PMDB deve votar moção por ‘independência’ do governo
Ministros não sairiam, mas parlamentares ficariam livres para votar
BRASÍLIA — Enquanto o vice-presidente Michel Temer prega
pacificação em meio a uma das mais fortes crises políticas da República, o seu
partido, o PMDB, dá novos passos para se afastar da presidente Dilma Rousseff,
mas sem perder os cargos que hoje tem. A base peemedebista nos estados se
mobiliza para aprovar no próximo sábado, durante convenção nacional que
reconduzirá Temer ao comando partidário, uma moção pela independência. Só que
para evitar serem associados aos movimentos contra o governo, o vice e seus
principais aliados — como os ex-deputados Eliseu Padilha (RS) e Moreira Franco
(RJ) — pretendem ficar longe dos holofotes.
— O governo está desintegrando. Não é hora de
se expor — disse uma pessoa próxima a Temer.
Na prática, o rompimento, se aprovado, se dará
da seguinte forma: Dilma manterá os peemedebistas que quiser na Esplanada dos
Ministérios, mas como “cota pessoal”, e senadores e deputados ficam livres de
seguir o governo nas votações no Congresso. Alguns peemedebistas avaliam que
essa posição permitiria inclusive que se exigisse mais cargos e nomeações ao
Palácio do Planalto.
Com o agravamento da crise política, este
formato de ruptura, segundo integrantes da cúpula partidária, já teria a adesão
de cerca de 60% dos delegados com direito a voto, de mais da metade dos
deputados federais e de um terço dos senadores. A base da moção que será
apresentada no sábado é um documento aprovado pelos três estados da Região Sul
(Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), intitulado “Carta de Porto
Alegre”. O texto pede o afastamento “dessa desastrosa condução do país” e que o
PMDB atue de forma independente do governo federal nas suas ações e posições no
Congresso Nacional. O texto reforça crítica feita por Temer em carta à Dilma no
fim do ano passado, em que ele se queixou de ser “um vice decorativo”.
“Temos que
desembarcar do governo e construir a unidade em torno do vice-presidente Michel
Temer e do partido, para socorrer o Brasil e ajudá-lo a sair do precipício onde
se encontra. Isso é incompatível com seguir cegamente um governo que nunca nos
ouviu ou respeitou”, diz um trecho da moção que está recebendo apoio de vários
outros estados. Ontem, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi
irônico ao ser perguntado se ocorreria o desembarque:
— O PT já está desembarcando. O PMDB talvez sim, mas não sei.
Enquanto parte dos dirigentes estaduais e deputados trabalham
abertamente pelo rompimento, há outros setores do PMDB, como parte do Senado,
com viés menos crítico ao governo. Essa posição se estende aos atuais
ministros. O presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), que oscila entre aliado
de primeira hora de Dilma e seu potencial algoz, adotou uma posição mais
independente. Sua relação com Temer está momentaneamente pacificada e, nas
últimas semanas, passou a sustentar uma agenda de votações no Senado com o
apoio da oposição.
Fonte: O Globo

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