Introdução
As Ciências Sociais ensinam que as desigualdades sociais entre os sexos são o resultado de relações históricas de opressão e preconceito. A este entendimento dá-se o nome de “questão de gênero”. Essa concepção não reconhece que as características físicas e biológicas de alguém devam ser usadas como parâmetro comportamental. Nessa perspectiva, refutam a ideia de que o “sexo masculino” deva se comportar como menino e de que o “sexo feminino” deva se comportar como menina. Alegam que o comportamento social esperado de homens e mulheres é estabelecido pela cultura e não pelas questões físicas e biológicas.
Ideologia
Influenciado pelas ideias do inglês John Lock, o filósofo francês Destutt de Tracy desenvolveu o conceito de “ideologia”. A palavra é composta pelos vocábulos gregos “eidos” que indica “ideia” e “logos” com o sentido de “estudo” e “raciocínio”. De modo singular significa “o conhecimento sobre as ideias”.
Karl Marx
Nos escritos do filósofo alemão Karl Marx a ideologia deixa de ser apenas “o conhecimento das ideias” e passa a ser um “instrumento” que serve para assegurar o domínio de uma classe ou grupo social que impõe aos outros os seus ideais de comportamento.
Gramsci
O filósofo e político italiano Antônio Gramsci reinterpretou as teorias de Marx e deu especial atenção às ideias e a cultura como campo estratégico de lutas. Na sua visão o processo de dominação deve ser feito pelo convencimento e pela imposição da ideologia de uma classe ou grupo social sobre os outros.
Para tanto, Gramsci recomenda a reforma intelectual e moral da sociedade por meio de pessoas influentes que possam manipular a opinião pública e assim modificar o senso comum do “certo” e do “errado”.
Homem coletivo
Com o uso intenso da mídia dissemina-se uma “nova cultura” e cria-se o “homem coletivo” que passivamente aceita e assimila a “filosofia nova” e passa a pensar igual a todo mundo.
Patrulhamento ideológico
A partir do “senso comum modificado” pelas novas ideias, quem ousar discordar sofrerá o patrulhamento ideológico. O propósito é desprestigiar quem se manifesta contrário à ideologia. As pessoas que oferecem resistência são estigmatizadas e acusadas com termos pejorativos tais como “fundamentalista”, “homofóbico”, “preconceituoso”, “machista”, “racista” e “reacionário” dentre outros.
Politicamente correto
Por meio do patrulhamento são construídas muralhas invisíveis que amordaçam o cidadão temeroso da censura. Assim a liberdade de expressão é controlada pelas grades do “politicamente correto”. O cidadão passa a falar somente aquilo que não lhe trará censura ou repreensão.
Ideologia e identidade de Gênero
Quanto à sexualidade a ideologia ensina que à orientação do desejo sexual não é determinada pela constituição anatômica do corpo humano. Neste caso, consideram que a atração pelo sexo oposto corresponde a determinados estereótipos e papeis sociais previamente estabelecidos pelo contexto histórico, político e cultural da sociedade.
Desse modo os padrões de cultura vigente devem ser desconstruídos, para isso a identidade de gênero e a orientação sexual devem ser consideradas como algo natural que vai moldar a pessoa ao longo da vida, por exempolo, a criança passa a decidir depois de crescida se quer ser menino ou menina. Daí o interesse descarado e depravado da ideologia em alcançar as crianças por meio das chamadas cartilhas e temáticas homoafetivas.
Consequências da ideologia de gênero
Quando se adota a ideologia de gênero como parâmetro ou medida, os valores e os conceitos tornam-se relativos. A começar pelo postulado básico da “identidade de gênero” toda a relação sexual consentida será considerada moralmente boa e, portanto lícita e aceitável, não sendo passível de crítica ou condenação por parte da sociedade e das autoridades públicas.
Práticas que hoje são moralmente condenadas passarão a ser consideradas igualmente lícitas tanto do ponto de vista moral, legal e jurídico. Depravações como zoofilia (sexo do homem com animais); necrofilia (atividade sexual com cadáver) e até a pedofilia (sexo de adulto com criança) serão toleradas como “identidade de gênero”.
A exposição do Santander
Em nome da arte, neste mês de setembro, a exposição do Banco Santander reuniu em Porto Alegre-RS, 270 trabalhos de 85 artistas que abordavam a temática LGBT, questões de gênero e diversidade cultural.
Grande parte destes trabalhos afrontavam símbolos religiosos cristãos e faziam apologia à zoofilia, pedofilia, sexo grupal e defesa do homossexualismo. Tudo isto financiado com isenção fiscal, cerca de 800 mil reais, captados por meio da Lei Rouanet – de incentivo à Cultura.
Após inúmeros protestos nas redes sociais a exposição foi cancelada. Ato contínuo, os defensores da ideologia deram início ao “patrulhamento ideológico” ao estilo proposto por Gramsci desqualificando seus opositores com variados termos pejorativos.
Considerações Finais
Em contraste a esta ideologia, as Escrituras asseveram que o Criador, ao formar o homem e a mulher, declarou solenemente: “deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24). Portanto, biblicamente a orientação e o desejo sexual estão direta e intrinsicamente relacionados às características físicas (sexo masculino e feminino) do ser humano e não com o construto cultural da sociedade.
Douglas Roberto de Almeida Baptista
PENSE NISSO!
Perfil
Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.
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