Um conflito anunciado: o povo contra a intelligentsia progressista e esta atirando contra evangélicos - Se Liga na Informação





Um conflito anunciado: o povo contra a intelligentsia progressista e esta atirando contra evangélicos

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Já há algum tempo que o abismo entre os valores da maioria esmagadora da população brasileira, de um lado, e os valores da maioria da intelectualidade e da classe artística brasileira, de outro, é enorme. Todas as pesquisas Ibope e Datafolha feitas nos últimos anos já mostravam que enquanto a maioria esmagadora do povo é contra a liberalização das drogas, contra a descriminalização do aborto, contra o “casamento” homossexual etc, a intelligentsia brasileira é majoritariamente a favor. Entretanto, em nossos dias, esse abismo chegou a uma dimensão muito maior, piramidal, amazônica, absurdamente enorme.

As reações dessa classe aos casos Santander e MAM são extremamente sintomáticas. A maioria dos artistas e da mídia mainstream simplesmente saiu em defesa da exposição de crianças àquela suposta “arte” nas exposições do Santander e do MAM, para escândalo e asco da maioria esmagadora da população brasileira, pois estamos falando de expor crianças a imagens com mensagem pornográfica e que, como se não bastasse, pregam descaradamente a pedofilia e a zoofilia; e de estimular crianças a tocar um homem nu. Isso é mais do que uma falta de sintonia com a população. É total falta de insensibilidade, de valores mínimos. Isso demonstra a que nível moral desceu a nossa classe artística e intelectual.

Para piorar as coisas, em vez de essa classe fazer uma autocrítica, voltar atrás após a reação da população, ela fez exatamente o contrário: durante toda esta semana, a mídia mainstream continuou sua campanha em defesa do indefensável! Jornais e programas televisivos – alguns, inclusive, programas ditos “jornalísticos” – se tornaram, na verdade, mídia panfletária do que há de mais baixo que existe no mundo ideológico.

Vocês devem já ter visto na internet, mas, mesmo assim, segue o relato: em um programa de auditório da Rede Globo na semana passada (programa Encontro), houve um momento dedicado à defesa do indefensável ocorrido no MAM. Logo, diante de tal absurdo, uma senhora de idade do auditório, chamada Dona Regina, pediu a palavra e confrontou a loucura dos representantes da classe artística da emissora, que saíam em defesa do ocorrido no MAM. Ela foi clara e objetiva: não entrou no mérito se nudez pode ou não, em determinado contexto, ser considerada arte; se esse tipo de exposição ou qualquer uma deve ser patrocinada ou não com dinheiro público; nada disso. O problema principal – disse Dona Regina – é um só: crianças não devem ser expostas à nudez adulta e ainda serem estimuladas a tocarem um homem nu. Ponto. “Mas ela estava acompanhada da mãe!”. Pior ainda! – respondeu lucidamente aquela senhora, provocando cara de repulsa e um “Recuso comentar” dos artistas que defendiam o ocorrido no MAM. A repercussão nas redes sociais foi enorme em apoio à Dona Regina. Mesmo assim, a Globo ignorou e ainda tratou de dedicar boa parte do seu programa “jornalístico” de domingo – o Fantástico, que de fantástico não tem nada – para fazer militância pró-ideologia de gênero e em favor do ocorrido nas exposições do Santander e do MAM. Assim, de forma desenvergonhada, só entrevistando quem defendesse o absurdo. E pior: classificando os evangélicos como intolerantes e ainda os associando irresponsavelmente a traficantes que teriam expulsado pais de santo de favela.

Como nossa intelligentsia e classe artística chegaram a esse ponto, a essa baixeza? A resposta é longa. Daria mais de um artigo para explicar devidamente, mas indico duas obras que ajudarão bem nesse sentido: Os Intelectuais e a Sociedade, de Thomas Sowell; e o recém-lançado A Corrupção da Inteligência, de Flávio Gordon. A primeira obra aborda a questão em um contexto mais internacional e, principalmente, norte-americano (Lá fora isso também é um problema); a segunda, em um contexto totalmente brasileiro. Valem a pena ser lidos.

Todo esse contexto acaba influenciando o próprio cenário eleitoral. Vide a capa da última edição da revista Veja, que chama o candidato Jair Bolsonaro de a maior ameaça do Brasil no momento (sic)! Eu não sou fã do Bolsonaro, mas chama-lo de “Ameaça”? Lula voltar é que é uma ameaça! – se bem que acho isso muito pouco provável de acontecer. O homem que esteve à frente de uma organização criminosa que roubou mais de 10 bilhões de reais dos cofres públicos, que quebrou a Petrobrás etc, e que disse – na cara limpa – que se eleito em 2018 vai perseguir a imprensa e seus opositores é uma real ameaça. Não Bolsonaro. Pode se fazer várias críticas ao deputado carioca, mas tratá-lo como uma “Ameaça”? Exagero total.

Parece que a intelligentsia e a classe artística brasileira estão com medo de uma “onda conservadora” nas eleições de 2018, e estão tratando de destruir desde já todos aqueles que, de alguma forma, canalizam esse movimento. O problema é que tais ataques podem ter um efeito reverso. Quanto mais atacam, mais a onda pode crescer. Vide o fenômeno Trump nas eleições do ano passado nos EUA.


Pr. Silas Daniel

Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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