HERESIAS | IGREJA: O pano de fundo do Modernismo/Liberalismo Teológico - Se Liga na Informação



HERESIAS | IGREJA: O pano de fundo do Modernismo/Liberalismo Teológico

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Por Maurício Montagnero
O que é ser teólogo moderno/liberal? O que é o tal modernismo/liberalismo teológico? Como podemos identificá-lo? Que consequência tem para a teologia? Quais suas consequências para uma vida pietista e com a espiritualidade da igreja? Confesso que quando ouvia falar sobre teologia moderna/liberal tais perguntas invadiam minha mente e deixava-me estarrecido por não ter respostas para elas.
Só posso adiantar aqui que ela é perigosa para a vida cristã, quanto para igrejas e seminários. Podemos confirma isso através do século passado! Cerca de 90% de seus ensinos são para aniquilar a veracidade da fé cristã. O modernismo/liberalismo teológico “estripa” a genuína fé das pessoas.
Afim de facilitar a leitura usarei a forma que é mais ela é mais conhecida: teologia liberal. Todavia, para entendermos precisamos ver o pano de fundo de sua nascente, o iluminismo.
ILUMINISMO
O Iluminismo foi o legado do modernismo que originou um movimento intelectual feito por pensadores filosóficos que ocorreu no final do século XVII e no século XVIII, onde destacava a soberania da razão humana. Um tempo em que tiraram Deus do centro para colocar o homem com sua razão. Nesta época procurava entender o quê era possível para a razão humana e tudo que não fosse racional era apartado, portanto, todas as suposições metafísicas religiosas eram abomináveis
Este período da história moderna tinha seus maiores pensadores na Alemanha e Holanda. Especialmente era fundamentado no racionalismo e no anti-sobrenaturalismo de Descartes, Spinoza e Leibniz, e, também, no empirismo de Locke, Berkeley e Hume. Não posso esquecer-me de Lessing o qual dizia que é impossível a aceitação das verdades históricas do cristianismo. Boom guardamos o conceito dele, pois vê que os teólogos usaram essa teoria a frente. Quando Kant (maior pensador deste período) escreveu sobre a crítica da razão pura fez com que o racionalismo ganhasse mais espaço e que o sobrenaturalismo (mundo numênico) decaísse. Na obra fala que o saber do cientificismo genuíno é possível, porém, é um saber da realidade do “fenômeno”.  Ou seja, a realidade é como se apresenta a nós e não a realidade em si. O que o homem pode conhecer sempre será manifestado pelo espaço e pelo tempo da mente humana e das categorias providos pelo mesmo entendimento, como a causalidade e substância. A única fé que pode ter é a fé moral e racional. Vamos vê uma declaração dele sobre A religião nos limites da simples razão (1.783):
“A elevação do homem de um estado auto-infligido de inferioridade. Um inferior é alguém incapaz de usar seu conhecimento sem a ajuda de outro […] Ter a coragem de usar seu conhecimento é então o homem do Iluminismo (Douglas, p. 345 v. Racionalismo).” 1
O Iluminismo, logo, sempre enfatizou a razão e independência de suposições metafísicas religiosas. Só podemos chegar à verdade quando obtive-la pelo racional e pela observação empírica. Esse movimento foi dominado pelo anti-sobrenaturalismo. Através disto surgiu o deísmo que pressupõe que Deus criou o mundo, porém, não se interage e nem o sustenta. Com isso, também, nasceu à crítica bíblica e a rejeição da revelação divina, pois o deísmo falava sobre uma religião natural, como pressuposto o racional. Consequentemente surgiu o agnosticismo, ateísmo e ceticismo:
  • Agnosticismo: Não crê em Deus (ateísmo), todavia, não O nega (teísmo). É impossível resolver a questão da existência de Deus, e com isso evitam o juízo de valores.
  • Ateísmo: Ao contrário do Agnosticismo afirma 100% à inexistência de Deus.
  • Ceticismo: Nega o saber humano completo e genuíno. Não tem possibilidade de conhecimento do mundo exterior. Totalmente críticos a qualquer suposição metafísica.
Com esta enfatização da razão e da religião natural dizendo que não há conhecimento completo de um transcendente a teologia cristã foi influenciada e conseqüentemente alcançada por idealizações filosóficas iluminista. Fazendo assim que nascesse a teologia moderna, mais conhecida como teologia liberal. Ela é a preocupação no presente estudo.
A ORIGEM DA TEOLOGIA MODERNA/LIBERAL
O evento iluminista com que seus pressupostos alcançou a teologia cristã e originou a teologia liberal no final do século XVIII e no século XIX. Os seus legados continuam até hoje. Embora tenha nascido no protestantismo ela é mais influente no meio católico apostólico romano.
Sempre há alguém que origina uma corrente teológica e esta foi pelo alemão Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher (1768-1834). Ele negava a autoridade e os milagres de Jesus, o Cristo, escrito na bíblia. Acreditava que a religião era auto-suficiente quando o sentimento humano se mostrava, por exemplo, a comunhão com Deus era feito no momento que o individuo sentia estar se relacionando com o divino, e assim se tornava salvo, mesmo não crendo no evangelho. A Escrituras não poderia ser tratada como uma narrativa de intervenções divinas ou como uma coletânea de pronunciamentos de Deus, mas era uma obra de experiência religiosa. Logo, não era preciso levá-la a sério nos detalhes mais pequenos. Assim acreditava que as experiências religiosas era o centro da essência da religião que se encontra “no nosso senso da dependência absoluta”, ou seja, na nossa comunhão com Deus é que encontramos a religião pura e não na confiabilidade escriturística:
O elemento comum nas expressões da piedade, por mais diversas que sejam… é este: a consciência de ser totalmente dependente ou de estar em relacionamento com Deus, o que é a mesma coisa”. 2
Com este pensamento ele elaborava novamente todas as doutrinas cristãs. Reinterpretou o pecado ao dizer que não é uma transgressão com, mas, sim, a falta de busca da dependência com o Sagrado e o almejo pela liberdade. A redenção só ocorrerá se esse senso de dependência for restaurado. Negava o Cristo ensinado pela teologia histórica com seus concílios cristológicos, em outras palavras, ele negava a deidade de Cristo. Ensinava que Jesus era um homem que buscou o senso da dependência absoluta com o Divino, ou seja, buscou a comunhão com Deus, e esta comunhão foi tão intensa que poderia dizer que Deus habitava nele:
“O redentor, portanto, é como todos os homens em virtude da identidade da natureza humana, mas distinto de todos eles pela potencialidade constante da sua consciência de Deus, que era uma verdadeira existência de Deus dentro dele” 3
Tendo essa idéia de Cristo ele diz que Sua obra redentora é a inspiração que dá através de sua vida, dos homens se relacionarem e procurarem a comunhão com Deus. Já que ele não acredita em Cristo como Deus, logo, não aceita a trindade como verdade. Declara que a doutrina trinitariana é a amarração da doutrina cristã. Portanto, dispensa esta doutrina e adota consigo o utilitarismo. Como definiria então as três pessoas da trindade que não acredita? Deus para é existente, pois o homem busca o senso de dependência absoluta com Ele. Jesus é um homem histórico que nos deu o exemplo de relacionarmos com Deus. O Espírito Santo é simplesmente como descrevemos a experiência religiosa, ou seja, a experiência com o Deus da igreja. Vemos a mesma ideia de Deus nos escritos de Paul Tillich, mas, esse muda a nomenclatura para “o Fundamento do ser” e, também, nos escritos de Robinson que chama de “preocupação última”. Devemos criar a consciência de que Friedrich Schleiermacher distanciou da teologia bíblica e da teologia natural e analisou a experiência religiosa como senso da dependência absoluta com o Sagrado. Para quem gostaria de aprender mais é só ler o livro dele: “The Cristian Faith”.
Com a abordagem de Friedrich Schleiermacher vários pensadores foram influenciados. Muitas coletâneas começaram a ser produzidas falando sobre a “vida de Jesus”. Jesus começou a ser reinterpretado com bases racionalistas e fictícias, partindo do pressuposto de que os milagres e o sobrenaturalismo na bíblia não devem ter créditos. Posteriormente não só Jesus, mas toda a bíblia começou a ser reinterpretada sem os milagres e o sobrenatural criando assim o conceito de quê há mitos nela. Aqui não citaremos todos os pensadores desta corrente, mas só alguns nomes: Strauss, Renan, Seeley, Drews, Harnack e Ritschl. O último partia da premissa de Kant, falando que a bíblia é um livro de moral e o cristianismo é uma religião de moralidade e não de sobrenaturalismo. A maioria destes autores falavam que Jesus era um pregador de amor e moral. Todos buscavam o Jesus Histórico, com isso levantavam uma nova historicidade de dEle, além daquela que está na bíblia. Alguém que devemos dar uma atenção especial nesse espaço é Albert Schweitzer que montou sua tese de doutorado chamado “A busca pelo Jesus Histórico” a qual se tornou uma obra admirada. Aqui vemos a teoria de Lessing citada acima. A história cristã não é de se confiar e é preciso que seja revista e foi isso que Schweitzer fez. Sem dúvida foi quem mais influenciou o meio liberal depois de Schleiermacher.

Schweitzer diz que o centro da pregação de Jesus era a moralidade. Ele falava sobre a escatologia e ideia do Reino da seguinte forma: Jesus acreditava que o reino viria naquela era e daí ele se tornaria o Messias, mas, Sua dedução falhou. Com isso ficou esperando o acontecimento que resultou Sua morte. Enquanto isto ele apregoava a ética interina. Jesus para era um político religioso e fanático que andava pela vida sem destino. Seus ensinos tinham Jesus, no entanto, o quê ele mais destacava era o “respeito pela vida”.
Lembremos que não só a historicidade de Cristo era questionada, mas, também, a crítica bíblica. Vários pensadores levantaram suspeitas sobre a ela como: Baur, Lachmann, Weisse, Wilke, Holtzmann e Streeter. Só para termos uma ideia, foi através desse tempo, dessa época e com esses pensadores que começou uma ótica minuciosa dos evangelhos onde surgiu a ideia do documento Q (uma suposta coletânea de ditos de Jesus usados por Mateus e Lucas). Posteriormente na Europa continental a crítica bíblica crescera, especialmente no Novo Testamento, criando assim a crítica da forma que tem como maior pensador o famoso Rudolf Bultman (exegeta existencialista com perspectivas liberais), ele se influenciou pela filosofia existencialista de Martin Heidegger e reconstruiu o Jesus histórico e Suas pregações. Falava que o Novo Testamento deve ser interpretado para a essência da existência. Para um conhecimento melhor da existência e de como você pode se desenvolver como ser enquanto tal. Quanto aos milagres e sobrenaturalismo que é mostrado na bíblia ele acompanhava as ideias do demais liberais.
Enfim, estas bases influenciaram os estudos bíblicos e criou um ceticismo acerca dos evangelhos e da Escrituras. Junto com o ceticismo moderno começaram o questionamento da veracidade do cristianismo e da bíblia que só tem confiabilidade em regra de fé, prática, ética e moral. Entretanto, o quê é histórico, cosmológico e sobrenatural, ela é falível.
AS TENDÊNCIAS DA TEOLOGIA MODERNA/LIBERAL PARA A FÉ BÍBLICA
Grande divisão à ortodoxia! Seus ensinamentos gravaram rompimento em quase todas as denominações históricas. Pelo crescimento dela em seminários e igrejas houve uma reação conhecida como fundamentalismo. Eu não vou me aprofundar neles aqui, mas, quero deixar algumas coisas relatadas sobre. Os fundamentalistas daquela época não podem ser confundidos com os mesmos fundamentalistas de hoje. O movimento que se identifica hoje com o velho fundamentalismo chama-se de evangelicalismo.
O liberalismo começou ter grande crescimento no século XX, especialmente nos EUA. Muitos saiam dos EUA para obterem pós-graduações na Europa, especialmente na Alemanha, onde conheceram os grandes ensinamentos liberais e trouxeram para seu país. Houve grandes batalhas entre os liberais e fundamentalistas. Os liberais conseguiram criar uma grande força que ganhou um extremo espaço nos seminários e igrejas. Os fundamentalistas não viram outra decisão a não ser de saírem dessas denominações e montarem novas denominações: Batistas Regulares (que formam a Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares, em 1932), os Batistas Independentes, as Igrejas Bíblicas, as Igrejas Cristãs Evangélicas, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (em 1936, que mudou seu nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa), a Igreja Presbiteriana Bíblica (em 1938), a Associação Batista Conservadora dos Estados Unidos (em 1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes dos Estados Unidos (em 1930) e muitas outras denominações que existem ainda hoje. 4
Voltando o olhar no liberalismo podemos falar que eles negam as verdades de quase todos os fundamentos da fé cristã. Criam sua ideologia de que há “mitos” na bíblia, pois antigos não conseguiam compreender o que acontecia, portanto, os exegetas críticos falavam que os autores bíblicos usaram fontes que são revestidas de “mitos” e lendas criadas por Israel e pela Igreja Primitiva. Assim nasce um método novo de exegese: histórico-critico/gramatical. Dizem que é preciso tirar os dogmas e a teologia sistemática e tentar reconstruir a história e os fatos daquela época para poder chegar às verdades que estavam por trás dos surgimentos da religião de Israel e do cristianismo. Para que isso possa ocorrer a principal ferramenta a ser usada é a razão com outras ferramentas como a crítica bíblica, crítica da forma e a crítica literária. Quero mostrar a definição desta exegese que Uwe Wegner fez:
“Método histórico-crítico/gramatical, analisa os textos considerando sua gênese e evolução históricas. O método é crítico, pois as evidências apresentadas pelos textos permitem juízos alternativos e, por vezes, até antagônicos, sendo necessário avaliar criteriosamente as várias possibilidades de interpretação”. 5
Desfragmentemos para que compreendermos seu significado melhor. Ele é histórico, pois trabalha com fontes históricas e analisa dentro de uma evolução histórica, tentando mostrar os seus progressos de formação e crescimento até mostrar sua forma atual. E, também, porque se interessa pelas histórias que geraram essas fontes nos seus estágios evolutivos. Ele é crítico, pois precisa ter uma série de juízos sobre as fontes de estudo. Porém, o que quero destacar nesse método é duas analises que são conhecidas como alta-crítica e baixa-crítica:
  • A baixa-Crítica: A mesma coisa que a Crítica Textual. Sua analise é em restaurar o texto original tendo como base os manuscritos que foram escritos, que são em volta de 5.000. Com isso usa ferramentas como a Kurt – Aland e a Nestlé – Aland, para o Novo Testamento. Para o Velho Testamento usa-se a Sturt Gartensia. Olha para os aparatos críticos e vê as evidências oferecidas pelas variações. Mostra-se as diferenças nos textos que têm essas evidências nos manuscritos, e isso se vê através de símbolos e sinais.
  • A Alta-Crítica: Essa analise mostra uma avaliação crítica da bíblia. Vai além, investigando sua autoria, historicidade, datação, integridade, sua forma de composição e estrutura, doutrinas ensinadas, procedências e as ideias envolvidas, dentre outras coisas. Geralmente essa crítica tem entrado em conflito com as doutrinas centrais da fé cristã, para dar mais base ao cientificismo, modernismo e o racionalismo. Eles chegam ao ponto de dizerem que Jesus não existiu e foi inventado pela igreja primitiva. Um dos maiores apologista de nosso tempo, Norman Geisler, declara que:
“A alta-crítica pode ser dividida em negativa (destrutiva) e positiva (construtiva). A crítica negativa, como o próprio nome sugere, nega a autenticidade de grande parte dos registros bíblicos. Essa abordagem, em geral, emprega uma pressuposição anti-sobrenatural”. 6
Saliento que este método exegético não é totalmente ruim. Eu faço uso das palavras de Norman Geisler e digo que o método exegético histórico-crítico/gramatical pode ser destrutivo quando é usado por um liberal convicto, todavia, pode ser construtivo quando for usado por um evangelicalista convicto.
Aqui, a fim de partimos ao término do estudo, cito alguns pontos do liberalismo teológico, dentre outros que já escrevi:
  • Eles falam que Deus é puro amor e não tem padrões morais. Pelo seu amor e paternidade todos têm filiação divina e nenhum homem tem a separação por causa do pecado. Logo, adotam a ideia do universalismo unitário que é o conceito que todas as pessoas serão salvas e Deus dará um “jeitinho” até na situação do Diabo. Assim não existe o inferno e o pecado é a falta de relacionamento com o Sagrado, e, também, uma questão cultural. (a cultura em que você vive que define o que é pecado e o que não é).
  • Existe uma centelha divina em cada pessoa7 sendo assim o homem é bom, porém precisa de um incentivo para fazer o que é correto.
  • Jesus não é o Cordeiro Salvador. Quando a bíblia diz que Ele é salvador está afirmando de seu exemplo de vida, de sua proximidade com Deus. Ele não teve concepção e nascimento virginal, não realizou curas e milagres, não teve a morte expiatória e nem ressuscitou dos mortos. Como já falado, eles chegam até negar a existência do Jesus narrado, buscando assim a busca do Jesus Histórico. Conseguem ir mais longe com a afirmação que Ele não passa de um personagem criado pela igreja primitiva.
  • Todas as religiões nos levam a Deus, o cristianismo só é a forma melhor delas.
  • A bíblia não é veraz, confiável, inspirada e infalível, mas somente uma literatura para os judeus e cristãos praticarem, e não uma revelação.
  • As confissões criadas nos concílios não são essenciais para o cristianismo. O que faz o cristianismo são suas experiências religiosas e a sua moralidade.
  • Eles favorecem o relativismo negando a verdade absoluta. Com isso a bíblia deixa de ser verdade absoluta e quem assim declara é um bibliolatra.
Na contra-capa do livro o Cristianismo e o Liberalismo, feito por J.G. Machem, ele escreve:
“O liberalismo representa a fé na humanidade, ao passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O primeiro, não é sobrenatural, o último é absolutamente sobrenatural. Um é a religião da moralidade pessoal e social, o outro, contudo, é a religião, do socorro divino. Enquanto um tropeça sobre a ‘rocha do escândalo’, o outro defende a singularidade de Jesus Cristo. Um é inimigo da doutrina, ao passo que o outro se gloria nas verdades imutáveis que repousam no próprio caráter e autoridade de Deus”. 8
Não tem como negociar o inegociável, como o próprio Danilo Raphael escreveu. Contudo eu dou graças a Deus que Ele levantou homens para defender a veracidade da fé cristã e enfrentarem os liberais denunciando o afronto que fizeram à verdades fundamentais do cristianismo e lançaram “Os Fundamentos”, em doze volumes que defendiam os pontos do cristianismo. E, também, criaram cinco pontos para sua bandeira, a saber:
  • A inspiração, infalibilidade e inerrância da bíblia das Escrituras. Reagindo contra os ataques do liberalismo que considerava que a bíblia estava cheia de erros de todos os tipos.
  • A divindade de Cristo. Também negada pelos liberais que insistiam que Jesus era apenas um homem divinizado.
  • O nascimento virginal de Cristo e os Milagres. Para o liberalismo os milagres nunca existiram, eram construções mitológicas da igreja primitiva.
  • O sacrifício propiciatório de Cristo. Para os liberais Cristo havia morrido somente para dar o exemplo, nunca pelos pecados de ninguém.
  • Sua ressurreição literal e física e seu retorno. Ambas as doutrinas eram negadas pelos liberais que as consideravam como invenção mitológica da mente criativa dos primeiros cristãos. 9
Não somente esses fundamentalistas, mas, também, houve um grande apologista, considerado o maior do século XX, que fez uma apologia maestral contra eles (especialmente contra Bultmann). C.S.Lewis e sua apologia é chamada de A teologia moderna e a crítica bíblica. Encerro com algumas citações:
“A autoridade de especialistas naquela disciplina é a autoridade em deferência à qual somos solicitados a desistir de um imenso acúmulo de crenças compartilhadas em comum pela igreja primitiva, pelos pais da Igreja, pela Idade Média, pela Reforma Protestante, pelos pregadores de século 19. Quero explicar aqui o que me deixa cético quanto a essa autoridade, ignorantemente cético, conforme muitos diriam após um exame superficial da questão. Mas o ceticismo é o pai da ignorância. É difícil alguém perseverar em um estudo detalhado quando tal estudioso não pode confiar prima facie em seus mestres… Em primeiro lugar, o que quer esses homens possam ser como críticos da Bíblia, desconfio deles como críticos. A mim parece que são fracos quanto a um bom juízo literário, mostrando-se incapazes de perceber a própria qualidade dos textos que examinam… Se tal homem chega e diz que alguma coisa, em um dos evangelhos, é lendária ou romântica, então quero saber quantas lendas e romances ele já leu, o quanto está desenvolvido o seu gosto literário para poder detectar lendas e romances, e não quantos anos ele já passou estudando aquele evangelho… Esses homens pedem-me que eu acredite que eles podem ler entre as linhas dos textos antigos; mas todas as evidências levam-me a notar a óbvia incapacidade deles de lerem (em qualquer sentido digno de discussão) as próprias linhas. Eles afirmam poder ver coisinhas minúsculas, mas não podem ver um elefante a dez metros de distância, em plena luz do dia… Os críticos só falam como apenas como homens; homens obviamente influenciados pelo espírito da época em que cresceram, espírito esse talvez insuficientemente crítico quanto às suas próprias conclusões… Os firmes resultados da erudição moderna, na sua tentativa de descobrir por quais motivos algum livro antigo foi escrito, segundo podemos facilmente concluir, só são ‘firmes’ porque as pessoas que sabiam dos fatos já faleceram, e não podem desdizer o que os críticos asseguram com tanto autoconfiança”. 10    
CONCLUSÃO
Dr. Augustus Nicodemos ao ser entrevistado pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas) afirma, mesmo critico a esta corrente, que o liberalismo contribuiu para a teologia de uma forma positiva, pois ajudou para o nosso conhecimento acerca do Antigo e Novo Testamento e para nossa consciência da importância da cosmovisão oriental na formação do mundo dos autores da bíblia, mesmo que eles critiquem os mesmos. Contribuiu para um estudo das religiões do período neotestamentário, como o surgimento do Cristianismo, mesmo que suas conclusões sejam inaceitáveis para estudiosos comprometidos com a veracidade e inerrância da bíblia. Eles ajudaram a teologia indiretamente. Os seus pressupostos de estudos são interessantes, mas sua totalidade é diabólica.
Essa teologia só trouxe propostas para o mundo acadêmico, no entanto, uma verdadeira teologia vai além disso. Uma verdadeira teologia implanta novas igrejas, evangeliza e traz novas almas para Cristo, através da atuação do Espírito Santo. Porém, o liberalismo nunca fez isso, pelo contrário, onde passa é destruição. O liberalismo não funda novos campos missionários, igrejas, seminários e etc. Mas, espera o quê deles? Já que os mesmo não acreditam na salvação do Cordeiro e nem na confiabilidade bíblica.
Devemos orar e estudar a palavra de Deus através da iluminação do Espírito Santo para podermos nos precaver contra essa teologia que tanto tem destruído e acabado com o povo de Deus. Mas, eu não disse que ela contribuiu? Sim, não nego! Entretanto, faço uso das palavras do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses em sua primeira carta, no capitulo 5 versículo 21: Examinai tudo. Retende o bem. No caso do liberalismo é o mínimo que podemos reter. O restante devemos jogar fora, para podermos cumprir o versículo 22: Abstende-vos de toda aparência do mal.
NOTAS
1 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Editora: Vida, 1999. Pg 411.
2 BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã – um esboço desde a Idade Média até o presente. São Paulo: Vida Nova, 2007. Pg 98
3 BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã – um esboço desde a Idade Média até o presente. São Paulo: Vida Nova, 2007. Pg 99.
http://www.icp.com.br/69materia2.asp , por Danilo Raphael.
WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento. Manual de Metodologia. São Leopoldo: Sinodal: São Paulo: Paulus, 1998; Pg 17 e 340.
http://www.icp.com.br/69materia2.asp , por Danilo Raphael.
http://www.icp.com.br/69materia2.asp , por Danilo Raphael.
BIBLIOGRAFIA
BOICE, James Montgomery. O Alicerce da Autoridade bíblica. Editora: Vida, 1989.
BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã – um esboço desde a Idade Média até o presente. São Paulo: Vida Nova, 2007.
EVANS, Stephen C. N. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião Editora: Vida, 2002.
GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Editora: Vida, 1999.
WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento. Manual de Metodologia. São Leopoldo: Sinodal: São Paulo: Paulus, 1998.
Enciclopédia de Filosofia. Sapadix Software.

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