BRASIL: PT tinha “diálogo cabuloso” com o PCC, diz líder da facção em grampo obtido pela PF - Se Liga na Informação



BRASIL: PT tinha “diálogo cabuloso” com o PCC, diz líder da facção em grampo obtido pela PF

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Uma operação da Polícia Federal realizou grampo em telefones de integrantes da facção criminosa PCC e encontrou indícios de que os líderes da organização que atua dentro e fora dos presídios do país mantinham relação de proximidade com a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT).
Os telefonemas, interceptados são de abril deste ano durante a Operação Cravada, que contava com autorização judicial para que os celulares fossem grampeados. O foco da investigação é o braço financeiro do PCC.
De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Federal usou um efetivo de 180 agentes para cumprir 30 mandados de prisão na última quarta-feira, 07 de agosto. 28 pessoas foram presas e 400 contas ligadas ao PCC foram bloqueadas.
Nas conversas interceptadas, a Polícia Federal diz ter encontrado “indicativos de vínculos da ORCRIM PCC com partidos políticos”. O relatório pontua ainda que a ligação da facção com legendas não estava “dentro dos objetivos da investigação”, mas como foi descoberta, “semelhante a questão de corrupção de agentes públicos, temos a necessidade de encerrar a chamada fase sigilosa da investigação” com a divulgação do que se descobriu até o momento.

No trabalho contra o braço financeiro do PCC, a PF descobriu que os criminosos utilizavam táticas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Assim, os pagamentos, chamados de ‘rifas’, eram repassados à organização por meio de diversas contas bancárias e de maneira intercalada.
PT
Um dos principais investigados nessa operação é Alexsandro Roberto Pereira, conhecido como “Elias” ou “Veio”. Pelo que se descobriu até o momento, ele atua como ‘Resumo da Rifa’, uma espécie de tesoureiro e responsável por “posição na hierarquia da organização criminosa e também possui poder de decisão e mando sobre os demais integrantes”.


Foi de “Elias” que partiram as declarações, em ligações telefônicas, revelando a relação de proximidade com o PT. A PF enfatiza que ele tinha a “função de controlar as contas bancárias, utilizadas pela organização para movimentar dinheiro de suas atividades ilícitas, principalmente, o tráfico de drogas”.
Em conversas do dia 22 de abril, “Elias” conversa com Willians Marcondes Ferraz, o “Rolex”, que também atua na mesma posição no organograma da organização, e André Luiz de Oliveira, o “Salim”, e faz críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.
“A gente sabe que esse governo que veio irmão, esse governo aí ô, os cara começou o mandato agora, irmão, agora que eles começaram o mandato, os caras têm quatro ano aí pela frente, irmão”, introduz “Elias” em ligação feita para “Salim”.
“Os caras tão no começo do mandato dos cara, você acha que os cara já começou o mandato mexendo com nois irmão. Já mexendo diretamente com a cúpula, irmão. O… o… quem tá na linha de frente. Então, se os cara começou mexendo com quem estava na linha de frente, os caras já entrou falando o quê?”, avaliam, fazendo referência às providências tomadas pelo governo para isolar os principais líderes das fações criminosas.
De forma mais objetiva, “Elias” direciona críticas a Sérgio Moro. “Com nois já não tem diálogo, não, mano. Se vocês estava tendo diálogo com outros, que tava na frente, com nois já não vai ter diálogo, não. Esse MORO aí, esse cara é um f**** da p***, mano. Esse cara aí é um f**** da p*** mesmo, mano. Ele veio pra atrasar”, revolta-se.
“Ele começou a atrasar quando foi pra cima do PT. Pra você ver, o PT com nois tinha diálogo. O PT tinha diálogo com nois cabuloso, mano, porque… situação que nem dá pra nois ficar conversado a caminhada aqui pelo telefone, mano. Mas o PT, ele tinha uma linha de diálogo com nois cabulosa, mano….”, resume “Elias”.
Relação antiga
O ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff (PT), Antonio Palocci já havia revelado, em delação premiada, que o Partido dos Trabalhadores mantinha uma relação estreita com o PCC, e usava o sistema financeiro da facção para lavar dinheiro oriundo de corrupção, segundo informações do portal Terça Livre.
Numa ligação feita para “Rolex”, “Elias” reclama por saber que as repressão ao PCC continua avançando: “ESSE VERME AI QUE ENTROU AI, mano, ele veio para querer mostrar serviço, mano, pra querer falar que ‘COM ELE É DESSA FORMA’, e que ‘NAS OUTRA ADMINISTRAÇÃO TAVA TUDO ERRADO’”, queixa-se, referindo-se à eleição do presidente Jair Bolsonaro.
“Então, eles tão vindo nesse caminho, de querer mostrar que tudo que os outros estavam fazendo tava errado. Então, pode ter certeza, meu amigo, esse ‘VERME’ aí ele vai ô…primeiramente irmão: ‘MEXEU, NÃO TEVE UMA RESPOSTA, ATÉ AGORA NÃO TEVE UMA RESPOSTA AINDA!’. Os cara falou o quê? Falou: ‘oh mano, os cara não quer, não quer guerra’. Mas só que o… ‘A GENTE TEM QUE DESESTRUTURAR AS PEÇA CHAVE’. As peça chave que ele sabe que eles tem o tabuleiro quem é”, acrescenta.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma facção criminosa que surgiu nos presídios de São Paulo, e até hoje o eixo de seus esquemas está situado no estado. “Elias” então, afirma que o governo federal está atento ao que acontece nas lideranças da facção detidas no estado.
“Os cara sabe os tabuleiro que é de dentro de São Paulo, do Progresso. Os Estado têm o tabuleiro que anda, mano. E essa operação, pode ter certeza meu amigo, que ela não vai ser só pra dentro do sistema não, hein. A operação do mesmo jeito que os cara fizeram (ininteligível), que os caras fizer isso no sistema, os caras estão fazendo na rua ou vão fazer na rua também!”, afirma, prevendo um combate aos criminosos que ainda não foram presos.
“Cê tá ligado, eles pegava os irmão que tava fechando no Resumo, estava fechando no Resumo do Progresso, as pessoa que ele sabia que tava ali na liderança ali na frente e mandava lá pra aquela quebrada. Pra você ver que um monte de irmão que tá naquela quebrada ali, ele tava fechando no Resumo, no Progresso, no Resumo de São Paulo. Então, vários irmãos que tão ali, era os irmão que tava na frente do sistema”, diz, referindo-se ao isolamento das lideranças do PCC nos presídios de segurança máxima.
Por fim, “Elias” volta a falar na relação da facção com o PT, em termos idênticos ao da conversa anterior: Esse MORO aí mano, ESSE CARA AI É UMA F**** DA P***, mano. Esse cara aí é um f**** da p*** mesmo, mano. Ele veio pra atrasar. ELE JÁ COMEÇOU A ATRASAR O … QUANDO FOI PRA CIMA DO PT. Pra você ver, o PT COM NOIS TINHA DIÁLOGO! O PT TINHA UM DIÁLOGO COM NOIS CABULOSO, mano, é porque é situações que não dá nem pra gente ficar conversando essas caminhada pelo telefone, mano. Mas o PT, ele TINHA UMA LINHA DE DIÁLOGO COM NOIS CABULOSA, mano”, conclui.

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