CAMPANHAS E CORRENTES - Se Liga na Informação




A coletividade é algo presente na igreja de Cristo, a maioria das coisas que fazemos é no âmbito coletivo. Isso de certo modo é muito bom, o Senhor trabalha na união dos irmãos e deseja que todos nós sejamos “um”. A utilização de campanhas e correntes é um método de fazer com que o coletivo se una no mesmo propósito.
            Eu não vejo problema no método de campanhas, mas no conteúdo e na intenção da campanha. Podemos fazer uma campanha de estudo, por exemplo. Creio que isso seria muito bom. Podemos fazer campanhas de oração, isso estimula e incentiva o cristão a ter momentos de consagração ao Senhor (Embora todos nós devêssemos fazer isso sem que houvesse a necessidade de uma campanha). Mas de modo geral, não há problema em fazer campanhas ou correntes de oração, jejum, consagração, estudo bíblico e etc.
            Onde reside o problema então?
            Temos dois problemas fundamentais: O conteúdo doutrinário da campanha e a intenção/motivação para se fazer a campanha.
            Infelizmente, nestas igrejas que vivem de campanhas, não vemos nenhuma campanha do tipo: Campanha do Arrependimento, venha se arrepender dos seus pecados!
           Geralmente as campanhas são de outro teor. Campanha da vitória, campanha da prosperidade, campanha do “desencapecatamento”, a queda das muralhas, campanha da conquista, campanha da cura, da unção, do milagre (as vezes do milagre urgente), etc. Creio que o caro leitor já se deparou com algo parecido e sabe que o que estou relatando a mais pura verdade.
            Vemos que as campanhas não estão voltadas a consagração do crente, muito menos de ajudar o cristão a se transformar na pessoa que o Senhor deseja que ele seja. A verdade é que as campanhas são feitas para suprir as necessidades pessoais e individuais dos participantes. O principal foco é solucionar diversos problemas da vida da pessoa, como casamento, finanças, enfermidade, etc.
            O culto acaba mudando de sentido. O culto foi feito para entregarmos adoração a Deus, mas os homens estão fazendo cultos para que Deus entregue bênçãos à eles. Ou seja, não vou no culto entregar minha adoração, vou para buscar minha benção.
O primeiro a prometer bênçãos desde que fosse cultuado foi satanás (Mt 4.8 – 11). Por isso as igrejas que vivem de campanhas estão lotadas, e muitas vezes, as igrejas bíblicas estão mais vazias. Na verdade estas pessoas que freqüentam estas campanhas não estão atrás de Deus, mas da benção de Deus. Não estão preocupadas com a face do Senhor, mas com suas mãos. Devemos buscar o Deus da benção, não somente a benção de Deus.

Problema doutrinário
            Como já falei, um dos maiores problemas são as doutrinas pregadas nestas campanhas. Os textos são tirados de contexto sem nenhum escrúpulo. Qualquer texto que falar sobre portas, já quer dizer portas abertas para prosperidade, qualquer texto que disser sobre chaves, já serão utilizados para falar das chaves da vitória. Temos que entender que muitos textos não são universais, mas individuais e únicos da época em foram vivenciados.
            Os exemplos mais clássicos de distorção bíblica são os textos de Josué (nas muralhas de Jericó e nas terras que ele conquistaria pisando com seu pé). Algumas pessoas tem usado as “sete voltas” para obter tudo o que desejam, como um ritual místico de “aquisição de bens de forma espiritual”. Gente! Lemos isso uma vez na Bíblia e foi de forma específica para Josué numa batalha direcionada pelo Senhor, em nenhum outro texto das Escrituras vemos isso se repetindo. Mostrando que não foi um relato “normativo”, mas apenas “descritivo”, para que pudéssemos olhar o poder do Senhor e ver que ele estava guiando Josué em todo o tempo.
            Deus fez uma promessa para Josué, “todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés” (Js 1.3). Alguns pregadores tem usado este texto para dizer que todo o lugar, que hoje, pisarmos o nosso pé, que o Senhor também nos daria. Irmãos, isso é mentira! Essa promessa foi feita especificamente para Josué e não para nós. É só você analisar o lugar que você já pisou, será que esse lugar será teu? Claro que não. É obvio que o Senhor estava falando com Josué num período de conquista da terra prometida, e portanto, naquele contexto aquela promessa se encaixaria perfeitamente. Percebeu como há muitos textos distorcidos para dar base as campanhas?
            A escravização acontece quando os pregadores começam a dizer que você não pode “quebrar a campanha”, que você não pode “quebrar a corrente”. Tudo isso para manipular e escravizar o inocente. Teologia do medo.
            Outro problema doutrinário são os símbolos proféticos, objetos místicos que fazem um sincretismo com o cristianismo.
No paganismo os símbolos são muito freqüentes: trevo de quatro folhas, pé de coelho, ferradura, número 13, etc. Juntando com uma sociedade mística que sempre aprendeu sobre superstições: Chinelo virado a mãe morre, vassoura atrás da porta para visita ir embora, nota de um dólar na carteira pra atrair dinheiro, a mão coçando significa dinheiro chegando. Camisa da sorte, entrar com o pé direito, simpatias, rituais, etc...
            O Cristianismo sempre sofreu com o sincretismo de outras religiões, e nas igrejas que fazem campanhas, geralmente as neopentecostais e as pentecostais, esse sincretismo é visto por meio de alguns símbolos. No lugar da ferradura, trevos, pé de coelho, incensos... vieram as toalhas, rosas, sal, arca, candelabro, copo d’água em cima do rádio (quem começou com esta prática foi um espírita, Alziro Zarur), e tudo mais que a mente humana pode criar.
            Alguns símbolos de outras religiões foram colocados na igreja, como por exemplo os símbolos do judaísmo. Como o cristianismo se deriva do judaísmo, as igrejas não conseguem enxergar a revelação do Novo Testamento em Jesus e ainda continuam fazendo as mesmas coisas que os judeus faziam.
            Não é difícil você ver hoje em dia pastores vestidos de judeus, usando Kipá, Talit, alguns colocam em suas casas o Mezuzá. Alguns chegam ao ponto de usar o Shofar para “atrair” a presença de Deus sobre a igreja. Queridos! Estes símbolos são de outra religião, são do Judaísmo, não tem ligação com o Cristianismo e com a Igreja. O crente não usa estes símbolos.
            Como se não bastasse os símbolos, as festas também são adotadas, como por exemplo a festa do Yom Kipur, mas conhecido como Dia do perdão. Ora! Quem já conheceu Jesus e o seu perdão na Cruz do Calvário sabe que este dia já aconteceu há quase 2000 anos. Parece que fica mais legal usar os termos do judaísmo do que do cristianismo, alguns pastores nem falam mais “a paz do Senhor”, eles dizem “Shalom”, que quer dizer “Paz” em hebraico.
            O que a igreja fez foi trocar os símbolos pagãos por outros símbolos da Bíblia, que na verdade não eram para serem replicados, como o sal (que Eliseu jogou nas águas), como o lenço de Paulo (não vemos nunca mais alguém fazendo a distribuição de lenços na história da igreja). Um dos símbolos mais usados hoje em dia é a Arca da Aliança. Veja o texto abaixo:

16 Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra.
Jr 3.16

            Creio que este texto já está escrito de forma muito clara que não era para ser feita outra arca, nem ao menos lembrar dela, por quê? Porque Jesus Cristo é a nova “arca da aliança”, Ele é a revelação daquilo que a arca representava.
            Concluindo, vamos parar de usar símbolos, visto que já temos a revelação de Jesus. Os objetos acabam se tornando pontos de contato para se aproximar de Deus, e isso não é mais necessário, pois Jesus já é o Caminho.

Problema da intenção/motivação
            Como já foi dito, o problema não está em fazer uma campanha, mas no resultado que os líderes querem alcançar com as mesmas.

            A maioria das campanhas estão atreladas com entregas financeiras. Nestas igrejas é usado o termo “sacrifício”.
            Vemos nas religiões pagãs que esta prática é muito comum. Por exemplo, para que um líder religioso (conhecido como “Pai de Santo”) possa fazer um trabalho de macumba, é pedido um valor, um sacrifício. Não só pelo líder, mas também pela entidade espiritual, a entidade que vai receber as oferendas também pede o que deseja receber, geralmente pinga, charuto, animais em sacrifícios e até mesmo corpos humanos.
            Parece que algumas igrejas querem usar a mesma prática da macumba nas campanhas, pois o que é oferecido ao cristão é uma espécie de “barganha” com Deus. Exemplo: Você tem que sacrificar ao Senhor alguma coisa pra que ele possa te dar o que você deseja!
             A Graça de Deus é anulada com estas condutas, pois querem pagar aquilo que o Senhor fez gratuitamente. Na verdade, a intenção de muitos é a arrecadação financeira e não que o povo seja abençoado.
Como já foi dito no tópico anterior, sobre símbolos proféticos, geralmente estes símbolos estão atrelados a valores financeiros. A pessoa tem que comprar os objetos e assim o mesmo se torna um produto de comércio dentro dos templos. Pergunte a estas pessoas quanto custa uma arca da aliança, pergunte quanto custa um pingente, um Mezuzá, um tijolinho. Você vai se espantar ao ver que milhares de reais são depositados em símbolos proféticos, que acabam se tornando patuás nas casas de muitos cristãos.
            As campanhas viraram comércio de produtos, se tornaram estratégias para arrecadação financeira. Deus prestará contas com todos estes líderes que fazem do evangelho uma forma de enriquecimento ilícito e usam as ovelhas do Senhor como fonte de lucro!


Autor: TARLES ELIAS
EXTRAÍDO DO LIVRO ESCRAVOS DAS HERESIAS - Tarles Elias

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