Decisão não detalha que suspeitas pesam sobre ex-ministro
BRASÍLIA – O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para o juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava-Jato na primeira instância, o pedido de abertura de inquérito contra o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner. De acordo com o “G1”, a decisão não detalha quais suspeitas pesam sobre Jaques Wagner, apenas afirma que o pedido tinha relação com a Lava-Jato.
“Tendo em vista
que cessou a investidura funcional do ora investigado em cargo que lhe
assegurava prerrogativa de foro perante esta Corte, reconheço não mais
subsistir, no caso, a competência originária do Supremo Tribunal Federal para
prosseguir na apreciação deste procedimento de natureza penal”, escreveu o
ministro.
O pedido de abertura de inquérito foi enviado de forma oculta
pela Procuradoria Geral da República ao STF. Com a resolução assinada há duas
semanas pelo presidente do tribunal, ministro Ricardo Lewandowski, proibindo
esse tipo de grau de sigilo, Celso de Mello tornou o caso público. “Deixou de
existir, no âmbito da Suprema Corte, a categoria dos ‘procedimentos ocultos’,
muito embora ainda prevaleça a possibilidade de impor-se, em casos excepcionais
e em respeito ao interesse público, o regime de sigilo”, explicou o ministro no
despacho.
Jaques Wagner era ministro da Casa Civil e, antes de deixar o
governo Dilma, foi transferido para a chefia de gabinete da Presidência da
República, com status de ministro. O petista perdeu o direito ao foro especial.
O pedido de abertura de inquérito foi feito pelo procurador-geral da República,
Rodrigo Janot. Ele também pediu, depois da exoneração de Jaques Wagner, a
transferência das investigações para a primeira instância.
“Ocorre que Jaques Wagner foi exonerado do cargo que ocupava,
não exercendo, no momento, nenhuma função sujeita à jurisdição penal do STF.
Deve o feito, portanto, ser submetido ao conhecimento da 13ª Vara da Justiça Federal
no Paraná, inclusive para verificar a conexão entre os fatos aqui narrados e
aqueles imbricados no complexo investigativo denominado Operação Lava Jato e
para adotar as providências que entender cabíveis sobre os fatos aqui
expostos”, escreveu Janot.
As suspeitas sobre Jaques Wagner surgiram a partir da delação
premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Segundo o depoimento,
campanha do petista para o governo da Bahia em 2006 recebeu recursos desviados
da Petrobras. Mensagens de texto do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro revelam
que o ex-ministro da Casa Civil tratou de doações para a campanha do PT em
Salvador em 2012.
Em nota, Jaques Wagner revelou "surpresa" e
"estranheza" com a decisão de Celso de Mello e reiterou que está à
disposição da Justiça para prestar esclarecimentos:
"As doações e despesas das minhas campanhas foram
declaradas e devidamente auditadas pela Justiça Eleitoral. Assim, as supostas
declarações do Sr. Nestor Cerveró são mentirosas e não possuem o menor
fundamento na realidade."
Fonte: O Globo

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