Os Primeiros Cinco Minutos depois da Morte - Se Liga na Informação



Os Primeiros Cinco Minutos depois da Morte

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Então, conhecerei como também sou conhecido.
(1 Coríntios 13-12)

CERTO oficial indiano, que em seus dias havia prestado muitos serviços e tomado parte em mais de uma das batalhas decisivas pelas quais a autoridade britânica foi finalmente estabelecida nas índias Orientais, chegou ao fim de seus dias neste país e estava conversando com seus amigos sobre as experiências mais notáveis de sua carreira profissional. Eles o levaram, pela solidariedade e perguntas, a viajar na memória por uma longa série de anos; e à medida que ele descrevia as escaramuças, as batalhas, os assédios, os encontros pessoais, as fugas por um triz, as deflagrações de motim e sua supressão, as derrotas, as vitórias, todas as alternações rápidas entre a ansiedade e a esperança que o homem, a quem é encarregado com o comando e está diante do inimigo, tem de conhecer — o interesse deles na história, como era natural, ficou mais aguçado e mais preciso. No fim, ele fez uma pausa com a observação: “Espero ver algo muito mais extraordinário do que qualquer coisa que descrevi”. Como ele tinha uns setenta anos de idade e subentendia-se que havia se aposentado do serviço ativo, seus ouvintes não entenderam o que ele quis dizer com isso. Houve uma pausa; então ele disse em meia-voz: “Quero dizer nos primeiros cinco minutos depois da morte“.

Os Primeiros Cinco Minutos depois da Morte | Henry Parry Liddon

“Os primeiros cinco minutos depois da morte!” Sem dúvida, a expressão é digna de ser lembrada, pelo menos como algo de um homem a quem a vida por vir fosse evidentemente uma realidade grande e solene. “Os primeiros cinco minutos”. Se por um momento, quando falássemos da eternidade, empregássemos padrões de medida pertencentes ao tempo, seria no mínimo concebível que, depois do lapso de alguns milhares ou dezenas de milhares de anos, perdêssemos todo o senso de sucessão de eventos; essa existência pareceria ser apenas um presente ininterrupto; um agora sem começo e sem fim. É, afirmo, pelo menos concebível que será assim. Mas podemos supor que no momento de nossa entrada no mundo novo e maravilhoso, já estaremos pensando e sentindo como se sempre estivéssemos lá, ou estivéssemos, pelo menos, por algumas eras?



Não há que duvidar que uma impressão às vezes a ser experimentada com a morte é seguida por um estado de inconsciência.
Se o sono e a morte são verdadeiramente um,
E todo espírito é dobrado cm flor,
Por toda a sua escuridão intervital,
Em um longo transe descansaria,
Inconsciente da hora corrediça.
Despido do corpo, poder afinal,
E todos os rastros do passado
São toda a cor da flor.

Mas esta suposição origina-se menos das exigências da razão que da sensibilidade da imaginação. A imaginação recua da tarefa de antecipar um momento tão pleno de temor e deseja saber como deve ser essa introdução de um espírito consciente no mundo invisível. E por conseguinte, a razão tenta se persuadir, se possível, de que a vida depois da morte não será vida consciente, embora seja difícil admitir uma única razão por que, se a vida, para ser exato, sobrevive a tudo, deva perder a consciência. Com certeza, a vida das almas debaixo do altar celestial, que intercedem perpetuamente a Deus para a aproximação do último julgamento, não é uma vida inconsciente. Certamente, o paraíso que nosso Senhor prometeu ao ladrão moribundo não pode ser racionalmente imaginado como um sono moral e mental, mais do que se supõe que os ministros de Deus, após toda uma vida fazendo a sua vontade e ministrando aos herdeiros da salvação, alcançam uma condição não mais elevada que a que é produzida pelo clorofórmio. Não, esta suposição de um estado inconsciente depois da morte é uma descoberta, não da revelação, não da razão, mas do desejo; de um desejo forte, por um lado, de manter um controle sobre a imortalidade, e, por outro, de escapar dos riscos que a imortalidade possa envolver. Não há que se duvidar que a consciência — se não for preservada no último ato de morrer, se for interrompida pelo sono, por doença física ou por desordem mental — se restabelece assim que o ato da morte se completa, com a remoção da causa que a interrompeu. Sendo este o caso, a alma entrará na outra vida com os hábitos de pensamento que pertencem ao tempo ao qual ainda prendem-se; eles serão desaprendidos pouco a pouco nas fases posteriores da existência. E, seguramente, a primeira sensação de estar em outro mundo tem de ser impressionante. De fato, a imaginação não pode formar estimativa digna desse momento, mas fazemos bem em tentar pensar o melhor que pudermos nesta tarde. Esta é pelo menos uma das abordagens ao grande e terrificante assunto que neste instante deve estar diante de nossos pensamentos, isto é, a Segunda Vinda de Jesus Cristo para julgar. E aqui o apóstolo Paulo vem em nosso auxílio com sua antecipação da vida futura como uma vida de conhecimento enormemente aumentado: “Então, conhecerei como também sou conhecido”. Tentemos manter isso cm mente, com reverência e seriedade, durante alguns minutos; e perguntemo-nos adequadamente quais serão os acréscimos mais surpreendentes ao nosso conhecimento atual na nossa entrada no mundo por vir.

1. Em primeiro lugar, na nossa entrada em outro estado de existência saberemos o que é existir sob condições completamente novas. Aqui estamos ligados inseparavelmente — apenas suspeitamos, talvez, quão intimamente — em pensamento e afeto às pessoas e objetos que nos rodeiam. Eles nos influenciam sutil e poderosamente de mil maneiras; em alguns casos, amoldam inteiramente o curso da vida. Em cada vida, se disse com propriedade, muito mais é dado por certo do que jamais se nota. A mente é direcionada avidamente às poucas pessoas e objetos que o afeto ou o interesse forçam proeminentemente em sua observação; ela contempla inertemente a todo o resto. Como dizemos, ela não os faz entrar até que surja algum incidente que os force, um por um, à percepção. Um menino nunca sabe quão valiosa é sua casa até que vá pela primeira vez à escola; então ele passa a sentir falta dela, e à medida que sente falta ele recorda ansiosamente e percebe tudo o que deixou para trás.

Isto pode nos capacitar, em certo sentido, a entender o que nos está reservado a todos em nossa entrada, através da morte, no mundo que não se vê. Claro que não quero dizer que esta vida é a nossa casa, e que o futuro em tudo corresponde necessariamente à escola como sendo um banimento infinito. Deus nos livre! Se fosse só isso, o contrário exato é que seria 0 caso. Mas o paralelo por enquanto será válido, visto que na morte temos de experimentar um senso de estranheza ao qual nada nesta vida sequer se aproximou. Existiremos, pensando, sentindo e exercendo a memória, a vontade e o entendimento; mas sem corpos. Pense no que isso significa. Estamos no momento presentes no corpo; contudo, não nos conscientizamos, ao perdê-lo, do que o corpo é para nós. As várias atividades da alma são ordenadas e apropriadas pelos vários sentidos do corpo, de forma que a ação da alma de momento em momento é facilitada, podemos bem imaginar, sendo distribuído assim. O que será comprimir tudo o que hoje os sentidos conseguem separadamente em um único ato? Ver, mas sem estes olhos; ouvir, mas sem estes ouvidos; experimentar algo puramente super sensorial que responderá aos sentidos mais brutos do olfato e paladar; e ver, ouvir, cheirar e provar por um único movimento do espírito e combinar todos esses distintos modos de apreensão em um. O que será nos encontrarmos com o velho ego, despido deste corpo que o vestiu desde o primeiro momento de existência? Capaz de alcançar — isso pode ser muito, e pode ser tão pouco —, subsistir, mas sob condições tão inteiramente novas? Esta experiência por si só acrescentará cm muito o nosso conhecimento atual; e o acréscimo terá sido feito nos primeiros cinco minutos depois da morte.

2. A entrada no mundo por vir trará consigo um conhecimento de Deus, o qual é impossível nesta vida. Nesta vida, muitos homens falam de Deus e uns pensam muito e profundamente sobre Ele. Mas aqui os homens não alcançam esse tipo de conhecimento direto de Deus que a Bíblia chama de “visão”. Não vemos a alma humana. A alma se faz sentir na conduta, na conversação, nos traços do semblante; embora estes muitas vezes nos enganem. A alma fala pelos olhos, que menos freqüentemente nos enganam. Quer dizer, sabemos que a alma está ali e descobrimos algo do seu caráter, poder e inclinação. Não a vemos. Da mesma maneira, sentimos Deus presente na natureza, quer no seu temor ou na sua beleza; e na história humana, quer na sua justiça ou no seu mistério sobrenatural; e na vida de um homem bom, ou nas circunstâncias de um ato generoso ou nobre. Mais do que tudo, sentimo-la próxima quando a consciência, seu mensageiro interior, nos fala clara e decisivamente. A consciência, este profeta invisível, apela e implica uma lei, e uma lei implica um legislador. Mas nós não a vemos. Dos filhos dos homens neste estado mortal, a regra válida é que ninguém viu a Deus em qualquer tempo.

Mas depois da morte haverá uma mudança. É dito acerca da humanidade glorificada de nosso Senhor, unido como está para sempre à Pessoa do Filho eterno, que “todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram” (Apocalipse 1.7). Até os perdidos entenderão muito mais do que Deus é para o universo e para eles, embora sejam para sempre excluídos da visão direta de Deus. Ele estará lá diante de nós. Nós o veremos como Ele é. Sua vida ilimitável e vasta se apresentará para a apreensão de nossos espíritos como um todo claramente consistente; não como um problema complexo a ser dolorosamente dominado pelo esforço de nossa compreensão, mas como um ser presente, vivo, abrangente, que se impõe na própria visão das criaturas que o adoram.

3. Repetindo: Na nossa entrada no outro mundo conheceremos nosso antigo ego como nunca antes. O passado se achará desenrolado diante de nós e faremos um exame inclusivo dele. A vida de cada um lhe será exibida como um rio que ele traça desde sua nascente num monte longínquo até que se misture ao oceano distante. O curso desse rio às vezes atravessa florestas escuras que o escondem da visão, às vezes areias ou pântanos nos quais parece se perder. Aqui, força com veemência a passagem por entre pedras escarpadas; ali, desliza com suavidade por prados que o esverdecem e fertilizam. Em um momento, poderia parecer estar voltando em seu curso por puro capricho; em outro, estar se separando, como um esbanjador alegre, com metade de seu volume de águas; enquanto mais adiante recebe fluxos tributários que lhe restabelecem a força; e assim prossegue, até que o fluxo e refluxo das marés em suas margens nos digam que o fim está próximo. Qual não será o retrospecto quando, depois da morte, inspecionarmos pela primeira vez, como numa visão geral, o pleno e longo alcance — as vicissitudes estranhas, a perda e o ganho, como o julgamos, os fracassos e os triunfos de nossa existência terrena; quando o medirmos como nunca antes, em sua perfeição agora que finalmente acabou!



Com efeito, esta característica do exame feito depois da morte será completa.

Lá, nenhuma sombra dura. Naquele pleno amanhecer atrás da tumba. Mas à medida que emergir florescerá claramente A paisagem eterna do passado.

Esse exame da vida que é feito na morte é menos que completo,-não pode incluir a cena final de tudo. Enquanto há vida, há lugar para recuperação, e as horas que restam podem ser muito diferentes das que precederam.

Alguém pode pensar que revisar a vida levará tanto quanto foi vivê-la; mas esta noção trai a própria ideia imperfeita do recurso e capacidade da alma humana. Sob pressão de grande sentimento, a alma vive com uma rapidez e intensidade que perturbam todas as relações habituais com o tempo. Testemunhe os relatos que indivíduos que quase perderam a vida por afogamento fizeram das experiências mentais que tiveram. Certa feita, ajudei no salvamento de um homem que quase perdeu a vida enquanto se banhava na praia. Ele tinha afundado pela última vez, e houve dificuldade em fazer com que chegasse à praia. Quando finalmente foi trazido, houve maior dificuldade ainda em salvá-lo. Felizmente, havia ajuda qualificada. E assim, dentro em pouco meu amigo foi recuperando, não sem muita angústia, primeiro um e depois os outros sentidos e faculdades do corpo. Descrevendo a experiência do que teria sido o lado consciente do ato de morrer por afogamento, ele disse que o tempo lhe parecia de duração muito longa; aparentemente perdera o padrão do valor do tempo. Ele revivera toda a sua vida passada mais uma vez; não apenas um compêndio, ele a repetira, como lhe parecera, em detalhes com a maior deliberação. Ele teve dificuldade em entender que só tinha ficado na água por alguns minutos. Durante esses momentos mais intensos da existência, a vida da alma não tem nenhum tipo de relação ao que chamamos de tempo.

Ao entrarmos no outro mundo saberemos, como nunca antes, o que fomos no passado; mas também saberemos o que somos. A alma. despida do corpo, se verá como nunca antes-, e pode ser que veja deformações e úlceras que o corpo, como um belo manto, tem até aqui amortalhado da visão, e que somente são reveladas nesta vida pelo impacto de uma grande tristeza ou de uma grande queda. Há certa noção disseminada — noção que é bem recebida porque, seja verdadeira ou não, é muito confortável — de que a alma será transformada pela morte quanto a perder as deformações que contraiu ao longo da vida; que a agonia da morte é uma fornalha na qual, sendo a alma mergulhada, irá limpar-lhe todas as manchas; ou que a morte envolve tamanho choque quanto a quebrar a continuidade de nossa condição moral, embora não da própria existência. E assim, ao mudarmos de mundo, mudaremos de caráter, e esse mal moral será enterrado com o corpo no sepulcro, enquanto a alma escapa, purificada pela separação de seu companheiro mais bruto, para as regiões da santidade e paz.

Com certeza, irmãos, esta é uma ilusão que não passará no teste — não precisamos por enquanto falar acerca da verdade cristã, mas acerca da reflexão racional. É contradição a tudo o que sabemos do caráter e mente do homem, em que nada é mais notável que a conexão íntima e duradoura que subsiste entre seus estados e fases sucessivas de desenvolvimento. Cada um de nós aqui presente é agora exatamente o que a vida passada lhe fez. Nossos atuais pensamentos, sentimentos, hábitos mentais, bons e ruins, são os efeitos do que fizemos ou deixamos de fazer, de impressões apreciadas, de paixões favorecidas ou reprimidas, de atividades vigorosamente abraçadas ou de boa vontade abandonadas. E assim como nossa história mental e espiritual nos fez o que somos, neste exato momento estamos nos tornando o que seremos. Não me esqueço da intervenção de uma força superior que chamamos “graça”, pela qual a direção de uma vida pode ser mudada de repente, como no caso do apóstolo Paulo quando se converteu; embora estas grandes mudanças sejam preparadas por um longo processo precedente e não sejam tão súbitas quanto pareçam. Mas estamos falando da regra e não da exceção. A regra é que os homens são em cada fase da existência o que, com ou sem a graça sobrenatural de Deus, eles se tornaram nas fases precedentes; e não há base razoável para pensar que na morte as influências de uma vida inteira deixem de atuar no caráter, e que, quaisquer que tenham sido tais influencias, a alma venha a ser purificada pelo impacto da morte. Por que, pergunto, a morte deveria dar tal resultado? O que há na morte para provocar isso?

A morte é a dissolução da estrutura corporal, dos membros e órgãos pelos quais a alma agora age. Estes órgãos estão, sem dúvida, muito estreitamente relacionados com a alma, que finca suas raízes neles e atua por eles. Porém, ainda que estejam estreitamente relacionados com a alma, eles são distintos dela: o pensamento, a consciência, o afeto e a vontade são bastante independentes dos órgãos que são decompostos pela morte. E é impossível perceber por que a alma deveria vestir um caráter novo simplesmente porque põe de parte, por algum tempo, o Instrumento que empregou durante um período de anos, não mais do que compreender por que deveria a mão do pintor esquecer de sua perícia, apenas porque ele vendeu o cavalete, ou por que deveria o assassino deixar sua natureza de assassino, tão-somente porque ele perdeu o punhal e não dispõe de meios para substituí-lo. Com efeito, na morte, os ouvidos, os olhos e as mãos perecem. Mas quando são destruídos nesta vida por um acidente, o caráter muda? A indulgência do apetite puramente animal pode depender da condição saudável do órgão; mas a condição mental que permite, se não dita, a indulgência permanece inalterada. Os princípios da ação certa ou seus opostos sobrevivem às faculdades, como sobrevivem as oportunidades para se fazer valer no ato. O hábito do roubo não é renunciado apenas porque a mão direita foi cortada; nem o são as disposições sensuais simplesmente porque o corpo é prostrado por uma enfermidade; nem o é a curiosidade má tão-so­mente porque os olhos são cegos e os ouvidos surdos. E quando. pelo ato enfático da morte, todos os instrumentos pelos quais nesta vida a alma se expressou e que compõem o corpo coletivamente são postos à parte, a alma em si e todos os seus pensamentos e afetos característicos permanecerá inalterada, visto que sua vida é independente do invólucro físico como é a vida do corpo das roupas que usamos.

Há um que nos conhece, que nos conhece perfeitamente, e que sempre nos conheceu. Quando morrermos, nos conhecemos pela primeira vez, assim como também somos conhecidos. Não teremos de esperar a sentença do Juiz; leremos num relance, qualquer que seja, nesta nova apreensão do que somos.

Esta vinda pode nos ajudar a pensar, vez ou outra, sobre qual será a nossa condição nos primeiros cinco minutos depois da morte. Como a própria morte, as solenidades que se seguem têm de vir a todos nós. Não sabemos quando, ou onde, ou como entraremos; só sabemos isto: que a morte vem. Esses primeiros cinco minutos, esse primeiro despertar para uma nova existência, com suas possibilidades infinitas, só serão toleráveis se realmente temos, com as mãos da fé e do amor, nos agarrado à esperança posta diante de nós na Pessoa de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Ele, que por nós, homens, e por nossa salvação tomou a forma de carne, foi crucificado, ressurgiu da morte, ascendeu ao céu e intercede por nós incessantemente à mão direita do Pai, os fracos e errantes filhos da Queda. Sem Ele, o conhecimento desse novo mundo, do seu Mestre infinito e tremendo, mais ainda de nós mesmos como realmente somos, será terrificante. Com Ele, podemos confiar que tal conhecimento será mais que suportável; podemos pensar calmamente até naquela tremenda experiência, se Ele, o Deus eterno, for de fato nosso Refúgio e debaixo de cujos braços perpétuos estamos.

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Por Henry Parry Liddon

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