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16/11/2018

Quem tem medo da Escola Sem Partido?

Um cartaz em sala de aula não deveria causar tanto espanto


Quando eu era estudante do ensino médio e depois do curso de jornalismo, na década de 90, a explicação marxista de como a sociedade funcionava pareceu-me uma revelação emocionante. Os problemas sobre os quais Karl Marx, o maior filósofo comunista, descreveu representavam a matéria-prima ideal para construir um mundo melhor: mudança social, o conflito de classes e a revolução no seu sentido mais amplo. Além disso, pesava o fato de que metade da população mundial tratava suas palavras como se fossem a Sagrada Escritura.
Mas quanto mais vim a conhecer a sociedade, neste período pós-universidade, e pelo fato de ser da geração que acompanhou o surgimento da Internet – o que significou uma democratização da informação nunca vista antes -, mais julguei ultrapassada e enganosa a teoria marxista. Não apenas o caso clássico da antiga União Soviética, mas a evidência do colapso de muitos outros países, provou inescapavelmente que a “ditadura do proletariado” é exatamente isto: uma ditadura.
Se toda a poderosa maquinaria do marxismo teórico podia dar resultados tão flagrantemente errôneos, era preciso questionar sua validade mais geral como instrumento para compreender ou gerar mudança. Intelectualmente, ficou claro para mim que o marxismo era uma ferramenta obsoleta para a compreensão da realidade do mundo da alta tecnologia, por exemplo. Pois o conflito de classes é apenas uma das tensões básicas da sociedade, e elaborar toda uma teoria de história em torno dele é examinar um fenômeno complexo de um único ângulo.

Há outros modelos, igualmente reveladores, e também não há um único modelo à prova de erros e que a tudo explique. Portanto, esta deveria ser uma conclusão elementar e ser feita por qualquer estudante secundarista ou universitário.
Mas isto só é possível se outros instrumentos forem apresentados pelos professores. E não demonizados, como aconteceu com o liberalismo econômico, especialmente no que se refere ao capitalismo.
Nunca tivemos no currículo escolar brasileiro (e, pasme, nem no ensino superior), ao lado de Marx, teóricos liberais e conservadores. Jamais estudamos o pensamento notável de Ayn Rand, Friedrich von Hayek, Edmund Burke, Milton Friedman ou Ludwig von Mises. E isto, sobretudo, é um crime intelectual diretamente relacionado com a sonegação de informação.
Pois bem, a breve análise que acabei de fazer está diretamente ligada com o propósito da Escola Sem Partido. Trata-se de uma proposta de lei que pede a afixação de um cartaz em todas as salas de aula do ensino fundamental e médio. Simplesmente um cartaz que contenha orientações para conscientizar os alunos quando, por exemplo, o professor não apresentar com a mesma seriedade e profundidade as principais versões, teorias e correntes, como ponderei nos parágrafos acima.
Por isso, pergunto: quem teria medo de um cartaz voltado para informar os estudantes sobre os deveres dos professores, chamando a atenção para a importância da exposição da pluralidade de pensamentos, por exemplo? Os comunistas? Os socialistas? Os admiradores de Marx?

Elisa Robson

Elisa Robson é jornalista, professora universitária, Mestre em Comunicação e Linguagens, autora do livro Motivation To Pray – Brief Messages For Modern Women (ed. Chiado), publicado na Europa e nos EUA e disponível pela Amazon. É casada, mãe de três filhos, membro da Igreja Presbiteriana Nacional, em Brasília.
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Item Reviewed: Quem tem medo da Escola Sem Partido? Rating: 5 Reviewed By: Oedimar Oliveira