ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL - ELEIÇÃO: SOBERANIA OU LIVRE ARBÍTRIO? - Se Liga na Informação



ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL - ELEIÇÃO: SOBERANIA OU LIVRE ARBÍTRIO?

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Texto Básico: Deuteronômio 10.17; 1Pedro 1.2; Gênesis 2.16-17; 2Pedro 3.9

Um enorme transatlântico deixa sua cidade, seu porto, e vai em direção a outro destino. A rota e o destino foram determinados pelas autoridades competentes. Nada pode mudar a rota e o destino daquele navio. Dentro daquele navio há uma multidão de viajantes.
O navio vai para o norte, mas as pessoas que estão dentro dele podem fazer suas escolhas. Podem caminhar em direção contrária ao navio, podem escolher a hora de dormir, podem escolher a comida para se alimentarem, podem escolher ler, podem falar tudo que desejarem, enfim, as atividades delas ali naquele navio não foram determinadas. São livres para se movimentarem para lá e para cá conforme desejarem, de acordo com sua escolha. Mas não podem mudar o curso do navio. O transatlântico está indo à frente.
A ilustração acima serve para observarmos a presença da soberania e do livre arbítrio, sem nenhuma contradição.
Vamos procurar, nesta lição, entender um pouco sobre esse tema desafiador que é a eleição na perspectiva da soberania divina e do livre arbítrio humano.

1 – A SOBERANIA DE DEUS
( Deuteronômio 10.17 )

Soberania de Deus e livre arbítrio não se opõem, não se contradizem.
O grande transatlântico do propósito soberano de Deus mantém seu curso através do oceano da história. Deus age e comanda sem nenhum impedimento o rumo de seu propósito eterno, que Ele estabeleceu em Cristo Jesus antes da fundação do mundo.
Confundimos soberania quando a imaginamos como sendo apenas a manifestação da vontade de Deus.
Quando assim pensamos, cometemos outros erros. Soberania de Deus envolve todo o seu ser. É tudo o que Deus é. Todos os seus atributos juntos, em harmonia. A manifestação de Deus em eleger, com sua soberania, está relacionada ao seu ser: “Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Soberano dos soberanos, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas;” (Dt 10.17).
A soberania dEle envolve a sua vontade e todos os demais atributos, inclusive amor e justiça.
A vontade de Deus envolve seu propósito e o livre arbítrio do homem.
Deus predestinou o meio da Salvação, que é em Jesus Cristo, e isso não muda! Mas a vontade de Deus está em harmonia com sua retidão, justiça e amor. Desta forma, eis a sua vontade: “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1Tm 2.4). Por isso, o texto áureo da Bíblia diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16).

2 – A LIBERDADE DE ESCOLHA
( Gênesis 2.16-17 )

O que é livre arbítrio? Em resumo, livre arbítrio seria a capacidade dada por Deus ao homem de fazer escolhas e agir em função delas.
O homem tem livre arbítrio pleno, absoluto ou relativo? É claro que o livre arbítrio do homem é relativo, pois deve estar em consonância com sua natureza. Não pode ferir a sua natureza humana com seu potencial e suas limitações. Por exemplo:
Eu estou diante de um rio e preciso atravessá-lo. Eu decido se vou atravessar andando pela ponte ou se vou atravessá-lo a nado, se tenho essa aptidão. Mas jamais poderei escolher atravessar o rio voando.
Não posso fazer essa terceira escolha, porque voar contraria a minha natureza. A minha natureza não permite voar, portanto, não tenho o livre arbítrio de escolher voar.
A finitude humana evidencia que a sua liberdade é finita, assim como sua capacidade de escolher. O homem faz suas escolhas com liberdade naquilo que é possível, dentro do limite de sua natureza, mas quase sempre o homem não pode escolher as consequências de sua escolha, porque geralmente elas já estão agregadas àquilo que se escolhe. O homem, portanto, como um ser moral, exerce sua vontade.
Vontade é a capacidade de escolher a ação e o modo de efetivar essa ação. A pessoa é quem determina a ação.
Deus disse que de toda árvore do jardim poderia comer, mas de uma não. O livre arbítrio existente deveria ser moldado, conduzido pela obediência. Pode comer de tudo, mas uma não convém porque
teria várias consequências, como teve. Poder podia. A questão era: deveria?
O homem preferiu exercer a sua escolha para o mal e não para o bem: “Toda árvore do jardim pode comer livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás...” (Gn 2.16b-17a).
O homem tinha plena liberdade de escolher, mas Deus disse que ele seria responsável por sua escolha
e pelo castigo que foi imposto... O próprio homem também reconheceu a sua responsabilidade, tanto que procurou desculpar-se.
Existem vários textos bíblicos que consolidam o ensino das Escrituras sobre o livre arbítrio do homem:
“Se alguém quer vir após mim,” (Lc 9.23). “... quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap 22.17). “... e estes não quiseram vir.” (Mt 22.3). “... escolhei hoje a quem sirvais;... porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.” (Js 24.15). “... Que faremos,

homens irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos,...” (At 2.37-38).

3 – MINHA LIBERDADE NÃO AFETA A SOBERANIA DE DEUS
( 2Pedro 3.9 )

O livre arbítrio do homem é resultado da soberania de Deus, logo, Ele continua soberano mesmo tendo o homem o seu livre arbítrio, porque no exercício de sua soberania Deus criou o livre arbítrio. O Deus soberano estabeleceu leis naturais e morais e quis que o homem fosse assim. A vontade de Deus se realiza naquilo que Ele fez e estabeleceu.
Assim como uma amendoeira não pode dar uvas, Deus exerce sua soberania naquilo que ele mesmo estabeleceu.
Ao criar o homem, Deus lhe deu vontade própria. Deus não se limitou em sua soberania ao criar o homem assim. A glória da criação está exatamente no fato de um Deus soberano ter criado o homem para fazer escolhas na condição de um ser moral. Deus exerce sua soberania sobre os seres morais livres, porque tem estabelecido um governo moral. Todos nós temos um relacionamento com esse governo moral de Deus que exerce sobre o homem, quer o homem escolha Deus ou não.
A vitória final desse Reino de Deus já está predestinado. A cena final da história já foi estabelecida pelo Senhor. Mas essa predestinação, que é a teologia da história, não exerce fatalismo ou determinismo na vida individual do homem, capaz de fazer suas escolhas, sabendo que a soberania do governo moral de Deus é implacável, certa e vitoriosa: “... aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará...” (Fp 1.6). “... para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor...” (Ef 1.4-5).
Portanto, está predestinado que aqueles que escolheram a Cristo, tornar-se-ão semelhantes a Jesus.

4 – O QUE É ENTÃO ELEIÇÃO?
( 1Pedro 1.2 )

Já descrevemos aqui nesta lição o que é soberania e o que é livre arbítrio.
Duas situações que sempre andam juntas, sabendo que a soberania sobrepõe o livre arbítrio, pelo fato deste ter sido dado por aquela.
Jesus Cristo é a base de nossa fé e compreensão da revelação de Deus e de seu propósito. Jesus é tudo em todos, conforme diz Paulo:
“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36). A eleição, portanto, precisa ser entendida à luz da pessoa de Jesus. A eleição é em Cristo, foi feita através de Cristo: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1Pe 1.2).
Deus exerceu sua soberania em Cristo e com base em sua presciência elegeu. Ser soberano não significa ser arbitrário. O livre arbítrio foi dado para o homem fazer escolhas morais. Se Deus fosse a causa de todas as ações humanas, então os seres humanos não seriam moralmente responsáveis. Livre arbítrio não é contrário à graça, pois esta é um dom gracioso, não é imposta! A doutrina da eleição ou da predestinação é perigosa, quando tomamos o rumo da eleição ou da predestinação seletiva, afirmando que Deus predestinou uns para salvação e outros não. Usando uma boa hermenêutica chegamos à conclusão de que isso não é o que a bíblia diz. Seria anular o livre arbítrio do homem.

PARA PENSAR E AGIR

Ainda que a eleição faça parte da soberania de Deus, ela está em perfeita harmonia, sintonia e consonância com o livre arbítrio do homem. São como os paralelos de trilhos da linha de um trem: independentes e ao mesmo tempo coparticipantes, para que o trem chegue ao seu destino. Soberania e
livre arbítrio caminham juntos, ressaltando que só existe o livre arbítrio por causa da soberania.
Reconhecer, respeitar, honrar e se submeter à soberania de Deus é a forma mais digna de exercitar o livre arbítrio de maneira coerente e honesta. Soberania de Deus e livre arbítrio são dois basilares da eleição.


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