Reunião no Dia do Senhor - Se Liga na Informação





Reunião no Dia do Senhor

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Queridos irmãos, dando sequência aos elementos constitutivos do culto público, hoje veremos sobre a reunião no Dia do Senhor, mas para tanto, levaremos algumas semanas para concluir esse ponto, haja vista ele ter várias nuances e se faz necessário que compreendamos todas elas. 

Em primeiro lugar, precisamos compreender que tudo que Deus faz é bom e isso inclui dizer que ele é o nosso estandarte e porto seguro no dia da adversidade - "O SENHOR é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele" (Naum 1.7). Em segundo lugar, é importante observar que esse mesmo Deus bondoso para conosco, um dia se comunicou com o homem e lhe falou acerca de seus preceitos - "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32). Em terceiro lugar, as ordens que o Senhor deu ao seu povo - tanto do Novo como do Antigo Testamento - podem ser classificadas em: leis cerimoniais, civis e morais. Por último, em quarto lugar, observamos que a igreja do Senhor sempre existiu, isto é, quando homem e mulher foram criados, ali iniciou-se a igreja, não por força do homem, mas pelo Senhor que constantemente se comunicava com eles: "E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim" (Gn 3:8). Dito isso, analisemos melhor alguns detalhes acerca desse assunto.

É preciso notar que a igreja do Senhor - novamente, desde sempre ela existiu - recebeu tanto leis de cunho cerimonial, civil e também as de expressão da moralidade de Deus, isto é, certas leis estavam estritamente ligadas às cerimonias judaicas que prefiguravam a vinda de Cristo, enquanto outras eram (e são) de caráter perpétuo, pois não estão ligadas - necessariamente - a algum evento ou cerimônia, mas tão somente ao caráter santo e puro do Senhor. 

Com relação às leis de caráter cerimonial, podemos citar algumas: "Nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será; não comereis da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres" (Dt 14.8). "A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis" (Gn 9.4). "Guardarás os meus estatutos; não permitirás que se ajuntem misturadamente os teus animais de diferentes espécies; no teu campo não semearás sementes diversas, e não vestirás roupa de diversos estofos misturados" (Lv 19.19). 

Algumas leis (e narrativas) de caráter civil também são importantes para nós: "Porque saiu e guerreou contra os filisteus, e quebrou o muro de Gate, o muro de Jabne, e o muro de Asdode; e edificou cidades em Asdode, e entre os filisteus" (2Cr 26.6). "E pôs capitães de guerra sobre o povo, e reuniu-os na praça da porta da cidade, e falou-lhes ao coração" (2 Cr 32.6). "E vieram, e o cercaram em Abel de Bete-Maaca, e levantaram uma barragem contra a cidade, e isto colocado na trincheira; e todo o povo que estava com Joabe batia no muro, para derrubá-lo" (2 Sm 10.15). 

Já em relação às leis de caráter permanente, recorremos aos dez mandamentos: Êxodo 20. 

Diante desses três tipos de leis, compreendemos que o primeiro tipo - as cerimoniais - refletiam também o caráter de Deus (santidade, justiça, verdade...), mas de forma ligada àquele que haveria de vir, ou seja, ainda que as leis cerimoniais viessem do próprio Deus, elas eram sombras daquele que haveria de vir, a saber, o próprio Jesus Cristo (Cl 2.17). As leis civis diziam respeito à nação de Israel, isto é, eram o regimento interno de como o povo deveria seguir e caminhar diante do Senhor (quase que como nossos Códigos - Civil, Penal, Militar...). Já o terceiro tipo de leis - as morais - estavam permeando todas as outras e refletiam também o caráter perpétuo de Deus, mas não estando - necessariamente - ligado a qualquer tempo ou circunstância, e sim que deveriam ser seguidos por toda a humanidade, independentemente do tempo em que se viver. 

Sobre o ponto acima, o Rev. Mauro Meister nos diz que "[por Lei Moral entendemos] 'a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres'. A Lei Cerimonial compreende 'a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial'. A Lei Judicial ou Civil 'representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições'”. [1] 

O Catecismo Maior de Westminster pergunta e responde: Pergunta 97. De que utilidade especial é a lei moral aos regenerados? Embora os que são regenerados e crentes em Cristo sejam libertados da lei moral, como pacto de obras, de modo que nem são justificados, nem condenados por ela; contudo, além da utilidade geral desta lei comum a eles e a todos os homens é ela de utilidade especial para lhes mostrar quanto devem a Cristo por cumpri-la e sofrer a maldição dela, em lugar e para bem deles, e assim provocá-los a uma gratidão maior e a manifestar esta gratidão por maior cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de sua obediência (Rm. 6:14 e 7:4, 6; Gl. 4:4-5; om. 3:20 e .8:1, 34 e 7:24-25; Gl. 3:13-14; Rm. 8:3-4; II Co. 5:21; Cl. 1:12-14; Rm. 7:22 e 12:2; Tt 2:11-14). Pergunta 98. Onde se acha a lei moral resumidamente compreendida? A lei moral acha-se resumidamente compreendida nos dez mandamentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por Ele escritos em duas tábuas de pedra, e estão registrados no capítulo vigésimo do Êxodo. Os quatro primeiros mandamentos contêm os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem (Dt. 10,4; Mt. 22:37-40). 

Dito isso, observamos que a lei moral de Deus tem um caráter perpétuo e deve ser seguida por todos os cristãos, porém, muitos confundem as leis de Deus por crerem que estamos em uma nova dispensação - essa forma de se enxergar a Bíblia é chamada de dispensacionalismo. Essa doutrina ousa afirmar que na Bíblia há uma grande cisão entre o Antigo e o Novo Testamento, embora os testamentos se comuniquem (mas muito pouco, segundo eles), eles negam que a Igreja tenha começado no Éden, negam que a lei é válida para o crente, creem que a graça substituiu a lei e outras coisas mais. Contudo, quando olhamos para as Sagradas Escrituras, percebemos que desde sempre a igreja existiu (o pentecostes foi o cumprimento de uma promessa e não o início da Igreja), que a lei de Deus é boa, pois Cristo não veio para aboli-la, mas para a cumprir - "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir" (Mt 5.17) - e que a graça SEMPRE existiu (pois o que era a misericórdia de Deus no Antigo Testamento, se não sua proteção e misericórdia sobre o povo?).  

Certa vez, Agostinho (354 - 430 d.C) disse: "No Antigo Testamento esconde-se o Novo, e no Novo encontra-se a manifestação do Antigo”. [2] Certo teólogo também já escreveu dizendo: "Desde o princípio, as igrejas da Reforma distinguiam entre a Lei e o Evangelho como as duas partes da Palavra de Deus como meio de graça. Não se entendia esta distinção como à que existe entre o Velho Testamento e o Novo, mas era considerada como uma distinção aplicável a ambos os Testamentos. Há Lei e Evangelho no Velho Testamento, e há Lei e Evangelho no Novo. A Lei compreende tudo quanto, na Escritura, é revelação da vontade de Deus na forma de mandado ou proibição, enquanto que o Evangelho abrange tudo, seja no Velho Testamento seja no Novo, que se relaciona com a obra de reconciliação e que proclama o anelante amor redentor de Deus em Cristo Jesus". [3] 

É necessário que os cristãos entendam que a lei não é algo que devemos deixar de lado e apenas "seguirmos a graça", como desejam os evangélicos atuais. Certamente que a lei não aperfeiçoou coisa alguma (Hb 7.19), contudo, visto que foi cumprida por Cristo, ela não nos amaldiçoa, nem nos justifica, mas serve de parâmetro para expressarmos nosso amor e dedicação a Deus. Resumindo: o caminho da lei moral de Deus não nos salva (pois somos salvos por Cristo), mas é o meio por onde devemos trilhar nossas vidas. 

Com isso em mente, avancemos rumo ao quarto mandamento. 

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx 20:8-11). 

Salvo alguns hereges, nenhum cristão verdadeiro irá negar que todos os outros nove mandamentos continuam válidos ainda hoje, porém, muitos se veem num caminho sem saída quando se deparam com o quarto mandamento. Afinal, ele é válido para nós? Sim? Não? Se sim, de que forma. Se não, por quê? 

"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17). Tiago nos diz que Deus não é como o objeto que é atingido pela luz e lança sombra sobre o chão, mas que é a luz que ilumina a todos, não tendo sombra alguma de variação, pois é eterno e imutável. Esse mesmo conceito também é expressado por Tito: "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tt 1:2). E também por Paulo: "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2 Tm 2.13). Poderíamos ainda citar muitas outras passagens, mas apenas essas já nos mostram que Deus é um ser que não pode se contradizer e por isso devemos ter muito cuidado antes de dizer que certa lei foi abolida e não é mais requerida de nós. 

O quarto mandamento tinha aplicação total ao judeu (e também ao estrangeiro - pois embora não pudesse participar das festas e cerimônias, deveria cessar de trabalhar) do Antigo Testamento, pois semanalmente eles reservavam o sétimo dia para o Senhor. A literatura bíblica é farta em descrever como o povo israelita deveria viver com esse mandamento, porém, antes de entrarmos nesse ponto, é preciso que visualizemos da onde veio esse mandamento, isto é, de onde ele surgiu.  

"E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera" (Gn 2:2-3). 

A narrativa da criação nos mostra que Deus criou o mundo em etapas e em todas elas o Senhor se agradou do que havia feito - "... e viu Deus que era bom" (Gn 1:10). Em nenhum momento o Senhor desagradou-se do que havia criado, mas em tudo se deleitou, "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom" (Gn 1:31). Então, após haver criado tudo o que existe, "descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera" (Gn 2:2-3).  

É relevante salientar que somente no sétimo dia é que a Bíblia não nos relata que "E foi a tarde e a manhã" (Gn 1:5, 8, 13, 19, 23, 31), pois Deus estava a prefigurar que o homem estaria constantemente no descanso do Senhor, isto é, caso não pecasse, o homem viveria diariamente com o Eterno ao seu lado e Ele falaria com o homem como quem fala com um filho. Porém, como bem sabemos, o homem pecou e ficou destituído da glória de Deus (Rm 3.23), daí que hoje, nós cristãos, esperamos com ansiedade o dia em que de fato entraremos no descanso eterno dos santos, dia esse que não terá pecado nem fim. 

Para o judeu, não havia que se questionar a validade do quarto mandamento, pois o Senhor castigava o violador desse dia: "Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação. E o puseram em guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer. Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial. Então toda a congregação o tirou para fora do arraial, e o apedrejaram, e morreu, como o SENHOR ordenara a Moisés" (Nm 15:32-36). Notemos que o simples fato de apanhar lenha não era um pecado em si mesmo (pois nos outros dias isso era lícito), porém o apanhar da lenha no dia de sábado era pecar contra o Senhor - mas por quê era assim? Olhemos qual a finalidade do dia de sábado para o judeu. 

"Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas" (Êx 20.10). Deus declarou ao povo que o dia de sábado deveria ser um dia de descanso para o homem e também para tudo que ele tinha a seu dispor (servos, servas, animais, estrangeiros...). A ordem do Senhor era clara em não permitir que se buscasse alimento no sábado ou se fizesse qualquer atividade que não contribuísse para a busca do Senhor, mas sim que se preparasse todo a comida necessária para o dia seguinte no dia anterior a ele e que se reunissem para louvar ao Senhor: "E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois ômeres para cada um; e todos os príncipes da congregação vieram, e contaram-no a Moisés. E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, guardai para vós até amanhã. E guardaram-no até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal nem nele houve algum bicho. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no campo.Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá" (Êx 16.22-26). "Depois falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solenidades do SENHOR, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades: Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; sábado do SENHOR é em todas as vossas habitações" (Lv 23:1-3). O Senhor não somente havia ordenado que se guardasse para o dia seguinte a comida, mas também que ele preservaria a comida para o dia posterior, de forma que homem algum teria falta de alimento para si e para os seus. Também expõe de forma a mostrar para o povo que o sábado seria um dia de "santas convocações", não devendo homem algum planejar qualquer atividade para aquele dia, exceto as necessárias para o louvor e aprendizado do Senhor. Ainda vemos que não era somente na casa do judeu que as atividades deveriam cessar, mas todo comércio e qualquer outra coisa que não fosse necessária à manutenção essencial do homem (ex: ir ao banheiro, cuidar dos doentes, ajudar os filhos, cuidar da esposa, ajudar o próximo...). Por fim, Deus também prometeu abençoar o seu povo através da observância desse dia: "Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58.13-14). 

"Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx 20. 11). O argumento que o Senhor usa para decretar essa lei (ainda que Ele não precisasse se justificar de coisa alguma) não era baseado em algum contexto do povo de Israel, quer dizer, Deus não disse que se deveria santificar o sábado porque geralmente chovia naquele dia, ou ainda, que nos sábados da semana havia uma grande chance do povo ser contaminado pelo que havia ficado no solo do dia anterior - nada disso. Deus diz ao povo que o motivo de deverem guardar o sábado é porque ele mesmo havia santificado aquele dia e o abençoado para um propósito específico já em tempos pretéritos, ou seja, na criação. 

O papel do judeu não era de ficar questionando o Senhor acerca da Sua lei, como se pudessem apresentar argumentos plausíveis contra o Altíssimo (conforme Jó desejou), mas tão somente obedecê-lo. O homem não deveria se escusar de observar esse dia só porque todos os outros dias eram também do Senhor. O intento do Mestre não foi dizer que nos outros seis dias ele não estava com o seu povo, mas mostrar que enquanto lhes dava seis dias para seus próprios trabalhos (sempre buscando glorificar ao Senhor - 1Co 10.31), requeria um dia em específico para que toda a atividade cessasse e todo o povo se dedicasse somente a um objetivo: buscar ao Senhor. 

É com grande alegria que percebemos que as Escrituras demonstram que nosso Senhor não é como nós, homens inconstantes e que frequentemente são levados a se indagar se estão no caminho correto. Certamente que o Senhor nos tem sido mui benigno a ponto de providenciar meios eficazes para demonstrar a salvação que ocorreu na vida de cada um de seus filhos e isso certamente se dá através da sua palavra e de seus mandamentos. 

Conforme vimos nos dois cultos anteriores, a lei de Deus nunca foi invalidada, quer seja por homens que não a seguiram, quer pelo próprio Deus. Também é importante levar cativo que vimos três distinções da lei (cerimonial, civil e moral), na qual apontamos que os dez mandamentos são a lei moral de Deus resumida e que por serem mandamentos que refletem o caráter perpétuo de Deus não podem ser anulados, pois vieram do Senhor, "descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1:17). Portanto, sabidas essas coisas cerca da lei moral e do Dia do Senhor, partamos para a aplicação desse mandamento tão belo e majestoso que o Senhor legou a nós. 

É importante notarmos que quando falamos do Dia do Senhor, não estamos a dizer que somente nesse dia deve-se ter culto público ou ainda que todo culto em outro dia da semana na verdade não seria culto, mas uma reunião. Nada disso deve nos perpassar a mente quando estamos vendo tal elemento, e sim que o Senhor nos ordenou que observássemos (praticássemos as devidas coisas necessárias) um dia em cada sete para nos dedicarmos à atividades concernentes à salvação e santificação de nossas vidas. O Breve Catecismo de Westminster (que logo começaremos a estudar) nos auxilia nesse ponto:

 Pergunta 60: De que modo se deve santificar o sábado (domingo)? 

Resposta: Deve-se santificar o sábado (= domingo) com um santo repouso por todo aquele dia, mesmo das ocupações e recreações temporais que são permitidas nos outros dias (Lv 23.3; Êx 16.25-29; Jr 17.21,22); empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus (Sl 92.1,2; Lc 4.16; Is 58.13; At 20.7), exceto o tempo suficiente para as obras de pura necessidade e misericórdia” (Mt 12. 12). 

Pergunta 61: Que proíbe o quarto mandamento? 

Resposta: O quarto mandamento proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos (Êx 22.26; Ml 1.13; Am 8.5), e a profanação deste dia por meio de ociosidade, ou fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso (Ez 23.38), ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossas ocupações e recreações temporais” (Is 58.13; Jr 17.24, 27). 

Pergunta 62: “Quais são as razões anexas ao quarto mandamento? 

Resposta: As razões anexas ao quarto mandamento são: a permissão de Deus de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais (Êx 31.15,16); o reclamar ele para si mesmo a propriedade especial do dia sétimo (Lv 23.3), o seu próprio exemplo (Êx 31.17), e a bênção que ele conferiu ao dia de descanso” (Gn 2.3). 

Ao olharmos para o que os grandes mestres puritanos escreveram, logo percebemos que não é possível cumprir na íntegra esse mandamento do Senhor, pois quem consegue ficar sem ter pensamentos desnecessários ou ainda ser tão santo que consiga manter um palavreado inteiramente coerente com a vida cristã, falando somente o que for bom "para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem" (Ef 4.29)? Com certeza o único homem que conseguiu cumprir tal mandamento foi nosso Senhor Jesus Cristo, porém isso não nos dá a liberdade de fugirmos da responsabilidade que temos em observar esse dia, pois ainda que constantemente violemos esse e muitíssimos outros mandamentos (glórias ao Senhor pelas suas misericórdias!), somos obrigados a buscá-los com afinco, não por nossas forças, mas em Cristo - "porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5).

Dito isso, vejamos três "classes" de obras que a Bíblia nos diz que podemos e devemos fazer no dia de domingo (o sábado - shabbath cristão) - sim, alguns dos exemplos dizem respeito a Jesus e ao sábado judeu, mas como já vimos que após a ressurreição do Mestre o dia foi mudado, entendemos que a obrigação continua, embora o dia tenha sido mudado. 

1. Obras que contribuam para a edificação pessoal e mútua, a glorificação de nosso Senhor e um maior crescimento na piedade. 

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx 20:8-11). 

Aqui temos vários parâmetros que nos ajudam a entender o que devemos fazer no dia do Senhor. Moisés registra que o quarto mandamento prescreve não somente trabalhar para o Senhor, mas também que deve haver um cessar das obras comuns, pois no sétimo dia o Senhor descansou. Conforme vimos semana passada, Matthew Henry (citado por J. I. Packer) diz: "Guardar o domingo significa ação, e não inércia. O dia do Senhor não é um dia de ociosidade. 'A ociosidade é um pecado em qualquer dia, e muito mais no dia do Senhor'. Não se guarda o domingo ficando atirado em algum lugar, sem fazer nada. Convém que descansemos das atividades de nossos afazeres diários, ocupando-nos nas atividades próprias à nossa vocação celestial. Se não passarmos o dia ocupados nestas atividades, não o estaremos santificando". 

O quarto mandamento nos ensina que devemos cessar das obras comuns do dia a dia, pois embora elas não sejam malignas em si mesmas, se as continuarmos no dia do Senhor teremos menos tempo para nos dedicarmos a Ele (além da violação) - é isso que expressa Êx 16.22-26: "E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois ômeres para cada um; e todos os príncipes da congregação vieram, e contaram-no a Moisés. E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, guardai para vós até amanhã. E guardaram-no até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal nem nele houve algum bicho. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no campo.Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá". Em momento algum o Senhor diz ao seu povo que era inerentemente mau fazer comida no dia de sábado, e sim os anima para deixar pronto a comida para o dia seguinte, justamente pelo fato de não precisarem ficar muito tempo cozinhando, haja vista o dia ser apropriado para o louvor do Senhor e não um dia para se fazer uma mega banquete onde demandem horas e horas de cozinha e preparo (falaremos sobre isso daqui a pouco). 

"Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58.13-14). 

Além de necessitarmos parar com nossas atividades ordinárias, a Bíblia nos prescreve que ao cessar uma atividade, devemos nos dedicar a outra, isto é, se cessamos de trabalhar como fazemos nos outros seis dias e o ócio é um grande pecado (nota: descansar e aproveitar a vida não são pecados - o pecado do ócio consiste em se desperdiçar grandes quantias de tempo para "não fazer nada", isto é, enquanto já se está descansado e poderia-se dedicar à alguma leitura, conversar com amigos cristãos ou ainda crescer no conhecimento de Deus, tende-se a continuar sem produzir alguma coisa, de modo que contrarie àquilo que Paulo escreveu: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus" - Ef 5:15-16), convém que dediquemos todo tempo possível ao Senhor. Certamente que isso não implica em dizer que deve-se trabalhar freneticamente para o Senhor, a ponto de não se ter tempo sequer para comer ou ainda que chegue-se no segunda-feira totalmente cansado, devido a tanto trabalho (além do requerido) no dia anterior, mas é necessário que foquemos as atividades naquilo que nos traz refrigério e glorifica ao Senhor. 

2. Obras de caridade. 

"E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados. Então disse àquele homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra" (Mt 12:10-13). 

Os fariseus eram os grandes campeões de acusação contra o Senhor, não porque eram melhores que o Senhor (embora assim julgassem), mas porque tinham um entendimento errado acerca da lei e dos profetas que prediziam que o Cristo ali presente era o cumprimento de tudo aquilo que eles estudavam.

Nesses versículos vemos que Jesus demonstrou aos judeus que fazer o bem ao próximo não era contrário à lei do Senhor, pois tal ajuda não visava qualquer honra para si mesmo, mas consistia em ajudar o outro a se recuperar e glorificar ao Senhor por meio da ajuda. Jesus também ensina-os dizendo que eles julgavam um animal ser mais importante que um homem! Ora, Jesus os repreende dizendo que quando uma ovelha deles se desprende do rebanho e cai em algum lugar que não consegue sair sozinha, eles vão até ela e a ajudam a sair daquele problema, contudo condenam aquele que ajuda o próximo no mesmo dia! "Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha?" (v.12).

"E ensinava no sábado, numa das sinagogas. E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se. E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus. E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado. Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o leva a beber? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? E, dizendo ele isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele" (Lc 13:10-17). 

Homens que não conhecem a palavra de Deus ficam indignados quando alguém ofende suas consciências cauterizadas pelo pecado. Aqui, outra vez nosso Senhor repreende os judeus por fazerem de seus animais algo mais importante que um ser criado por Deus. " E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado". O príncipe da sinagoga era um ser estúpido e profundo desconhecedor do poder de Deus, pois não bastasse ordenar ao povo para que viessem ser curados em qualquer outro dia, menos nesse (o sábado), ainda por cima achava-se superior em Rei dos reis que acabara de curar uma mulher enferma pelo maligno - assim também são muitos hoje em dia. Aqueles que se opõem ao dia do Senhor dizem que estamos violando aquilo que nós mesmo instituímos (como se tal mandamento fosse coisa de "reformado" cismático), quando ajudamos o próximo e nos dedicamos à ajuda mútua (seja de que forma for) - temível veredicto tem a palavra do Senhor contra tais. 

3. Obras de necessidade. 

"Naquele tempo passou Jesus pelas searas [nota minha: Jesus não tinha uma seara (campo) em que plantava alguma coisa, daí que saiu com seus discípulos para algum seara próxima, a fim de colherem algum alimento necessário para sua subsistência], em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer. E os fariseus, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado.Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam?Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes?" (Mt 12:1-4). Por que isso era permitido? Porque a lei do Senhor proibia apenas o passar a foice no campo, isto é, colher grandes quantidades e fazer uma colheita no dia de sábado - "Quando entrares na seara do teu próximo, com a tua mão arrancarás as espigas; porém não porás a foice na seara do teu próximo" (Dt 23.25).  

Aqui, ainda outra vez vemos que Jesus não violou o sábado, mas mostrou que certas obras poderiam e deveriam ser feitas nesse dia. Anteriormente vimos que durante o êxodo para a terra prometida os judeus deveriam preparar seus alimentos para o dia posterior e então apenas comê-los no dia seguinte, sem a necessidade de prepará-los, mas aqui o Senhor nos ensina algo mais excelente, isto é, que quando houver a necessidade de se suprir alguma necessidade, que se faça de bom grado e louvando ao Senhor pela provisão. 

Visto isso, avanço à parte final e exponho ainda algumas considerações.

Confissão de Fé de Westminster, Cáp. I, seção VI: Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas (II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14) (grifo meu). 

A Confissão de Fé é bastante clara em dizer que "Todo o conselho de Deus... ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela", porém também é sensata em dizer que nem tudo está perfeitamente discriminado (elencado, listado), a ponto de termos uma resposta exata para cada situação de nosso dia-a-dia. A partir desse ponto é que se faz necessário ter - conforme à própria confissão - sabedoria durante nossa vida (prudência), e isso logicamente diz respeito também ao quarto mandamento. 

Um exemplo nos ajuda nessa questão: "E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro escavado numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto. E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento. E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro escavado numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto. E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento" (Lc 23.53-56; 24.1).  

Assim como José de Arimatéia (Lc 23.50-52) e essas benditas mulheres se preparam de modo a não violar o sábado, nós também devemos arranjar nossas atividades a fim de maximizar o tempo dedicado ao Senhor. José não foi pedir a Pilatos o corpo de Jesus no dia de sábado (até porque era contra a lei judaica), mas o fez no dia anterior. As mulheres desejavam embalsamar o santo Mestre, mas não ficaram horas e horas preparando as especiarias no dia de sábado, mas preparam-as um dia antes e descansaram no dia de sábado e somente no outro dia foram ao sepulcro. 

Essa narrativa tem muito a nos ensinar, pois admoesta-nos sobre a NECESSIDADE (veja, não é questão de querer ou não, ou ainda de ser agradável ou não, ou se é fácil ou não, ou se é requerido dos mais velhos e não dos mais jovens - nada disso!) de organizarmos o nosso tempo de modo que não venhamos a ter de despender o dia do Senhor em atividades que não são requeridas (além disso ser uma violação do mandamento). 

Em seu livro "O Dia do Senhor", o Dr. Joseph Pipa dá uma boa diretriz sobre como podemos saber quais são as atividades lícitas para esse dia - em outras palavras ele diz: procure investigar se o que você irá fazer ou deixar de efetuar contribui para o propósito do dia, ou seja, para saber se esta vivendo de maneira coerente com esse dia, verifique se o que você faz entra em uma das três categorias, isto é, é uma obra que contribui para a edificação pessoal ou mútua? É um afazer que glorifica ao Senhor? É um trabalho que me traz mais conhecimento de Deus? Entra na questão da caridade, quer dizer, estou realmente fazendo isso porque desejo o bem do próximo? É uma atividade necessária para esse dia? 

Não há como precisarmos nem listarmos quantas milhares de miríades de atividades poderiam ou não serem feitas nesse dia, mas a fim de lhes ser mais proveitoso, direi ainda isso: 

Baseado no que vimos, o dia do Senhor não foi feito para fazermos compras no shopping ou ficarmos perambulando por lojas tão somente para comprarmos algo para nosso bem estar (e que na maioria das vezes nem precisamos), contudo, suponhamos que algum de nossos queridos - ou ainda nós mesmos - tenha ficado enfermo e precisamos comprar-lhe um remédio. Já vimos que esse dia não foi feito para fazer compras - "Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia..." (Is 58.13 - grifo meu) -, porém a atividade de ir até a farmácia (ou outra loja) nesse caso não viola o princípio do dia, pois estaríamos ajudando o próximo. 

De forma semelhante, o dia do Senhor não foi feito para ficarmos fazendo longas viagens desnecessárias e ou acamparmos ou ainda outra coisa dessa natureza, porém, ir à praia (ainda que eu tenha certos receios quanto à esse lugar, haja vista a verdadeira pornografia ao vivo ali escancarada - "Não adulterarás", sétimo mandamento [Êx 20.14]) e viajar (inclua uma lista sem fim de atividades aqui...) não são coisas malignas, daí que requer-se prudência ao fazer essas atividades. Quer dizer, se moro longe da praia e o culto ocorre em minha cidade, convém que eu não vá até a praia no dia de domingo, não que o viajar seja errado, mas dedicar-se horas desse dia tão somente para "ver a praia" e aproveitá-la, não é a melhor maneira de se observar o quarto mandamento. Porém, pode ser que alguém more em uma cidade costeira e faça um dia de grande calor. Ora, não é necessário se alongar para dizer que pode-se ir até o mar e tomar um banho para a glória de Deus, mas essa prática deve ser observada com cuidado, pois isso é muito diferente de se dedicar horas e horas para somente ficar na praia e não se instruir na palavra de Deus. 

Com os exemplos acima (sim, um tanto quanto infantis, mas creio que ajude na compreensão) desejo mostrar que sempre dependerá da finalidade da atividade. Claro, devemos também ter o cuidado para não sermos hipócritas e dizer que faltaremos no culto do Senhor porque iremos "dormir para a glória de Deus", haja vista o dia anterior ter sido muito cansativo (se você falta no culto público apenas por estar cansado, é um sinal bastante grande de que você não tem sido um bom mordomo do tempo que Deus lhe deu), ou ainda que organizaremos um mega evento esportivo a fim de "glorificar ao Senhor através dos esportes". Deseja praticar esportes para a glória de Deus? Pratique e se dedique, mas não no domingo, porque não tal prática não encaixa-se numa das três possibilidade acima aventadas. 

Que não sejamos fariseus ou legalistas a ponto de colocarmos nossa vida sob o jugo da escravidão da lei, mas também não permitamos que nossa carnalidade frequentemente presente retire tão grande bênção e desejo de fazer a vontade do Senhor! "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1 Jo 2:6.)  

Concluo com as já sabidas palavras do profeta Isaías: "Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58.13-14 - grifo meu). 

Fonte: http://2timoteo316.blogspot.com.br 

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