. No badalado Palácio do Esporte de Roma, a organização da Copa reuniu estrelas de todas as área. Nomes como Pelé, o tenor Luciano Pavarotti e a atriz Sophia Loren participaram da definição dos grupos, que foi comandada pelo então secretário-geral da entidade, Joseph Blatter, hoje presidente da Fifa.
Sorteio Copa do Mundo de 1982 (Foto: Getty Images)Sorteio da Copa do Mundo de 1982 teve problemas com tambores eletrônicos(Foto: Getty Images)


Desde então, os sorteios de Copas do Mundo ganharam ares de mega-eventos. Na Copa de 1994, nos Estados Unidos, ele ocorreu em Las Vegas, para uma plateia de aproximadamente 4,5 mil pessoas. 

Em 2006, com direito a show do badalado mágico holandês Hans Klok, o sorteio foi acompanhado por 300 milhões de pessoas, em 150 países, e ainda contou com assistentes de palco do calibre de Pelé, Lothar Matthäus, Roger Milla e Johan Cruyff.

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