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23/11/2018

O que significa Atos 17:28: "Nele vivemos, e nos movemos, e existimos"?




O versículo de Atos 17:28, "Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos", significa que nada existe fora de Deus, que é absoluto. "Nele vivemos" significa que é ele a fonte de nossa vida; "nele... nos movemos" está dizendo que é ele quem sustenta todo o nosso viver; "nele... existimos" significa que nossa existência é totalmente dependente dele.





Assim é o homem quando está estribado em sua própria inteligência e sabedoria: é incapaz de conhecer a Deus e discernir seus caminhos. É só quando acontece nele o que aconteceu com Paulo que poderá dizer:



"A palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;  Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.  Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.  Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor." (1 Co 1:18-31).



"Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo." (Fp 3:4-8).



"Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis." (Rm 1:18-23).



Agora a coisa vai ficar ainda mais interessante. Você ficará surpreso ao saber que, ao dizer "Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos" Paulo estava citando um poema pagão grego com o título "Cretica", escrito por volta de 600-700 AC por Epimênides em louvor do deus grego Zeus. A citação de Paulo foi tirada desta parte:



"Eles edificaram uma tumba para vós, tumba santa e alta,
Seus cretenses, sempre mentirosos, feras do mal, barrigas ociosas.
Mas tu [Zeus] não estás morto: Tu vives e permaneces para sempre,
Pois em ti vivemos e nos movemos e temos nosso ser."



Surpreso de Paulo ter usado um texto pagão para evangelizar pagãos? Isso é o que significa descer ao nível em que seu interlocutor está para falar com ele daquilo que ele conhece e em um contexto que lhe é familiar. Mas ainda que seja possível pescar aqui e ali essas migalhas de conhecimento na filosofia grega, mesmo assim é impossível conhecer pessoalmente a Deus a não ser por revelação.



Em todas as eras e entre todos os povos Deus nunca deixou de se fazer conhecer, ainda que esse conhecimento tenha sido convertido na adoração de ídolos. "O Deus vivo, que fez o céu, e a terra, o mar, e tudo quanto há neles; o qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos. E contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações." (At 14:15-17).



Por isso você encontra textos semelhantes aos do Livro de Provérbios pulverizados em muitas culturas, não porque a Bíblia tivesse copiado a sabedoria dessas culturas que precederam o próprio Rei Salomão, mas porque esse era um conhecimento ancestral dado à humanidade pelo próprio Deus. Ou de onde você acha que vem os sentimentos de moral e justiça que são compartilhado por todo ser humano e encontrados nos códigos e leis de povos e tribos de todo o mundo?



Em todas as culturas existem resquícios de um conhecimento ancestral que Deus colocou em seus corações. Como diz a passagem: "Tudo que Deus fez é apropriado a seu tempo; também pôs no coração deles a ideia da eternidade, contudo de maneira que o homem não possa descobrir de princípio a fim a obra que Deus fez." (Ec 3:11 - Trad. Brasileira). Se quiser conhecer mais sobre este assunto sugiro ler "Fator Melquisedeque", escrito por Don Richardson.



Vou transcrever aqui um artigo de J. Wilson Smith, que viveu entre 1843 e 1922 na Grã-Bretanha, que também menciona o versículo de Atos 17:28 que gerou sua dúvida.



"Quem é Deus?"
por J. Wilson Smith



Ao viajar outro dia com um amigo a bordo de um dos pequenos barcos a vapor que percorrem os cais do rio Tâmisa, foi nosso privilégio anunciar publicamente o evangelho aos muitos passageiros que lotavam o convés do navio. As circunstâncias ali não permitiram muito mais que a leitura da preciosa palavra de Deus para que escutassem.



Nosso tempo era, evidentemente, muito limitado e as pessoas estavam em constante movimento. Percebi que alguns escutaram, alguns se afastaram para não ouvir o som, alguns zombaram, alguns criticaram. O efeito foi diferente em diferentes casos; mas no final, e logo antes do nosso desembarque em nosso local de desembarque, um homem, que havia escutado apenas para criticar, fez a pergunta: "Quem é Deus?".



Ao olhar para ele, observei que ele estava bem vestido e, pela maneira de sua conversa, ele estava longe de ser ignorante; e, no entanto, essa era a sua pergunta — uma pergunta feita sóbria e solenemente, no centro da cidade mais civilizada do país mais civilizado do mundo! Bem, isso pode assustar! Não foi motivado, no entanto, pela ignorância, mas pela infidelidade — essa fria, desalmada, ousada companheira do ostentado iluminismo do século XIX, aquela geradora de dúvidas, que procura questionar a verdade, mas que nada pode resolver e nunca satisfaz.



A infidelidade era a mãe daquela pergunta blasfema. Ao ouvi-la, meu amigo deu esta bela resposta: "Deus é amor""Não", disse o infiel: "Deus é ódio, pois Deus amaldiçoa". Meu amigo repetiu, "Deus é amor e Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16). Não ouvimos mais nada vindo daquele homem, mas tivemos de deixá-lo nas mãos daquele Deus que ama pessoas como ele, e que deseja que o tal seja salvo.



Pode-se perceber que meu amigo mais replicou do que respondeu. Ele mostrou mais o que do que quem Deus é.



Mas ao perguntar “Quem é Deus?” duas coisas foram admitidas; primeiro, que o próprio homem era ignorante de Deus e, segundo, que ele admitia em suas próprias palavras o estupendo fato de que “Deus é”. Ele não perguntou “Quem era Deus?”, no passado, como se perguntasse sobre alguma personalidade terrena que tivesse saído de cena, da qual ninguém mais tivesse ouvido falar. Mas ele perguntou "Quem é Deus?", no presente.



É verdade que Deus não pode ser visto nem ouvido, mesmo assim “Deus é”. ´É fato que o pecado pode ser abundante e desenfreado, mesmo assim “Deus é”. É verdade que podemos não observar alguma interferência milagrosa, mas mesmo assim “Deus é”. É verdade que os fundamentos do mundo podem estar abalados, mas ainda assim "Deus é". Os homens maus e enganadores podem ir de mal a pior, mas mesmo assim "Deus é""Eu sou o que sou... EU SOU... este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração” (Êxodo 3:14-15). A fé crê nisso e age com base nisso. A infidelidade acha por bem negar e, apesar da Criação e da revelação, ousadamente questionar: "Quem é Deus?".



Vale lembrar que, quando o apóstolo Paulo estava na cidade de Atenas, ele viu um altar com esta inscrição: "Ao Deus desconhecido”. Pode-se compreender que a filosofia ateniense perguntasse “Quem é Deus?”. Mas poderia a Londres cristã ser colocada em pé de igualdade com a Atenas pagã, e uma declaração semelhante desse "Deus desconhecido” ser feita em nossos dias? Para os homens de Atenas, Paulo falou de duas coisas; primeiro, da responsabilidade do homem para com Deus, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17:28), e segundo, da indicação de um dia de juízo: "Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (At 17:31).



Agora todos os homens são responsáveis perante Deus e eles sabem disso. E a responsabilidade termina em juízo — um julgamento que abrangerá todos, exceto para "nós que já corremos para o refúgio" (Hb 6:18) — pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9:27).



Este é o claro e certeiro decreto de um Deus que não é desconhecido — é Sua determinação. Assim diz aquele precioso livro do qual Deus é o Autor. E agora eu faria ao meu leitor esta pergunta: Ao admitir e reconhecer que "Deus é", será que você O conhece? Você conhece a Deus? Esta não é uma expressão vã, não se trata de uma pergunta sem sentido. Conhecer a Deus é a bendita porção de todos os Seus filhos. Não se trata de saber algo sobre Deus na Criação, ou ao longo da história sagrada — trata-se de conhecer a Ele próprio.



Considerando que muitos de seus filhos estão pouco familiarizados com o “mistério da piedade” (1 Tm 3:16) e, ainda que conheçam a Deus, podem encontrar dificuldade em responder às objeções levantadas pela infidelidade,  eles “conhecem a verdade” (1 Tm 4:3). Esse conhecimento tem o efeito de produzir uma paz de espírito, do coração e da mente, mesmo sob as circunstâncias mais esmagadoras, sim, mesmo diante da própria morte. Isso faz com que esses sejam alvo da inveja de seus vizinhos, reconhecidamente mais sábios, porém infiéis. Quem não conhece a Deus não é Seu filho.



O conhecimento do bem e do mal foi adquirido pela desobediência dos nossos primeiros pais, e com esse conhecimento veio o pecado e a morte. Mas agora, no cristianismo, o conhecimento de Deus Pai é uma realidade na alma do crente pelo poder do Espírito Santo. e esta é a vida eterna. “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (Jo 17:3). Por isso o apóstolo Paulo diz: "Eu sei em quem tenho crido" (2 Tm 1:12).



Por isso também foi escrito aos crentes da Galácia “agora que conheceis a Deus” (Gl 4:9). Fica claro, portanto, que Deus não só é revelado através da Palavra na Pessoa do Filho, mas é realmente conhecido nas almas de seus filhos. Eles já foram pecadores, como os outros, mas, despertados pelo Espírito de Deus para um sentimento de sua condição perdida, foram a Ele, pela fé, o mesmo que convida a todos. O crerem nele foram feitos filhos de Deus, e “porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4:6), é o que diz o registro divino.



Assim, para eles, Deus é conhecido, e a doçura dos ternos cuidados do Pai, do amor perfeito e eterno de um Salvador, e a alegria e o conforto do Espírito, proporcionam um prazer que é bem conhecido, fazendo com que a jornada através do vale terrestre de lágrimas, seja de paz e comunhão, até terminar na alegria da casa do Pai nas alturas.



E quando as névoas forem removidas,
E em Tua luz formos envolvidos;
Encontraremos Quem amamos mesmo ausente,
Veremos Quem adoramos quando silente.



J. Wilson Smith viveu entre 1843 e 1922 na Grã-Bretanha. Uma coleção de seus artigos foi publicada no livro "Thou Remainest" em 1919.



por Mario Persona



Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
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