O PREÇO DA COMUNHÃO - Se Liga na Informação



O PREÇO DA COMUNHÃO

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42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
At 2.42

Comunhão significa “Ação ou efeito de comungar”, “de realizar ou desenvolver alguma coisa em conjunto”, “sintonia de sentimentos, de modo de pensar, agir ou sentir”.
Na Bíblia e no Cristianismo, a palavra grega KOINONIA (comunhão), que aparece em At 2.42, por exemplo, expressa a fraternidade entre irmãos, a associação, a comunidade dos santos que professam a mesma fé.
Estar em comunhão com os irmãos TEM UM PREÇO. E antes que você diga que não tem interesse em pagar este preço, três coisas precisam ser esclarecidas:
        I.           NÃO HÁ CRISTIANISMO VERDADEIRO SEM COMUNHÃO
O segundo maior mandamento é amar ao próximo como a nós mesmos.
39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Mt 22.39

Não podemos dizer que amamos ao Senhor se não amamos o próximo.
20 Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
I Jo 4.20

É incoerente dizer que amamos o próximo, mas não convivemos com ele. Uma espécie de “ele lá e eu cá”. Quando amamos uma pessoa não conseguimos ficar longe. O maior indicador que amamos de verdade é a comunhão.

      II.           O SER HUMANO NÃO FOI CRIADO PARA VIVER SEM COMUNHÃO
Assim que o Senhor criou o homem viu que não era bom que ele ficasse só.
18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Gn 2.18

Nós nascemos totalmente dependentes. Um bebê não sobrevive sozinho, ele necessita de cuidados especiais. Mesmo depois de grandes, ainda somos dependentes uns dos outros, cada um com os seus dons e seus talentos.

Não existe corpo de um membro só. A igreja é considerada o corpo de Cristo, e um corpo é composto por vários membros.
14 Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
I Co 12.14

    III.           HÁ BENEFÍCIOS QUE SÓ A COMUNHÃO PODE PROPORCIONAR
9 Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.
10 Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.
11 Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?
12 Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.
Ec 4.9 – 12

Mesmo sabendo de tudo isso, muitas pessoas não querem pagar o preço para estar em comunhão com outros irmãos e cresce cada vez mais o número de desigrejados.
Desigrejados são as pessoas que não participam de uma comunidade organizada.
EXISTEM DOIS TIPOS DE DESIGREJADOS:
1.     O MOVIMENTO DOS DESIGREJADOS
São aqueles que além de congregarem fazem uma “apologia” para que as pessoas não frequentem uma comunidade organizada. Estes são contra aquilo que eles chamam de “sistema religioso”.
Este movimento é anti-bíblico, visto que toda a Bíblia nos mostra a comunhão entre os irmãos e a igreja vivendo numa comunidade organizada, com confissões de fé e disciplina.
A Palavra de Deus é clara quanto a congregar.
25 Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
Hb 10.25

2.     PESSOAS DESVIADAS DA IGREJA
O que leva uma pessoa se desviar da igreja?
- Problemas de relacionamento interpessoal
- Decepção com líderes e irmãos
- Insubmissão a disciplina

O CRISTÃO VERDADEIRO PAGA O PREÇO DA COMUNHÃO:
1.     O PREÇO DA DOUTRINA
Os convertidos da igreja primitiva perseveravam na doutrina dos apóstolos. (At 2.42)
O preço pra viver em comunhão envolve se sujeitar as pessoas que o Senhor levantou.
21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Ef 5.21

O cristão que vive em comunhão sabe acatar as disciplinas, as críticas, as admoestações.
Comunhão é pra quem consegue ser submisso. Pra quem não tem orgulho e não quer ser maior que os outros.
A humildade e a simplicidade são marcas de pessoas que vivem em comunhão. Os arrogantes e orgulhosos não conseguem viver em comunidade, não tem amigos e não são felizes nos relacionamentos.

Viver debaixo da doutrina da igreja é o preço que as pessoas pagam para viver em comunhão.

2.     O PREÇO DE VIVER COM PESSOAS IMPERFEITAS
Tanto a história da igreja contada em Atos, como nas palavras das epístolas podemos ver que a igreja sempre foi composta por pessoas imperfeitas.
No capítulo 4 de Atos vemos que “era um o coração e a alma” dos convertidos (v.32), mas logo no próximo capítulo temos a história de Ananias e Safira. Pessoas que ainda não tinham se convertido de verdade. A mentira ainda fazia parte da vida deste casal.
Na igreja de Corinto, no momento da ceia do Senhor, alguns ficavam embriagados.
A igreja não é um local de pessoas completamente santas. A igreja ainda é e sempre será um grande hospital, se você não gosta ou não tem paciência com doentes, dificilmente você conseguirá viver em comunhão.

3.     O PREÇO DA DECEPÇÃO
A igreja é um local onde a decepção não será uma possibilidade, mas uma realidade. Ela é praticamente inevitável.
Se alguém disser pra você que você não vai se decepcionar com a igreja, essa pessoa faltou com a verdade.
Se alguém te disser que talvez você sofrerá uma decepção, ela estará te dando uma expectativa muito romantizada do que é viver em comunhão.
Convidar alguém pra viver em comunhão numa igreja e quase sinônimo de viver decepções.
Esse é o grande preço a ser pago. Continuar congregando ainda que meu irmão me entristeça, me julgue, me faça mal.
Jesus foi traído e abandonado por seus discípulos, mesmo assim comia com eles.
Os apóstolos foram traídos e humilhados pelas pessoas, e mesmo assim amavam a igreja.
Paulo preso, no final da sua vida, foi abandonado e maltratado por quase todos. (I Tm 4.10, 14, 16)
Esse é o grande desafio.

RECOMPENSAS POR PAGAR O PREÇO:
a)     NA COMUNHÃO APRENDEMOS MAIS
Na multidão de conselheiros há sabedoria. (Pv 11.14)

b)     NA COMUNHÃO SOMOS SUPRIDOS
Numa comunidade que vive em comunhão verdadeira, as pessoas são supridas.
Nenhum necessitado havia entre os irmãos da igreja primitiva. (At 4.34)

c)     NA COMUNHÃO FAÇO AMIGOS MAIS CHEGADOS QUE IRMÃOS
As pessoas de hoje não tem mais amigos. As redes sociais aproximam os mais distantes e afastam os que estão pertos.
Os que tem amigos na igreja, tem pessoas mais chegadas que irmãos. (Pv 18.24)

ILUSTRAÇÃO
Conta a história que num momento de grande crise um grande grupo de porcos-espinhos migrou para uma determinada região em busca de alimento e melhores condições de vida. Viveram um bom tempo com tranquilidade, até que chegou o inverno. Aquela região registrava temperaturas muito abaixo de zero, e eles não sabiam.
Todos os dias, por causa do forte frio, um porco-espinho morria. A tristeza entre eles era muito grande, pois não sabiam o que fazer para resolver aquela situação, já que o inverno acabara de começar e eles não tinham como sair dali e migrar para outro local naquele momento.
Foi então que o porco-espinho mais ancião do grupo convocou uma reunião com toda a comunidade. Ele disse:
– Encontrei uma solução para que mais ninguém do nosso grupo morra!
Todos festejaram e se alegraram com a notícia.
Temos que aproveitar o calor do corpo um do outro, assim ninguém irá morrer de frio. Se cada um de nós ficarmos bem perto um do outro, o nosso calor esquentará o nosso irmão e o calor do nosso irmão esquentará a nós, explicou o porco-espinho ancião.
Logo a noite caiu e eles foram se organizando, e se achegando um perto do outro. Realmente o calor um do outro fazia muita diferença. Naquela noite nenhum porco-espinho morreu por causa do frio terrível que fazia.
No entanto, no outro dia, nenhum porco-espinho queria mais ficar próximo de outro, pois quando estavam próximos eles se aquentavam, é verdade, porém, os espinhos que tinham acabavam causando alguns ferimentos um no outro. Todos saíram com algumas feridas naquela noite.
Mais uma noite caiu e o frio veio forte com ela. Porém, com medo de serem feridos, cada porco-espinho preferiu ficar longe do outro. Naquela noite ninguém se aproximou.
O que aconteceu naquela noite foi a morte de dezenas de porcos-espinhos, que preferiram a distância um do outro a suportar os pequenos ferimentos dos espinhos do companheiro, que feriam sim, mas que também os mantinha vivos e protegidos do forte frio.
No outro dia, todos à um fizeram um pacto de sempre ficarem juntos e suportar com perseverança as adversidades e os ferimentos que sofriam e causavam uns nos outros, mas que os mantinham vivos contra as adversidades da vida.
Como crentes precisamos aprender a ser como esse grupo de porcos-espinhos. Precisamos aprender a conviver com os defeitos uns dos outros e com as eventuais feridas causadas e recebidas, pois a união é sempre mais benéfica do que a separação.

Bp. Tarles Elias

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