Ministro da Justiça no segundo governo Lula, o petista Tarso Genro acusa o juiz Sergio Moro de adotar “métodos de exceção” contra investigados da Lava Jato.
Líder da segunda maior corrente interna do PT, Tarso cobra reformas no partido e diz que o atual ciclo de poder do petismo, inaugurado em 2003, está chegando ao fim. Ele protestou contra a condução coercitiva, mas evitou discutir o mérito das suspeitas contra o aliado.
Em entrevista ao jornal Folha, sobre a condução coercetiva, Genro disse que as suspeitas de corrupção no país devem ser investigadas, mas que a abordagem tem sido diferenciada, levando a uma “dimensão fundamentalmente política”.
“O Ministério Público e a Polícia Federal devem investigar toda suspeita de corrupção. Este sentido da Lava Jato é estratégico para o país. É nítido nas investigações e nas declarações do juiz Moro. Primeiro apontam uma pessoa, depois tratam de produzir provas contra ela. Isso é um procedimento de exceção à margem da legalidade constitucional”. O ex- ministro lembrou que “quando se trata do presidente Lula e de protagonistas próximos a ele, o que se faz é primeiro denunciar o indivíduo e depois apurar os fatos e a responsabilidades para denunciá-lo. É uma inversão flagrante.Ninguém está acima da lei, todos os ex-presidentes podem e devem ser investigados, mas na mesma medida”, observou.
Sobre a situação do Partido dos Trabalhadores, Tarso Genro parece ter perdido as esperanças de uma continuidade no governo. “O PT dificilmente vai ter perspectivas de poder nacional no próximo período. Isso não é uma consequência específica das operações. É o fim de um ciclo econômico, social e político do Brasil que foi levado ao esgotamento. O PT não soube reconstruir seu projeto desde o fim do governo Lula. Ficou excessivamente vinculado às limitações de uma frente tradicional com o PMDB, fundamentada em velhas práticas que a sociedade não aceita mais”, acredita.
“O PT vai ter que se refundar, vai ter que se reformar profundamente, se quiser continuar com um ator político importante. Mas a maioria que dirige o partido, e não estou me referindo ao presidente Rui Falcão, até agora não se moveu para fazer essas reformas”, completou.
Perguntado se acredita em uma possível reação da presidente Dilma, o ex-ministro disse não ter ideia das propostas de mudança do governo. “Embora eu seja um apoiador dela, e defenda a continuidade de seu mandato porque ela foi eleita democraticamente, não tenho a mínima ideia da capacidade de reação do governo. Não sei que propostas o governo pode apresentar à sociedade para defender uma saída da crise. Vejo o governo com posições muito contraditórias”, disse.
Fonte: http://www.todabahia.com.br/

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